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sexta-feira, 11 de novembro de 2022
sábado, 26 de fevereiro de 2022
De A a Z: S,, de Spirou (Rob-Vel, 1938).
Jovem e voluntarioso groom do Moustic Hôtel, Spirou deu nome a uma revista que ainda hoje se publica, e com enorme qualidade. Ao contrário de Tintin, Spirou conheceu uma série de autores, todos de categoria, entre os quais se contam Jijé, Franquin, Tome & Janry ou Émile Bravo. De Spip, o inseparável esquilo de estimação, ao grande amigo Fantásio, jornalista, passando pelo Barão de Champignac ou o Marsupilami, sem esquecer os bandidos como Zantáfio e Zorglub, Spirou rivaliza com Tintin não apenas no carácter como no contributo que deu a uma aura muito própria da 9.ª Arte.
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quinta-feira, 26 de março de 2020
um clássico imediato
Há obras que nascem já
clássicas. É o caso desta longa narrativa de Émile Bravo em torno
das primícias de Spirou, L’Espoir Malgré Tout,
sobre cujo álbum inicial, Un Mauvais Départ,
já aqui falámos, em Setembro passado.
A
acção continua a decorrer na Bélgica ocupada pela Alemanha nazi,
um suplemento de miséria moral a acrescentar ao já difícil estado
de guerra, com o seu quotidiano de medo, carência e princípios
vacilantes, em parte devido à necessidade de sobrevivência… Os
motivos principais de Bravo: as consequências da guerra, a
subnutrição infantil; a perseguição ao judeus, desde a
obrigatoriedade do uso da estrela de David ao início das deportações
em massa para um lugar na Polónia, cujo nome maldito não fora ainda
apreendido por ninguém; finalmente, o amor, a ausência dele, a sua
quase impossibilidade em tempos de catástrofe e afastamento, numa
abordagem sóbria, clara e nada infantil, uma vez que Spirou, como
todas as grandes criações de BD, se destina a todos os públicos.
O
desenho minucioso, sendo tão assumidamente “linha clara” é
também absolutamente original. A cor, a cargo de Fanny Benoit, está
sabiamente doseada, tons frios neutralizados pela presença
reconfortante de Spirou e Fantásio em digressão de teatrinho de
marionetas contando as aventuras de… Spirou e Fantásio – uma
reconfiguração histórica das origens da personagem, cuja criação
e criador se perdem e confundem já noutro tempo e noutro mundo,
anterior à II Guerra…
Um
dos grandes méritos desta narrativa é a densidade psicológica dos
protagonistas. Fantásio – o Capitão Haddock de Spirou –, nas
suas contradições e fraquezas, postos por vezes em
situações-limite, mostra alguma evolução, nunca deixando de ser o
contraponto humorístico da generosidade, por vezes candura e
integridade do jovem groom a sair da adolescência. Bravo consegue o
prodígio, na releitura que empreendeu desta série canónica, a
proeza, só ao alcance dos grandes autores, de contagiar as versões
pretéritas de Spirou, de tal modo que será difícil pegar mesmo nos
maiores, como Franquin ou a dupla Tome & Janry, alheando-nos da
poderosa caracterização inscrita pelo autor.
Mesmo
em curso de publicação, com dois álbuns editados em quatro
previstos, apostamos a cabeça de leitor de BD na consagração
futura e absoluta de L’Espoir Malgré Tout
como uma obra maior da nona arte, enfileirando justamente com os
pares que a aguardam no lugar que lhe é devido: de O Lótus
Azul a Maus,
de Forte Navajo à
Balada do Mar Salgado.
Pode o leitor português
alegrar-se, pois esta excepcionalidade será garantia de que cedo ou
tarde ela aí estará para quantos não possam ler no original.
Spirou
– L’Espoir Malgré Tout –
t. II – Un peau plus loin vers l’horreur
testo
e desenho: Émile Bravo
cor:
Fanny Benoit
edição:
Dupuis, Marcinelle, 2019
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
um digesto de BD
Já
há muitos anos que a revista Spirou
é o verdadeiro “hebdomadário dos jovens dos 7 aos 77 anos”,
desde que a rival Tintin,
que ostentava essa frase na capa, cessou a publicação, em 1988.
