quarta-feira, março 26, 2014
Aos olhos de uma criança
"Aos olhos de uma criança" é uma canção composta pelo rapper Emicida para o filme de animação "O Menino e o Mundo" o grande vencedor da edição deste ano do festival MONSTRA.
Este filme brasileiro de Alê Abreu é realmente uma obra bastante especial e com uma banda sonora portentíssima que se torna imediatamente parte do DNA de todo o filme. A cargo da música além de Emicida temos Naná Vasconcelos, os Barbatuques e os GEM-Grupo Experimental de Música.
Tendo encontrado este vídeo de "Aos olhos de uma criança" que contém imagens do filme, achei que era uma boa forma de dar a conhecer tanto a sua música como o filme em si. Disfrutem é bem bonito.
segunda-feira, março 17, 2014
MONSTRA 2014 – Sessão de Abertura
Na passada Sexta-Feira abriram-se oficialmente as portas do festival com uma sessão apresentada pelo entusiástico Fernando Galrito (director do festival) e que primou por nos apresentar uma breve, mas estimulante, amostra daquilo que nos espera durante a próxima semana no festival.
Mais sobre a sessão de abertura aqui na Rua de Baixo.
sexta-feira, março 14, 2014
MONSTRA 2014
Continuo a achar que este é o festival que mais procura discutir outras expressões artísticas de forma a misturá-las com a linguagem da animação. Faz sentido se nos recordarmos que esta é uma arte que nasce do experimentalisto.
Mais sobre o festival aqui.
quinta-feira, março 21, 2013
Crulic: The Path to Beyond
O mais recente filme da romena Anca Damian, “Crulic: The Path to Beyond”, foi exibido esta semana no festival MONSTRA no âmbito da competição de longas metragens.
Neste filme, Anca Damian, pretende dar-nos a conhecer a história de um conterrâneo seu, Claudiu Crulic, um romeno que aos 33 anos de idade faleceu numa prisão polaca devido a uma greve de fome. O filme começa com a notícia da sua morte que, pela voz de Vlad Ivanov, nos irá recontar a história da sua vida a culminar neste fatídico e trágico dia.
Para saberem mais sobre o grande vencedor do festival MONSTRA (prémio melhor filme) - e o qual aconselho fortemente a sua visualização - falei dele aqui.
segunda-feira, março 18, 2013
From Up on Poppy Hill
No festival MONSTRA foi apresentado um dos últimos filmes oriundos do famoso estúdio Ghibli, falo de “From Up on Poppy Hill”, de Gorō Miyazaki. Pelo nome é simples fazer a ligação familiar, Gorō é o filho de um dos nomes mais importantes da animação japonesa Hayao Miyazaki. Um nome que se prova poderoso e para isso basta confirmar a maior afluência que se deu no São Jorge para a visualização deste filme. Claro que, se por um lado o nome Miyazaki veio abrir várias portas a Gorō, por outro, eleva a fasquia dos seus filmes a um patamar muito elevado – não há bela sem senão.
Apesar de o filme ser realizado por Gorō Miyazaki também conta com o envolvimento do seu pai, que juntamente com Keiko Niwa esteve responsável pelo argumento do filme, uma adaptação do manga de Chizuru Takahashi e Tetsurō Sayama. Num filme em que a paternidade tem um papel tão importante, esta colaboração entre pai e filho torna-se ainda mais especial.
”From Up on Poppy Hill” tem todo um ambiente muito saudosista. Começando pelo argumento que nos remete imediatamente para uma determinada fase dourada da nossa infância, bem como o retrato de um Japão mais antigo. Em termos da animação é de salientar a atenção dada aos cenários, nomeadamente às paisagens, algo que poderá estar intrinsecamente ligado à primeira área profissional do realizador, que se formou na escola de agricultura da universidade Shinshu, antes de ter enveredado pelas pisadas do pai. Gorō, afastou-se cedo da animação por considerar que nunca atingiria o nível do seu pai, felizmente nos últimos anos acabou por reconsiderar e baseando-nos neste filme, ainda bem que o fez.
Independentemente da qualidade da história, sempre directa e que se desenvolve sem grandes surpresas, “From Up on Poppy Hill” possui um certo charme de tempos passados, de sentimentos puros e de causas justas, que é absolutamente irresistível. No seu âmago é um filme carregado de bons sentimentos, que nunca são demais recordar.
