Depois do sucesso que conquistou a trilogia "X-Men", este é o filme que pretende contar a origem de Logan, um dos membros mais activos e queridos nos filmes mencionados, ou melhor, este é o filme que pretende contar como Wolverine "recebeu" o seu esqueleto de Adamantium, pois a sua vida antes deste feito é muito pouco explorada contendo apenas uma breve sequência inicial sobre a sua infância que é retirada do livro "Origem" escrito por Paul Jenkins. A história de Jenkins é uma das mais belas sobre este personagem e aqui foi claramente subaproveitada, o que é verdadeiramente uma pena, mas como referi acima o objectivo deste filme nunca se prendeu com esta mas sim outra história e nesse sentido o início consegue em poucos segundos e de uma forma muito simples dar-nos uma breve ideia sobre de onde ele veio.
Feita a introdução ficamos a saber que Logan tem um irmão, Victor Creed e que ambos nasceram no séc. XIX (na minha opinião esta foi uma óptima decisão, pois em filme não havia tempo para complicar e uma ligação fraternal entre estes dois sempre me fez todo o sentido). Creed e Logan são dois mutantes muito similares que possuem exactamente os mesmos poderes variando apenas no tipo de garras. Uma vez que ambos contêm um factor de cura são capazes de sobreviver a terríficos ferimentos e envelhecem a uma velocidade extremamente reduzida, por isso não é de estranhar que durante os créditos iniciais nos mostrem ambos a combater na guerra civil Americana, na 1º e 2º guerra mundial (alguém andou à procura do Capitão América?) e na guerra do Vietname, uma vez que sobreviveram a todas. A grande diferença entre estes dois é que ao contrário de Logan que procura manter sempre o seu lado humano intacto, Creed abraçou com "unhas e dentes" o animal que há em si e por isso ao longo dos anos a distância entre os dois é cada vez mais notória e pouco a pouco os personagens vão-se afastando. Durante a guerra do Vietname são sentenciados à morte por fuzilamento, devido aos actos violentos de Creed que matou friamente um oficial superior ao este o impedir de violar uma jovem rapariga. O "problema" é que não importa a quantidade de cartuchos que despejem nestes dois pois no fim eles irão sempre levantar-se.
Com o tempo Logan vai cada vez mais abominando as actividades assassinas desta equipa e por isso decide afastar-se. Já Creed tem aqui a sua profissão de sonho, ou seja, a possibilidade de viver constantemente numa carnificina.
Passado seis anos vemos Logan a viver nas montanhas do Canadá com Kayla Silverfox e a trabalhar como lenhador. É um homem apaixonado a viver uma vida simples e pacífica. Mas Stryker e Creed ainda não se esqueceram dele. Stryker encontra-se de momento a fazer testes em vários mutantes e precisa de alguém com um factor de cura como o de Logan para testar uma das suas mais recentes ideias, a de cobrir o esqueleto humano com o metal adamantium, tornando essa pessoa virtualmente indestrutível. A vida pacífica de Logan tem assim os seus dias contados.
Não deixei de sentir uma certa pressa em colocar o adamantium em Logan, quase como se o personagem não fosse tão interessantes sem essa particularidade, o que é falso.
Por falar em nomes, reparei que começam o filme a chamar o Wolverine de James mas rapidamente ele fica conhecido por Logan sem darem qualquer tipo de explicação. Este facto fez-me pensar porque eu sei que o seu nome de baptismo é James Howlett e que ele o muda mais tarde para Logan, no entanto, quem não está familiarizado com esta história deve provavelmente assumir que o seu nome é simplesmente James Logan.
Se Brian Cox tinha interpretado um Stryker diabólico em "X2", Danny Huston em nada lhe fica atrás pegando no papel sempre com um grande nível de qualidade.
Infelizmente o filme não consegue acompanhar a qualidade dos actores acima mencionados e esta história maioritariamente sobre a procura de vingança de Wolverine torna-se, com muita pena minha, em algo enfadonho e com pouca profundidade. Onde está o humor e a imaginação característicos de "X-Men" e "X2"? Provavelmente foram-se embora com Bryan Singer.
Taylor Kitsch não deslumbre, mas cumpre no seu papel de Gambit, um dos mutantes mais pedidos para aparecer no Cinema e que ainda não o tinha feito. Visto surgir nesta linha temporal dificilmente fará parte dos X-Men no Cinema, mas como aparentemente teremos sequelas de "Wolverine" acredito que ainda podemos esperar mais deste personagem.
Penso que não é surpresa para ninguém que Wolverine perde a memória, facto bem conhecido na trilogia "X-Men". Na BD são-lhe colocados implantes de memória durante a operação cirúrgica em que recebe o adamantium. Neste filme tal não seria possível uma vez que precisavam do personagem tanto com o metal como com a sua memória intacta e por isso uma nova forma de lhe eliminar as recordações era necessária. Estando num Universo onde existem telepatas não deixo de sentir que a opção tomada para esta acção foi bem parvinha.
SPOILERS
Não queria terminar sem comentar as partes que me deixaram mais triste neste filme, mas para isso tenho de avisar que o que estou prestes a dizer contém spoilers.
Novamente sobre a perda de memória que basicamente consistiu em atirar uma bala de adamantium à testa de Wolverine. Eu sei que uma forte pancada pode causar amnésia, se a pode causar em alguém com um factor de cura já é questionável, agora pior é assumir que essa pancada irá a 100% fazê-lo. Andou Stryker a praticar este acto antes de o usar em Wolverine? Não me parece. Não era muito mais credível ter um telepata a limpar-lhe a mona? O próprio filho do Stryker (que aparece no filme) poderia fazê-lo.
E o que dizer do vilão final? Que horror! E não digo isto por preferir de longe o Deadpool da BD. O personagem foi completamente reformulado para o filme e isso não me traria quaisquer problemas se tivesse sido bem feito. Agora o personagem não transmite carisma nenhum e pior se lhe saem duas lâminas enormes dos braços como é que ele consegue dobrar os cotovelos quando elas estão retraídas? Mas pronto isto já sou eu a ser chato.