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terça-feira, julho 09, 2013

Man of Steel




SPOILERS


Quando os trailers de “Man of Steel” começaram a emergir, previa-se uma abordagem épica e, acima de tudo, inspiradora ao primeiro Super-Herói da História dos comics. Um amigo meu alertou que os trailers dos filmes do Zach Snyder parecem sempre antecipar grandeza, ou seja, é melhor não depositar demasiadas esperanças nessas curtas amostras… ele tinha razão.



PARTE 1: A PERSONAGEM




Vou começar por falar da abordagem à personagem, antes de discutir o filme em si. Kal-El, Clark Kent, ou Superman, é uma personagem que comemora 75 anos de existência este ano. Estamos perante um dos maiores ícones da cultura popular e uma das maiores referências da BD. A prova disso é que passados 75 anos a personagem continua a ser publicada todos os meses e em mais do que um comic - para o bem e para o mal. Seria ingénuo pensar que durante estes 75 anos o Super-Homem sempre foi escrito da mesma forma. A personagem foi adaptando-se aos seus tempos e determinados aspectos foram sendo alterados na sua vida, dando por vezes uma maior robustez ao universo da personagem, um desses exemplos é a história por detrás do seu símbolo. Quando Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o herói, o "S" que tinha ao peito era, obviamente, de Superman. Posteriormente no filme de Donner tornaram esse o símbolo da casa "El" assim permanecendo até hoje. Em 86 na história "The Man Of Steel" o símbolo tem origem numa tribo Índia representando uma cobra, símbolo de poderes curativos, esta seria uma abordagem descartada. Mais recentemente Mark Waid em "Superman: Birthright" diz que o símbolo da casa "El" simboliza a esperança, característica usada neste novo filme.

Quando falamos da adaptação de uma personagem destas é preciso ter em conta de que fase (ou fases) estamos a falar. No caso de Richard Donner o Super-Homem (1978) adaptado é claramente uma versão antes da saga "Crisis on Infinite Earths" (1985-86), uma vez que estamos perante a versão mais poderosa da personagem, um ser quase omnipotente capaz de mudar a órbita da Terra e voltar atrás no tempo. Esta versão é, actualmente,  datada uma vez que a personagem sofreu um severo decréscimo nos seus poderes desde os anos 80 a fim de revitalizar as suas vendas, tendo assim ficado até agora. Normalmente esta versão mais poderosa de Superman é apelidada pelos fãs de "Superman Pre-Crisis" a fim de distingui-la da mais actual. Aproveito para fazer um aparte e salientar que na nova colecção da Levoir e do Jornal Público referente aos "Heróis DC", a "Crisis on Infinite Earths" será publicada.

Em finais de 2010, a DC sofreu mais um reboot, conhecido pelos "Novos 52" e onde uma nova versão do Super regressou, a versão que se tornou conhecida por ter perdido as cuecas vermelhas (além disso o seu fato também ganhou um tom maior de armadura). Será justo admitir que David S. Goyer e Christopher Nolan se aproximaram de uma versão mais moderna da personagem neste filme, inspirando-se nas BD's de Mark Waid e talvez nas dos "Novos 52", entre outras. Se já em Batman os acusaram de se afastarem do universo da "BD" a verdade é que tal não está mais incorrecto, a questão prende-se mais a que "BD's" é que foram "beber"?

Mesmo assim muitos leitores de "Superman" deverão ter ficado, como eu, surpreendidos com algumas escolhas artísticas, porque pura e simplesmente este não era o Super que conhecíamos. Por muito que Kal-El tenha sido escrito de forma diferente ao longo dos anos há determinadas filosofias de vida que se mantêm e fazem da personagem aquilo que ela é. E se deve haver liberdade numa adaptação até que ponto deverá haver liberdade para mexer na personalidade das personagens? Sem determinadas características o Superman passa a ser simplesmente outro herói. Veja-se por exemplo o caso de Perry Whyte, se tivermos em conta a sua personalidade na BD, dificilmente o vejo a usar um brinco, ou seja, o Perry White de Lawrence Fishburne é uma boa personagem que funciona no filme, mas não é o Perry White da BD. Tinha de ser? Provavelmente não, mas quando a questão é colocada ao protagonista a situação complicae gera maior discussão.

