"Control" conta a trágica história de Ian Curtis, o célebre vocalista dos Joy Division que com apenas 23 anos escolheu terminar a sua vida.
O filme tem início em 1973 um ano após o mítico lançamento dessa obra-prima que dá pelo nome de "Ziggy Stardust". Encontramo-nos portanto numa altura em que o Glam Rock é uma das grandes influências dos jovens Ingleses e Ian não é excepção, que começa o filme com a compra do novo álbum de Bowie, "Aladdin Sane". É precisamente neste dia que Ian conhece Deborah a namorada de um amigo seu que pouco tempo mais tarde se tornaria sua esposa, num casamento que se viria a provar demasiado prematuro.
Após o seu casamento Ian e Deborah iniciam-se na sua vida de casal. Mudam-se para um apartamento, Ian começa a trabalhar no centro de emprego e Deborah trata da lida da casa. No entanto há algo que falta na vida de Ian e a resposta não demora muito tempo a chegar quando após um concerto fora do vulgar dos emblemáticos "Sex Pistols" decide juntar-se à banda de Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner para juntos formarem os "Warsaw", que mais tarde viriam a ser conhecidos por "Joy Division".
No entanto, enquanto a banda vai crescendo em termos de popularidade, a vida de Ian torna-se cada vez mais problemática. O seu casamento é-lhe cada vez menos interessante, apaixona-se por Annik Honoré uma jovem que é repórter nos seus tempos livres e descobre que sofre de epilepsia. Com o tempo a fama dos Joy Division torna-se mais um peso que Ian não quer carregar.
A luta contra uma doença que o assusta, o facto de não querer magoar as três mulheres da sua vida (Ian tem uma filha) e de deixar mal os seus companheiros, começam a tornar-se sentimentos esmagadores no seu dia-a-dia.
Todos temos uma sensibilidade diferente à forma como vivemos e sentimos as coisas, "Control" é o filme que nos mostra a sensibilidade de Ian Curtis e como este escolheria, se pudesse, magoar-se ao invés de magoar aqueles que ama.
A semelhança entre os actores e os membros originais dos "Joy Division", o facto de serem os próprios a interpretar as canções ao longo do filme, confere a esta obra um realismo arrepiante. Recordei-me do telefilme sobre o "Elvis" onde Jonathan Rhys-Meyers interpreta o próprio e tendo um bom desempenho sempre que a voz de Elvis era dobrada quando ia cantar, o filme soava a "falso" e isso não acontece em "Control".
Quem sabe um dia surja uma espécie de sequela, sim porque o filme é sobre Ian Curtis, mas também sobre os "Joy Division" e após a morte de Ian, Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner não desapareceram, iniciando um novo projecto, não menos importante, que dá pelo nome de "New Order".