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terça-feira, dezembro 06, 2016
terça-feira, novembro 22, 2016
quinta-feira, setembro 29, 2016
Criminosos do Sexo
Já tinha falado deste livro anteriormente, agora aproveitando o lançamento da Devir por estas terras, volto à carga, aqui no Deus Me Livro.
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sexta-feira, abril 29, 2016
Fatale (Volumes 1-4)
Falei dos volumes já editados pela G. Floy de "Fatale" série policial Lovecraftiana de Ed Brubaker e Sean Phillips. Podem ler sobre ela aqui no Deus me Livro.
A sua conclusão será feita no volume 5, a ser editado ainda este ano.
A sua conclusão será feita no volume 5, a ser editado ainda este ano.
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sábado, abril 09, 2016
Southern Bastards Vol. 1: Aqui Jaz Um Homem
A nova série de Jason Aaron e Jason Latour pela Image Comics foi editada por cá pela G.Floy. Uma aposta que vale a pena conhecer e sobre a qual escrevi aqui no Deus Me Livro.
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terça-feira, março 29, 2016
terça-feira, setembro 22, 2015
quarta-feira, janeiro 14, 2015
Saga
Já tinha falado de "Saga" no blog, uma série que sigo assiduamente e com grande atenção. Como no final do ano passado, o primeiro volume foi editado por cá pela G. Floy, fazia sentido voltar a recordar a história de Brian K. Vaughan e Fiona Staples.
Desta vez voltei a escrever sobre ela no "Deus Me Livro", para lerem basta só clicar aqui.
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segunda-feira, julho 07, 2014
Sex Criminals
Dentro das séries mensais norte-americanas, o destaque de Junho vai para o regresso de "Sex Criminals" que tinha entrado num hiato desde o número #5. Já queria ter falado deste projecto da Image, por isso aproveito este retorno para o fazer.
Esta nova série escrita por Matt Fraction e desenhada por Chip Zdarsky, tem sido uma das minhas predilectas de seguir mensalmente. Tendo em conta as nomeações aos Eisner, parece que não sou o único e basta ler o primeiro para se perceber porquê. "Sex Criminals" tem uma aura refrescante em termos de material a explorar e uma escrita muito divertida e bem-disposta que ganha vida em inúmeros painéis que Zdarsky constrói, como se fossem a coisa mais fácil do mundo. O primeiro número tinha tanta informação que logo na página por detrás da capa, a história já começava.
Basicamente "Sex Criminals" começa por nos contar a história de Suzie uma pessoa que têm a capacidade de parar o tempo quando atinge um orgasmo. A seguir entra Jon que conquista logo o coração da rapariga numa cena genial onde o "Lolita" de Nabokov é citado. Como Jon trabalha num banco asqueroso e Suzie está a tentar salvar a biblioteca onde trabalha desse mesmo banco, decidem assaltá-lo - os poderes dela dão muito jeito. Tudo isto é contado previligiando sempre o desenvolvimento das personagens, algo que é um dos pontos mais fortes do livro.
Basicamente "Sex Criminals" começa por nos contar a história de Suzie uma pessoa que têm a capacidade de parar o tempo quando atinge um orgasmo. A seguir entra Jon que conquista logo o coração da rapariga numa cena genial onde o "Lolita" de Nabokov é citado. Como Jon trabalha num banco asqueroso e Suzie está a tentar salvar a biblioteca onde trabalha desse mesmo banco, decidem assaltá-lo - os poderes dela dão muito jeito. Tudo isto é contado previligiando sempre o desenvolvimento das personagens, algo que é um dos pontos mais fortes do livro.
Fica então o conselho, Fraction tem estado em grande na actualidade e este é mais um título que explica porquê. Já agora, vale a pena destacar o design dos livros, com umas capas nunca abaixo do estupendas.
Outro dos grandes momentos desta saga, foi quando Fraction não teve os direitos de uma canção dos Queen para usar na história. Bem, a alternativa reforçam o quanto este senhor tem um humor apurado.
Outro dos grandes momentos desta saga, foi quando Fraction não teve os direitos de uma canção dos Queen para usar na história. Bem, a alternativa reforçam o quanto este senhor tem um humor apurado.
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quarta-feira, maio 28, 2014
Pretty Deadly (#1-5)
Quando o Diogo Campos me chamou a atenção para "Pretty Deadly", o que me captou logo a atenção foi a esplendorosa arte de Emma Rios. Como sempre o desenho é o primeiro impacto na BD, mas sendo a história aquilo que nos mantém fiéis seguidores.
Nestes primeiros 5 números Kelly Sue DeConnick apresenta-nos o universo de "Pretty Deadly", um western carregado de lendas em que a morte assume um papel central. A história é boa o suficiente para nos prender o interesse e tem particularidades muito curiosas como o facto de o narrador ser o esqueleto de um falecido coelho, cujas conversas com uma colorida borboleta trazem mais cor à história. Tudo isto parece um preparar de terreno, um apresentar das personagens e daquilo que as move, para seguirmos Ginny (filha da morte) em posteriores aventuras.
É uma boa introdução, que me convenceu a continuar a seguir o trabalho de DeConnick, mas o que realmente me deslumbrou foi o trabalho de Rios e Jordie Bellaire (responsável pela cor). Desconhecia as autoras e fiquei automaticamente fã de ambas. Pela qualidade do papel e pela suas capas (cuja cor é de Emma Rios). Em "Pretty Deadly" a parte de trás também faz parte da capa e é por pormenores destes que ainda dá mais gozo ter isto em fascículos (ver imagem de cima).
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quinta-feira, abril 17, 2014
Noah
Como havia acontecido com "The Fountain", Darren Aronofsky volta a espalhar a sua nova história em dois meios distintos: o da BD e o Cinema. Desta vez o autor optou por editar o livro em França pela Le Lombard. Mais recentemente já saiu a edição em inglês pela Image Comics e por isso aqueles que como eu ainda não tinham lido isto por se safarem melhor no inglês do que no francês, já o podem fazer.