O "Superman" é na BD o herói mais inspirador, ele é a luz quando o Batman é a sombra. Até a fonte do seu poder é proveniente da luz, do Sol. Ele não cobre a sua face, ele actua de dia; ele não salva uma cidade, ele salva o mundo. Ele é o espírito da justiça e da bondade e por mais acarinhado que seja na Terra, parte dele estará sempre sozinha (ou até chegar a prima e a pequena cidade de Kandor). Sempre me senti mais atraído pelos heróis mais negros e sempre adorei ler os anti-heróis, contudo, sempre tive um imenso respeito e consideração pelos cavaleiros da luz, pelos puros de coração cujas escolhas são por vezes, se não sempre, as mais difíceis. Podemos divertir-nos muito mais a ler os outros, mas ao final do dia, é à imagem dos bons que nos devíamos moldar.

Dito isto, o Superman não é vingativo, o Superman nunca deixaria morrer o pai se pudesse preveni-lo, o Superman tentará sempre proteger aqueles que o rodeiam tentando afastar a destruição dos grandes locais populados e o Superman nunca matará. E ao mesmo tempo nada disto é inédito na BD também - excepto a cena do pai. Superman já matou, nos anos 80, uma versão alternativa de Zod (penso que em "Superman Vol.2 #22") e posteriormente Doomsday em "The Death of Superman", apesar de neste último acabar por morrer no processo. A título pessoal, o que mais me incomodou na cena final não foi o resultado mas antes o desenvolvimento. Era preciso sentirmos mais, era preciso incomodarmos-nos como o dilema moral do Super e era preciso partilhar da sua dor, da sua falha. Snyder já argumentou a importância da morte de Zod para justificar poque o Super não mata no futuro, uma razão que discordo, pois não precisamos de experimentar tudo para nos definir a não seguir esse caminho.

De qualquer das formas, não me parece que Nolan e Goyer se estejam a afastar da noção do herói puro que é Kal-El, mas antes a dar-lhe um desenvolvimento diferente até ele chegar a esse ponto. Percebe-se por exemplo a importância da morte de Jonathan Kent, se tivermos em conta o caminho que o argumento quer seguir. Há coisas mais importantes que uma vida e Jonathan Kent não é um homem só de palavras estando disposto a prova-lo nas suas acções. Mesmo assim não gostei da cena em si e de como foi executada, além disso não me parece que seria aquele salvamento durante um tornado que iria revelar ao mundo a existência de um alienígena e as repercussões que isso teria, mas é o que temos, um foco grande na futura revelação de Superman e o momento em que a humanidade estará pronta para receber essa notícia... que basicamente é quando se aproxima da extinção. Só quando a corda aperta é que os corações se abrem.

Mesmo que não partilhe do entusiasmo desta nova abordagem, posso aceitar a ideia dos autores e apreciar o filme enquanto peça cinematográfica. Nesse sentido mesmo quando as adaptações não são fiéis ao material de origem, se o produto final resultar, se o filme for bom, as coisas tendem até a ser perdoadas, claro que cada caso é um caso. Mas deixemos Kal-El em paz e abordemos o filme em seguida.





PARTE II: O FILME 




No que toca aos filmes, é mais do que natural haver uma abordagem diferente das anteriores quando falamos em adaptar material que já o foi previamente. Logo nos primeiros instantes nos deparamos com uma Krypton diferente da de Richard Donner, onde os cristais foram substituídos por grãos de metal. É uma sequência bastante empolgante esta, nem que seja porque nunca antes vimos tanto de Krypton na grande tela. Gostei particularmente do destaque dado a Jor-El, que não deve nada ao filho enquanto personagem. Jor da casa El é um cientista brilhante e um homem igualmente sensato e justo, tudo isso passa através de Russel Crowe.

Contudo, as alterações de Krypton não se prendem apenas com aspectos tecnológicos, a própria mitologia desta espécie foi alterada. Há mais de 300 anos que todos os kryptonianos são cultivados (há semelhança do que se viu em “Matrix”) sendo cada bebé desenvolvido para determinados cargos, eliminando assim o acaso, um caminho que conduz à deterioração de uma espécie em tempos grandiosa. Kal-El tem assim um acréscimo de responsabilidade aos seus ombros, pois é também o primeiro a nascer de forma natural após todos este anos e levará consigo o código genético do seu povo caso algum dia este tenha oportunidade de retornar. De resto sabemos que Jor-El é aquele que descobre primeiro que o seu planeta está condenado, justificando desta vez que tal se deve a uma exploração dos recursos no núcleo do mesmo. Novamente, a voz de Jor-El não é tida muito em conta pelo conselho de Krypton. Curiosamente quem poderia ser o seu maior aliado é o General Zod, mas que opta por uma via de acção bastante diferente e incompatível com as ideias de Jor. Como referi é um início empolgante e agora que reflicto sobre isso, uma das melhores partes do filme.

