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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

25 anos depois , Almada Negreiros, para nossa alegria....

José de Almada Negreiros (1893-1970)
Sem título, sem data, grafite e guache sobre cartão, 53,5 x 36 cm. Coleção particular 

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

Esta exposição antológica mostra a obra de um artista que catalisa a vanguarda nos anos 1910 e atravessa todo o século XX.

Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.
José de Almada Negreiros, conferência O Desenho, Madrid 1927

(tirado do site do Museu Gulbenkian)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

a 7 de outubro... (efeméride)


Vem-me sempre à memória que no séc. passado , até 1970 ou 71, as aulas começavam a 7 de outubro depois de umas longas férias que tinha início a 9 de junho.

E, uma boa maneira de revisitar os desenhos de Almada Negreiros dos anos vinte.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

alma até Almada... o Negreiros ( a ortografia, senhores, era a vigente...)

O Echo

Tão tarde. Adão não vem? Aonde iria Adão?! 
Talvez que fosse á caça; quer fazer surprezas com alguma côrça branca lá da floresta. 
Era p'lo entardecer, e Eva já sentia cuidados por tantas demoras. 
Foi chamar ao cimo dos rochedos, e uma voz de mulher tambem, tambem chamou Adão. 
Teve mêdo: Mas julgando fantazia chamou de nôvo: Adão? E uma voz de mulher tambem, tambem chamou Adão. 
Foi-se triste para a tenda. 
Adão já tinha vindo e trouxera as settas todas, e a cáça era nenhuma! 
E elle a saudá-la ameaçou-lhe um beijo e ella fugiu-lhe. 
- Outra que não Ella chamára tambem por Elle. 

Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1', 1915

Respeitosamente a ortografia da época mantém-se.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Deixemos a humanidade...


DEIXEMOS A HUMANIDADE...
Não aleijemos a pobre humanidade mais do que ela já está com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. Não sejamos tão crianças que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarrá-la apenas pelo hemisfério da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisfério superior, porque a única maneira de agarrá-la bem tão-pouco é pôr-lhe as mãos por baixo, nem ainda abraçando-a com os dois braços e os dedos metidos uns nos outros para não deixar escapar as mãos e com o próprio peito do lado de cá a ajudar também; a única maneira de equilibrar a esfera no ar é deixá-la estar no ar como a pôs Deus Nosso Senhor, ás voltas à roda do sol, como a lua à roda de nós e assegurada contra todos os riscos dos disparates da humanidade. 
Não temos mais remédio do que ir aprender tecnicamente como funcionam estas coisas tão naturais! 
O Mundo da Natureza é o modelo dos modelos de todas as maquinarias, porque não havemos então de acertar também o mundo social no seu próprio funcionamento como todas as outras máquinas do mundo? 
Almada Negreiros, in "Ensaios" 
exercício de desenho com linhas picassianas, de Almada Negreiros

sábado, 17 de janeiro de 2015

bom fim de semana. será propício a leituras breves ou profundas...

 Eu quisera que como base de toda a moral se estabelecesse e firmasse no coração do educando uma única virtude primordial em que todas as outras se contivessem e da qual ele formasse uma noção perfeita e clara. Esta virtude não pode ser senão a Justiça. Justiça é tudo, justiça é as virtudes todas, justiça é religião, justiça é caridade, justiça é sociabilidade, é respeito às leis, é lealdade, é honra, - é tudo enfim.
Garrett, Da Educação.
Desenhos de Almada Negreiros
Texto sugerido no FB, por Joana Bernardes

domingo, 12 de janeiro de 2014

Cenas de ódio e pouco amor...

                                                          Autor:Leah Saulnier.

Agricultura, um factor de esperança?
O "rei", que não vai nu...,  di-lo para os rurais que o querem ouvir e para os os lacaios que o querem ouvir...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Leituras ...

Namoro, de Almada Negreiros

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?


Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'