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domingo, 8 de abril de 2018

"musas consentidas" . Uma leitura breve mas gostosa no dia de hoje. Assim era Picasso...



Belissimo artigo que CFA * fez para o jornal Expresso desta semana, Revista, sobre a relação de Picasso para com as mulheres, a sua compulsão feminina, misoginia, e o sofrimento dessas mulheres , consentido . "Viver com ele era difícil, mas sem ele era pior . Com Picasso o mundo era a cores, sem ele reinava o cinzentismo".
Para além da obra pictórica que sempre me arrastou para um outro além, para além de algum tempo de vida com arte e artista que fez parte de um percurso de vida , e porque há sentimentos transversais aos artistas , em qualquer arte, a sua personalidade sempre me aguçou a curiosidade e o desejo de saber mais.
Comecei há tempo a ler uma grande biografia de Picasso que continuou em stand-by ...

Excerto.

Após uma visita de Marie-Thérése a Dora Maar
....
   - Há muito tempo que me prometes casamento - disse-lhe ela tranquilamente . - (Marie-Therése)
Talvez pudesses tratar do teu divórcio .
   Picasso defendeu-se como podia : tinha sessenta e um anos. Já não tinha idade para casar. foi então que apareceu subitamente Dora. Ela queria intervir na discussão, mostrar que a questão do casamento  de Pablo com Marie-Thérèse nem sequer se punha :
   - Mas então Picasso, tu amas-me - dizia-lhe ela.
    Então Picasso, que se sentia intimidado a escolher, aplicou o golpe de misericórdia a Dora e disse-lhe :
   - Dora, sabes bem que a única que amo é Marie-Thérèse , aqui presente ...
    Esta última tirou da declaração do amante a força necessáriaa para dizer a Dora, apontando-lhe a porta:
   - E agora, saia !
   Que se iria passar? Picasso saboreou aquele instante.
    Dora recusou sair.
Marie-Thérèse voltou a pressioná-la.
Nova recusa.
As das mulheres empurram-se violentamente e deram uma bofetada uma à outra.
Mas Marie-Thèrèse, que fazia ginástica e tinha uma musculatura mais desenvolvida, era decididamente mais forte.
   Um empurrão lançou Dora para o patamar e a porta fechou-se com um estrondo.
   E em seguida ?
   Em seguida, nada se passou. Marie-Thérèse, depois de ter  ouvido Pablo dizer-lhe: «Sabes o  quanto te amo», fórmula em que não era avaro, restava-lhe descer, como habitualmente, as escadas do metropolitano, onde se juntava à enchente de passageiros ... Dora voltou para a Rue de Savoiene deitou-se na cama. Choraria durante muito tempo.
No dia seguinte, Pablo telefonou a Dora Maar para o ritual do almoço no Catalan, como se não tivesse passado nada. Mas, no fim de contas, segundo as suas pr´prias palavras, não são as mulheres«máquinas de sofrer»?



...

Eu,  acrescento no dia de hoje, querido Pablo, 45 anos após a tua morte, 8 de Abril de 1973,  meu" monstro" de duplo sentido, que a relação homem/mulher , mudou . Não tanto como o desejado, mas as relações sadomasoquistas e outros sentimentos,  fazem parte da natureza humana ...
Já fiz viagens para ver exposições tuas. Para esta em Londres não dá....  Na minha tão gostosa Tate. Aguardo o catálogo. 


* Clara Ferreira Alves
Imagens do texto na Revista do Expresso.

Excerto do livro PICASSO, de Henry Gidel

segunda-feira, 20 de março de 2017

Da Primavera à Poesia...

"Arbustos na primavera" (1925). Paul Klee 

Amanhã é o Dia Mundial da Poesia. Não se devia fazer mais nada nem dizer mais nada nem pensar em mais nada senão em Poesia. A Poesia devia andar nas ruas, nos bairros, nos prédios, nas empresas, nos bancos, no parlamento, no Governo e na oposição. A Poesia não caça, não enche os bolsos, não serve para troca de favores nem para pagar a conta da mercearia. A Poesia é subversiva, mesmo quando parece compostinha. A Poesia descobre o futuro, muito antes de os viventes saberem onde anda o futuro. A poesia é para comer, como disse Natália Correia, dirigindo-se a todos os subalimentados do sonho.