Daqui saltamos para 33 anos (terrestres) à frente. Kal-El, agora Clark Kent, é único em Krypton (nasceu de forma diferente), é único na Terra (como o pai refere é um deus para nós) e, para não haver dúvidas na intenção, tem a mesma idade com que Cristo morreu, algo a que não resistiram nesta nova divinização da personagem. 33 anos? Mas o que é que ele tem andando a fazer neste tempo todo? No recente "Action Comics" o Super ainda não sabia voar e já andava a pular de prédio em prédio como o activista que é. Pronto já estou a dispersar, é que ter o Grant Morrison como consultor do filme tinha valido a pena.

Em relação à sua infância no Kansas é abordada através de flashbacks, suponho que o filme se tornaria demasiado longo se fosse feito de outra forma e as coisas até funcionaram bem. Ainda assim eu optaria por dar mais atenção a esta parte substituindo-a por alguns dos minutos da segunda metade. De qualquer das formas, contam-nos determinados momentos chave no crescimento de Clark Kent e são suficientes para compreendermos o que a personagem passou e o estado em que se encontra. Ao seguirmos este Clark a vaguear pelo mundo, ajudando incognitamente os que pode, uma coisa que nos salta imediatamente à vista é que estamos perante uma personagem diferente da clássica, como já referi acima, este é um Clark ainda à procura da sua identidade e do seu papel no mundo.

Durante a sua jornada acaba por conhecer as suas origens na mesma altura em que conhece e ajuda Lois Lane que conduzindo uma investigação em busca do seu salvador, acaba por encontra-lo. Lois Lane sabe que Clark Kent é Kal-El, optando-se, nesta nova modernização da personagem, por eliminar a parte em que Lois não reconhece o amor da sua vida através de um par de óculos. Compreende-se a escolha, por mim, nunca me incomodou, é mais uma daquelas situações cartunescas deste universo e que ganhou tamanhã projecção que é completamente aceitável, estamos a falar afinal de contas de malta que usa capa e voa em collants. Mas neste universo mais realista que se tentou criar, parece que era uma opção não viável. Espero que não descartem na sequela o Clark trapalhão que Christopher Reeve interpretou tão bem.

Quando vamos ver um filme de Super-Heróis não esperamos ver um respeito total pelas leis da física, porém, uma vez que em algumas destas novas abordagens a componente "real" parecer ser tão levada em conta, estranho muito cenas como a da sequência final onde se destroem os carros e não as pessoas ao a gravidade do planeta está a ser afectada. Nem vou mencionar o facto da Lois ter morrido pelo menos 10 vezes, aliás só estou a focar isto por causa de toda a atenção, supostamente, científica que parece ser dada ao filme. Nesse sentido "Superman Returns" pareceu ser bem mais atencioso, um filme, aliás, que me parece ter sido bastante injustiçado e cuja maior fraqueza foi uma aproximação demasiado grande ao primeiro filme de Donner e não o facto de ter "pouca acção" como foi acusado. "Superman Returns" com todos os defeitos que pode ter, emociona.

Se a primeira metade de "Man of Steel" funciona relativamente bem, a segunda já nem tanto. É de facto portentoso ver kryptonianos a combater com a tecnologia da actualidade. Estamos a falar de alguns dos seres mais poderosos do Universo, cada soco seu poderia derrubar montanhas e essa força passa na perfeição do grande ecrã para nós. O que não passa tanto é a emoção e quando somos deparados por uma série de sequências destas desprovidas de sentimento, as coisas não correm tão bem. Gosto muito de pancadaria e há cenas realmente muito boas em "Man of Steel" mas desta forma e nesta quantidade, foi impossível não cair na monotonia. Talvez o problema aqui tenha sido o facto de os trailers terem prometido um filme diferente, pois não previam um festival de pancadaria à Michael Bay, mas antes uma abordagem inspiradora sobre o homem que usa um S no peito. E, no fundo é mesmo isso, ter a sensação que se aspirava aqui a algo maior, quando no fim o que mais lhe falta era aquilo que mais procurava nele, alma.