Spirou sai desde 1938,
e não conhecemos melhor com semelhante modelo. Trimestralmente, a
editora de Marcinelle lança também um grosso volume de quase 200
páginas, intitulado Méga Spirou,
que, pelo preço módico de 5,90€ (mais um euro porcá), oferece o
equivalente a dois álbuns completos e todo o seu arsenal de gags,
tiras e histórias curtas de pendor humorístico, destinados à faixa
etária em que também se encontra este leitor...
Neste
n.º 20, as narrativas longas são Louca,
de Bruno Dequier, série que conjuga o mundo do futebol com o
fantástico, e Champignac,
de BéKa e Etien, já referido na semana passada e a que queremos
voltar.
Algumas
das outras: Kid Paddle,
de Midam, na capa edição, ao pé de quem o insuportável Titeuf faz
figura de bem comportado; do mesmo Midam, com desenhos de Adam, o
hilariante Game Over,
com um desaustinado guerreiro de fantasia medieval e a sua 'bela'
dama, sempre ameaçados pelos terríveis blorks, monstros que são
uma espécie de coisos; e acrescentemos Nelson (de
Bertschy), um demónio endiabrado acolhido por uma rapariga e o seu
cão; o ternurento Dad (de
Nob), pai celibatário de quatro filhas, das fraldas à adolescência;
Mamma Mia!, texto do
grande Lewis Trondheim, e desenhos de Obion, em que observamos o
universo feminino multiplicado por quatro, da bisavó à bisneta;
Tamara, jovem com
romantismo e peso a mais, de Zidrou, outro grande autor, com traço
de Darasse e Boss; e Les Vacheries des Nombrils,
do casal Dubuc e Delaf, grupo de três teenagers,
em que Vicky e Jenny tentam aproveitar-se da ingenuidade benfazeja de
Karinne, com resultados nem sempre os esperados. A não perder, os
conhecidos em edição portuguesa: O Pequeno Spirou,
da extraordinária dupla Tome & Janry (o primeiro, falecido em
Outubro, é aqui homenageado); o patusco Agente 212,
de Cauvin e Kox; e Cédric, do mesmo Cauvin, com desenhos de Laudec,
uma criança como todas as outras, que, dada a avançada idade do seu
criador, continua a brincar com os amigos na rua, algo que a
selvajaria social que nos submerge deixou de permitir.
O
veterano Raoul Cauvin (Antoing, 1938) é, de resto, uma figura que
marca presença triplamente neste Méga Spirou,
uma vez que assinalando, com o desenhador Willy Lambil (Tamines,
1936), 50 álbuns dos Túnicas Azuis,
cujo palco da Guerra da Secessão é pretexto para muito mais do que
uma série humorística, concede entrevista conjunta, retratando-se a
si mesmos num gag.
Nessa conversa ficamos a saber que, durante o meio século de
trabalho, em conjunto estiveram cinco anos de relações cortadas,
cabendo à redacção fazer a ponte entre argumentista e
desenhador...
Méga
Spirou #20
edição:
Dupuis, Marcinelle, Dezembro de 2019
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014
vivaço
De idade indefinida, à volta dos 8/9 anos, Titeuf é um miúdo vivaço e inconveniente; um reguila, em suma, misto do Calvin de Bill Watterson e do Pequeno Spirou, de Tome & Janry -- sem a poesia do primeiro ou a finura do segundo. Divertido, sem dúvida, mas, pelo menos nestes dois álbuns, falta o golpe de asa que caracteriza aqueles.
Zep, Titeuf -- As Miúdas Ficam Banzadas / N'É Nada Justo, tradução de Paula Caetano, Porto, Edições Asa / Público, 2008.
Zep, Titeuf -- As Miúdas Ficam Banzadas / N'É Nada Justo, tradução de Paula Caetano, Porto, Edições Asa / Público, 2008.
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