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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

RTP2 e o "Sentido da Beleza"

                                                 Sandro Botticelli, "O Nascimento de Vênus
.
"Num tempo de profunda berraria televisiva, marcada por um amontoado de programas feitos de nada e coisa nenhuma, a RTP 2 continua a surgir-nos como o oásis onde podemos beber a diferença, a curiosidade, a inquietação, a interrogação que nos faz seres pensantes e não apenas recetáculos acéfalos.
Só num canal virado para o serviço público, capaz de entender a televisão como um espaço por onde flui a inteligência, seria possível um programa como “O Sentido da Beleza”, transmitido às terças-feiras e em parte ainda disponível na RTP Play.

O que é a beleza? Eis uma das perguntas cruciais com que se tem defrontado o homem ao longo dos tempos. Escreveram-se tratados. Há infinitas reflexões filosóficas. Trilharam-se inúmeros caminhos à procura de uma resposta.
Há correspondência entre o belo e o feio? O que é belo aos olhos de alguns – um rosto, uma paisagem, uma obra de arte – pode configurar o horrendo aos olhos de outros? Saberá alguém definir exatamente o que é a beleza? Ou essa, e ainda bem, é uma impossibilidade absoluta?
O homem começou a procurar e a expressar o sentido de beleza mesmo antes de ter desenvolvido uma qualquer noção de linguagem. Nas cavernas encontramos as primeiras obras de arte alguma vez criadas pelo homem. Olhá-las, como olhar a reprodução do imaginário rosto de um homem ou mulher daqueles tempos primordiais, é perceber como os conceitos de beleza se modificaram ao longo dos tempos.
Há diferentes atitudes culturais perante a beleza, conforma o contexto geográfico, ou até social, em que nos encontremos. Mesmo com a galopante padronização ocidental a embrenhar-se no mundo todo, a noção de belo para um asiático ou para um africano contém ainda substanciais diferenças em relação à noção de belo de um europeu ou um norte-americano.
A série documental em seis episódios da responsabilidade de Massimo Brega e apresentada pelo escritor inglês Dominic Frisby coloca-nos perante o poder da beleza através de uma viagem á volta do mundo e das diversas noções de beleza, com o contributo de artistas, críticos de arte, filósofos e cientistas.
Com imagens belíssimas, o programa recorda-nos a cada instante como a beleza sempre esteve, está e continuará a estar no centro das preocupações humanas. Ou será por acaso que todos os dias são investidos milhões de euros por pessoas que querem tornar as coisas mais bonitas, ou querem elas próprias sentirem-se ou parecerem mais bonitas? E porque será que, segundo vários estudos, as pessoas mais atraente ganham, em média, mais 12,5% do que as pessoas com aparência normal?

De Valmerar Cruz, no Expresso Curto de hoje.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Momentos de ouro com o pintor João de Almeida. Aconteceu agora...




Pintura em pastel, de João de Almeida

...  na RTP2, no prograna AFINIDADES, conduzido por Maria João Seixas

João de Almeida, com quase 90 anos, está um jovem pleno de práticas e projectos de pintura.
Uma história de vida incrível. 
Se não puderem ver na televisão, deixo aqui o link com uma entrevista dada há um ano ,a Henrique Monteiro, para o jornal Expresso.  (ler entrevista)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

E tudo a propósito de uma certa despedida... e de poesia


Paulatinamente, vamos-nos despedindo da RTP2...
Esta noite e em repetição estivemos com Manuel António Pina.


Manuel António Pina - não apenas na qualidade de poeta mas também na cronista e na de autor de literatura para a infância - foi distinguido no ano passado com o prémio Camões e, com alguns dos seus livros há muito fora do mercado, impunha-se a edição da sua poesia completa, que chega agora no volume «Todas as Palavras». Um volume onde se torna claro o modo como a poesia de Manuel António Pina evoluiu numa busca permanente: «Falta-me uma palavra essencial, / um som perverso para morrer: um sonho».
Isto escrevia o poeta ainda nos anos 60. Agora, já em pleno século XXI, Manuel António Pina já não espera a «palavra essencial», nem que seja ela a ir à procura dele: «Não abras a porta, / se for o sublime diz que não estou, / já temos palavras demais»... 
(texto de junho de 2012, TSF)
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Amor como em casa


Regresso devagar ao teu 

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no
amor como em casa.

de Ainda Não É O Fim Nem O Princípio Do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde(1974