Portugal tem muitos e muitos excelentes poetas. Passados, presentes e futuros. Conhecidos ou desconhecidos, mundanos ou incógnitos. Em Portugal fez-se, faz-se e vai continuar a fazer-se excelente poesia. Há editoras que só editam poesia. Não é tão corajoso, tão desafiante? Como se vive de sonhos? Como se mastigam os sonhos? A que sabem os sonhos?

Expresso Curto, hoje, Nicolau dos Santos, também poeta.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Leituras breves, olhares profundos

Di Cavalcanti, 1953, "Mulher com gato"
Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.
Lewis Carroll

quarta-feira, 8 de junho de 2016

"UMAS QUANTAS PLUMAS", O ´Neill

Por acasos de leitura,encontrei, faz dias, umas quantas plumas de pássaro que desconhece fronteiras. O pássaro esteve há sete anos entre nós. Não chegou a ser o Maiakovski que provavelmente alguém esperava que ele afivelasse, mas alguns entusiastas tocaram-lhe como se o pássaro fosse uma peregrina relíquia do grande poeta soviético. Não era , não podia ser, como rapidamente se viu.
Falo de Evuchenko, quer dizer, de um certo jeito de contrabandear a pacotilha da poesia à sombra de um grave conceito político, o da coexistência pacífica .
Plumas de 1967:
« A poesia é como um pássaro: desconhece fronteiras»

Alexandre O´Neill, do livro JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU

sexta-feira, 10 de abril de 2015

as presidenciais... aos meus olhos...

Hieronymus Bosch - O Jardim das Delícias (detalhe, painel central), 1504
OS CALONDROS

Os calondros no campo, acachapados,
figuram, aboborando, os meus cuidados,
bubões, já amáveis, duma vida
nem vitoriosa , nem vencida.

Alexandre O' Neill, Feira Cabisbaixa

sábado, 10 de janeiro de 2015

Acontece...

Para sentir na pela e na memória visual a "A Tempestade", nome deste quadro, Tunner, fez-se amarrar aos mastros de um veleiro. Sentiu o perigo, a tormenta, a chuva, o vento, a espuma e a proximidade da morte.
Ontem, deixei no post anterior o link para o filme completo de MR. Tunner.
Ora, mão amiga avisou-me que não abria. Fui ver. Como lá diz o Youtube retirou o filme. Pena.
Eu vi-o no circuito comercial. Procurem no dito site mais informação sobre o filme e talvez a ver a entrevista do actor principal que é magistral.
Está ali a ainda a vida e o modo de W. Tunner, que deixou toda a sua obra à nação inglesa e com e com a condição de estarem expostas e com entrada gratuita. 
E, assim acontece.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Leituras breves...


"Os Maias"
Eça de Queirós

….Sim senhor um navio fretado à custa da nação, em que se mandasse pela barra fora o rei, a família real, a cambada dos ministros, dos políticos, dos deputados, dos intrigantes, etc. e etc.
Carlos sorria, às vezes argumentava com ele.
- Mas está o Sr. Vicente bem certo, que apenas a cambada, como tão exactamente diz, desaparecesse pela barra fora, ficavam resolvidas todas as cousas e tudo atolado em felicidade?  
Não o Sr. Vicente não era tão burro que assim pensasse.
Mas suprimida a cambada, não via S.Exª? Ficava o país desatravancado; e podiam então começar a governar os homens de saber e de progresso …
Sabe V.Ex.ª qual é o nosso mal???...
Não é má vontade dessa gente; é muita soma de ignorância... Não sabem... Não sabem nada...
Eles não são maus, mas são umas cavalgaduras !!!...
(…)
Sr. Vicente, mestre de obras em "Os Maias" em diálogo com Carlos

* Enviado por mail por mão amiga ,  este excerto tão oportuno, do nosso tão amado Eça.
Caricatura de Abel Manta

sábado, 30 de novembro de 2013

Hoje apeteceu-me passar por aqui... Leituras breves.


Adriano foi vítima de todo o tipo de intrigas palacianas típicas de quem se move nos meandros do poder, agindo de forma pragmática e eficaz na resolução de conflitos, e, em termos do vasto império que ia desde a Inglaterra até à Pérsia, a prolongar a pax romana recorrendo o mínimo possível à força, com negociações e compromissos inteligentes próprios de um homem de Estado que, pelo relato, é porventura um exemplo até para o seu equivalente nos políticos dos dias de hoje. 

(li há pouco que PPC, detestava ACS, quse que se lia, odiva. Disse-o Medereiros Ferreira)