Publicado originalmente na Rua de Baixo no âmbito do festival MONSTRA 2013.
domingo, março 17, 2013
MONSTRA 2013: SEGUNDO DE CHÓMON – RETROSPECTIVA
Uma das retrospectivas mais aliciantes, a decorrer no festival MONSTRA, foi a de Segundo de Chómon. Considerado o realizador espanhol mais importante da era do cinema mudo e cujos famosos truques de câmara lhe valeram comparações com Georges Méliès, tendo sido até alcunhado de “O Méliès Espanhol”. É perfeitamente lógico, se não mesmo, inevitável comparar os trabalhos de ambos os realizadores, contudo, é de salientar que, se Méliès foi um pioneiro no campo da edição, Chomón, foi-o no da animação.
Mais sobre esta retrospectiva - um dos pontos mais fortes do cartaz deste ano - aqui.
sábado, março 16, 2013
Who Framed Roger Rabbit na MONSTRA
Porque nunca é demais lembrar, "Who FRamed Roger Rabbit", vai passar amanhá às 20h00 no Cinema City Alvalade no festival MONSTRA. Este é um dos melhores filmes dos anos 80, uma verdadeira pérola cinematográfica que para mim é o maior triunfo de Robert Zemeckis (este e o Back to the Future).
Um dos filmes que mais vi na vida e que tenho descurado das listas que construí de filmes da minha vida, onde este merece certamente um lugar.
A quem puder ir, não percam a oportunidade de recordar porque os anos 80 trouxeram tanta diversão e criatividade ao cinema.
Entretanto aproveito para sublinhar a qualidade do cartaz deste ano que tanto em termos de clássicos como de novos projectos está muito bem servido. Falarei sobre mais filmes quando os artigos que fiz sobre os mesmos forem publicados na Rua de Baixo.
sexta-feira, março 15, 2013
MONSTRA 2013 – Brasil e Espanha
Este ano o festival MONSTRA teve não um, mas dois países convidados - Brasil e Espanha - o que resultou em duas sessões de abertura.
Na primeira, a do Brasil, destaque para a curta “Rai Sossaith” (2011) de Thomas Larson e "Um Outro" de Chico Liberato, um dos realizadores homenageados e presentes no festival.
Na sessão de abertura dedicada a Espanha exibiu-se "O Apóstolo" filme galego em stop-motion que muito tem dado que falar (também passou pelo Fantas). Mas antes tivemos direito a uma curtíssima viagem no tempo sobre o cinema de animação espanhol com a exibição de “Electric Hôtel” (1908) de Segundo de Chómon e “Sinsis” (2012) de Carmen Lloret.
Para saberem mais podem ler aqui o artigo que escrevi sobre ambas as sessões e que já se encontra disponível na Rua de Baixo.
domingo, março 03, 2013
MONSTRA 2013
Este ano a MONSTRA regressa maior do que nunca com, não um, mas dois Países a serem homenageados. Falamos do Brasil e de Espanha, dois Países, que segundo Fernando Galrito, o director artístico do festival, estão em termos de animação “muitos mais ligados à sua etnologia e etnografia, do que outras cinematografias internacionais”.
Para saberem mais sobre o que este festival nos irá trazer cliquem aqui para ler o que escrevi na "Rua de Baixo" ou consultem o site oficial. Quero só salientar que este ano irão ser exibidos, no campo dos mais antigos: "Akira", "Who Frammed Roger Rabbit" e “Hotaru no Haka” (“Túmulo dos Pirilampos”).
quinta-feira, março 29, 2012
MONSTRA 2012
Para ler alguns apontamentos continuar aqui.
terça-feira, março 13, 2012
MONSTRA 2012
segunda-feira, março 28, 2011
MONSTRA 2011: Piercing 1 e L’illusionnist
Da China chega-nos o muito interessante “Piercing 1″ de Liu Jian. Um nome até à data desconhecido no mundo da animação e que tem dado que falar com esta sua longa-metragem, tendo já conquistado em Portugal o prémio de melhor longa-metragem no Cinamina em Espinho e agora aqui na MONSTRA.
Este filme é mais uma prova de como a paixão pode levar à realização dos nossos sonhos. “Piercing 1″ é o sonho e trabalho de um homem só, Liu Jian. O filme é independente e não teve qualquer apoio do governo Chinês. Jian teve mesmo de vender a casa para poder concretizá-lo. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” (Fernando Pessoa). E valeu.
Utilizando um tipo de animação que evoca os saudosos Beavis and Butt-Head o autor conta-nos uma história sentida sobre a vida no seu país de origem durante a crise financeira que os tem afectado nestes últimos anos.
