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domingo, 17 de novembro de 2019
Os homens.... "E agora José ?"
Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?
Guimarães Rosa
Fotografia do Público /Fugas
sábado, 3 de agosto de 2019
No verão, tanto rio como choro...
Olhar de frente o Sol
Assim se aprendem as letras iniciais da Solidão
David Mourão-Ferreira, Os SinosI
Fotografia, o meu olhar
domingo, 21 de julho de 2019
Lisboa
Digo:
«Lisboa»
Quando atravesso — vinda do sul — o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas —
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
— Digo para ver
«Lisboa»
Quando atravesso — vinda do sul — o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas —
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
— Digo para ver
Sophia M. Breyner
1977
In Navegações, 1983
Fotografia tirada da Quinta de Almaraz, em Cacilhas
sábado, 2 de março de 2019
Bom fim de semana...
Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias.
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias.
Fernando Pessoa
sábado, 2 de fevereiro de 2019
"os poemas maiores" , Cesariny
passagem de emile henri
Era no tempo da palavra papel
da pluma bem comida lançando ideias de justiça aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um
Depois de ver com os seus próprios olhos como é que o ratazana toma o seu chazinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA
da pluma bem comida lançando ideias de justiça aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um
Depois de ver com os seus próprios olhos como é que o ratazana toma o seu chazinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA
Mario Cesariny
Fotografia de Robert Doisneau
Emile Henri, foi um anarquista francês responsável por dois atentados a bomba, o mais notório destes no Café do Hotel Terminus, na Gare Saint-Lazere , Paris .
26 de setembro de 1872, Barcelona, e morreu em 194 em Paris
Emile Henri, foi um anarquista francês responsável por dois atentados a bomba, o mais notório destes no Café do Hotel Terminus, na Gare Saint-Lazere , Paris .
26 de setembro de 1872, Barcelona, e morreu em 194 em Paris
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Não ando muito por aí, amigos blogueiros , mas de vez em quando venho até aqui ...
Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.
Orson Welles
sábado, 5 de janeiro de 2019
Para um dia como outro qualquer ... Hoje e sempre, as crianças
As crianças são o Tempo de Haver .
Sua presença no mundo é de gritos e protesto. Mas, às vezes, adaptam-se e isso implica uma luta quase heróica e anónima que a maior parte ignora.
Alimentam os dias dos homens, mas elas próprias são o espelho da solidão.
Em ses olhos enormes e grandes, uma criança contempla o mundo e não o entende. Ouve palavras e as palavras são flechas que lhe perturbam o sonho em que se refugia para sobreviver.
Tudo nelas é inicial e puro: o riso e a violência, o sonho e as lágrimas.
Projectadas para o alto, são estrelas cadentes.
...
Uma criança espera, no mundo.
E que o mundo lhe devolva a esperança para sempre.
Que os homens, por um segundo em cada dia, suspendam seus deveres mais urgentes e pense na criança que espera.
E lhe garantam a Paz.
E lutem pelo seu bem estar
E se envergonhem de ainda haver, sobre a abundância desnecessária de tantos, a sombra de milhares de crianças que sucubem da fome e da doença sem um vislumbre de ternura ou solução.
Que nós nos envergonhemos.
E que a dor não seja, nunca mais, como a solidão, uma palavra nos seus dias.
Que a CRIANÇA sorria ao mundo.
Que o mundo lhe conserve o sorriso.
Hoje. E para sempre.
De Matilde Rosa Araújo, Crónicas
O Tempo e Voz
Edição ITAU, s/d
Do livro da mesma autora, recolha de textos e poemas dos nossos queridos escritores e poetas de meados do séc. XX, A INFÂNCIA LEMBRADA,
Livros Horizonte, 1986
Um livro a que regresso sempre que me apetece sentir o amor ou desamor da vida de homens e mulheres que relembram a sua infância e relação com a Mãe.
Como a vida não muda para tantas e tantas crianças no mundo. Matilde, era uma referência para nos professores do 1º ciclo. Ainda guardo um pequeno livro, comprado no ITAU, no Campo Grande, Infância Perdida.
Imagem de crianças jamaicanas
sábado, 29 de dezembro de 2018
A espuma dos meus dias ...
" A minha casa é profunda e ramosa. Tem recantos em que, depois de tanta ausência , gosto de me perder e saborear o regresso. No Jardim, cresceram matagais misteriosos e fragrâncias que eu desconhecia . O álamo que plantei ao fundo e era esbelto e quase invisível, é agora adulto, a sua casca tem rugas de sabedoria que sobem ao céu e se exprimem num tremor continuo de folhas novas na altura."
ODOR DO REGRESSO
Pablo Neruda, Nasci Para Nascer
O meu olhar numa tarde chuvosa e encoberta , em Serralves
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
Pelos caminhos de Sintra onde tudo é natural
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.~
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
- sei que não vou por aí!
José Régio, Cântico Negro
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
domingo, 11 de novembro de 2018
11 de Novembro , aqui, em modo de poesia
A Guerra
E tropeçavam todos nalgum vulto,
quantos iam, febris, para morrer:
era o passado, o seu passado — um vulto
de esfinge ou de mulher.
Caíam como heróis os que não o eram,
pesados de infortúnio e solidão.
(Arma secreta em cada coração:
a tortura de tudo o que perderam.)
Inimigos não tinham a não ser
aquela nostalgia que era deles.
Mas lutavam!, sonâmbulos, imbeles,
só na esp'rança de ver, de ver e ter
de novo aquele vulto
— imponderável e oculto —
de esfinge, ou de mulher. David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão"
quantos iam, febris, para morrer:
era o passado, o seu passado — um vulto
de esfinge ou de mulher.
