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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

dia mundial da fotografia, as minhas...


Fotografia, memória, momentos, espaços, na hora, ao minuto, num segundo.
Fotografia, eu, tu, nós, os anónimos.
Fotografias que eu guardo, tu guardas, nós guardamos, ou não...
Umas são vistas à luz do dia, outras à luz da noite.
Fotografias de câmaras claras e camas escuras.
Fotografias, alegorias.
Escolhas, as minhas.  A manada, a vaca o boi , a bosta.
Quando penso no animal em si e na paisagem , penso sempre em algo que me pacifica.
Quando penso na bosta, penso na porcaria humana que se atravessa nos nossos caminhos e nos faz escorregar , cair, partir o nariz, muito mais mal cheirosa que o excremento do dito gado bovino, esta última,  altamente benéfica para estrumar o sangue da terra.
Percorro o meu caminho procurando algum "vizir em Odemira " ou a ilha do Pessegueiro...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

a necessidade do pão...

Vision of St AugustineSandro Botticelli 

«Para se exercerem as virtudes do espírito é necessário um mínimo de conforto material»

(Santo Agostinho)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

"amo as palavras", disse Urbano Tavares Rodrigues. Elas ficarão para sempre connosco


                                     "O Tempo da Outra Senhora", de Rogério Ribeiro
A Repulsa do Poder pelo Homem de LetrasA repulsa dos poderes constituídos pelo homem de letras e pelo homem de pensamento (pois tanto a expressão racionalista do filósofo e do sociólogo como a apreensão intuitiva do real a que procede o ficcionista surgem como ameaça aos sistemas de imposição de ideias ou de coerciva persuasão), esse afastamento do intelectual inconformista, transformado assim, com raras excepções (que nalguns casos já beiram o limite da assimilação) em outsider, representa uma destruição de valores culturais, que se traduz não poucas vezes em atraso de gerações. 
Evidentemente, tal relegamento do escritor para zonas de sombra acicata-o por vezes, levando-o a produções vertebradas, que são autênticos gritos da inteligência rebelde e onde não raro se derrama o melhor da capacidade imaginativa, tensa e exasperada, de períodos em que se obscurece a comunicação normal entre os homens e em que a acção do livro, reduzida embora em extensão, ganha uma acutilante qualidade crítica e concentra a dignidade de minorias advertidas culturalmente e firmes no seu espírito de resistência. Mas o saldo não deixa de ser negativo quando se considera não já tudo aquilo que o escritor suporta e sofre, mas - e sobretudo - o muito que a camada dos leitores perde pela falta de convívio efectivo com aqueles que são não, é claro, os meus mentores, mas os que injectam na massa ideias novas, que divisam, na zona penumbrosa em que o futuro se vai pouco a pouco libertando da hora viva, os moventes sinais de amanhã. 

Urbano Tavares Rodrigues, in 'Ensaios de Escreviver

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pare, escute e oiça...

                                                    Pintura de Carlos Carreiro, 1974