"The Fountain" havia sido editado originalmente pela Vertigo, no tempo em que Karen Berger ainda era editora. Foi ela quem juntou Aronofsky com Kent Williams, uma parceria que fez tanto sentido e prova quanta sensibilidade esta senhora tinha para a BD. Mas a Le Lombard não ficou atrás ao escolher Niko Henrichon (Pride of Bagdad) para trabalhar neste "Noah". Henrichon volta a brindar-nos com mais um trabalho excepcional da sua autoria e que é quanto a mim a componente mais interessante deste "Noah". Num pequeno aparte o facto de a Image estar a publicar isto em inglês, leva-me a reforçar o quanto esta editora tem dominado (dominado em termos de boas opções e ideias), prova disso são as nomeações aos Eisner Awards que mostram como esta editora está na vanguarda dos comics norte-americanos. Por outro lado é com alguma tristeza que vejo a Vertigo a perder tanto terreno, mas pelo menos parece estar a ter alguns títulos de interesse (além do novo Sandman).
Aronofsky volta também a trabalhar com o escritor e neurocientista Ari Handel, desta vez tanto na BD como no filme "Noah". Anteriormente já tinham trabalhado juntos no argumento do filme "The Fountain".
Em relação à história, é a parábola biblíca sobre Noé, o homem que juntamente com a sua família foi o único sobrevivente do grande dilúvio. A abordagem de Aronosky é uma distinta certamente, mas não deixa de ser a história de Noé, que, sinceramente, nunca foi das minhas predilectas. Em relação a esta abordagem em particular tem pontos interessantes, mas quase todos na segunda metade do livro, pois a primeira, apesar de visualmente impressionante, deixa mais a desejar.
No início somos apresentados ao homem que é Noé, à sua família e a parte da civilização desta Terra, uma muito pequena que serve para nos mostrar o quanto o Homem seguiu um caminho negro e o quanto Noé se encontra no outro espectro. Aronofsky toma muitas liberdades ao criar esta sociedade que parece beber de uma qualquer atmosfera apocaliptica de ficção-científica. Acho que li algures uma evocação ao "Mad Max" e parece-me bem empregue a comparação.
O mais relevante vem na segunda metade do livro quando o dilúvio se inicia. Noé compreende que tanto a luz como as trevas vivem no coração do Homem e que a única forma de eliminar essa escuridão do planeta é eliminando o Homem. Isso leva-o a seguir um caminho tenebroso que o colocará em directo conflito com a família durante a viagem na arca. Aqui largamos o lado mais aventureiro e entramos no campo do drama que o autor domina melhor.
Um aspecto bastante interessante é que apesar de estarmos no campo das parábolas biblícas, quando se menciona a origem da vida, temos uma clara alusão ao evolucionismo (mesmo que surjam os bíblicos Adão e Eva). Isso é claro quando se mostra uma célula que parece ser o LUCA (last universal common ancestor) e também na evolução das espécies.
É, como referi, uma abordagem muito particular à história da arca de Noé. Foi uma surpresa ver Aronofsky a pegar neste conto, não o sabia tão entusiasta de uma das histórias mais apocalipticas da Bíblia. Mesmo assim esperava mais desta BD. Se o filme for assim, arrisco-me a dizer que será o mais fraco na sua carreira até à data. Claro que visualmente acredito que deslumbre, pelos menos estas páginas, graças ao traço e cor de Henrichon, cativam. Visualmente algo que me pareceu desnecessário
foi a utilização excessiva de pontos de interrogação para reforçar
as expressividade de determinadas personagens.
Nisto tudo quem se safou muito bem foram os peixes (animais marinhos vá).
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quarta-feira, abril 16, 2014
Saga: Volume 3
Queria só deixar um pequeno apontamento, referir que o volume 3 de "Saga" já se encontra à venda e que estas aventuras continuam um mimo. Isto cai que nem gingas.
Já agora aquela página com a Sophie e o Lying Cat tem de ser das cenas mais carinhosas que o Brian K Vaughan escreveu e a Fiona Staples desenhou.
Agora é que vai custar esperar até haver um volume 4...
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terça-feira, fevereiro 11, 2014
Saga: Vol. 1 & 2
Desde que foi construída, em 1992, a "Image Comics" tem vindo a afirmar-se cada vez mais no mercado de BD, mais especificamente no norte-americano. A ínicio a editora parecia prometer mais do que cumpria. Devido a um acesso muito limitado conheci pouco dos seus primeiros trabalhos, mas tenho a sensação que mesmo com bons desenhadores a maioria acabava por pecar no argumento.
Hoje já não digo o mesmo. Esta editora está a editar algumas das séries mais estimulantes da actualidade e parece aberta às mais variadas ideias por parte dos seus artistas. Esta linha editorial contribuiu para uma "Image" que hoje em dia tem um programa vastíssimo, juntando séries completamente diferentes sobre o mesmo tecto.
Em Março de 2012 esta editora começou a publicar mensalmente o novo projecto de Brian K. Vaughan e Fiona Staples, intitulado simplesmente "Saga". Havia algo de intrigante e misterioso neste nome e nas suas imagens de apresentação. Sem saber do que se tratava ia descobrindo inúmeros elogios a esta história que se traduziram na vitória de vários prémios. Também em 2013 "Saga" voltou a encabeçar as listas das melhores BD's desse ano. Dito isto, já estava mais do que na altura de confirmar todo este hype. Lidos os dois primeiros volumes, não só o confirmo, como o sublinho. "Saga" é realmente um dos trabalhos originais mais interessantes que surgiu nos últimos tempos.
A base da trama nasce de uma guerra entre dois povos, os de Landfall que são cientificamente desenvolvidos e os de Wreath, uma das luas de Landfall e cujo povo é dedicado às artes mágicas. Os primeiros distinguem-se por ter asas nas costas e os segundos por terem cornos na cabeça, à semelhança dos demónios da ficção. Este confronto entre ciência e magia, prolonga-se ao longo da galáxia acabando por envolver outros mundos nesta guerra sem sentido.
A história segue assim as vidas de Alana e Marko - ela de Landfall e ele de Wreath. Duas personagens que se tornam desertoras, uma vez que a sua relação nunca será aceite por nenhum dos seus povos. Dois pacifistas que compreendem a via errada da guerra e que se juntam para proteger aquilo que mais têm de precioso no Universo, a filha recém-nascida, cujo nome vos deixarei descobrir ao lerem a história, uma vez que acaba por desempenhar um papel na mesma.
