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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Uma escolha de leitura no dia de hoje


DO QUE ANDO A LER
"O que o país quer é um candidato que não se deixe ferir por investigações ao seu passado, para que aos inimigos do partido seja impossível desencantar uma história que não seja de todos conhecida. Se, à partida, se souber o pior acerca de um candidato, todas as tentativas de o surpreender serão derrotadas. Eu vou entrar em jogo como um livro aberto". O país é os EUA, o autor Mark Twain, o ano: 1879. "Um candidato idóneo", de Mark Twain, é um satírico e delicioso livro sobre a política e os EUA de há mais de um século que mostra como há traços que se mantêm. Alguns textos são biográficos, outros sátiras publicadas em jornais da época e ainda um inédito, escritos entre 1867 e 1887, ainda antes de Twain, célebre criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn, se ter dedicado de corpo inteiro à literatura. Foi jornalista, tipógrafo e ainda teve uma breve incursão pela política. É essa experiência, quando tinha 30 e poucos anos, que testemunhamos. Mark Twain conta como são os vira-casacas nos partidos (ele próprio trocou um candidato do Partido Republicano pelo do Partido Democrata), os "boys" ou as técnicas para não responder aos eleitores (que não soube cumprir quando foi secretário particular de um senador, acabando, claro!, por ser despedido). "Assim que eu tiver terminado o meu inventário de todos os funcionários que há nos vários departamentos, com a descrição das suas funções e o que recebem por elas, verão que não há nem metade dos funcionários que fazem falta, nem os que existem recebem sequer metade do que lhes é devido", conta, por exemplo. Semelhanças com a realidade?a minha leitura do Expresso curto de hoje, a minha escolha.

"
Cronista, Helena Pereira 
A minha escolha no Expresso Curto de hoje

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Leituras breves . A minha escolha


O mar na Figueira da Foz

". O que nos distingue dos demais seres vivos, o que está na origem da 'cultura humana'? O sentimento,"tradutor" na mente das situações (afetos) que vivemos, responde Damásio. O sentimento é, pois, "a personagem central do livro". Mas não só, como ele explica à Clara: "É também central uma coisa que me preocupa muito, o presente estado da cultura humana. Que é terrível. Temos o sentimento de que não está apenas a desmoronar-se, como está a desmoronar-se outra vez e de que devemos perder as esperanças visto que da última vez que tivemos tragédias globais nada aprendemos. O mínimo que podemos concluir é que fomos demasiado complacentes, e acreditámos, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, que haveria um caminho certo, uma tendência para o desenvolvimento humano a par da prosperidade. Durante um tempo, acreditámos que assim era e havia sinais disso”.



Leio isto e dou-me conta que Dorothy (Judy Garland) cantou nos écrans precisamente no ano em que a Segunda Guerra Mundial começava na Europa. Acreditando que "somewhere, over the rainbow", haveria um mundo melhor - quando o pior ainda nem tinha vindo. É definitivamente uma canção com 78 anos que merece (voltar a) ser título. Ora experimente ouvi-la enquanto, ao longo do dia, consulta o site do Expresso, da Tribuna ou da Blitz. Lá para as 18h, quando a tempestade já estiver longe e a frente polar a chegar, sai "quentinho" para as redes o Expresso Diário.Tenha um dia bom."


Em Expresso Curto de hoje


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ainda Almada Negreiros e bom fim de semana...

O que me apeteceu partilhar hoje,  das leituras matinais, Expresso Curto, por Nicolau dos Santos.
... mas também porque ontem ao fim da tarde foi inaugurada uma das maiores retrospetivas da sua obra na Fundação Gulbenkian (que hoje abre ao público) não pude deixar de me lembrar da forma como José de Almada Negreiros, “Poeta d’Orpheu, futurista e tudo”, termina o seu “Ultimatum futurista às gerações portuguesas do séc. XX”: “O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, Portugueses: só vos faltam as qualidades”.
E noutro texto, “Manha e falso prestígio, os dois males de que sofre a vida portuguesa”, Almada zurze sem dó nem piedade: “Entretanto, a nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos e de manhosos, e de mais manhosos. E numa terra de manhosos não se pode chegar senão a uma terra de falsos prestígios. É o que há mais agora por aí em Portugal: os falsos prestígios”. O texto foi publicado no Diário de Notícias em 3 de Novembro de 1933. E sim, não vou escrever o óbvio.
Almada era assim. Abrasivo, implacável, polemista (o muito glosado Manifesto Anti-Dantas é talvez o melhor exemplo), cujo talento extravasou para múltiplas atividades. Há 24 anos que não havia uma mostra antológica da sua obra visual. São mais de 400 peças, que percorrem os 50 anos de trabalho da figura de proa do modernismo português. Pelo olhar das netas, Rita e Catarina de Almada Negreiros, o Expresso visitou “José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno”, e propõe uma viagem pela Lisboa do artista.
O(s) mundo(s) de Almada são o tema de capa da revista E deste sábado. Mas não pode deixar de ir à Gulbenkian.
E se quiser conhecer melhor o seu pensamento, então é indispensável que leia “Almada Os Painéis A Geometria E tudo”, um conjunto de entrevistas que o jornalista António Valdemar fez a Almada, com epicentro nos Painéis de São Vicente de Fora, “um dos temas fundamentais, polémicos e mais absorventes da cultura portuguesa”.
Já agora também não pode deixar de ir visitar a exposição de um grande amigo de Almada e um artista genial, infelizmente desaparecido aos 30 anos: Amadeo de Souza Cardozo. Está no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado e invoca a exposição individual que Amadeo realizou de 4 a 18 de dezembro de 1916 na Liga Naval Portuguesa. Almada, aliás, não faz a coisa por menos: “Amadeo de Souza Cardozo é a primeira descoberta de Portugal na Europa no século XX. O limite da descoberta é infinito porque o sentido da descoberta muda de substância e cresce em interesse – por isso que a descoberta do caminho marítimo prá Índia é menos importante que a exposição de Amadeo de Souza Cardozo na Liga Naval de Lisboa”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"por outro lado , somos feitos de esquecimentos", porque esquecer é uma forma de salvação...


De Salvador Dali, ilustração para livro de Alice no País das Maravilhas

O que mais gostei de reter nas minhas breves leituras matinais.
Cada vez menos de prós, a sageza da idade e bom senso a ensinar me a ver cada vez melhor os contra. 
Sempre interessante o Expresso Curto que me entra na caixa do correio pela manhã, entre outros matutinos...
Há sugestões e bons conselhos. Hoje, foi a vez de Nicolau dos Santos. Podia ter escolhido mais itens. Mas fiquei-me pelo quinto, porque Pina deu sempre razões para vir "à baila".
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"Quinto, depois desta decisão, tudo o que de péssimo se passou até aqui na Caixa Geral de Depósitos passa para secundaríssimo plano. E aqui entra o meu querido Manuel António Pina, que como poeta sabia mais de finanças e de tudo que qualquer outra pessoa. “Somos seres para o esquecimento (…) Por outro lado, somos feitos de esquecimentos. Como diria a Rainha Branca de Alice do Outro Lado do Espelho, todos os dias nos esquecemos de meia dúzia de coisas antes do pequeno-almoço. Precisamos absolutamente de esquecer e de saber que esquecemos. Uma má memória, como diria Marc Augé, rejuvenesce” (in “Dito em Voz Alta, entrevistas sobre literatura, isto é, sobre tudo”, Manuel António Pina, Documenta, junho de 2016)."