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sexta-feira, abril 12, 2013

Abismos de pasión


Continuando a descobrir o cinema de Luis Buñuel, sigo para este "Abismos de pasión" (1954) a adaptação do livro Wuthering Heights (O Monte dos Vendavais) de Emily Jane Brontë. Antes de mais fiquei surpreendido com o número de adaptações cinematográficas que existem deste livro, parece que são tantas como as covers que há dos Depeche Mode.

O que vou dizer em seguida pode ser uma barbaridade, uma vez que não li o livro, mas fiquei com a sensação que Buñuel e Pierre Unik (os argumentistas) começaram a história a meio. Fica a sensação que faltou contar o nascimento do amor entre Alejandro (Jorge Mistral) e Catalina (Irasema Dilián), das suas aventuras e desventuras enquanto cresciam e da relação amarga entre Alejandro e Ricardo (Luis Aceves Castañeda). Evidentemente que nos situam na história, rapidamente percebemos quem são as personagens e o que as motiva, qual o seu passado, contudo não deixei de sentir este "salto" - real ou não - em termos narrativos.

O  sentimento que une Alejandro e Catalina é digno de um "Romeu e Julieta", pois sem um deles a vida do outro perde o sentido e esvai-se do corpo. Contudo, ambos são muito diferentes das personagens de Shakespeare. Alejandro é muito mais amargurado devido ao seu passado e cruel quando Catalina o recusa, já casada com Eduardo (Ernesto Alonso). Ao contrário do que esperaríamos Catalina não luta para ficar com aquele que amará para sempre, mesmo admitindo esse amor sem hesitar e mesmo não sendo capaz de viver sem ele. É como a grande maioria das grandes histórias de amor, uma tragédiam cheia de emoções fortes e dramatismos, que culminam num pathos final assombroso.