Como já deu para perceber, Vaughan decidiu explorar tanto elementos da ficção científica como da fantasia, misturando-os. Se de um lado pode, surgir seres oriundos do "Reino dos Robôs", por outro também iremos encontrar fantasmas e até florestas encantadas com árvores-foguetões. É precisamente nesta mistura que "Saga" se torna um objecto diferente e especial.
Após construir um universo imensamente rico e diversificado, Vaughan consegue também povoá-lo de uma série de personagens interessantes. Apesar de o príncipe Robot IV estar incubido de caçar Alana e Marko, é impossível não nutrir empatia por esta personagem, cuja cabeça é um televisor. Robot IV é das personagens mais perspicazes de toda a trama, e tenho ideia que a sua opinião sobre esta guerra poderá sofrer grandes alterações ao longo da narrativa. Há uma série de acontecimentos que mostram que Robot IV não é um forte entusiasta de matança sem significado. Outro aspecto hilariante é o facto de por vezes surgirem imagens de filmes pornográficos no seu visor - não surgem nos momentos mais oportunos.
Se Robot IV é um aliado de Landfall com a missão de capturar os protagonistas, faz sentido que haja outro do lado de Wreath com a mesma missão. Este será The Will, um caçador de prémios que é contratado para esse efeito. Não há dúvida de que qualquer caçador de prémios terá de ser, até certo nível, um monstro. Mas, como o narrador salienta, há uns piores do que outros. Por isso mesmo é fácil criar empatia com The Will, porque até certo grau existe humanidade dentro do mesmo. Em adição está sempre acompanhado do seu Lying Cat, um felino com a capacidade de detectar mentiras. A relação de amizade que se desenvolve entre os dois é um dos aspectos que mais gostei na sua história.
Quanto a Fiona Staples, não conhecia o seu trabalho, mas quanto mais avançava nesta saga, mais impressionado ficava com o mesmo. Que excelente combinação esta entre argumentista e desenhador. Tanto o desenho como as cores assentam perfeitamente nesta, já por si, simbiose de estilos.
Sem qualquer dúvida, este é muito aconselhado. Se gostarem do primeiro, vão adorar certamente o segundo. Quanto a mim já aguardo ansiosamente pelo terceiro volume que é editado este ano.
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segunda-feira, outubro 07, 2013
The Walking Dead Vol. 6 - Esta Triste Vida
A Devir continua, muito bem, a apostar na continuidade de “The Walking Dead”, uma das sagas de BD mais lucrativas da actualidade. O início da sua publicação por cá surgiu pouco tempo após a estreia da adaptação televisiva da “AMC”, a qual aumentou exponencialmente a popularidade deste universo criado por Robert Kirman e Tony Moore.
Num país onde o consumo de BD não é assim tão grande – longe disso -, a aposta em livros financeiramente mais seguros é importante e necessária. Em adição, graças à série televisiva, esta pode ser uma boa forma da BD vir a conquistar novos leitores que, entusiasmados com a leitura de “The Walking Dead”, poderão querer partir para a descoberta de outras histórias e, com isso, ganha toda a BD.
De forma a explorar a psique e as relações sociais entre pessoas em determinadas situações críticas de sobrevivência, Robert Kirkman e Tony Moore criaram, como estratégia narrativa, um apocalipse Zombie. Apesar da chacina que, consequentemente, está interligada à série, desenganem-se aqueles que pensarem que o foco são os ataques dos mortos-vivos. Aqui, o mais importante será sempre a nova vida a que este grupo de pessoas tem de se adaptar, a sobrevivência.
Os autores poderiam ter optado por outro mecanismo no enredo desde que conseguissem justificar a razão para o mundo, tal como o conhecemos hoje, ter terminado. Nesse sentido, não parece que haja aqui qualquer tipo de metáfora em relação aos Zombies, que poderiam personificar algum tipo de parasitismo social onde uns apenas se alimentam do cérebro de outros.
A abordagem a estas criaturas do terror é similar à maioria das obras mais recentes, ou seja, tudo indica que a origem da sua existência é de cariz biológico e, tal como um vírus, contaminante (a partir da transmissão de fluidos). Contudo, há um pormenor a salientar nesta interpretação, um que difere das desenvolvidas até agora. Em “The Walking Dead”, todas as pessoas aparentam ser já portadoras desta terrífica condição e, mesmo que não tenham tido qualquer contacto com um Zombie, basta morrerem para a doença ser despoletada. É precisamente esta particularidade que torna esta abordagem diferente, aguçando ainda mais a curiosidade em descobrir o que realmente aconteceu neste mundo e qual o seu futuro.
No volume anterior tínhamos deixado Rick, Michonne e Glenn nas amarras do terror que é conhecido por “O Governador”. Ainda não acabámos de processar esta nova sociedade criada por este líder demente e já a história dá mais uma das suas típicas reviravoltas, que resulta na surpreendente tentativa de fuga dos nossos heróis. De todos menos de Michonne, cuja sede de vingança parece ultrapassar a de liberdade.
Uma coisa de que não se pode acusar “The Walking Dead” é de ser uma série onde nada acontece. Nunca Rick e os seus companheiros podem cruzar os braços em descanso sem que algo venha ameaçá-los e impelir uma vez mais o antigo polícia a abandonar a sua mulher e filho em prol de um suposto bem maior. Porém, aquilo que é uma das suas maiores forças é, ao mesmo tempo, uma das suas maiores fraquezas. Apesar de Kirkman colocar várias e pertinentes questões humanas ao longo destas aventuras, na sua maioria, a abordagem às mesmas é apenas superficial, uma vez que a velocidade dos acontecimentos – incluindo a morte de várias personagens – nunca dá espaço para desenvolvimentos e investimentos emocionais maiores. Ainda assim, as questões ficam no ar e a pender na mente do leitor, cuja reflexão só por si já valerá a pena.
