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segunda-feira, junho 15, 2015

Lançamento QCDI 3000


Esta quinta-feira, dia 18, a partir das 22h irá decorrer o lançamento do QCDI #3000, o primeiro livro de BD a ser lançado no espaço Damas (Graça, Lx).

Este volume trata-se do terceiro duma  série de livros de BD cujo objectivo é dar a conhecer o trabalho de uma nova geração de autores nacionais. Neste terceiro tomo a Associação Chili Com Carne uniu forças (ou vendeu a alma) ao Clube do Inferno


Como o livro já fez o circuito do Festival de Beja, já conto com um exemplar há um par de semanas. Por isso já posso com, conhecimento de facto, aconselhar a sua leitura. Não só para conhecer o que alguns dos novos autores têm para oferecer, mas porque é francamente bom e coloca questões pertinentes, bem como o dedo em algumas feridas.

Deixo-vos a capa e alguma informação tirada do blog da Chili sobre o evento.





André Pereira, Astromanta, Hetamoé e Mao são os quatro autores deste número sub-intitulado Fear of a Capitalist Planet com quatro histórias que operam em diferentes matizes, entre o fantástico, o político e o onírico. Dragões, polícias e pizzas deformadas fazem parte da iconografia deste projecto que continua a ideia do Clube do Inferno de que vivemos depois da catástrofe. O colectivo coloca-se de fora, no futuro, na realidade paralela, para obter tangentes que se querem alienígenas mas não alienantes.


Filipe Felizardo foi o músico convidado para criar o ambiente apropriado para as narrativas pós-apocalípticas que o QCDI #3000 nos oferece. Guitarrista de música exploratória tem discos pelas muito recomendáveis editoras Shhpuma, Wasser Bassin e Three:Four (da Suiça). Espera-se pura aridez amplificada! 


Por fim unDJ MMMNNNRRRG conclue uma noite com Tangos finlandeses, Drones e Hip Hop, que são as músicas favoritas do Grande Cabrão.

terça-feira, junho 09, 2015

Malmö Kebab Party


O quarto volume da colecção LowCCCost já se encontra disponível. Falei dele aqui no "Deus me Livro".

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Erzsébet


Na introdução descrevem Nunsky, o autor desta BD, como um cometa da BD Underground, culpa do papel passageiro (ainda que aparentemente marcante) que teve e por este seu regresso, um regresso que após a leitura de "Erzsébet" esperemos que, no futuro, seja mais rápido.

O autor nortenho - e vocalista da banda psychorock "The IDS" - regressou com mais uma temática de peso, peso e sangue. Erzsébet Bathory foi uma condenssa húngara (contemporãnea de Shakespeare) cujo nome esteve associado a uma série de crimes hediondos. A tortura e morte de uma imensidão de jovens mulheres, deram à condessa os cognomes de  "A condessa sangrenta" ou "A condessa Drácula", nome que são bastante auto-explicativos.

A tortura criada por Erzsébet é tanto usada para fins de bruxaria (a sua procura pela juventude eterna) como para o seu bel prazer, uma vez que os crimes cometidos pela condessa, encerram em si mesmo um brilho que a alimentam.

Para todos aqueles que apreciam uma viagem pelas profundezas negras do coração dos Homens, este é sem dúvida um livro a explorar, aliás, uma das publicações mais interessantes do ano passado (que me falhou das listas porque só a li agora).

Leiam e espalhem a palavra, pode ser que assim, o cometa Nuncky mude de alcunha, para uma  mais regular.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

WC – Wonderful Choice


A iniciar o ano editorial a MMMNNNRRRG apresenta-nos “W.C. – Wonderful Choise”, o segundo livro de Marriette Tosel. Para conhecerem melhor este novo trabalho de Tosel, espreitem o texto que escrevi para a Rua de Baixo aqui.

As fotos foram retiradas do blog da "Chili com Carne".



quarta-feira, dezembro 04, 2013

A Chili com Carne vai ao Portinho Bender o Corpinho


Este Sábado, 7 de Dezembro, a “Associação Chili com Carne” vai estar pela Invicta no café “Duas de Letra” das 16 às 24h a bender o corpo, que neste caso é o mesmo que dizer muitos livros e discos estrangeiros a metade do preço, entre outros quase esgotados. Em adição ainda vão existir novidades editoriais a preços especiais de lançamento e serigrafias a preços tão baixos como nunca antes vistos (10€).

