sexta-feira, 24 de outubro de 2025
sexta-feira, 20 de maio de 2022
Astérix atravessa o Donbass
Viajantes do Mundo Antigo, ainda não foi desta que os gauleses visitaram a Lusitânia, onde estavam os verdadeiros irredutíveis – “Não se governam nem se deixam governar”, escreveu a propósito Sérvio Sulpício Galba, a Júlio César. Quando pegámos no último Astérix, com o intuito de aligeirar o espírito da barbárie que nos ameaça e tolda os dias, com entrechoque de imperialismos, a carne para canhão em que foi transformado o povo ucraniano e o bombardeio maciço das opiniões públicas pelas mais desavergonhadas manipulações, verificámos que Ferri e Conrad nos transportam para a área geográfica do actual teatro de operações, a uma distância de dois mil anos.
Tudo começa quando o geógrafo Desorientadus propõe a Júlio César uma expedição ao Barbaricum, território vasto no leste da Europa e Ásia Central, com o fim de capturar um grifo – animal lendário, meio águia meio leão, com orelhas de cavalo –, descrito pelo viajante grego Dosamais de Colagénio. Um bicho daqueles em luta contra gladiadores aumentaria a popularidade de César, e para tal Desorientadus dispõe de informações de uma prisioneira amazona sármata (supostos antepassados dos eslavos), a bela Kalachnikovna. Ao mesmo tempo, Astérix, Obélix e Ideiafix acompanham Panoramix o druida, em deslocação à Sarmácia, ao encontro do colega xamã local Karnanteskeukine (adaptação não de todo feliz de Cékankondine – “c'est quand qu'on dine”, ou seja “quando é que se janta”...). Estamos, pois, no território que abrangia a actual Ucrânia, o sul da Rússia e o norte do Cazaquistão; tendo os autores concluído este 39º álbum da série ainda em 2020, embora o conflito permanecesse a baixa intensidade, não anteciparam a tragédia que se está a passar. As confusões étnicas sempre estiveram presentes nas histórias do pequeno gaulês, com muitos piscares de olhos à actualidade – quem não se lembra de Astérix e os Godos (1963) ou A Odisseia de Astérix (1981), este um dos melhores de Uderzo a solo, paródia da instabilidade perpétua no Médio Oriente? –; mas a verdade é que o momento não está para paródias, antes para recolhimento, solidariedade e espírito crítico afiado.
Trata-se de um álbum de sinal mais de Jean-Ives Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenhos), o quinto da dupla, em que o mais conseguido, quanto a nós, continua a ser A Filha de Vercingétorix (2019). Os nomes de sonoridade russa são alguns deles esplêndidos, mesmo na tradução portuguesa: Gasodutine, o decano sármata; Botabaichine, o destilador; Wolverine, o lobo do xamã, companheiro de correria do Ideaifix; ou Klorokine, o anfitrião (aliás, a Covid-19 é a estrela no que respeita a gags). O desenho de Conrad, procura manter-se fiel a Uderzo.
Neste tempo de trevas, que São Goscinny continue a olhar por nós.
Astérix e o Grifo
texto: Jean-Ives Ferri
desenhos: Didier Conrad
edição: Asa, Alfragide, 2021
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
discurso directo: Tibet
”Jijé [Jerry Spring] foi progredindo até se tornar francamente bom, mas um dia apareceu um jovem que fazia Jijés cem vezes melhor! Era Giraud [Blueberry]. Mas devo confessar que nunca li Charlier [argumentista de Blueberry], nem Martin [Alix, Lefranc] ou Hubinon [desenhador de Barba Ruiva e Buck Danny]. Fiquei-me por Hergé [Tintin], Jijé e pelo prodigioso Franquin [Spirou e Fantásio, Gaston], que é um verdadeiro criador, sempre em busca do domínio do desenho, como Hermann [Bernard Prince, Comanche, Jeremiah, As Torres de Bois Maury, Duke]. Quanto a Uderzo, trata-se de um artesão de génio, mas chamo criador àquele cujo trabalho não se parece com nada feito antes. Em Uderzo vemos o traço de Walt Disney, Astérix tem as mesmas proporções que Mickey, Obélix é o anão Feliz da Branca de Neve!» Tibet, (1931-2010). desenhador de Chick Bill e Rick Hochet (com argumento de A-P. Duchâteau), em entrevista à Bo-Doï, Fevereiro de 2000,
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Barba Ruiva
O flibusteiro que comanda o “Falcão Negro”, personagem mítica da pirataria desenhada, criada em 1959 por Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon para a revista Pilote, está de regresso e em maus lençóis, na companhia do filho adoptivo, Eric, Três-Pernas, o poliglota, e Baba, um colosso negro. Todos os conhecemos, no original ou através da paródia que deles fizeram Goscinny e Uderzo. Les Nouvelle Aventures de Barbe-Rouge – Pendu Haut et Court, texto de Jean-Charles Krahen, desenhos de Stefano Carloni, Dargaud, Paris, 2020.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
30 anos de História com Spirou
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Albert Uderzo (1927-2020)
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
um Astérix à la Goscinny
terça-feira, 30 de julho de 2019
BDteca- José Abrantes & Miguel Rocha, O ENIGMA DIABÓLICO (1998): Mortimer encontra o Joker
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Repostagens: Piratas
[29 de Abril de 2005, postado aqui]