Compreende-se que os autores queiram ter as suas personagens numa constante agitação e que, devido aos contantes perigos, não haja tempo para pararem, reflectirem e até sentirem o que lhes está a acontecer, movendo-se quase apenas por instinto – a tensão é não só uma presença assídua na série, como uma das suas características mais bem conseguidas; mas os meses passam – como é notório pela barriga de Lori – e há assuntos que valeria a pena explorar mais a fundo ou, pelo menos, não os resolver tão depressa.
Claro que mesmo que tudo seja rápido em “The Walking Dead” – neste volume em particular a cena que envolve Michonne e o Governador – muito dificilmente não impressionará o leitor, tornando-se de longe uma das mais violentas até à data. Por muito estrago que os Zombies façam, falta-lhes a imaginação para atingirem os níveis ou requintes de malvadez que uma pessoa consegue. Para o bem e para o mal, os nossos maiores inimigos continuam a ser... nós mesmos.
A cargo do desenho continua Charlie Adlard, desde que substituiu Tony Moore no final do primeiro volume. Adlard soube pegar muito bem no trabalho que Moore vinha a desenvolver e a passagem de um desenhador para o outro – apesar das diferenças entre si -fez-se sem se notar uma grande divergência gráfica. De resto, Adlard tem vindo a saber imprimir o seu cunho pessoal à série: as personagens ganharam em expressividade e a história em dinamismo. Tudo isto resulta num trabalho bastante competente para aquilo que a história pede e precisa. De mencionar ainda o bom trabalho de Cliff Rathburn, que se mantém desde o início como o responsável pelos tons de cinzento.
No geral, “The Walking Dead Vol. 6 – Esta Triste Vida” (Devir, 2013) é mais um bom volume dentro daquilo a que nos têm vindo a habituar e que irá certamente agradar aos fãs que a têm seguido até aqui. Se no final ficar a vontade de quererem continuar a saber mais sobre o que irá acontecer a este grupo de pessoas, então o trabalho dos autores foi cumprido.
Notas:
- Publicado originalmente no site da Rua de Baixo;
- Um agradecimento especial à Devir pelo livro.
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segunda-feira, setembro 30, 2013
Infinite Vacation
É de aproveitar o lançamento da compilação de “Infinite Vacation” pela “Image” - numa belíssima edição em capa dura diga-se de passagem – para relembrar estre trabalho escrito por Nick Spencer e com desenho e cor de Christian Ward.
Na realidade de “Infinite Vacation” mais do que a prova da existência de infinitos universos paralelos, existe a possibilidade de viajar entre eles. Como estamos perante uma realidade muito próxima na nossa (salvo esta pequena/grande excepção), não surge como surpresa que este tipo de viagens tenha escalado rapidamente num negócio - aqui o dinheiro continua a mover o mundo.
Uma vez que a viagem entre universos se tornou um negócio prolífico, qualquer pessoa desde que tenha a quantia certa pode ter acesso às suas vidas paralelas, seja para as visitar ou até mesmo comprar, caso estejam disponíveis para isso. Imaginem que se arrependem de uma decisão no passado ou que sempre quiseram explorar outros caminhos. Basta procurar numa respectiva aplicação se essa vida se encontra no mercado e em caso afirmativo podem adquiri-la à velocidade de um clique. Como referi, aqui o factor mais limitante é a conta bancária. E não se preocupem se mudarem de vida, a empresa responsável por estes serviços disponibiliza-vos toda a informação necessária para o vosso cérebro assimilar as novas memórias. Afinal de contas não convém tornarem-se médicos sem adquirirem os conhecimentos da profissão. As possibilidades como já perceberam - nem que seja pelo título - são infinitas.
É importante referir também que existem universos cujos desenvolvimentos são considerados demasiado perigosos para os outros, nomeadamente um onde todos na Terra são canibais. Para proteger a maioria, estes universos rotulados como prejudiciais são destruídos, ou como a equipa gestora destas actividades prefere dizer, são desdobrados e absorvidos pelos outros universos, continuando a existir dentro dos mesmos… pois, boa sorte com isso.
Embora exista uma variedade infinita de possibilidades, a história teria de centra-se em alguém e neste caso essa personagem em particular é Mark, um viciado neste tipo de viagens que tendo-se tornado um especialista nos explica rapidamente tudo que precisamos saber para compreender o funcionamento do serviço. O problema com Mark é que por mais que troque de vida acaba sempre na mesma situação: sozinho e num trabalho ao qual tem aversão. Há um constante vazio que ele não consegue preencher, porque não compreende que o problema não está no meio, mas nele. Aqui é impossível não sentir um certo paralelismo entre esta sociedade obcecada pelas viagens no tempo e a nossa obcecada pelas redes sociais – com o respectivo distanciamento, as aplicações informáticas no telemóvel são agora o ópio do povo.
Porém, as suas crises existenciais assumem todo um outro nível quando descobre que as suas outras versões estão a ser assassinadas ao longo do multiverso e tudo porque aparentemente estão à procura dele – especificamente dele. Como Mark diz, passamos uma vida toda à espera que nos digam no meio de tantos (ainda mais aqui) que somos especiais e agora que aconteceu não podia ter surgido da pior maneira. É preciso ter cuidado com o que desejamos.
A fim de descobrirem o mistério por detrás destes assassinatos um grupo de Mark’s começa a trabalhar em parceria, enquanto escondem o Mark protagonista no meio de um grupo de defensores da singularidade. Estes singularistas são um grupo activista contra a utilização do “Infinite Vacation” onde alguns chegam até a crer na existência de um universo onde não existem outros universos paralelos. Isto pode parecer completamente descabido a início, uma vez que existindo a prova de outros universos é impossível que exista um singular. Mas é precisamente aqui que o argumento de Nick Spencer começa a ser realmente virtuoso, explorando outros conceitos da física quântica, nomeadamente a célebre teoria do gato de Schrödinger e confiem, tudo funciona muito bem.
Associado ao mistério dos assassinatos surge uma das personagens mais horripilantes a ganhar vida nas páginas de uma BD, uma que aproveita as potencialidades de um multiverso para elevar o terror a todo um novo conceito de politicamente incorrecto e moralmente repreendedor.
