Segundo e ultimo volume de histórias curtas, curiosidades, inéditos do ás da aviação da revista Spirou (Zéphyr Éditions, 2020).
terça-feira, 23 de agosto de 2022
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
aviões de papel
Que fazem dois autores de BD quando pretendem desenvolver uma série de aviação, de aviões percebendo nada? Obviamente, tiram o brevê... Foi o que se passou com Jean-Michel Charlier (1924-1989) e Victor Hubinon (1924-1979), antes de estrearem a primeira aventura do coronel piloto-aviador Buck Danny, Les Japs Attaquent (1947), episódio de Pearl Harbour, no Pacífico, com uma forte inspiração de Terry e os Piratas, de Milton Caniff (1907-1988), terminada no ano anterior e substituída por Steve Canyon, também ele um ás Força Aérea Americana. Buck Danny é um coronel piloto-aviador, que desde cedo contará com a companhia de dois camaradas: o capitão Tumbler e o tenente Tuckson. Acompanhando o tempo histórico em que cada álbum se publica, trata-se da mais antiga e bem-sucedida série de aviação de guerra da BD franco-belga: 58 álbuns, 40 dos quais assinados por esta dupla.
Livros como o de hoje, Histoires Courtes (1946-1969), destinam-se principalmente aos admiradores das séries e aficionados dos quadradinhos em geral. Compõem-se de episódios breves, curiosidades, pastiches, documentação. Neste caso, criteriosamente editado por Bernard L. Thouvanel, jornalista especializado em temas de aeronáutica, recolhe dez breves histórias, algumas inéditas outras dispersas, para além de fotografias históricas. Mas o leitor comum ficará sempre mais bem servido com a narrativa canónica das 46 páginas.
O álbum começa com a pré-história de Buck Danny: "Pilotos de turismo" (1946), apenas de Hubinon, um trecho de humor que conta as peripécias por que passavam os candidatos ao brevê numa qualquer escola de aviação. Segue-se "A agonia do 'Bismark'", também de '46, em que ambos desenham: episódio verídico sobre o super-couraçado "Bismark", o mais poderoso vaso de guerra até então construído, que afundara o HMS Hood, orgulho da Royal Navy, na batalha naval do Estreito da Dinamarca (1941), representando uma séria ameaça, como afirmou Churchill: "Para que a Inglaterra sobreviva, custe o que custar, afundem o Bismark!" Os ingleses vão empreender uma perseguição fazendo pagar caro a pesporrência nazi. Pese a juventude dos autores, com 22 anos, o dinamismo narrativo é eficaz, com vinhetas esplêndidas de batalha aéreo-naval, e abundância de plano picado e contrapicado, como seria de esperar. "Duelo no Céu", "Missão Especial" e "Roubaram um Protótipo..." (1955-56) são histórias breves de quatro pranchas, agora já com o coronel Danny, durante a Guerra Fria, em que está sempre por detrás a acção de uma potência estrangeira, nunca nomeada. Se não acrescentam nada a este universo, também não deixam os créditos dos autores por mão alheias, embora Charlier detestasse escrever narrativas curtas por lhe queimarem vários cartuchos passíveis de usar num álbum canónico. Finalmente quatro pequenos episódios de humor e autopastiche: "As horripilantes aventuras de Buck Danny, veterano da U. S. Air Force" (1957); "Duck Flappy - Protótipo X-6432589" (1960); "Missão Especial" e "Uma História Inacreditável" (1969), cereja no topo: em pleno ar, o chefe da esquadrilha comporta-se estranha e perigosamente aos comandos, para espanto dos companheiros: chegados ao solo, Tumbler e Tucker dirigem-se furiosos ao comandante, quando vêem Gaston Lagaffe, o anti-herói criado por Franquin, vestido a preceito, trazendo na mão o manual "Piloto de Caça em Três Lições", e com justificação: uma vez que vira Buck Danny demasiado absorvido pela aventura da página 14, resolvera substituí-lo, naturalmente...
Les Aventures de Buck Danny - Histoires Courtes 1. (1946-1969)
Texto e desenhos: Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon.
