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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Hoje....

Pintura naif d Ronaldo Mendes

Que tudo passe depressa para as trevas do esquecimento...  Mas um esquecimento planeado no sentido da renovação.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.

Miguel Torga, Pátria

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

"sem História e sem memória não pode haver futuro" (uma forma de regressar pouco a pouco)


Desenhar para Nunca mais Esqecer
(programa que passou na RTP2, 6 de Agosto e a não perder)

"O que aconteceu com as crianças que se deitaram no berço errado? Perguntou o artista austríaco Manfred Bockelmann. Nascido em 194, ele embarcou numa missão: desenhando os seus rostos ele quer retirar do esquecimento as inúmeras crianças que que foram assassinadas na Alemanha nazi.
E veio-me à memória a ainda não acabada de ler entrevista de de Arundahati Roy, indiana, ao Expresso desta semana. Querm poderá vir a desenhar os rostos das crianças maltratadas e assassinadas na Índia?
Quantos anos terão que passar? 
Haverá fotografias?

Nem o programa na TV nem a entrevista de Roy, podem ser desperdiçadas. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

viva o cinema...


Nostalgia, nome do filme de Andrei Tarkovski, dedicado à sua mãe, conta a história de exílios e impedimentos políticos, questões ligadas às tantas impossibilidades de estar na vida e nos lugares, demonstrando, ao mesmo tempo, que estamos sempre em poder das lembranças que, muitas vezes, norteiam as nossas rotas.

Um filme há muito adiado. Foi hoje o meu serão. Para ver com todos os sentidos e calma.
Preferencialmente com o cabo USB ligado á televisão.
Primeiro filme que A. Tarkovki, filmou fora da URSS.

sábado, 1 de dezembro de 2012

1º de dezembro, frio, memórias de infância e a poesia de Augusto Gil



Balada de Neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.



É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…


Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…



Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…


E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…


Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


Augusto  Gil 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Viagens no tempo... e por uma praia que perdeu o jeito

Passeando pela minha terra, pois pertenço ao universo dos que têm terra..., deparei-me com as festas religiosas de Buarcos cujo padroeiro é S. Pedro. 
De manhã a bênção do mar, nesta fotografia de João Viana. Uma praia que mais parece um deserto , cuja obra de engenharia em meados do séc. passado, deu num resultado catastrófico para a que foi a rainha das praias de Portugal. Falo-vos da praia de Claridade, Figueira da Foz.
Hoje o mar não se vê da cidade, só uma linha ténue que mais parece a do horizonte. 
Um verdadeiro ato de coragem a frequência desta praia. Espero  dar novas amostras desta monstruosidade.
De tarde, durante o meu passeio cardio, a memória dos meus afetos de criança, foi excitada pela procissão de S. Pedro , cujos andores eram levados por mulheres "trajadas", umas de peixeiras, outras peixeiras de verdade.  Na dianteira e na retaguarda  bandas. A minha paixão. E, a cidade e arredores é prolifera em associativismo musical.
 Como uma estranha, incorporei.-me no coletivo para sentir o batimento , o compasso que rege uma banda . E,  a menina que fui, a Santa Rita de Cássia, que  a devoção de minha mãe  me emprestou na sua fé a várias procissões, fé mais de horas aflitas que de religiosidade feita , fez-me recordar os passos de dança, que a música provocava dentro de mim e me fazia alterar o ritmo que deveria ser imprimido.  O passo de procissão.
De quando em quando, a mãe Anita lá me aparecia, feita maestrina, com a sua mãozinha, para que abrandasse.
Mais lembranças virão à ribalta por estes dias que aqui estou a passar.