Apesar da narrativa de “Infinite Vacation” ser uma injecção tão massiva quanto estimulante de ficção-científica e de estar polvilhada com rasgos de mistério e horror, não deixa de ser admirável que na sua essência este seja mais um retrato desse momento intemporal em que um rapaz conhece uma rapariga - e é tão simples quanto isso. Tudo desenvolvido com uma originalidade e imaginação invejáveis e que certamente irão distinguir este trabalho entre tantos outros.
Quanto à arte de Christian Ward funciona em perfeita harmonia com a históra de Nick Spencer. O desenhador utiliza um traço muito livre e estilizado coberto por cores vivas que dão um ar muito enérgico e psicadélico a estas aventuras que se prolongam ao longo de vários universos. Estamos perante um daqueles excelentes casos em que vale a pena admirar a simbiose entre a escrita e o desenho. Existem também páginas onde se utiliza uma composição fotográfica em contraste com o desenho. Estas cenas são correspondentes aos comunicados por parte dos técnicos que trabalham na “Infinite Vacation”.
Com este trabalho a “Image” volta a reforçar a ideia de que é uma das editoras norte-americanas mais atraentes da actualidade. E com ideias tão entusiasmantes como esta, só posso concordar com tal afirmação.
quarta-feira, setembro 25, 2013
The Legend of Luther Strode
No mês passado chegou-me finalmente a conclusão de "The Legend of Luther Strode" e com ela a confirmação de que foi uma desilusão em relação ao primeiro arco, "The Strange Talent of Luther Strode".
A mistura entre o registo super-herói (mais anti-herói neste caso) e o estilo gore funcionou bem da primeira vez e trouxe-nos uma personagem que, apesar dos lugares comuns, se destacava trazendo alguma diversão nova e distinta a um género tão explorado. Neste segundo arco intitulado "The Legend of Luther Strode" achei interessante a forma como iniciaram a história e da qual já havia falado aqui, ou seja, não se começou por seguir a personagem directamente dando-nos o seu ponto de vista. Ela apenas surgia ocasionalmente para nos mostrar uma imagem de alguém perdido nas sombras.
Como este número prometia, "The Legend of Luther Strode", trouxe doses massivas e sanguinárias de desmembramentos e mortes. O problema é que só trouxe isso. No anterior ainda houve espaço para criarmos alguma empatia por outras personagens, que mesmo não tendo sido assim tão grande, nos fez sentir algo quando estavam em perigo. Falo da sua mãe, de Pete e claro de Petra. Ora aqui não se criam laços, não há espaço para tal, sinceramente, nem há personagens para isso. Petra que anteriormente surgiu como a personagem mais interessante, aqui vai perdendo encanto a cada número que passa.
De salientar, porém, um convidado de honra, afinal de contas não é todos os dias que se vê o Jack The Ripper em acção. Mesmo assim foi só mesmo isso que vimos, acção e mais acção. E isso só por si aborrece.
Tradd Moore continua seguro no desenho e para quem gostou do que foi feito anteriormente irá continuar satisfeito aqui, é uma fartura de pancadaria. Também nas cores se mantém Felipe Sobreiro que com o leque de cores claras que usa dá um tom mais leve a toda esta violência. Gosto das cores de Sobreiro, acho que tem aqui um bom trabalho, mas também seria curioso ver a utilização de cores mais escuras, nomeadamente no sangue, que mudariam bastante o tom desta BD, tornando-a imensamente mais negra e terrorífica. Mas percebe-se a escolha pela via mais clara e não faria sentido mudá-lo nesta altura. Disse isto apenas por uma mera curiosidade, como referi gosto do que Sobreiro fez aqui.
Quanto às capas saliento neste post a minha favorita, que fala por si (é o Jack). Optei por colocá-la sem os títulos para se apreciar melhor o desenho. Imagem retirada do blog de Tradd Moore.
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sábado, julho 13, 2013
O que ando a ler de BD Norte-Americana actual
Depois de ter falado do que ando a ler no campo dos "Super-Heróis" actualmente, chega a vez de falar de outros géneros (bem há aqui um que ainda entra no campo do Super). Porque há muito mais vida além dos Super-Heróis na indústria norte-americana de comics e que vale a pena conhecer.
Sou um grande apreciador de muitas das histórias editadas do outro lado do oceano, mas normalmente conheço-as posteriormente comprando as compilações, é mais fácil acertar no que vale realmente a pena assim. Desta vez estou a tentar estar mais a par do que se faz na actualidade e talvez consiga ter uma bela série para coleccionar em formato comic.
Como a ficção espelha muitas vezes a realidade, tem-se notado muito em algum material novo o quanto a actual crise económica tem influenciado o trabalho dos autores, sem mencionar um que é todo ele direccionado para nos alertar sobre o assunto, mas já lá vou.
Occupy Comics
Em 2012 vimos nascer uma nova editora de BD norte-americana intitulada "Black Mask" que foi fundada pelos autores de BD Matt Pizzolo e Steve Niles, e pelo músico dos "Bad Religion" Brett Gurewitz. Esta editora surge da necessidade em criar uma editora que publique comics mais transgressivos e que apoie mais os seus criadores. Um dos seus títulos que nasceu do apoio na plataforma do "Kickstarter" foi esta antologia "Occupy Comics" que será composta por três números. Nesta antologia juntaram-se muitos nomes de referência na indústria da BD, nomeadamente Alan Moore (que assinala um extenso artigo sobre a história da BD), Art Spiegelman, David Lloyd, Ben Templesmith, J. M. DeMatteis, entre tantos outros.
A antologia é criada por causa do movimento "Occupy Wall Street" e por isso mesmo todos os lucros revertam a favor de movimentos "Occupy". Para Matt Pizzolo este era um projecto que fazia todo o sentido uma vez que o movimento "Occupy" está associado a uma estética artística, tendo começado com a imagem de uma bailarina em cima do touro de Wall Street com protestantes no fundo. Também o grupo "Anonymous" pegou na máscara de Guy Fawkes popularizada por "V For Vendetta" como imagem de marca. A força da simbologia desta máscara tem-se tornado tão grande que não será certamente estranho vê-la surgir várias vezes na antologia, seja em histórias ou ilustrações. A ilustração de David Lloyd onde a personagem V toureia o touro de Wall Street, foi uma das imagens de marca desta nova antologia, por exemplo, mas saliento também a belíssima ilustração da máscara por David Mack no #2 (ver acima). De momento já saíram dois números e mantenho a minha satisfação e apreço por esta antologia. Há aqui ilustrações de topo e algumas histórias emocionantes (lembro-me daquela sobre o furacão Sandy), bem como artigos de grande qualidade, como já referi um deles é de Alan Moore que como sempre assinala aqui um trabalho hercúleo e soberbo. Os lucros também são todos revertidos para ajudar acções relacionadas com o movimento "Occupy".
