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segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Rubber


Porque é que Quentin Dupieux quis realizar um filme sobre um pneu assassino? Porque é que existe um grupo de pessoas num monte a seguir atentamente a vida do pneu? E porque é que o pneu tem poderes psíquicos?

A resposta é simples. Não há razão (excepto para a 3º pois sem os poderes dificilmente ele matava alguém).

"Rubber" é uma homenagem assumida aos acontecimentos sem qualquer tipo de razão de ser. Isto é-nos maravilhosamente explicado na grande introdução de Stephen Spinella. Já agora, em resposta a esse monólogo, há uma razão para o ar à nossa volta não ter cor, é precisamente para conseguirmos ter uma boa visão do mundo ao nosso redor.

Gosto deste tipo de exercícios. "Rubber" é completamente alucinado. Um pneu que do nada "acorda" e semeia um rasto de destruição à sua volta. Uma das minhas cenas favoritas é precisamente após a sua primeira morte de um ser-vivo, um coelho. Conseguimos sentir na perfeição a felicidade deste pneu, simplesmente mudando a canção e fazendo-o andar aos zig-zags tudo muda, parece o Leonardo di Caprio no "Titanic" a gritar "I'm the king of the world".

Tudo isto a ser observado por um grupo de pessoas que pensando que vinham ver um filme, são largados no meio de um monte com binóculos para seguirem o trajecto deste pneu. Aparentemente é mesmo tudo um filme e todos os intervenientes são actores, apesar de apenas alguns aparentam saber isso.

Uma ode ao "sem razão". Porque a constante justificação das coisas muitas vezes é sobrevalorizada. Nem tudo na vida tem uma razão de ser e "Rubber" não tem nenhuma a não ser proporcionar uma divertida viagem ao espectador, se deixarem.