Temos visto como a editora de Spirou vai enriquecendo o filão do universo do simples groom, dotado de coragem e ética em tudo semelhante ao seu “rival”, Tintin. O velho sábio, o conde Pacómio de Champignac, criação de Franquin e Jean Darc em 1950, tem agora a juventude recriada por BéKa, com desenhos de David Etien, passada durante a II Guerra Mundial; e esta nova abordagem faz-se com um pressuposto aliciante: Champignac participou de alguma forma em todas as grandes realizações e descobertas científicas do seu tempo. Depois de no álbum inicial, Enigma (2019). conhecermos o contributo para o esforço dos Aliados, ao lado do célebre Alan Turing, no trabalho de desencriptação dos códigos nazis, e de uma jovem escocesa por quem se apaixona, Blair McKenzie, Pacómio, neste segundo tomo, recebe uma mensagem em código de cientistas belgas seus amigos, um químico e um biólogo, forçados a trabalhar para os alemães. Resgatá-los em Berlim será uma arriscada missão, levando o casal a cruzar-se com alguns protagonistas do III Reich, incluindo um certo “paciente A”, viciado em pervitina, uma droga desinibidora... Champignac – Le Patient A, texto de BéKa, desenhos de David Etien, edição Dupuis, Marcinelle, 2021.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2021
segunda-feira, 22 de março de 2021
Champignac
Com uma série só sua que remonta aos tempos de juventude, o velho cientista Conde de Champignac, amigo de Spirou e Fantásio surge-nos agora como o jovem Pacómio Ladislau, sempre audaz e também romântico. Mas o tempo é de guerra, e enquanto que no primeiro tomo, como vimos, Champignac e a namorada, Blair, cooperam activamente com Alan Touring, desta feita são enviados em missão a Berlim para resgatar dois cientistas forçados a trabalhar no programa de pesquisas nazis. Além de encontrarem von Braun, o homem das bombas V (1 e 2), darão por si nos jardins do retiro de Hitler, em Berchtesgaden... Champignac – Le Patient A, por Etien e BeKa, edição Dupuis, 2021.
«Leitor de BD»
sábado, 16 de maio de 2020
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Champignac apaixona-se
A guerra traz um manancial de histórias em que, do heroísmo individual à miséria humana, em campo de batalha ou num habitat de sobrevivência racionada, o ser humano é posto à prova. Mesmo no inferno há momentos de pequena felicidade ou evasão: Jaime Cortesão, Augusto Casimiro e Sousa Lopes arranjaram tempo e espaço, no meio da carnificina da Flandres, para um repasto de bacalhau, com couves e batatas numa horta improvisada por entre as trincheiras, assim descreve o primeiro nas Memórias da Grande Guerra (1919). O mesmo Cortesão que, «entre duas granadas», tirava do bolso um livro de poemas de Vigny, tal como Stefan, protagonista do Bosque Proibido (1971), de Mircea Eliade, levava os sonetos de Shakespeare para os subterrâneos, quando o blitz tomava conta do céu de Londres, para não se esquecer do obscurecido esplendor da humanidade em cada um de nós.
Pacómio
de Champignac (Pacôme Hégésippe Adélard Stanislas, conde de
Champignac), o excêntrico sábio das aventuras de Spirou e Fantásio
criado por André Franquin e Jijé (o autor de Jerry Sping),
encontrou o amor na guerra. A acção remete-nos para 1940.
Champignac, vila fictícia situada perto da fronteira da França com
a Bélgica, acaba de ser ocupada pelos invasores alemães,
alojando-se o comando na morada o jovem conde. Trazem consigo uma
misteriosa máquina chamada “Enigma”, que, com três módulos de
encriptação diariamente alterados, tornam virtualmente impossível
a decifração pelos ingleses dos códigos secretos. Ao mesmo tempo,
Pacómio recebia um pedido de auxílio do cientista chefe de
Bletchley Park, complexo a norte de Londres onde secretamente os
serviços secretos britânicos reuniram um escol de matemáticos,
linguistas, xadrezistas, campeões de palavras cruzadas e amantes de
puzzles, procurando antecipar-se aos ataques desferidos pelas forças
alemãs, decifrando-lhes os códigos. Aqui conhecerá uma adorável
escocesa, e ambos vão trabalhar com Alan Touring, o génio da
computação, perseguido no pós-guerra pela sua homossexualidade;
irão também em missão com Ian Fleming, episódio em que ficamos a
saber que os gadgets
de James Bond foram na realidade inspirados pela mente engenhocas de
Champignac…, e, naturalmente, serão recebidos pelo próprio
Churchill.
Não
sendo esmagadora, trata-se de um história escorreita e bem pensada
pelo casal BéKa (Bertrand Escaich e Caroline Roque), desenhada e
colorida, com notório entusiasmo por David Etien, cujas pranchas têm
um excelente dinamismo. Destaque também para as piscadelas de olho à
série-mãe: do soporífero cogumelo, com papel acrescido na série
canónica, que o acompanha à Grã-Bretanha, aos provincianos
champignacenses, em especial o risível e pernóstico presidente da
câmara, terminando no Moustic Hotel, em Bruxelas, com uma discreta
aparição do próprio Spirou.
Champignac
– Énigma
texto:
BéKa
desenho:
David Etien
edição:
Dupuis, Marcinelle, 2019
Etiquetas:
Alan Touring,
André Franquin,
Augusto Casimiro,
BéKa,
David Etien,
Ian Fleming,
Jaime Cortesão,
Jijé,
Leitor de BD-Jornal i,
Mircea Eliade,
Sousa Lopes,
William Shakespare,
Winston Churchill
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
livros que me apetecem - Champignac
As
personagens da série Spirou
e Fantásio
têm-se autonomizado: primeiro foi o Marsupilami, que o criador,
André Franquin, levou consigo quando abandonou as histórias do
groom e do seu amigo repórter. Mais recentemente, foi a vez dos dois
génios, do bem e do mal, terem direito a álbum próprio. O
primeiro, Zorglub, criatura engendrada também por Franquin com Greg,
está a cargo do espanhol José Luis Munuera; no ano passado foi a
vez do estupendo Conde de Champignac, – outra criação a meias de
Franquin, desta vez com Jijé, surgindo agora jovem, a contrariar com
o seu cérebro privilegiado as maquinações dos nazis, e ao qual
voltaremos. Os desenhos são de David Etien e texto de Béka –
Béka, na verdade é um casal: Bertrand Escaich e Caroline Roque, uma
francesa com apelido português… Enigma
(Dupuis,
2019)
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