East of West
Como não ficar entusiasmado com uma premissa destas? Além do mais tem o nome de Jonathan Hickman no argumento, um autor cada vez mais elogiado, por isso decidi arriscar e seguir a série. Há uma profecia antiga cuja hora parece ter chegado, onde os quatro cavaleiros do Apocalipse irão emergir da terra para consumir o mundo. É esta a cena com que nos deparamos nas primeiras páginas, o "levantar" de Guerra, Peste e Fome. Mas algo está errado, falta um... Parece que Morte tem outros planos e já "acordou" primeiro dirigindo-se neste preciso momento até ao Presidente dos Estados Unidos... para o matar.
Em "East of West" estamos perante um futuro diferente daquele que iremos conhecer, a dada altura o
caminho que a América seguiu na guerra civil foi diferente, criando hoje (2064) um país muito distinto e governado por sete nações distintas. O que Hickman nos apresenta são várias peças de um puzzle que vamos juntando à medida que avançamos na narrativa. Parece que os cavaleiros do Apocalipse já foram humanos em tempos e que a Morte busca a sua vingança pelo que lhe fizeram a si e à sua familia. Ainda falta descobrir muita coisa e nesse sentido estes textos são mesmo mais apresentações do que apreciações.
De qualquer das formas com três números já disponíveis, "East of West" está a ser bastante entusiasmante e divertido. Nick Dragotta está a cargo do desenho e Frabk Martin da cor, uma parceria que resulta muito bem. Já todos vimos muita coisa sobre os Cavaleiros, mas nunca neste estilo e registo, "East of West" é um western futurista com uma mitologia que promete ser forte. Vale a pena espreitar.
Este livro é da "Image Comics" e é de salientar a qualidade do papel, aqui sim até faz sentido o preço ter chegado aos 3,5 dólares por comic.
Polarity
Esta mini-série de quatro números, editada pelo "BOOM Comics" chamou-me a atenção por ter Jorge Coelho no desenho (entrevista ao autor aqui). Max Bemis teve aqui uma ideia bem interessante e que mostra que há ainda novas formas de explorar o mito do Super-Herói. Imaginem alguém que sofre de bipolaridade descobrir que afinal tem super-poderes quando deixa de tomar os seus medicamentos? A ideia que tenho - e vem muito do "Six Feet Under" - é que mesmo sob medicação a vida de alguém que sofre desta condição é muito complicada, sentindo-se muitas vezes amarrado psicologicamente, culpa dos medicamentos que para pararem determinados aspectos da nossa psique, param outros também. Este libertar mental para o protagonista assume ainda proporções maiores aqui. No segundo número, contudo, já achei que o autor enveredou por caminhos mais comuns e que a psique do protagonista podia ter sido mais bem explorada, mas a um título do fim, parece-me uma aposta divertida e com uns desenhos fantásticos de Coelho que só por isso já vale a pena.
Jupiter's Legacy
Gosto do que li de Mark Millar e já falei dos seus "Ultimates" por aqui, uma abordagem moderna e cativante aos "Avengers". Contudo, aqui o grande factor que me levou a comprar "Jupiter's Legacy" prende-se com o desenhador, Frank Quitely que é de certa forma um herdeiro de Moebius, logo, um dos grandes desenhadores de BD do mundo. O gosto em querer ter algo dele em comic foi o factor decisivo. Há semelhança de "East of West" também aqui temos um desvio na História de um país. Durante a grande depressão Americana um grupo de Americanos preocupados partem em busca de uma ilha mística, encontrando-a (alguém espirrou "Lost"?). Millar não perde tempo a descrever-nos a mitologia por detrás desta ilha (nem me parece que o fará), usando-a apenas como um dispositivo narrativo (estou a tentar traduzir plot device) a fim de justificar porque este grupo de exploradores regressa de lá com super-poderes para salvar o sonho americano.
A partir desta curta intro damos um salto para o futuro. Estes heróis fazem parte integrante da actualidade Americana, tendo-a salvo de tempos negros e continuando o seu trabalho em defesa do sonho. Mais velhos, muitos deles têm agora descendência, uma descendência que por ter crescido neste meio e com super-poderes, parece ter-se tornado arrogante, desligada e irresponsável. Pelo menos é assim que são apresentados os filhos de Utopian - o líder da expedição.
Em tempos de nova crise económica, alguns heróis questionam até onde devem ajudar os governos. Utopian tem o pensamento tradicionalista do Super-Herói, ou seja, que está aqui para ajudar o povo e não para se intrometer em questões governamentais. Dito de uma forma geral, é um facto que no Universo dos Super-Heróis estes basicamente contribuem apenas para o mundo não ficar pior salvando-o da destruição. Mas questões como o combate à fome e às doenças, a corrupção, entre outros assuntos são trabalho para o homem comum. Neste universo Millar parece que irá enveredar por este caminho como o mostra no choque de opiniões distintas entre Utopian e o seu irmão, o qual acredita que o papel dos "Super-Heróis" deve ir mais além e por isso mesmo preparou uma série de tácticas para combater a actual crise económica. Contra a opinião de Utopian prepara-se para a apresentar ao governo dos Estados Unidos.
É precisamente esta linha de argumento que mais me interessou em "Jupiter's Legacy" ver até onde o papel de alguém com poderes pode ir e o quão perigoso também pode ser. Isto lembra-me que ando a ler "Marshall Law" e é fabuloso, mas sobre este falarei posteriormente.
