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quarta-feira, 7 de março de 2018

Ano Europeu do Património Cultural

Por proposta da Comissão Europeia aceite pelo Parlamento Europeu, o ano de 2018 foi declarado Ano Europeu do Património Cultural. O AEPC 2018 «é enquadrado pelos grandes objetivos da promoção da diversidade cultural, do diálogo intercultural e da coesão social, visando chamar a atenção para o papel do património no desenvolvimento social e económico e nas relações externas da União Europeia.»

Ao abrir oficialmente este Ano Europeu, o comissário europeu para a Educação e Cultura que «não estamos apenas a falar de literatura, arte, objetos, mas também de competências aprendidas, de histórias contadas, de alimentos que consumimos e de filmes que vemos.»

A propósito, o Professor Guilherme de Oliveira Martins, Coordenador Nacional do AEPC 2018, escreveu que «precisamos de preservar e apreciar o nosso património, como realidade dinâmica, para as gerações futuras. Compreender o passado, cultivá-lo, permite-nos preparar o futuro.» (…) «Procuramos, assim, sensibilizar a sociedade e os cidadãos para a importância social e económica da cultura - com o objetivo de atingir um público tão vasto quanto possível, não numa lógica de espetáculo ou de superficialidade, mas ligando a aprendizagem da História e o rigor no uso e na defesa das línguas, articulando educação e ciência, numa perspetiva humanista, aberta e exigente.» (…) «O conceito moderno de património cultural, definido na Convenção de Faro do Conselho da Europa de 2005, valoriza a memória e considera-a fator de cidadania, de dignidade e de democracia - eis o que está em causa.»

A RTP2 – “culta e adulta” como eles gostam de dizer – apresentou ontem, integrada no jornal das nove, uma longa reportagem ligada ao património com centro na belíssima Torre dos Clérigos, passando à respetiva Igreja e à Casa da Irmandade e falando largamente do seu arquiteto, Nicolau Nasoni (1691-1773), um toscano fixado em Portugal, no Porto mais propriamente, onde casou e realizou vários trabalhos de arquitetura e de pintura, acabando por ser sepultado na cripta da Igreja dos Clérigos.

Sobre este artista italiano chamado para proceder a melhoramentos na Sé do Porto, escreveu o Cabido da Sé o seguinte:

«Para se fazerem logo com perfeição e acerto todas as obras, e se evitar o perigo de se desmancharem e fazerem 2ª vez por falta de preverem os erros, vieram não só de Lisboa, mas de outros reynos, arquitectos e mestres peritos nas artes a que erão respectivas as obras. Veyo Niculau Nazoni arquitecto, e pintor florentino exercitado em Roma, donde foi chamado a Malta para pintar o pallacio do Grão M(estre)…» (in Wikipedia)

(Deixo aqui algumas fotografias retirada da Wikipedia que ilustram um pouco o excelente património mostrado no programa que refiro acima.)


(Conjunto dos Clérigos)





(Interior da Igreja)

(Capela-Mor)

(Retábulo de Nº Sº da Assunção)

(Urna do Santíssimo Sacramento)

(Órgão da Igreja)

(Cadeiral da Igreja)

(Edifício da Irmandade, grande mesa de reunião dos mesários)

(Vista do Porto da Torre dos Clérigos)


segunda-feira, 6 de julho de 2015

São do Norte, carago!!

Sabemos bem que o pessoal do Norte não tem papas na língua e usa o vernáculo facilmente e sem acinte.

Por isso não é de admirar que as reações ao Não dos nossos confrades gregos no referendo de ontem se tenham feito sentir tão rapidamente numa das ruas do nosso belo e simpático Porto...



sábado, 11 de abril de 2015

Ensinem esta gente a falar português!

Anda meio mundo por este «jardim à beira-mar plantado» a bater no acordo ortográfico de 1990 por causa de menos um p ou menos um c que nem se pronunciam inventando mentirinhas e falácias como aquela patetice do «cágado» e do «cagado» (porque a ignorância é tanta que nem sabem que as esdrúxulas são todas obrigatoriamente acentuadas) e ninguém se preocupa em ensinar esta juventude a falar convenientemente.

Hoje telefonei para um restaurante que vende refeições para fora a fazer uma encomenda para um quarto para uma e diz-me a menina que me atendeu lá do outro lado: «então isso é para as 12 e 45, não é?» Depois de lhe parecer que eu estaria a falar chinês, acabei por lá chegar à hora marcada (fosse ela qual fosse…) e nem pedido havia registado! Mas isso é outro assunto que nada tem a ver com o conhecimento da língua portuguesa…


(Casa da Música - foto de F. Mendes)

Ontem, como toda a gente sabe, celebraram-se os dez anos da inauguração da Casa da Música e a TVI, numa iniciativa muito louvável, juntou-se às comemorações fazendo um acompanhamento próximo, divulgando o espaço, a sua construção, concertos, como os visitantes são conduzidos pela Casa por guias que vão mostrando e explicando o que deve ser conhecido. Muito bem! Quando lá fui há cinco anos, infelizmente ainda não havia este serviço. O pior foi ver uma jovem guia, que parecia bem conhecedora e bem desembaraçada, dirigir-se ao grupo de visitantes por «Vocês»… Apanágio da gente nova e dos vendedores que levam «injeções» de marketing à americana, ninguém lhes diz que o tratamento por «você(s)» não deve ser utilizado com pessoas que não conhecemos – é extremamente indelicado!!

Isto para não falar na «perca» (que não do Nilo, mas de oportunidades ou de direitos) ou no «houveram» com que os “nossos” bem-falantes políticos nos brindam constantemente, ou na avalanche de termos americanos infiltrados por via das ciências da gestão e sem os quais parece que já ninguém consegue viver.