Em termos de realização Snyder sempre me pareceu um excelente profissional e aqui o peso estaria muito mais no argumento, que foi algo insípido, particularmente em alguns dos diálogos. Nesse sentido Snyder fez um bom trabalho, onde curiosamente achei que as sequências de acção evocaram mais o estilo de Nolan que o seu, onde o uso do slow-motion era quase obrigatório. Henry Cavill não deslumbrando tem uma forte presença quando veste o fato e isso é muito importante, mas é pena não ir mais longe. No que toca à grande maioria todos de certa forma cumpriram o seu papel, mas sem grandes destaques. São a excepção os pais de Kal (todos) e Michael Shannon que dá uma boa imagem do seu General Zod, que aqui até se afasta do seu papel de vilão, uma vez que é também ele um produto da sua civilização em queda. Zod no final é mais uma vitima também.

Hans Zimmer faz um bom trabalho, a sua banda sonora adequa-se muito bem ao tom e ritmo do filme. Um tom que não tem ainda espaço para o hino de John Williams (sei que não fará parte destes novos filmes), uma canção que espelha na perfeição aquilo que é o Super-Homem, claro que "esse" Super-Homem apenas fará a sua aparição na sequela (julgo eu), afinal de contas, como muitos o têm apelidado, este é de facto, o "Superman Begins", podia era ter sido um início melhor.

No fim das contas, o que temos aqui é um filme tecnicamente de topo, com alguns belos momentos de história, mas que pecam por escassos. Chegamos ao final e ficamos a saber que foi apenas o início, mas mesmo assim a viagem de Clark Kent até Superman, podia ter sido bem mais empolgante e bem mais inspiradora. Vale a pena ver? Nem por isso, mas se arriscarem façam-no sem grandes expectativas e entusiasmos. Agora vou ali ouvir o tema do John Williamos e já volto.

Quase me esquecia, gostei do pormenor dos camiões da Lexcorp. Uma pista sobre o próximo vilão?

segunda-feira, agosto 06, 2012

The Dark Knight Rises


"The Dark Knight Rises" marca uma nova etapa neste tipo de filmes, em certo sentido é um pioneiro, ou seja, este será sempre o primeiro filme da DC Comics... a mostrar o novo símbolo da editora. Pensavam que estava a falar em termos cinematográficos? "Rises" continua, como é devido, na linha dos seus anteriores, e nesse sentido dificilmente seria um marco, até porque tudo que traz, já o seu predecessor tinha feito e, na minha opinião, até melhor. Aqui simplesmente há "cenas maiores", como é típico de sequelas de filmes com sucesso comercial e se há coisa que Christopher Nolan tem é ambição neste tipo de cenas, veja-se a sobejamente conhecida explosão do campo de futebol, há toda uma noção de espectáculo muito grande aqui presente e nisso o realizador não desilude.

Há um caminho claro na realização de Nolan ao longo desta trilogia, e não só, em certa medida os dois últimos Batman até fazem melhor par com o "Inception" do que com o "Begins". Claro que em "Begins" começa muita coisa que a partir daí foi evoluindo, tal como as sequências de combate que estão melhores nos filmes posteriores. Por outro lado também Nolan e equipa têm vindo cada vez mais a abusar de um storytelling apressado, repetitivo e por vezes incoerente ou pouco inspirado (repare-se por exemplo como uma determinada personagem sabe a identidade de Batman), que tal como em "Inception" se faz notar aqui ainda mais. Não é tanto por aqui o caminho a seguir, apesar de reconhecer em determinados pontos que uma história com esta magnitude seja difícil de gerir em tão pouco tempo, privilégios que a BD tem em relação aos filmes. É complicado mostrar tantas modificações emocionais e físicas num curto espaço de tempo e por isso é que uma das cenas mais emblemáticas na BD ao ser reproduzida fielmente neste filme acaba por não resultar (nem pode) no mesmo grau de consequências, no entanto, serve e muito bem o seu propósito. O primeiro confronto entre os antagonistas principais é uma cena que vai perdurar, a máscara quebrada que se vê no trailer espelha tudo.

Este é o capítulo que pretende encerrar a história de Bruce Wayne, um milionário órfão que usa a máscara de um morcego para livrar o mal do seu berço, Gotham City, tudo isto inspirado pela morte dos seus pais, certo? Errado, Bruce Wayne é que é a máscara, a imagem do playboy milionário que, de todo, não existe. O morcego não é um alter ego e quando digo morcego não estou a falar de fatos. Bruce pode pendurar as chuteiras, reformar-se se tiver conquistado a paz da sua cidade, sacrificou a sua imagem por ela afinal de contas, mas quem está dentro daquele corpo, quem tentará levar uma vida normal, será sempre o cavaleiro negro.