The Crow: Curare
Após o regresso de James O’Barr ao título que lhe deu sucesso, “The Crow”, em “Skinning the Wolves”, parece que o autor lhe tomou o gosto voltando assim com mais uma mini-série de três números para a IDW sobre mais uma história de vingança dentro deste mundo. Como gosto do estilo negro de O’Barr e da mitologia do Corvo fiquei curioso quando soube do seu regresso e segui-o em “Skinning the Wolves”. Trata-se de uma história bastante curta, sobre um injustiçado (foram tantos) que foi assassinado num campo de concentração durante a segunda guerra. Em três números dificilmente teriámos uma história que desse para grandes desenvolvimentos, ainda assim este curto conto negro de tragédia tinha um número pormenores suficientes para o fazerem interessante além do seu maior trunfo que é a vingança em si. Desta vez o regresso neste “Curare” volta a ser de três números, ou seja, mais uma curta - mas esperemos que intensa – história de tragédia e vingança.
A primeira coisa que salta à vista é que desta vez O’Barr usou uma criança para ser trazida de volta pelo Corvo e que talvez por causa disso mesmo precise de ajuda na sua missão, apelando ao detective encarregue do seu caso, Joe Salk - cuja vida pessoal está pelas ruas da amargura devido à sua profissão. Gostei do tom negro da história onde os desenhos de Antoine Dodé funcionam muito bem a transmitir uma atmosfera melancólica e perturbada. Novamente a violência é um ponto central destas histórias e não é nada descurada, além do próprio crime principal, a história que o detective conta, durante o pequeno-almoço, à sua mulher é, bastante intensa e é um bom exemplo das razões porque o seu casamento entrou numa espiral de descendência. Para quem é fã do género acho que tem aqui uma boa opção a experimentar. Por enquanto ainda só saiu um número.
Cada familia escolhe um dos seus membros para ser o seu protector, para ser o seu "Lazarus", alguém que recebe toda a potencialidade da tecnologia de ponta para se tornar numa máquina de guerra. A nossa protagonista, chamada Forever, é o Lazarus da familia Carlyle, que há semelhança do Lazarus biblico, também "ressuscita" após um ataque dos "bandidos" mencionados acima. Forever cumpre na perfeição o seu papel, mas claramente o que isso representa está cada vez mais a afectá-la. Ela não nasceu para matar esfomeados e perseguir inocentes e é uma clara questão de tempo até Forever se revoltar contra a sua família.
Sou um grande apreciador de muitas das histórias editadas do outro lado do oceano, mas normalmente conheço-as posteriormente comprando as compilações, é mais fácil acertar no que vale realmente a pena assim. Desta vez estou a tentar estar mais a par do que se faz na actualidade e talvez consiga ter uma bela série para coleccionar em formato comic.
Como a ficção espelha muitas vezes a realidade, tem-se notado muito em algum material novo o quanto a actual crise económica tem influenciado o trabalho dos autores, sem mencionar um que é todo ele direccionado para nos alertar sobre o assunto, mas já lá vou.
Occupy Comics
Em 2012 vimos nascer uma nova editora de BD norte-americana intitulada "Black Mask" que foi fundada pelos autores de BD Matt Pizzolo e Steve Niles, e pelo músico dos "Bad Religion" Brett Gurewitz. Esta editora surge da necessidade em criar uma editora que publique comics mais transgressivos e que apoie mais os seus criadores. Um dos seus títulos que nasceu do apoio na plataforma do "Kickstarter" foi esta antologia "Occupy Comics" que será composta por três números. Nesta antologia juntaram-se muitos nomes de referência na indústria da BD, nomeadamente Alan Moore (que assinala um extenso artigo sobre a história da BD), Art Spiegelman, David Lloyd, Ben Templesmith, J. M. DeMatteis, entre tantos outros.
A antologia é criada por causa do movimento "Occupy Wall Street" e por isso mesmo todos os lucros revertam a favor de movimentos "Occupy". Para Matt Pizzolo este era um projecto que fazia todo o sentido uma vez que o movimento "Occupy" está associado a uma estética artística, tendo começado com a imagem de uma bailarina em cima do touro de Wall Street com protestantes no fundo. Também o grupo "Anonymous" pegou na máscara de Guy Fawkes popularizada por "V For Vendetta" como imagem de marca. A força da simbologia desta máscara tem-se tornado tão grande que não será certamente estranho vê-la surgir várias vezes na antologia, seja em histórias ou ilustrações. A ilustração de David Lloyd onde a personagem V toureia o touro de Wall Street, foi uma das imagens de marca desta nova antologia, por exemplo, mas saliento também a belíssima ilustração da máscara por David Mack no #2 (ver acima). De momento já saíram dois números e mantenho a minha satisfação e apreço por esta antologia. Há aqui ilustrações de topo e algumas histórias emocionantes (lembro-me daquela sobre o furacão Sandy), bem como artigos de grande qualidade, como já referi um deles é de Alan Moore que como sempre assinala aqui um trabalho hercúleo e soberbo. Os lucros também são todos revertidos para ajudar acções relacionadas com o movimento "Occupy".
East of West
This is the world. It is not the one we wanted, but it is the one we
deserved. The Four Horsemen of the Apocalypse roam the Earth, signaling
the End Times for humanity, and our best hope for life, lies in Death.
Como não ficar entusiasmado com uma premissa destas? Além do mais tem o nome de Jonathan Hickman no argumento, um autor cada vez mais elogiado, por isso decidi arriscar e seguir a série. Há uma profecia antiga cuja hora parece ter chegado, onde os quatro cavaleiros do Apocalipse irão emergir da terra para consumir o mundo. É esta a cena com que nos deparamos nas primeiras páginas, o "levantar" de Guerra, Peste e Fome. Mas algo está errado, falta um... Parece que Morte tem outros planos e já "acordou" primeiro dirigindo-se neste preciso momento até ao Presidente dos Estados Unidos... para o matar.
Em "East of West" estamos perante um futuro diferente daquele que iremos conhecer, a dada altura o
De qualquer das formas com três números já disponíveis, "East of West" está a ser bastante entusiasmante e divertido. Nick Dragotta está a cargo do desenho e Frabk Martin da cor, uma parceria que resulta muito bem. Já todos vimos muita coisa sobre os Cavaleiros, mas nunca neste estilo e registo, "East of West" é um western futurista com uma mitologia que promete ser forte. Vale a pena espreitar.
