“O Jogador” foi escrito na mesma altura em que “Crime e Castigo”. Este segundo iria abordar originalmente os problemas causados pelo alcoolismo, porém a história cresceu noutra direcção e tornou-se algo diferente. Apesar de a temática do álcool ter sido mantida a partir de alguns personagens, deixaria de ser o cerne da história (ver Crime e Castigo). Isto apenas para referir que estes dois livros nasceram da ideia de vícios, “Crime e Castigo” do álcool e “O Jogador” do jogo, neste caso em particular focando-se na roleta.
A história tem início com a chegada de Alexei Ivanovich, o narrador, a Roletemburo, uma cidade Alemã conhecida pelos seus casinos. Nela encontra-se já hospedada a família daquele que é conhecido por General, uma família Russa na qual Alexei trabalha como tutor. Ao chegar começa logo a desconfiar de várias atitudes por parte do General, que se revelam algo desesperadas no que toca a dinheiro, e das suas mais recentes companhias, entre as quais o francês De Grieux, que Alexei detesta, e a Madamoiselle De Cominges uma mulher lindíssima que parece ter conquistado o coração do pobre General. A pouco e pouco Alexei começa a desvendar o que se passa, principalmente quando percebe que Polina, a enteada do General e sua amada, também está envolvida e poderá precisar de ajuda.
A relação que Alexei e Polina mantêm é verdadeiramente particular ou talvez particularmente verdadeira. Alexei é um homem astuto e até bastante orgulhoso, no entanto, não hesita em humilhar-se perante Polina. Ele ama-a tanto que se tornou seu escravo, fazendo tudo o que ela lhe pedir, mesmo que isso inclua atirar-se de um precipício abaixo. Esta foi a forma que Alexei encontrou de passar o máximo de tempo com ela, tornando-se numa espécie de seu confidente. Infelizmente para ele, Polina despreza-o, mas por vezes, em alguns preciosos momentos, Alexei jura que consegue vê-la como mais ninguém e isso para ele é inestimável.
Dostoevsky era também, um entusiasta da roleta, por isso a sua descrição do jogo e, mais importante, de um jogador, são rigorosíssimos. Aquela impaciência que se sente por nunca mais chegar a hora de podermos jogar, os minutos que se transformam em horas tão rápido que quando nos apercebemos já passámos um dia inteiro a jogar e curiosamente sem sentir necessidade de mais nada. A frustração da derrota que nos enfurece e não nos deixa parar e aquele perigoso sabor doce, Oh tão doce e passageiro, da vitória. Tudo isto são sentimentos que são comuns na vida de um jogador, seja o jogo da roleta, ou do poker ou de outro qualquer, quem já jogou de certeza que já os vislumbrou e quem é jogador vive-os todos os dias.
Para terminar a cereja no topo do bolo, a ironia das ironias, “O Jogador” foi escrito para pagar as dívidas de jogo do autor. Caso não terminasse o livro a tempo o seu cobrador ficaria com o direito de publicar as suas obras durante 9 anos sem qualquer tipo de remuneração.
PS: Depois de o ler acabei por ir ao “Estoril Film Festival”, onde fui ver o “Scott Pilgrim VS The World”. No final acabámos por ir espreitar a sala de jogo, fiquei a olhar para a roleta, ao vivo e a cores, pela primeira vez. Nunca foi um jogo que me tinha atraído…até agora. Não joguei claro, mas tenho de experimentar um dia. Não se preocupem está tudo controlado, não há problema, a sério que não há é só vencer uma vez e ir embora, depois nunca mais volto não me deixo enganar como os outros, até tenho um método e tudo é que as probabilidades vão por água abaixo com o desgaste do material, é só descobrir quais os números em que a bola cai mais e apostar nesses, é isso, descobri, está feito, até uma próxima.