Ouvi há pouco no Telejornal da RTP1 que um menino de dez anos, que frequentava o 5º ano na Escola Pedro de Santarém, se suicidou hoje por enforcamento em casa porque não aguentou a pressão nem o gozo - a maldade! - dos colegas, parece que porque tinha as orelhas grandes... Fiquei de lágrimas nos olhos. Veio de seguida uma pedopsiquiatra falar do drama do bullying nas escolas e chamar a atenção para este sacrilégio que acontece - e sempre aconteceu - nas escolas que não apenas nas públicas.
É, de facto, um dos grandes problemas da escola - mais do que os bons ou os maus resultados, mais do que a indisciplina, mais do que as falhas de equipamentos - é o do bullying. E este fenómeno não passa apenas pelas cenas de pancada entre alunos. Trata-se de uma forma de violência ao nível dos sentimentos, das palavra e dos medos, das provações e das angústias mais íntimas que marcam muito mais profundamente que uns socos.
Foram muitos, infelizmente, os casos deste tipo com que tive de conviver enquanto professora e, mais ainda, como presidente (para não falar como aluna e colega) e garanto que são seriamente dramáticos e marcantes. O que se diz a uma menina de dez ou onze anos que é gozada, maltratada e ostracizada pelo grupo só porque se veste humildemente, muito humildemente? Como se trata com o caso de um rapaz super tímido a quem todos todos gozam e zurzem porque está perdidamente apaixonado pela coleguinha linda, "filha de família" e querida por todos os bonitões da turma? Como se faz com aquela menina a quem todos chamam de "Miss Piggy" porque ela até faz lembrar a dita figura? Lembrei estes exemplos por serem daqueles que qualquer adulto menos sensível ou menos avisado é capaz de ignorar. Mas garanto-vos que, nas idades destas crianças e adolescentes que me passaram pelas mãos ao longo de uma vida inteira, estes dramas que são mesmo dramas e a que os adultos não dão importância nenhuma por os considerarem mínimos, senão inexistentes e ridículos, marcam, doem, causam muito sofrimento interior. E é preciso muito força, muito apoio direto, muita conversa ao nível deles para evitar o pior.
É precisa muita atenção aos sinais que eles nos estão sempre a lançar. E cabe aos pais e mais ainda aos professores por não estarem tão próximos como os pais - ou melhor, por estarem numa proximidade diferente - darem-se conta desses pequeninos grandes dramas e dar-lhes força, uma força natural, franca e benigna para eles suportarem a enorme dor da diferença. Ou então - e se estivermos em posição disso - pôr os causadores em sentido. Desmascará-los. Castigá-los se for caso disso. Eu fi-lo e não me arrependo!