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sexta-feira, 26 de junho de 2020

do melhor

Mesmo sem ainda termos lido senão algumas pranchas. E porquê? À partida, porque o argumentista é Xavier Dorison, de quem já aqui falámos a propósito de Undertaker; depois porque os desenhos de Félix Delepe, um jovem autor de 27 anos são de tal forma soberbos na antropomorfização animal – ao nível de Sokal (Canardo) e Guarnido (Blacksad), que nos deixam ávidos por próxima leitura. Um castelo é abandonado pelos senhores, e os animais dele tomam posse. Sílvio o touro impõe-se e governa pela força. Que aproximações e distâncias a Animal Farm, de George Orwell?... O Castelo dos Animais, tomo 1, edição Arte de Autor, 2020.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

BDteca: Hergé, TINTIN NO PAÍS DOS SOVIETES (1929): O primeiro Tintin...

Lisboa, 1925. Durante as semanas em que o Repórter X enviava as suas reportagens de Moscovo, o interesse dos leitores era tal, que a revista ABC publicava uma segunda edição e acrescentava na capa: “Revista Portuguesa na Rússia”. Não se sabe se Reinaldo Ferreira, o homem por detrás do ‘X’, esteve de facto na pátria dos sovietes, os historiadores dividem-se; no entanto, pela verosimilhança do relato, o mais famoso enviado do jornalismo português sabia do que falava.
Também o jovem Hergé (1907-1983) nunca pusera os pés na pátria de Lénine, mas o relato do recém-criado Tintin foi um enorme êxito popular. Surgido no Petit Vingtième, suplemento infantil do jornal católico Le Vingtième Siècle, de Bruxelas, a partir de Janeiro de 1929, Tintin no País dos Sovietes conheceu uma edição em álbum, logo se esgotando; no entanto, só em 1973 a editora Casterman faz sair uma nova edição, com Tintin no Congo e Tintin na América, sob a designação de «Archives Hergé». Por um lado, o pendor antibolchevique não caía bem na intelligentsia ocidental complacente com o regime, com a designação de anticomunista a revestir-se de anátema incómodo; por outro, a circunstância de Hergé, simpatizante do movimento rexista belga, ser detido após a libertação sob a acusação de colaboracionismo, também não facilitara as coisas. No início da década de 1970, porém, Hergé já era consensual, e Tintin uma personagem reconhecidamente humanista.  Além disso, o prestígio que a União Soviética exercera na década de trinta, vinha ruindo paulatinamente, também por obra de escritores como Koestler, Orwell e Soljenítsin.
O que há do Tintin que todos amamos neste trabalho de juventude é o que veremos na próxima semana.

Tintin no País dos Sovietes
texto e desenhos: Hergé
Difusão Verbo, Lisboa, 1999