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domingo, 26 de junho de 2011

"Lembrete"





Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drumond de Andrade, in Corpo, Novos Poemas






Pintura de Mary Cassat, Childreen on the Beach,1884

segunda-feira, 28 de março de 2011

Momentos...

Fernando Pessoa, de Mário Botas
O poeta é um fingidor

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda

Gira a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.


De Fernando Pessoa

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Bom fim de semana, que se diz primaveril


INTRODUÇÃO
A água é insondável
Quando a dureza do céu abraça todo
O astro;

A terra procura o repouso,
na mais alta das montanhas;
energia que se sobrepõe à doçura
dos lagos e dos rios.

Pensamos a serenidade assim
aquosa e feminina;

e a tempestade, que desperta,
cobre-se de vento e de um ardor que penetra
a fundura antiga dos vulcões.

Nada parece inacessível ao homem sem fadiga:
O céu, a terra, a criação e os modos de tudo isso ser:
Jogo, cálculo ou destino.

Poema de MANUEL AFONSO COSTA
Pintura de Arshille Gorky, 1944

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Home, sweet home...

Pintuta de Carl Hmmoud


Neste mundo
Por cima do inferno
Contemplo as flores

ISSA KOBAYASHI (1763-1823)

(Versão de Jorge Sousa Braga)