A acção desenrola-se 8 anos após os eventos do filme anterior. Após uma bela introdução ao vilão (como já nos vêm a habituar) vamos ao encontro de caras familiares, para nos deparamos com um Bruce Wayne e um Comissário Gordon bastante debilitados. Ambos fizeram um pacto para manter a imagem de Harvey Dent sã e agora passados 8 anos vemos como essa mentira os tem corroído por dentro. Gordon nunca esteve satisfeito com a sua decisão está cansado, desiludido com ele próprio e isso custou-lhe a família. Quanto a Batman desapareceu por completo e com ele o seu alter ego também. Com a capa pendurada e com a morte de Rachel, não havia nada que fizesse Bruce Wayne seguir em frente e actualmente é um eremita enclausurado na sua mansão. As mazelas físicas são notórias, algo que me fez pensar que a sua carreira como vigilante mascarado tivesse durado mais tempo e resultado em maiores ferimentos, mas não.

Ter Gary Oldman no elenco é sempre uma mais valia, um privilégio. O seu Gordon é mais que um policia é a ligação de Batman ao mundo. Christian Bale foi também um nome que desde o início me inspirou confiança, gosto do seu Batman aqui ainda mais quando não tem o fato negro. Desta vez teve de levar a sua personagem até ao abismo para depois levantá-la, aliás o título "Rises" é algo que se faz sentir constantemente no filme. Em relação à personagem, confesso que sinto alguma falta do Batman mais cerebral e detective, que por vezes surge mas sempre muito ao de leve, nada a apontar ao actor, portanto.

Agora voltando ao enredo. O problema das mentiras é que têm perna curta e na ficção, mais tarde ou mais cedo, rebentam-nos sempre na cara. A preferência de Rachel por Harvey Dent, a morte de Two-Face, tudo terá de vir à tona e as consequências serão severas. Aparentemente Gotham é na actualidade uma cidade de paz, onde um povo inspirado pelo antigo procurador geral e actos planeados pelo mesmo conduziram a uma redução drástica no crime. Com a chegada de Bane tudo isto muda, a guerra regressa às ruas de Gotham e numa escala nunca antes vista, nunca antes temida. Mais do que nunca o morcego é preciso, Batman tem de voltar, mas estará em condições, tanto fisicas como mentais, para isso? Bane é de todos os vilões aquele que representa um maior desafio em termos fisicos, ele é uma figura imponente, uma máquina de combate e ao contrário deste Batman, alguém com o espírito elevado.


O vilão é quanto a mim um dos pontos mais altos deste filme, Tom Hardy encarna um Bane aterrador, um vilão totalmente diferente do anterior, mas também extremamente intenso. Joker tinha o poder da loucura do seu lado, era assustador por causa disso, porque não tem medo de nada, porque tudo lhe é permitido. Já Bane é força, todas as cenas em que entra mostram como é detentor de uma presença quase inquebrável. E, tal como o palhaço do crime, um grande estratega. No final fica a sensação de que se podia ter ido mais longe com Bane, a dada altura os seus actos evocam um V for Vendetta, mas infelizmente, o caminho intencionado nunca foi esse e aí perde.

Em relação às restantes personagens o destaque vai para a Catwoman de Anne Hathaway que conseguiu adaptar-se muito bem neste universo de Nolan. Selina Kyle é sensual, ambígua e Humana. Uma Catwoman que evoca a de "Year One" de Frank Miller, obra que já tinha inspirado fortemente "Batman Begins". Uma coisa é certa, por muito que estas versões do Batman sejam uma visão mais realista do mesmo (visão que faz todo o sentido nesta personagem), o realizador tem ido sempre buscar inspiração à fonte original, a BD e isso é dos meus pontos predilectos nesta trilogia. Em "Rises" não foi diferente, a atmosfera do filme evoca novamente Frank Miller em "The Dark Knight Returns" e depois há o óbvio "Knightfall".

Actualmente Christopher Nolan conquistou um lugar de destaque no cinema de Hollywood, é sem dúvida um dos realizadores que mais projecção tem tido e a confiança que os estúdios lhe depositam é notória, além de ser uma máquina no marketing, goste-se ou não, nenhum dos seus filmes passa despercebido. É também um realizador que facilmente reúne um elenco de luxo e é sempre muito bom ver Morgan Freeman e Michael Caine regressarem aos papéis de Lucius Fox e Alfred Pennyworth, respectivamente. Fox continua a ser o Q de Batman trazendo sempre um pouco de humor e boa disposição ao filme. Quanto a Alfred é sem qualquer dúvida o pai de Bruce Wayne e essa ligação assume aqui contornos muito fortes, pois nenhum pai aguenta ver o filho a cair pelo abismo.