Na história seguimos Xiao Zhang, um jovem que veio da aldeia para a grande cidade com o objectivo de ter uma vida melhor, uma história facilmente reconhecida no mundo. No entanto os tempos agora são outros e onde o seu pai teria triunfado ele actualmente não consegue. Após perder o seu emprego considera a hipótese de regressar para junto dos pais, mas não sem antes se envolver numa série de encontros dos quais nada terá a beneficiar. Até quando tenta ajudar uma senhora idosa que tinha sido atropelada acaba por ser ele próprio acusado de tal crime sendo posteriormente torturado pela polícia (na busca de uma falsa confissão). Uma visão da China que não surpreenderá muitos e isto sim é que é realmente triste.
O final é digno de um filme dos irmãos Coen, com uma série de planos mirabolantes que nunca resultam como esperamos.
L’illusionnist
Na sessão seguinte chegou-nos “L’illusionnist” de Sylvain Chomet, já bem conhecido pelo seu trabalho anterior “Le triplettes de belleville”. Este foi, dos filmes mais actuais, o único a ter passado por cá nos circuitos comerciais nutrindo já de um grande reconhecimento e por isso mesmo não é de estranhar que tenha vencido o prémio do público aqui na MONSTRA.
Este foi também um filme que deu muito que falar ainda antes de ter estreado ou não tivesse argumento do saudoso Jacques Tati. Pessoalmente este encontro entre o humor de Tati e a animação de Chomet foi um momento maravilhoso, adorei esta peça de animação cujo resultado acaba por estar mais próxmo do título traduzido para português, ou seja, mágico.
O filme conta a história de um ilusionista francês que durante o seu percurso de espectáculos acaba por conhecer uma jovem mulher na Escócia que o segue desde então acreditando fielmente que tudo o que ele faz é magia.
Os tempos são duros para os ilusionistas, a maioria das pessoas já não se interessa por magia e os seus espectáculos acabam por ser drásticamente reduzidos. A jovem com quem está agora, não se apercebe de tais problemas, tudo para ela se resolve por magia e o ilusionista tudo faz ao seu alcance para a manter a viver nesse mundo mágico e sonhador. Mas nada dura para sempre, muito menos uma ilusão.
Publicado na Rua de Baixo por Gabriel Martins (Loot)
quarta-feira, março 23, 2011
MONSTRA 2011 – Abertura Oficial
Como nos têm vindo a habituar, as sessões de abertura deste festival são sempre muito bem pensadas e cuidadas, primando também pela diversidade artística sempre conectada com a animação. Como o próprio Francisco Galrito menciona, a MONSTRA é um festival de animação que pretende ser também um encontro entre diversas formas de arte.
Ao nos sentarmos na sala somos presenteados com uma pequena lanterna, “fará parte do espectáculo” alguém nos profere. É caso para dizer que a sessão ainda antes de começar já entusiasmava e aguçava ainda mais a curiosidade do público.
Segue-se então o espectáculo Pika Pika oriundo do Japão (um dos países cujo cinema de animação tem mais destaque nesta edição a par com o convidado, Holanda). A ideia consiste em usarmos o feixe de luz das nossas lanternas para desenharmos algo no ar enquanto o nosso movimento é captado por uma câmara (“também funciona com a luz do telemóvel” avisava a tradutora). No final criou-se um efeito de animação entre todos os desenhos elaborados, um espectáculo que divertiu todo o auditório.
Este ano a apresentação deixou de estar a cargo de Fernando Galrito para passar a ser responsabilidade do comediante Luis Franco Bastos, bem conhecido pela sua capacidade de imitação de figuras públicas. Foi uma boa aposta dotando toda a sessão de um pouco mais de humor.
Para terminar e como não podia deixar de ser, veio o cinema de animação em todo o seu esplendor e glória, coma exibição de quatro curtas do Holandês Michael Dudok de Wit: “Tom Sweep”; “The Monk and the Fish”, “The Aroma of Tea” e “Father and Daughter”.
As duas primeiras mais voltadas para a comédia rapidamente conquistaram as gargalhadas da plateia. A terceira e mais experimental, “The Aroma of Tea” consiste na sua última curta que é inteiramente feita usando chá, impressionante. Dudok de Wit é um mestre, não havia dúvidas disso por esta altura, mas se me pedissem para eleger o momento mais alto desta sessão foi sem dúvida o final de “Father and Daughter”, talvez o filme mais premiado do realizador. Esta história ternurenta sobre uma filha que após se separar do pai o aguarda durante toda a vida, arrebatou a audiência que fez questão de o demonstrar naquela que foi a salva de palmas mais sonora e sentida da noite.