É que a nossa língua, a dita «língua de Camões» com que toda a gente enche a boca para enfatuadamente atacar o pobre do acordo ortográfico de 1990, não precisa de infiltrações americanas porque é rica e plástica de mais! O pior é que também é difícil de mais e muitas dessas pessoas não a conhece bem.


(Casa da Música - Reflexos - foto de F. Mendes)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Porto

«O portuense é o homem mais dedicado, mais serviçal, mais bom homem. Sòmente há três coisas de que êle não gosta – e nesse ponto é maus brincar com êle. Não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiosa bizarria.»

(Ramalho Ortigão, in “As Praias de Portugal”, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1943)


E recebe os lisboetas e os outros todos assim...

(imagem da net)











(Foto de Francisco Mendes)


(Foto de Francisco Mendes)


(Foto de Francisco Mendes)







domingo, 19 de janeiro de 2014

Eugénio de Andrade



O poeta Eugénio de Andrade completaria hoje 91 anos. Todos sabemos que a sua terra do coração foi o Porto onde se radicou em inícios de 50 e onde morou até à sua morte em Junho de 2005.

E é por isso que deixo aqui um trecho de prosa sua (de que não encontrei a data) sobre a sua cidade querida. (e que tirei daqui)

(…)
«A grande trindade poética que lavra, nesta pedra escura, o perfil seguro do Porto – Fernão Lopes, Garrett e Camilo – leva fatalmente à cidade uma pessoal visão de mundo, o seu génio próprio. O Porto de Fernão Lopes é quase legendário: heróico e honrado; o de Camilo, grotesco e dramático; o de Garrett irónico, pitoresco e sentimental. São três tempos (em duplo sentido: histórico e musical) do seu carácter que, embora esquematicamente enunciados, nos permitem algumas aproximações. A cidade viril de Fernão Lopes é ainda a de Herculano, Ramalho, Jaime Cortesão e Miguel Torga; Raul Brandão, Pascoaes e Agustina estão, de algum modo, na continuação do pessimismo de Camilo; de Garrett parte, dessorada, perdido por completo o seu impenitente humor, toda uma toada que de Júlio Dinis e António Nobre vem desaguar em tanta loa tacanhamente regionalista e deprimente. Isto para falarmos apenas de quem mais se debruçou na alma destas pedras, bem pouco transparente, como se vê.

Não sei como é que a palavra se insinuou: convenhamos que vem pouco a propósito. A transparência é aqui nostalgia: até a luz terá a cor do granito. Mas o granito é às vezes de oiro velho, e outras azulado, como o luar escasso que nesta noite de outono escorre dos telhados. Quando o sol, mesmo arrefecido, incide nos vidros, as mil e uma clarabóias e trapeiras e mirantes da cidade enchem o crepúsculo de brilhos – o Porto parece então pintado por Vieira da Silva: é mais imaginário que real. Para as bandas de S. Lázaro, as ruas estão coalhadas de silêncio. Os passos de quem regressa tarde a casa são raros, até os mais leves se ouvem à distância. Na noite alta, o repuxo do jardim tem a nitidez de um coração muito jovem. Fora as magnólias, não há árvore com folha. Os bancos estão desertos – os trolhazitos que por aqui se aquecem ao sol, à hora do almoço, devem ter adormecido nalgum canto dessas casas em vias de construção, que há um pouco por toda a parte. Dormem enrolados no friinho que principia a rondar. Os cafés fecham as últimas portas. Saem os retardatários um pouco aos bandos, quase todos jovens. Barulhentos, sem pressa, encaminham-se para a Batalha. Um automóvel, rápido; outro; outro ainda. Um dos moços assobia. As palavras da canção ecoam-me na cabeça:

If you’re going to San Francisco
be sure to wear some flowers in your hair…» (...)


(Fotografia do Francisco Mendes)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Livrarias

Os nossos livreiros resolveram, como os seus colegas espanhóis, escolher o dia de amanhã para celebrar o dia da sua própria profissão, o Dia do Livreiro e das Livrarias. (ver mais aqui)

A propósito e com certa ironia talvez, deixo aqui imagens de duas livrarias muito especiais:

A Livraria Avis/Restaurante Book no Porto.(com fotografias do meu genro Francisco)










E da Livraria Cruz  em Braga (vê-se bem que as fotografias seguintes não são do genro: são mesmo da sogra...)











Não esqueçam: amanhã é dia de visitar as livrarias. Destas e/ou das outras. Como esta.




sexta-feira, 25 de junho de 2010

Regata de Barcos Rabelos no Rio Douro


Foi ontem, dia de S. João, feriado na cidade do Porto, que se realizou mais uma regata de barcos Rabelos no rio Douro. Que bonito deve ter sido de ver sair aqueles belos barcos que no século passado transportavam as pipas de vinho desde as quintas que povoam as margens do rio até às caves em Vila Nova de Gaia.


Actualmente estes barcos já não são utilizados para o transporte de vinho, e muitos deles encontram-se atracados em Gaia "decorando" a margem e fazendo publicidade às marcas.

Então, uma vez por ano, saem para a prova a que se assistiu ontem de novo, representando as respectivas marcas e com os velejadores vestidos a rigor com as vestes das suas confrarias. Depois é só esperar que o vento sopre de feição!








A "prova" começa na foz dirigindo-se até à ribeira, junto à ponte de D. Luiz I. Que bela paisagem naquele rio Douro meio selvagem que mal se deixa sujeitar pelas margens que o apertam e limitam sem o deixarem espraiar-se! E com aquela luz meio translúcida característica do Porto, que desce sobre nós quando, na curva, somos surpreendidos por aquelas pontes de ferro tão bonitas!