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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Control


Quando vamos ver um filme do género de "Control" temos no mínimo uma coisa boa garantida, pois dificilmente um filme sobre os Joy Division terá uma má banda sonora. Mas "Control" é mais do que excelente música, é cinema, é vida e é Ian Curtis.
"Control" conta a trágica história de Ian Curtis, o célebre vocalista dos Joy Division que com apenas 23 anos escolheu terminar a sua vida.
O filme tem início em 1973 um ano após o mítico lançamento dessa obra-prima que dá pelo nome de "Ziggy Stardust". Encontramo-nos portanto numa altura em que o Glam Rock é uma das grandes influências dos jovens Ingleses e Ian não é excepção, que começa o filme com a compra do novo álbum de Bowie, "Aladdin Sane". É precisamente neste dia que Ian conhece Deborah a namorada de um amigo seu que pouco tempo mais tarde se tornaria sua esposa, num casamento que se viria a provar demasiado prematuro.
Após o seu casamento Ian e Deborah iniciam-se na sua vida de casal. Mudam-se para um apartamento, Ian começa a trabalhar no centro de emprego e Deborah trata da lida da casa. No entanto há algo que falta na vida de Ian e a resposta não demora muito tempo a chegar quando após um concerto fora do vulgar dos emblemáticos "Sex Pistols" decide juntar-se à banda de Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner para juntos formarem os "Warsaw", que mais tarde viriam a ser conhecidos por "Joy Division".
Devido não só à enorme qualidade musical da banda, mas também à personalidade ousada de Ian Curtis, conseguem ir actuar no programa de TV de Tony Wilson e iniciar-se no que seria uma carreira que iria marcar para sempre a música.
No entanto, enquanto a banda vai crescendo em termos de popularidade, a vida de Ian torna-se cada vez mais problemática. O seu casamento é-lhe cada vez menos interessante, apaixona-se por Annik Honoré uma jovem que é repórter nos seus tempos livres e descobre que sofre de epilepsia. Com o tempo a fama dos Joy Division torna-se mais um peso que Ian não quer carregar.
A luta contra uma doença que o assusta, o facto de não querer magoar as três mulheres da sua vida (Ian tem uma filha) e de deixar mal os seus companheiros, começam a tornar-se sentimentos esmagadores no seu dia-a-dia.
Todos temos uma sensibilidade diferente à forma como vivemos e sentimos as coisas, "Control" é o filme que nos mostra a sensibilidade de Ian Curtis e como este escolheria, se pudesse, magoar-se ao invés de magoar aqueles que ama.
A semelhança entre os actores e os membros originais dos "Joy Division", o facto de serem os próprios a interpretar as canções ao longo do filme, confere a esta obra um realismo arrepiante. Recordei-me do telefilme sobre o "Elvis" onde Jonathan Rhys-Meyers interpreta o próprio e tendo um bom desempenho sempre que a voz de Elvis era dobrada quando ia cantar, o filme soava a "falso" e isso não acontece em "Control".
Porque "Control" é um dos melhores biopics que vi, porque os "Joy Division" são uma das grandes bandas de sempre e porque se trata de uma história com enorme sensibilidade cinematográfica e musical, vejam este filme.
Quem sabe um dia surja uma espécie de sequela, sim porque o filme é sobre Ian Curtis, mas também sobre os "Joy Division" e após a morte de Ian, Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner não desapareceram, iniciando um novo projecto, não menos importante, que dá pelo nome de "New Order".