A MONSTRA começou e que bom que isso é.
Publicado em Rua de Baixo por Gabriel Martins (Loot)
quarta-feira, março 16, 2011
ZONA MONSTRA - Lançamento
No próximo dia 26 de Março no festival de cinema de animação, MONSTRA, pelas 18:45 será lançada a nova revista de BD da Zona, a "Zona Monstra".
A capa já está a ser divulgada e é da autoria de Filipe Andrade, actualmente a desenhar para a Marvel.
Nesta edição que conta com cerca de 30 autores, volto a participar com uma curtíssima história intitulada "Cabaret Monstra", uma pequena brincadeira dedicada a um dos meus festivais predilectos e que é desenhada pelo Fil o grande criador e impulsionador deste projecto.
Para mais informações consultem o blog da Zona.
quinta-feira, março 10, 2011
MONSTRA 2011
A MONSTRA está de regresso e já tinha saudades.
Para os apaixonados por este género ou para aqueles que o querem conhecer melhor é de aproveitar este festival que dura apenas uma semana e que promete, como sempre, ser intenso.
O país convidado é a Holanda e o festival irá decorrer entre 21-27 de Março.
Para mais informações entrem no site oficial ou leiam na Rua de Baixo o texto de Gonçalo Trindade sobre a apresentação do programa deste ano.
quarta-feira, março 10, 2010
MONSTRA 2010
É já amanhã que a MONSTRA abre as portas ao público para mais um ano. Desta feita o 10º.
Entre 11 e 21 de Março o cinema São Jorge e outros espaços irã dedicar-se de corpo e alma a esta paixão que é o cinema de animação.
Para saberem mais sobbre este festival podem ler uma entrevista a Alexandra Bobolina (membro da equipa da MONSTRA) conduzida por Gonçalo Trindade aqui.
Ou também um artigo sobre Cristiano Mourato, o vencedor do prémio para o melhor filme de animação português em 2009, da minha autoria, que pode ser lido aqui.
domingo, fevereiro 21, 2010
Formação MONSTRA 2010
quarta-feira, abril 01, 2009
MONSTRA Sexta-Feira 13
Esta obra de animação é da autoria da realizadora Americana Nina Paley e trata-se de um filme sem qualquer propósito comercial onde a própria realizadora pede para todos nós o vermos e distribuirmos. Por isso a todos os interessados o filme encontra-se disponível para download na página oficial que se encontra disponível na zona dos links externos deste artigo.
A narrativa ao longo do tempo vai mudando de tom, podendo ser dividida em três partes, cada uma característica por um estilo de animação distinto que permitem identificar facilmente em que qual dos ambientes nos encontramos. Por um lado temos os momentos em que a história é narrada por três divertidos shadow puppets indianos que proporcionam algumas das melhores gargalhadas no filme ao misturarem os relatos da lenda com as suas opiniões pessoais e é filmada utilizando animação fotográfica. Os segmentos que contam a história de uma forma mais tradicional utilizam pinturas que se assemelham ao estilo tradicional indiano Rajput. Por fim, e não fosse o título do filme “Sita Sings The Blues”, temos a parte musical onde Sita canta canções da artista jazz Annette Hanshaw. Este segmento baseia-se num estilo de animação gráfico que utiliza figuras geométricas para construir as imagens.
Paradoxalmente à história principal existe um segmento autobiográfico que conta a história de um casal que vive em São Francisco mas que se começa a distanciar quando o marido aceita uma proposta para ir trabalhar para a Índia. Esta parte é caracterizada também por ter um estilo distinto de animação, neste caso a técnica utilizada é a Squigglevision onde as formas são criadas de forma a tremerem e ondularem.
No que toca à competição da MONSTRA acabou por levar para casa o prémio especial do júri.
Cabaret Voltaire: Lauro Palma
A banda convidada para esta noite foram os Lauro Palma que a seguir à visualização de “Sita Sing The Blues” concluíram mais um dia do festival.
O concerto teve início com uma das canções mais viciantes do grupo “Cá se fazem cá se pagam” e apesar de terem “entrado a matar” confesso que preferia tê-la ouvido no final mesmo antes de ir para casa.