Dos novatos temos um Joseph Gordon-Levitt seguro, mas num papel que não dá margem para dúvidas. É notório (e constantemente recordado) qual a função que esta personagem irá desempenhar e que faz todo o sentido, afinal de contas estamos a fechar um ciclo e já como diziam no início, um homem pode ser destruído, mas um símbolo não. Marion Cotillard surge com a sua Miranda Tate parceira de negócios de Bruce Wayne e que ao início parece um pouco enfiada a martelo mas que ganha o seu óbvio espaço.


Hans Zimmer continua, agora sozinho, ao leme da banda sonora que segue no mesmo estilo das anteriores e mantém o nível de excelência. Os temas estão muito bem ambientados à atmosfera do filme (ou é ao contrário?), peca apenas por denunciar a cena que se aproxima, mas tal já acontecia no anterior, rapidamente sabemos a personagem que vai surgir em cena pelo tema a ser tocado. Pensemos antes que em vez de tirar tensão gera antecipação.

Gostei bastante do final, é algo que nunca vai acontecer na BD, por motivos óbvios, mas que ficou bem, foi um um momento digno e merecido."The Dark Knight Rises" encerra assim um ciclo dedicado a um dos melhores heróis de sempre da BD. Pode não tê-lo feito da forma ideal, quanto a mim os anteriores são mais bem conseguidos, mas não deixa de o ter feito bem, até porque estão aqui algumas das cenas mais emblemáticas desta trilogia, apenas o sinto como um filme menos coeso, com maiores falhas (desta vez são demais), repetindo-me, menos inspirado e como um todo perde nesse sentido. Já agora, por falar em coesão é de valor como ela se sente numa trilogia que não tinha sido planeada. De resto, é uma saga que continuará certamente a inspirar novas adaptações do género onde a marca de Nolan se fará sentir no futuro.

Antes de terminar, um pequeno aparte, mais dirigido aos conhecedores da BD. É normal que haja determinadas cenas que sejam mais óbvias para quem está familiarizado com este Universo no papel, no entanto, não deixa de ser curioso que usem algum do material original precisamente para tentar enganar o leitor, veja-se por exemplo o Henry Ducard de Liam Neeson. Ducard existe mesmo na BD e isso levou a que muitos não pensassem que ele poderia ser o verdadeiro Ra's Al Ghul. Aqui acontece algo parecido mas a dada altura é impossível não reconhecer uma determinada personagem. O que me lembra, fui só eu que pensei em determinado momento na possibilidade de existir um Damian no futuro? Bem, não interessa, não vai acontecer. Isto foi mesmo o fim, certo?

segunda-feira, dezembro 17, 2007

The Dark Knight - Trailer + Poster

Chegou mais uma boa desculpa para falar deste filme.
Nesta página encontra-se disponível para visualização e download o trailer de "The Dark knight".
Cliquem na imagem para ver que isto promete.
Para quem não sabe o Joker deste filme usa maquilhagem ao contrário da versão de BD e do Tim Burton que caiu num banho químico onde a cor da sua pele e cabelo foram alteradas.
Como seria de esperar Nolan continua a criar uma versão assustadoramente real do universo de Batman.
Vamos ver o que sairá daqui, entretanto este Joker de Heath Ledger está terrífico, adorei.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

quarta-feira, dezembro 05, 2007

The Dark Knight - Poster

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

O primeiro poster oficial de "The Dark Knight" já se encontra disponível.
Pessoalmente gostei muito do toque humorístico à Joker.

terça-feira, novembro 27, 2007

All Will Be Revealed...

A nova capa da revista" Empire" vai ser nada mais nada menos do do que Heath Ledger na pele desse Don Juan ou Casanova (que fica melhor nesta caso), que é o JOKER!!!!
Achei muito engraçado a forma como têm estado a revelar essa imagem através deste site (está quase completa).
A capa da revista já pode ser encontrada completa na net, mas gostei da ideia e aproveito para reforçar a minha confiança neste actor e no que ele pode fazer com este personagem.

quinta-feira, setembro 13, 2007

The Dark Knight - Teaser

Avisaram-me hoje que o teaser de "The Dark Knight" já se encontra disponível na net. Normalmente nos teasers nunca se vê muita coisa, mas neste não se vê mesmo nada, mas dá para ouvir.
Cliquem na imagem para ver.