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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Momentos...

"The Source", Felix Volloton, 1892
Quando eu morrer deitem-me nu à cova
Como uma libra ou uma raíz,
Dêem a minha roupa a uma mulher nova
Para o amante que a não quis.

Vitorino Nemésio, in Outro Testamento

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

metáforas pictóricas para a queda da última folha do calendário de 2014. amanhã um outro dia e um outro ano...









... e se encontrarem outras metaforas, digam-me...
Eu sei que há mais.

Uma transição na qual me sinto mais à vontade de a todos desejar um 2015 com saúde e o tal amor , o sonhado, o vivido e o da recordação..., sempre do vosso lado .

Do resto, as esperanças são poucas.

Aos amigos que por aqui vão passando e eu não tenho visitado, vos digo, não têm sido os meus melhores dias. Tenho-vos na alma, naquele cantinho que guarda os afectos da blogosfera.
Para mim , 2015 vai ser muito bom. Eu, sofredora de família curta, em breve , vou passar a ser a avó Ana, do casal mais feliz que conheço. Na idade deles era assim... 

Beijos grandes a todos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

"E agora José?"

Felix Vollotton, "Money", 1898
JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Joaquim?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Poesia até agora. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1948.

Leituras breves

Cagne Valley, F. Vollotton, (1865-1925)
«Não distribuímos nada da nossa riqueza: Atiramo-la à rua para que os mais fortes e gananciosos lutem por ela»

Georges B. Shaw, em entrevista dada em 1931