Este livro é da "Image Comics" e é de salientar a qualidade do papel, aqui sim até faz sentido o preço ter chegado aos 3,5 dólares por comic.
Polarity
Esta mini-série de quatro números, editada pelo "BOOM Comics" chamou-me a atenção por ter Jorge Coelho no desenho (entrevista ao autor aqui). Max Bemis teve aqui uma ideia bem interessante e que mostra que há ainda novas formas de explorar o mito do Super-Herói. Imaginem alguém que sofre de bipolaridade descobrir que afinal tem super-poderes quando deixa de tomar os seus medicamentos? A ideia que tenho - e vem muito do "Six Feet Under" - é que mesmo sob medicação a vida de alguém que sofre desta condição é muito complicada, sentindo-se muitas vezes amarrado psicologicamente, culpa dos medicamentos que para pararem determinados aspectos da nossa psique, param outros também. Este libertar mental para o protagonista assume ainda proporções maiores aqui. No segundo número, contudo, já achei que o autor enveredou por caminhos mais comuns e que a psique do protagonista podia ter sido mais bem explorada, mas a um título do fim, parece-me uma aposta divertida e com uns desenhos fantásticos de Coelho que só por isso já vale a pena.
Jupiter's Legacy
Gosto do que li de Mark Millar e já falei dos seus "Ultimates" por aqui, uma abordagem moderna e cativante aos "Avengers". Contudo, aqui o grande factor que me levou a comprar "Jupiter's Legacy" prende-se com o desenhador, Frank Quitely que é de certa forma um herdeiro de Moebius, logo, um dos grandes desenhadores de BD do mundo. O gosto em querer ter algo dele em comic foi o factor decisivo. Há semelhança de "East of West" também aqui temos um desvio na História de um país. Durante a grande depressão Americana um grupo de Americanos preocupados partem em busca de uma ilha mística, encontrando-a (alguém espirrou "Lost"?). Millar não perde tempo a descrever-nos a mitologia por detrás desta ilha (nem me parece que o fará), usando-a apenas como um dispositivo narrativo (estou a tentar traduzir plot device) a fim de justificar porque este grupo de exploradores regressa de lá com super-poderes para salvar o sonho americano.
Em tempos de nova crise económica, alguns heróis questionam até onde devem ajudar os governos. Utopian tem o pensamento tradicionalista do Super-Herói, ou seja, que está aqui para ajudar o povo e não para se intrometer em questões governamentais. Dito de uma forma geral, é um facto que no Universo dos Super-Heróis estes basicamente contribuem apenas para o mundo não ficar pior salvando-o da destruição. Mas questões como o combate à fome e às doenças, a corrupção, entre outros assuntos são trabalho para o homem comum. Neste universo Millar parece que irá enveredar por este caminho como o mostra no choque de opiniões distintas entre Utopian e o seu irmão, o qual acredita que o papel dos "Super-Heróis" deve ir mais além e por isso mesmo preparou uma série de tácticas para combater a actual crise económica. Contra a opinião de Utopian prepara-se para a apresentar ao governo dos Estados Unidos.
É precisamente esta linha de argumento que mais me interessou em "Jupiter's Legacy" ver até onde o papel de alguém com poderes pode ir e o quão perigoso também pode ser. Isto lembra-me que ando a ler "Marshall Law" e é fabuloso, mas sobre este falarei posteriormente.
The Crow: Curare
Após o regresso de James O’Barr ao título que lhe deu sucesso, “The Crow”, em “Skinning the Wolves”, parece que o autor lhe tomou o gosto voltando assim com mais uma mini-série de três números para a IDW sobre mais uma história de vingança dentro deste mundo. Como gosto do estilo negro de O’Barr e da mitologia do Corvo fiquei curioso quando soube do seu regresso e segui-o em “Skinning the Wolves”. Trata-se de uma história bastante curta, sobre um injustiçado (foram tantos) que foi assassinado num campo de concentração durante a segunda guerra. Em três números dificilmente teriámos uma história que desse para grandes desenvolvimentos, ainda assim este curto conto negro de tragédia tinha um número pormenores suficientes para o fazerem interessante além do seu maior trunfo que é a vingança em si. Desta vez o regresso neste “Curare” volta a ser de três números, ou seja, mais uma curta - mas esperemos que intensa – história de tragédia e vingança.
A primeira coisa que salta à vista é que desta vez O’Barr usou uma criança para ser trazida de volta pelo Corvo e que talvez por causa disso mesmo precise de ajuda na sua missão, apelando ao detective encarregue do seu caso, Joe Salk - cuja vida pessoal está pelas ruas da amargura devido à sua profissão. Gostei do tom negro da história onde os desenhos de Antoine Dodé funcionam muito bem a transmitir uma atmosfera melancólica e perturbada. Novamente a violência é um ponto central destas histórias e não é nada descurada, além do próprio crime principal, a história que o detective conta, durante o pequeno-almoço, à sua mulher é, bastante intensa e é um bom exemplo das razões porque o seu casamento entrou numa espiral de descendência. Para quem é fã do género acho que tem aqui uma boa opção a experimentar. Por enquanto ainda só saiu um número.
Lazarus
Para terminar falo de mais uma aventura na "Image Comics" de Greg Rucka (argumento) e Michael Lark (desenho). Esta é mais uma deambulação por um futuro distópico onde Rucka - inspirado pela crise actual - decidiu tornar o 1% de riqueza, em 0,00001%, ou seja, estamos perante um mundo ainda mais severo onde os mantimentos são poder e esse poder pertence apenas a um mísero número de familia. Isto é bem notório logo nas primeiras páginas em que um grupo de pessoas arromba uma casa para roubar apenas comida.
Gostei do estilo de Lark, da escrita de Rucka e apesar de o tema não ser nada de novo, gostei bastante da forma como estão a desenvolver nesta história. Ainda só temos um #1, mas é um #1 promissor. No final temos um texto de Rucka onde nos fala sobre o processo de criação de "Lazarus" onde tem algumas histórias interessantes como aquele em que recorreu à ajuda do grande Warren Ellis para lidar com as questões de ficção-científica. Vale a pena espreitar.
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