Caíam como heróis os que não o eram,
pesados de infortúnio e solidão.
(Arma secreta em cada coração:
a tortura de tudo o que perderam.)
Inimigos não tinham a não ser
aquela nostalgia que era deles.
Mas lutavam!, sonâmbulos, imbeles,
só na esp'rança de ver, de ver e ter
de novo aquele vulto
— imponderável e oculto —
de esfinge, ou de mulher. David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão"
terça-feira, 23 de outubro de 2018
domingo, 12 de agosto de 2018
Excerto de ...
Sem surpresa num autor que cultivou a aventura e a pulsão de viajar, Stevenson não trocaria o conhecimento que nasce da vadiagem ao ar livre pelo saber livresco. “Basta afirmar o seguinte: se um rapaz nada aprender na rua, é porque não possui a capacidade de aprender. Nem o gazeteiro se encontra sempre nas ruas, pois, se assim o entender, pode percorrer os subúrbios ajardinados até ao campo. Pode sentar-se na margem de um regato, junto a uma moita de lilases, e fumar inúmeros cachimbos ao som da água a rolar sobre os seixos. Um pássaro cantará entre as copas. E talvez aí consiga afundar-se numa corrente de pensamentos gentis e ver as coisas de uma outra perspetiva. Se isto não é educação, o que será?” Excelente pergunta.
O elogio do “gazeteiro” ocioso é, no fundo, o elogio do espírito livre — aquele que recusa fazer parte do “coro dos dogmáticos” e se contenta em apreciar a “vista agradável”, embora “pouco imponente”, a que acede no “Miradouro do Senso Comum”. No fundo, tudo se resume a ter consciência da nossa escassa importância no grande esquema das coisas. “Podemos não gostar de o admitir, mas não existe uma única pessoa cujos serviços sejam indispensáveis.” Nem sequer Shakespeare: se o Bardo tivesse morrido jovem, “o cântaro continuaria a ir à fonte, a foice à seara, o estudante à escola; e ninguém teria dado conta de qualquer perda”. É preciso haver desprendimento para apreciar a instável precariedade da existência. E por isso a verdadeira ociosidade só está ao alcance de alguns. Aos outros, que “não conseguem ser ociosos, [porque] a sua natureza não é suficientemente generosa”, resta passar “numa espécie de coma todas as horas que não dedicam ao frenético lufa-lufa diário”.
Expresso de ontem, José Mário Grilo
| Fotografia de Valdemar Ramalho (Vató) !951-2018 |
sábado, 7 de abril de 2018
"Os que amei onde estão ?"
Hoje, a freguesia de São Miguel do Rio Torto, concelho de Abrantes, homenageou dois filhos da terra.
Ambos dois bons amigos, mas Fernando Catroga, de muito longa data, assim como sua mulher, a minha mais antiga e única amiga de adolescência, a Ana. Sou um "bibelot" que de tempo a tempo enfeita a sua casa e partilha emoções. Por isso, não posso deixar passar este dia em branco, no qual também fui atirar o meu foguete.
Deixo-vos o texto e poema de Antero que Fernando Catroga leu à porta da casa onde nasceu , assim como seu irmão Eduardo. Esta a sua ideia de pertença. Uma pérola.
Esses que amei
Pode-se ter dúvidas sobre o sentido da vida,
mas elas diminuem quando existe um diálogo sadio com as nossas raízes. A “terra
dos pais” é a nossa primeira pátria e alicerce da nossa “Pátria Grande”. E não
se pode esquecer que ter pátria é ter memória,
pois cada ausente traz consigo, colado à sola dos sapatos, o pó do solo sobre o
qual aprendeu a cair, para se levantar do chão e caminhar de novo. E quem fica
a amar a terra que o fez nascer nunca sai, verdadeiramente, do sítio de onde
partiu.
De certo modo, ele é a
nossa “mátria”, significado que a simples, densa e telúrica expressão a “minha
terra” bem exprime. Daí que, mesmo nos casos em que esta foi ingrata para
muitos dos seus filhos, perdure uma sensação de dívida e de gratidão para com
um lugar simultaneamente físico e simbólico, revivificado pela sucessão das
gerações, mas também pelas lições de futuro que podem ser bebidas na evocação
do melhor do seu passado.
Por tudo isto, ao
deambular por estas ruas, e ao olhar para as marcas do tempo inscritas nas
rugas das casas e nos rostos de quem as habita, também vejo o invisível, e, seguindo
o magistério de Antero de Quental, dou por mim a perguntar:
Os que amei, onde estão? Idos,
dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
levados, como em sonho, entre visões,
na fuga, no ruir dos universos…
Mas se páro um momento, se consigo
fechar os olhos, sinto-os a meu lado,
de novo. Esses que amei: vivem
comigo,
vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
juntos no antigo amor, no amor
sagrado,
na comunhão ideal do eterno Bem.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Não olhes....
Não olhes o meu rosto devastado pela idade
a vida para mim é como se chovesse
mas se viesses seria como se me acontecesse
cantar contigo a perene mocidade
a vida para mim é como se chovesse
mas se viesses seria como se me acontecesse
cantar contigo a perene mocidade
Ruy Belo
Volume of Light, um projeto criativo do fotógrafo Thomas Brown
sábado, 6 de janeiro de 2018
Um poema para quem passa e fim de semana a vosso jeito....
A Concha
A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.
E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
Vitorino Nemésio, O Bicho Harmonioso (1938)
As minhas fotografias
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Haja esperança....
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Olhares sem palavras....
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