Mostrar mensagens com a etiqueta Stan Lee. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stan Lee. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, novembro 08, 2012

Silver Surfer: Parable


Hoje é um dia especial no que toca à Banda Desenhada. Porque hoje se preencheu uma lacuna gigante (há mais claro) nas edições nacionais. Finalmente Portugal junta-se ao leque de países que editou "Silver Surfer: Parable". Porque esta é uma BD que vai muito além do simples comic de Super-Heróis. "Parable" é a união entre América e Europa, entre comics e BD, e nada mais nada menos do que por dois dos seus mestres, Stan "The Man" Lee e Jean "Moebius" Giraud.

Longe de saber que o livro seria editado por cá, aproveitei a sua reedição norte-americana da Marvel, para finalmente o poder colocar na estante. Era um dos que mais falta sentia, porque se já por si valia a pena ter Moebius e Lee no mesmo livro, ainda por cima era sobre o Silver Surfer, das personagens que mais valorizo na Marvel e aparentemente Moebius também. Diz a história que durante um almoço entre os dois autores, quando colocada a hipótese de uma parceria, Lee perguntou a Moebius se tinha alguma personagem que preferia. A resposta é, de certa forma, óbvia para quem conhece os trabalhos do autor francês. E assim o herói mais cool da Marvel tinha ganho uma nova história, uma que jamais voltaria a acontecer, um momento único de união entre dois mundos.


Pode parecer oportuna este novo lançamento, mas tal estava já decidido antes da triste morte de Moebius. Lembro-me perfeitamente de fazer a pré-encomenda antes e aproveito para salientar que as pré-encomendas compensam.

Quando o livro chegou veio mais "gordinho" do que esperava. Tal deve-se ao facto de além da história que dá título à capa, o livro trazer uma segunda, e até maior, de Stan Lee e Keith Pollard intitulada "The Enslavers". É uma história menor do Surfista, e quando Lee fala do seu processo de criação percebe-se porquê. Aparentemente ele tinha descrito esta ideia a Pollard, mas o desenhador só pegaria nisto muito mais tarde, devolvendo um storyboard a Lee completamente distinto daquele que ele se lembrava e no qual teve de preencher os balões. De qualquer das maneiras fiquei com duas histórias pelo preço de uma, por isso não me posso queixar.


Regressemos a "Parable" que é o que interessa. Para esta história Lee decidiu tentar escrever algo diferente daquilo a que estamos habituados, afinal de contas, ia trabalhar com Moebius cujo trabalho na BD é bastante distinto do característico da Marvel.


Quando Norrin Radd (Silver Surfer) se aliou ao Fantastic Four para proteger a Terra da sua aniquilação, indo contra o seu próprio criador, Galactus, conseguiu que não só este abandonasse o nosso planeta como ainda desse a sua palavra que o pouparia de futuro. "Parable" traz-nos o regresso de Galactus que impedido de nos atacar, opta por mudar a sua jogada, dirigindo-se ao planeta como um deus.

Radd por sua vez tem-se mantido a viver escondido na Terra, um observador que no regresso de Galactus vê a necessidade de empunhar a sua espada prancha uma vez mais. A história foca-se assim no desenvolvimento do papel da religião no povo, usando o falso deus Galactus, para mostrar as diferentes abordagens à crença por parte das pessoas. E de facto, a religião, é mesmo "o ópio do povo", como Surfer, estará prestes a comprovar.





Se não estamos perante uma história típica da Marvel, também em nada me parece que destoe do seu Universo, muito menos da personagem em questão cujo forte senso de moral e compaixão sempre foram alguns dos seus aspectos mais fortes e provavelmente daqueles que atraiu Moebius, entre outras coisas.



Voltando à edição portuguesa, saiu hoje com o jornal Público, como o quarto volume da segunda série da colecção "Heróis Marvel". Ao contrário da Americana, troca "The Enslavors" por material de Lee e Buscema e neste aspecto a edição portuguesa fica a ganhar (também não era difícil). Ainda não li esta, mas sei que há também material extra, como ilustrações de outras personagens da Marvel por Moebius (tal como a edição Americana) e uma entrevista.


É, como já deu para perceber, uma das edições que mais gosto me deu ver nesta colecção.