Edição: Dupuis, Marcinelle, 2020
domingo, 7 de fevereiro de 2021
«O Demónio das Caraíbas»
«Numa manhã de 1715, em pleno Mar das Caraíbas...» A voz do narrador neste recitativo da vinheta inicial de Barba Ruiva – O Demónio das Caraíbas introduz o tempo e o espaço da acção, encimando a imagem de um galeão espanhol em águas ainda alterosas após a passagem de um tornado. É um história de bucaneiros, ainda na idade de ouro da pirataria.
A Europa guerreava-se, no continente e nas possessões ultramarinas; e até a Rússia, que emerge como grande potência neste período, impor a doutrina da neutralidade armada, a que Portugal adere, o Atlântico era uma balbúrdia: o império luso aos bocados, os espanhóis, passado o Siglo de Oro, tornavam-se presas mais ou menos difíceis para ingleses e franceses, quem realmente mandava no Ocidente, com os holandeses pelos interstícios a abocanhar os restos. Pelo meio, aproveitando-se da confusão, com bases naturais nos arquipélagos das Antilhas, uma chusma fora da lei com a cabeça a prémio, aventureiros, renegados, fugitivos, desertores, revoltados, interceptava os barcos que cruzavam o oceano,
Em 1959, com a criação da revista Pilote, a dupla Jean-Michel Charlier (1924-1989) e Victor Hubinon (1924-1979) há muito que desenvolvia uma profícua colaboração no semanário Spirou: Buck Danny, o ás da aviação surgido em 1947 e que ainda hoje se publica, é a criação mais bem sucedida desse período; uma outra, sobre o corsário Surcouf (1773-1827), permitiu que reunissem uma vasta documentação para empreenderem uma sólida série de flibusteiros. Nasceu assim o pirata Barba Ruiva, comandante audaz, talentoso e cruel, que não fazia prisioneiros.
O galeão que avistámos na primeira vinheta será presa dos piratas do “Falcão Negro”, assim se nomeava o brigue, navio rápido de dois mastros, com seis a dez canhões, apropriado tanto para a abordagem aos pesados navios mercantes, como retiradas bruscas para dentro do arquipélago caribenho, em caso de perseguição de navios de armada hostil. A bordo do barco espanhol seguia um casal com um filho de tenra idade, que não tardará em ficar órfão, ou quase, uma vez que o pirata o adoptará. Eric Lerouge, assim vai chamar-se, será instruído por um velho pirata culto e perneta, Três-Patas, e por Babá, um homenzarrão negro, ex-escravo libertado por Barba Ruiva. E aqui o leitor já estará a vislumbrar a imagem dos desastrados piratas de Astérix, que pela difusão mundial que conhece o gaulês, tornou a paródia mais célebre que o original...
Charlier assimilou muito bem o espírito insurrecto e comunitário da pirataria, que conjugava disciplina férrea e desbragamento selvagem; Hubinon, que era uma máquina a desenhar aviões e couraçados, continuou exímio com os veleiros, perseguindo-se nesse mar sem lei. Tendo passado por vários autores, a série continua a publicar-se na mesma editora, a Dargaud.
Barba Ruiva- O Demónio das Caraíbas
texto: Jean-Michel Charlier
desenhos: Victor Hubinon
edição: Meribérica / Liber, Lisboa, s.d.
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Barba Ruiva
O flibusteiro que comanda o “Falcão Negro”, personagem mítica da pirataria desenhada, criada em 1959 por Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon para a revista Pilote, está de regresso e em maus lençóis, na companhia do filho adoptivo, Eric, Três-Pernas, o poliglota, e Baba, um colosso negro. Todos os conhecemos, no original ou através da paródia que deles fizeram Goscinny e Uderzo. Les Nouvelle Aventures de Barbe-Rouge – Pendu Haut et Court, texto de Jean-Charles Krahen, desenhos de Stefano Carloni, Dargaud, Paris, 2020.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
toy stories
terça-feira, 30 de julho de 2019
BDteca- José Abrantes & Miguel Rocha, O ENIGMA DIABÓLICO (1998): Mortimer encontra o Joker
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Repostagens: Piratas
[29 de Abril de 2005, postado aqui]