É filmado com uma câmara portátil naquele que ficou conhecido como o registo "Blair Witch Project". Uma opção que faz todo o sentido uma vez que "Chronicle" pretende abordar de forma realista a forma como 3 pessoas reagiriam ao receberem super-poderes, neste caso em particular, telequinésia. Todo o conceito do filme é ser apegado à realidade e daí a escolha deste tipo de filmagem, é como se alguém tivesse pegado nas várias filmagens e compilado para mostrar ao mundo esta aventura. É como se tivesse mesmo acontecido.
Claro que num filme destes é complicado manter este tipo de filmagem. Como se não chegasse ter uma personagem que decide passar a filmar tudo à sua volta, acabam por ter de ir buscar outras gravações para mostrar o que se passa com outras personagens. É de salientar no entanto a montagem final. durante uma épica luta vemos o filme através das imagens captadas pelos telemóveis e câmaras de uma cidade, muito bom. Tecnicamente o filme é exemplar.
Adorei o tom do filme. Três adolescentes ganham poderes e aqui o como e o porquê não interessam, mas sim, como será a vida deles a partir daqui.
São três adolescentes é claro que vão divertir-se com as suas novas habilidades. A cena da pastilha elástica, a criança que assustam ou o carro que mudam de lugar são cenas hilariantes e que vemos as pessoas a fazerem caso estivessem na mesma situação.
Claro que há medida que os acontecimentos se vão desenvolvendo e os poderes aumentando é uma questão de tempo até alguém abusar deles.
Adorei a abordagem à telequinésia. O filme foge completamente ao estilo de "super-herói" porém foi imaginativo, tal como na BD, à forma de usar os poderes. A telequinésia a um determinado nível pode ser usada para mais do que levantar objectos. Pode ser usada para nos levantar a nós para assim voarmos e pode afastar todos os objectos do nosso corpo funcionando como uma espécie de campo de força. É uma força mental logo não é necessário usar as mãos como acontece na maioria destas histórias. A razão de usar as mãos prende-se com o facto de dar mais estilo e eles fazem-no precisamente por isso.
É abordada também como um músculo que quanto mais treinado mais se desenvolve.
Três rapazes de "mundos" tão diferentes, Andrew Detmer (Dane DeHaan) o solitário, Steve Montgomery (Michael B. Jordan) o popular e Matt Garetty (Alex Russell) o pensador, tornam-se assim amigos inseparáveis. Esta é a sua história, esta é a sua crónica.
Desde que vi o Michael B. Jordan no trailer do filme que a sua cara me era familiar. Durante o filme todo tentei lembrar-me, sem êxito, de onde o conhecia. Até que numa determinada cena mostram fotos dele em miúdo e caramba aí foi instantâneo, ele é o grande Wallace de "The Wire".