Sintetizadores e letras parodistas sobre os mais variados temas, desde uma “famel no Paris Dakar” ou “uma mosca sem valor que pousa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria” são a grande imagem de marca dos Lauro Palma que conseguiram acima de tudo entreter e divertir o público.
Uma das ideias originais do director Fernando Galrito para estes momentos musicais consistia em que estes incluíssem também uma estética de imagem ligada idealmente ao cinema de animação Suíço ou ao realizado pelos estudantes para a competição. Apesar de a intenção original não ter acontecido, de certeza que foram poucos aqueles que não saíram muito satisfeitos depois de terem assistido a este divertidíssimo momento musical que fará garantidamente furor em qualquer arraial académico.
Texto publicado nas reportagens da edição de Março da Rua de Baixo.
terça-feira, março 17, 2009
Sessão de Abertura da 8º edição da MONSTRA
Como o experimentalismo é algo que se encontra muito presente no cinema de animação, pois na sua base sempre foi uma forma de arte onde se experimentava tudo, não deixa de ser muito interessante a ideia de passarem este “28” não na sua versão cinematográfica mas numa versão feita especialmente para o festival. A ideia passou por mostrar inicialmente o filme em silêncio e depois novamente com uma banda sonora composta por António Sousa Dias, de forma a revermos as mesmas imagens mas quem sabe experienciando-as de uma forma diferente, como se fosse quase um outro filme. Infelizmente a exibição ficou marcada com alguns problemas sonoros e por isso ficou prometida uma segunda exibição a decorrer na sessão de encerramento. Tanto José Xavier como António Sousa Dias estiveram presentes e partilharam algumas palavras com o público após a visualização do filme.
A Suíça, como é já bem sabido, é este ano o país homenageado pela MONSTRA. Nesta sessão de abertura, a retrospectiva de filmes suíços esteve a cargo de George Schwizgebel, um dos nomes mais importantes da animação contemporânea em geral e da Suíça em particular. Schwizgebel estudou em Genebra na “Escola das belas artes e das artes decorativas” e fundou em 1971 a “GDS” um estúdio onde produz e realiza filmes de animação.
A sessão contou com a apresentação do próprio realizador que nos proporcionou a visualização das suas 14 curtas-metragens, entre as quais se encontravam as muito aclamadas “La jeune fille et les nuages”, que nasceu da ideia de contar a história da “Cinderela” e ao mesmo tempo desenhar as nuvens que o autor conseguia ver do seu estúdio, e “L’Hommes sans ombre” que consiste na adaptação do conto de Adelbert von Chamisso, “L’Histoire merveilleuse de Peter Schlemihl”, uma história sobre um homem que vende a sombra ao diabo em troca de riqueza mas que fica condenado a vaguear sozinho pelo mundo ao descobrir que a sociedade o rejeitará por não possuir uma sombra.
Gostaria também de salientar brevemente outras das suas obras que por diferentes motivos me tocaram particularmente. Falo por exemplo da abordagem de Schwizgebel ao conto clássico “Frankenstein” em “Le ravissement de Frank N. Stein” que curiosamente nasceu não da influência do conto de Mary Shelley mas da vontade que o autor tinha em trabalhar com o compositor Michael Horowitz, que compunha música através da junção de fragmentos de som, uma técnica vulgarmente usada na animação, mas obviamente com imagens. Fascinante também foi a viagem pelo mundo da pintura em “Le sujet du tableau” que nos transporta ao longo de várias obras clássicas, desde Verner a Velázquez, num filme cuja ideia inicial era a de contar a história de Fausto que partiria à procura da sua amada Margarida com a ajuda de um Mefistófeles tornado agora pintor, mas que acabou por se tornar em algo completamente diferente. Para terminar falo ainda de “L’année du daim”, uma adaptação de um conto chinês que nos traz uma lição de vida contada de uma forma muito humorística e descontraída através de um veado e de um cão.
Ao longo desta retrospectiva foi-nos dada a oportunidade de entrar neste fantástico mundo de George Schwizgebel e também de um ponto de vista mais técnico observar a evolução e alteração das técnicas usadas por si ao longo do tempo. No entanto algumas das suas obras pediam algum tempo de introspecção, por isso ver 14 dos seus filmes de seguida foi sem dúvida uma experiência bastante intensa.
À saída da sala, já ao som da festa de abertura por parte do DJ RIDE, ficou a sensação de que o festival começou com o pé direito e que promete claramente muitas surpresas ao longo desta semana.
Texto publicado nas reportagens da edição de Março da Rua de Baixo.
Georges Schwizgebel - L'homme sans ombre