Devido à sua capacidade de regenerar tecidos a grande velocidade, foi raptado e escolhido para participar no projecto “Arma X”, uma experiência que tinha como objectivo cobrir os seus ossos com um metal indestrutível de nome adamantium, tornando-o inquebrável. Durante este processo as suas memórias foram manipuladas tornando o seu passado um completo mistério, inclusive para o próprio. Sabe-se porém, que é muito mais velho do que aparenta, fruto do seu factor de cura capaz de lhe retardar o envelhecimento e que combateu na Segunda Guerra Mundial ao lado do Capitão América.
Paul Jenkins, Joe Quesada e Bill Jemas trazem-nos um argumento maduro e profundo que juntamente com a arte de Andy Kubert (desenho) e Richard Isanove (cor) nos proporcionam uma obra digna de qualquer colecção de banda desenhada, com pormenores sublimes, como a magnífica cena de caça entre Wolverine e uma matilha de lobos a decorrer ao “som” do poema “The Tiger” de William Blake.
A “Origem” remete-nos para o Canadá em finais do século XIX, na mansão de uma das famílias mais abonadas da época, os Howllet. Sempre mantidos numa aura de mistério em relação à verdadeira identidade de Wolverine, acompanhamos a estória de três crianças: Rose uma órfã acolhida pelos Howlett, James o herdeiro da família vítima de inúmeros problemas de saúde e Cão o filho do jardineiro Thomas Logan, cuja aparência não passa despercebida de tão similar que é com a de um Wolverine adulto.
Uma das coisas positivas em a “Origem” é que não necessita ter qualquer tipo de conhecimento prévio sobre a personagem, para poder ser entendido e apreciado. É claro que existem sempre “prendas” ao longo da narrativa para os fãs, mas nunca são informações essenciais na compreensão da estória e passam despercebidas a todos os que desconhecem a sua fixação por ruivas ou o seu passado samurai, por exemplo.
Apesar de muita coisa ter sido deixada em entrelinhas para ser analisada e descoberta, a “Origem” não aborda a vida do personagem até aos dias de hoje, muitos anos permanecem por contar, mas isso fica para um próximo livro.
Publicado originalmente em Rua de Baixo (Dezembro de 2006) por José Gabriel Martins (Loot)