Em relação às serigrafias, estas ficarão à venda até 4 de Janeiro de 2014 e tratam-se de um conjunto de imagens ligadas aos projectos “Bestiário Ilustríssimo”, “Futuro Primitivo” e “Love Hole”. Uma oportunidade a não perder.

Ainda não falei do "Love Hole" do Afonso Ferreira, mas posso adiantar que já li e é dos livros mais alucinados do ano. Uma trip psicadélica que vale muito a pena conhecer.

terça-feira, setembro 17, 2013

Vacuum Horror (Aspiração Horrífica)


Aaron Kaneshiro, mais conhecido por Aaron $hunga, é um ilustrador e cartunista natural de Honolulu no Hawaii. Actualmente vive em Oakland, California, onde, em adição aos seus trabalhos artísticos, se encontra a frequentar o curso de ciência da computação. No seu currículo conta com posters feitos para bandas locais e com algumas BD’s publicadas em revistas como a Decay, Lodaçal Comix (Portugal) e Electric Ant.

A abordagem delirante e infame de “Vacuum Horror” valeu-lhe uma aura de culto ao longo dos anos desde que foi publicada no extinto site "uranium cocktail". Há alguns anos foi, finalmente, publicada em papel pela editora portuguesa “MMMNNNRRRG”. Nesta edição privilegiou-se a língua original - o inglês - o que possibilita a um maior número de pessoas a compra deste exemplar físico, contudo, no final de todas as páginas existe uma legenda que contém todos os balões traduzidos para português, ou seja, não há desculpas linguísticas para a sua não aquisição. Para os interessados ainda existem exemplares à venda, basta consultarem o site da Associação Chilli com Carne (se se tornarem sócios têm um desconto de 50% nesta e noutras compras).

“Vacuum Horror” tem início com um temeroso anúncio na TV por parte do presidente dos Estados Unidos (que estranhamente parece ser o Abraham Lincoln). Segundo o mesmo no próximo dia toda e qualquer tipo de criminalidade será permitida durante 24 horas. Rapidamente percebemos que isto não é uma boa ideia, particularmente quando uma das personagens lança um olhar perverso para debaixo da saia da sua própria filha. Uma sociedade sem qualquer tipo de amarras morais e legais, onde cada um cria o seu conceito de certo e errado, pode ser uma visão assustadora e o autor aproveita isto para nos mostrar um dos piores cenários possíveis, levado – esperemos nós – ao extremo, pois que haverá pais capazes do que mencionei acima, infelizmente, não há dúvidas, agora que sejam nos números que esta história apresenta, esperemos mesmo que seja fruto exclusivo da ficção.

Com um grupo de pais mais preocupado em violar as filhas uns dos outros e com uma mãe que parece planear a morte do marido, a jovem rapariga que nos é apresentada no início parece estar condenada, não fosse a súbita participação activa do seu aspirador. Sim, um aspirador, esse objecto que usamos para limpar a casa, mas que aqui é também uma criatura viva, um extraterrestre. Apaixonado pela pureza desta jovem salva-a contra tudo e todos numa orgia de pancadaria e genocídio que deixará as suas marcas visuais no leitor. No fundo as funções de limpeza mantêm-se intactas, só que desta vez a sujidade aspirada é outra.


Não será uma história comum ou muito menos tradicional, quando os envolvidos são uma jovem e um aspirador, mas ”Vacuum Horror” no seu cerne acaba por ser uma história de amor e sobre as barreiras que por vezes se quebram para este triunfar. Como pano de fundo temos uma das mais severas e exacerbadas críticas ao lado negro da Humanidade, onde temas como o niilismo ou o meio-ambiente são explorados pelo autor – a dada altura parece que ouvimos o agente Smith e a sua comparação da humanidade aos vírus. Tudo isto contado de uma forma muito psicadélica e onde os elementos Kafkianos são uma constante desta realidade – porque é que um povo de aspiradores é liderado por um gato?

Esta BD tem sido comparada a um género de mangá, o Ero Goru, que consiste em BD japonesa erótica e grotesca. Neste caso o grotesco suplanta claramente o erótico. Entre as influências do autor, contam-se nomes como os de Katsuiro Otomo (“Akira”), Daniel Clowes (“Ghost World”), Suehiro Maruo (“How to Take a Japanese Bath”), mas também David Linch e no-wave Punk.

Para quem gosta de BD's provocadoras, sem qualquer tipo de limites, mas principalmente para os apaixonados pelo bizarro, deixo esta sugestão de uma curta mas, sem dúvida, inesquecível história.