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quarta-feira, 1 de abril de 2020

segunda-feira, 11 de abril de 2016

leituras breves, "foi difícil, porque o sono tinha muita força"

“Um dia, à meia-noite, ele viu-a. Era a estrela mais gira do céu, muito viva, e a essa hora passava mesmo por cima da torre. Como é que a não tinham roubado? Ele próprio, Pedro, que era um miúdo, se a quisesse empalmar, era só deitar-lhe a mão. Na realidade, não sabia bem para quê. Era bonita, no céu preto, gostava de a ter. Talvez depois a pusesse no quarto, talvez a trouxesse ao peito. E daí, se calhar, talvez a viesse a dar à mãe para enfeitar o cabelo… Devia-lhe ficar bem, no cabelo. De modo que, nessa noite, não aguentou. Meteu-se na cama como todos os dias, a mãe levou a luz, mas ele não dormiu. Foi difícil, porque o sono tinha muita força. Teve mesmo de se sentar na cama, sacudir a cabeça muitas vezes a dizer-lhe que não. E quando calculou que o pai e a mãe já dormiam, abriu a janela devagar e saltou para a rua. A janela era baixa. Mas mesmo que não fosse. Com sete anos, ele estava treinado a subir às oliveiras quando era o tempo dos ninhos, para ver os ovos ou aqueles bichos pelados, bem feios, com o bico enorme, muito aberto. E se não era o tempo dos ninhos, andava à solta pela serra, saltava os barrancos e jogava mesmo, quando preciso, à porrada como um homem. Assim que se viu na rua, desatou a correr pela aldeia fora até à torre, porque o medo vinha a correr também atrás dele. Mas como ia descalço, ele corria mais. A igreja ficava no cimo da aldeia e a aldeia ficava no cimo de um monte. De modo que era tudo a subir. Mas conseguiu – e agora estava ali. Olhou a estrela para ganhar coragem, ela brilhava, muito quieta, como se estivesse à sua espera….”
In, Vergílio Ferreira, A Estrela.

Tirado da revista online iSleep, dirigida pela médica do sono,  Dr.ª Teresa Paiva
Pintura de V. Van Gogoh, "A Noite Estrelada", feita aos 37 anos enquanto estava num hospício.

    terça-feira, 3 de novembro de 2015

    é uma frase batida, mas...

    Vincent Van Gogh

    “A vida já é curta, mas nós tornamo-la ainda mais curta, desperdiçando tempo” Victor Hugo (1802-1885), poeta, dramaturgo e político francês
    (escrito na pedra, jornal Público)
    Mas, a vida não é "en rose".

    sexta-feira, 24 de outubro de 2014

    com mais hora menos hora, bom fim de semana

    Campo de trigo, de V. Van Gogh, 1888
    Cortaram trigos. Agora
    a minha solidão vê-se melhor

    S. M. Breyner, Soror Mariana, Beja

    quarta-feira, 15 de agosto de 2012

    A sesta de cada um...



    Carlos, sossegue, o amor
    é isso que você está vendo:
    hoje beija, amanhã não beija,
    depois de amanhã é domingo
    e segunda-feira ninguém sabe
    o que será.
    Inútil você resistir
    ou mesmo suicidar-se.
    Não se mate, oh não se mate,
    Reserve-se todo para
    as bodas que ninguém sabe
    quando virão,
    se é que virão.
    O amor, Carlos, você telúrico,
    a noite passou em você,
    e os recalques se sublimando,
    lá dentro um barulho inefável,
    rezas,
    vitrolas,
    santos que se persignam,
    anúncios do melhor sabão,
    barulho que ninguém sabe
    de quê, praquê.
    Entretanto você caminha
    melancólico e vertical.
    Você é a palmeira, você é o grito
    que ninguém ouviu no teatro
    e as luzes todas se apagam.
    O amor no escuro, não, no claro,
    é sempre triste, meu filho, Carlos,
    mas não diga nada a ninguém,
    ninguém sabe nem saberá.”
    (Poema: Drummond, PINTURA,  A Sesta (1890) de Van Gogh)

    A Sesta , Janeiro de 1890. durante todo o tempo da sua reclusão no asilo de Saint-Paul.à falta de modelos e não podendo suportar a provação que para ele eram saídas do asilo, Vincent recorre a gravuras de mestres : é assim que copia Rembrandt, Delacroix,  Doré. Aqui foi uma gravura de Lavielle de As Quatro horas da Tarde, de Millet, que utilizou

    In, Van Gogh, a luz e a cor. de Pascal Bonafoux

    domingo, 12 de agosto de 2012

    Numa simples noite de agosto... bom domingo


    • A Noite Estrelada sobre o Ródano, pintada em setembro de 1889, é, para Vincent que descobriu em Arles o poder da luz, um desafio à pintura e a ilustração de uma fantasia.
      Um ano antes escrevia ao irmão: "A visão das estrelas faz-me sempre sonhar, tão simplesmente como me fizeram sonhar os pontos negros que representam no mapa cidades e aldeias. (...) Se apanhamos o comboio para nos dirigirmos a Tarascon ou Ruão. apanhamos a morte para ir para uma estrela.
      In, Van Gogh, a luz e a cor, de Pascal Bonafoux