MEDITAÇÃO NA PASTELARIA: Pérolas da coroa (clicar)
Gostei deste post como gosto deste blogue. Partilho.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Leituras ...
Como é que se Esquece Alguém que se Ama?
Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
quarta-feira, 16 de março de 2011
As palavras dos outros...
Metereologia
Leio todos os jornais para saber se a primavera é definitiva. Na Rússia estão a comprar o caviar para a Quaresma - ó caviar, essa pequena necrologia de ovos e ovas da vida. Depois, para a Páscoa é só um salto. Entretanto, não é fácil dizer a palavra Líbia. Não existe.
- Mãe quero ir à praia.
Diálogo
- As máquinas mentem.
-Porquê? Como?
-Talvez porque são feitas pelos homens. As máquinas, se fossem criadas por máquinas, teriam a consciência limpa.
Isso significa consciência nula.
Ora, segundo a tua opinião, os homems mentem...
- Não totalmente. Em príncipio prometem-se a possibilidade de verdade.
Mas quem promete não cumpre.
In JL , as Tertúlias de Jorge Listopad
Mais uma vez não registei o nome do pintor do quadro... Gostei e pronto. guardei.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Rabugices de VPV... Mas que fim de semana engelhado...
Neste espaço , não costumo falar de figuras públicas e muito menos comentar artigos de jornais, só de quando em vez umas pequenas ferroadas…
Mas ontem, não deixei de pensar com ironia “nos sentimentos de velhice”, uma velhice muito rabugenta, de Vasco Pulido Valente, no seu artigo de ontem, no Público.
VPV, é como eu e alguns amigos dinossauricos, militante dos TP (transportes públicos). Não conduzimos, nem carta temos. Somos assumidos e felizes.
Como eu, VPV, é da classe média, mas alta… pelos ordenados que deve auferir como professor doutor e de mais “ganchinhos” literários…
Decidiu ir passar um fim-de-semana ao Algarve, coisa que não fazia há muito,” não por falta de dinheiro, como o comum dos portugueses (da classe média) ”.
Escolheu a TAP por nacional patriotismo, como meio de transporte, em 1ª classe, e todo o esquema de viagem lhe saiu ao contrário… Esperas, atrasos, uma situação terceiro mundista com comparações hitlerianas “ á época da última ofensiva do Reich , que varrera da frente uma boa parte do exército americano “… (1945) Teve saudades salazarentas das praias da região da Ria Formosa, aonde só privilegiados tinham acesso há 30 3 40 anos atrás…
Está enjoado com a massificação do Algarve, aonde este ano as suas águas rivalizaram com qualquer praia do nordeste brasileiro, com temperaturas de 25 graus, com o ameno, a cor das rochas e a luz… impares!
Sim, mesmo com a crise, há classe média que ainda ruma ao sul, mas com outro tipo de consumo como vê quem se passeia pelo areal e como se queixam os restauradores.
Mas aonde eu quero chegar e gostaria de recomendar a VPV, é que para ir para sul, há alternativos ao avião, que eu também poderia usar, pois usufruo de preços a baixo custo por inerência familiar, mas dos quais fujo, pelo tempo que se perde.
Boas auto-estradas , que tão carinhosamente pagamos, e a quem um bom média alta personagem poderá pagar a um “chauffeur”, um comboio de alta velocidade com paisagem de sonho, ou o super confortável autocarro alta qualidade com serviço de bordo, EVA Turismo, onde com toda deferência a nossa bagagem é tratada sem os amofinamentos da nossa querida companhia aérea…
Sei que VPV não vai passar por aqui, pelo Mar à Vista, mas fica o conselho para os amigos que gostam de me visitar … que com pouco ou muito dinheiro, em época alta ou baixa, há muitas formas de rumar a sul… O que é preciso é ir para retemperar os afectos dos amigos que vamos tendo e que para nosso bem teimam em não nos deixar e nós a eles… mas sem rabugice….
Mas ontem, não deixei de pensar com ironia “nos sentimentos de velhice”, uma velhice muito rabugenta, de Vasco Pulido Valente, no seu artigo de ontem, no Público.
VPV, é como eu e alguns amigos dinossauricos, militante dos TP (transportes públicos). Não conduzimos, nem carta temos. Somos assumidos e felizes.
Como eu, VPV, é da classe média, mas alta… pelos ordenados que deve auferir como professor doutor e de mais “ganchinhos” literários…
Decidiu ir passar um fim-de-semana ao Algarve, coisa que não fazia há muito,” não por falta de dinheiro, como o comum dos portugueses (da classe média) ”.
Escolheu a TAP por nacional patriotismo, como meio de transporte, em 1ª classe, e todo o esquema de viagem lhe saiu ao contrário… Esperas, atrasos, uma situação terceiro mundista com comparações hitlerianas “ á época da última ofensiva do Reich , que varrera da frente uma boa parte do exército americano “… (1945) Teve saudades salazarentas das praias da região da Ria Formosa, aonde só privilegiados tinham acesso há 30 3 40 anos atrás…
Está enjoado com a massificação do Algarve, aonde este ano as suas águas rivalizaram com qualquer praia do nordeste brasileiro, com temperaturas de 25 graus, com o ameno, a cor das rochas e a luz… impares!
Sim, mesmo com a crise, há classe média que ainda ruma ao sul, mas com outro tipo de consumo como vê quem se passeia pelo areal e como se queixam os restauradores.
Mas aonde eu quero chegar e gostaria de recomendar a VPV, é que para ir para sul, há alternativos ao avião, que eu também poderia usar, pois usufruo de preços a baixo custo por inerência familiar, mas dos quais fujo, pelo tempo que se perde.
Boas auto-estradas , que tão carinhosamente pagamos, e a quem um bom média alta personagem poderá pagar a um “chauffeur”, um comboio de alta velocidade com paisagem de sonho, ou o super confortável autocarro alta qualidade com serviço de bordo, EVA Turismo, onde com toda deferência a nossa bagagem é tratada sem os amofinamentos da nossa querida companhia aérea…
Sei que VPV não vai passar por aqui, pelo Mar à Vista, mas fica o conselho para os amigos que gostam de me visitar … que com pouco ou muito dinheiro, em época alta ou baixa, há muitas formas de rumar a sul… O que é preciso é ir para retemperar os afectos dos amigos que vamos tendo e que para nosso bem teimam em não nos deixar e nós a eles… mas sem rabugice….
Boa semana.
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