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domingo, 12 de agosto de 2018

Excerto de ...

Sem surpresa num autor que cultivou a aventura e a pulsão de viajar, Stevenson não trocaria o conhecimento que nasce da vadiagem ao ar livre pelo saber livresco. “Basta afirmar o seguinte: se um rapaz nada aprender na rua, é porque não possui a capacidade de aprender. Nem o gazeteiro se encontra sempre nas ruas, pois, se assim o entender, pode percorrer os subúrbios ajardinados até ao campo. Pode sentar-se na margem de um regato, junto a uma moita de lilases, e fumar inúmeros cachimbos ao som da água a rolar sobre os seixos. Um pássaro cantará entre as copas. E talvez aí consiga afundar-se numa corrente de pensamentos gentis e ver as coisas de uma outra perspetiva. Se isto não é educação, o que será?” Excelente pergunta.
O elogio do “gazeteiro” ocioso é, no fundo, o elogio do espírito livre — aquele que recusa fazer parte do “coro dos dogmáticos” e se contenta em apreciar a “vista agradável”, embora “pouco imponente”, a que acede no “Miradouro do Senso Comum”. No fundo, tudo se resume a ter consciência da nossa escassa importância no grande esquema das coisas. “Podemos não gostar de o admitir, mas não existe uma única pessoa cujos serviços sejam indispensáveis.” Nem sequer Shakespeare: se o Bardo tivesse morrido jovem, “o cântaro continuaria a ir à fonte, a foice à seara, o estudante à escola; e ninguém teria dado conta de qualquer perda”. É preciso haver desprendimento para apreciar a instável precariedade da existência. E por isso a verdadeira ociosidade só está ao alcance de alguns. Aos outros, que “não conseguem ser ociosos, [porque] a sua natureza não é suficientemente generosa”, resta passar “numa espécie de coma todas as horas que não dedicam ao frenético lufa-lufa diário”.
Expresso de ontem, José Mário Grilo
Fotografia de Valdemar Ramalho (Vató) !951-2018

terça-feira, 1 de maio de 2018

O 1º de Maio aqui pelo Mar .... A todos que passam, saúdo...

"o 1º de Maio é o dia em que a Natureza revive em cada poro, em cada átomo. O Inverno, que simboliza a noite milenária da Idade Média, com todos os seus horrores da escravidão, fome e morte, passou, com os seus gelos desolados e a sua nudez; está-se na Primavera - a quadra da beleza e da esperança, e das promessas de frutos deliciosos que hão-de sustentar as vidas; e esta quadra também simboliza a esperança e a promessa de muitos frutos que havemos de colher no Estio e no Outono da nossa futura mas próxima revolução " (14)
(14) O 1º de Maio, Porto, Maio, 1893 (nº único). Cf. Carlos da Fonseca , cit. pag. 46
Excerto das pag. 251/252 do livro O CÉU DA MEMÓRIA, de Fernando Catroga

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Vanhinê no te Tiarê (A Mulher da Flor)



" Eu trabalhava febrilmente, duvidando de que não fosse duradoira aquela vontade. Retrato de mulher: Vahinê no te Tiarê (A mulher com flor). Trabalhava depressa e com paixão. Foi um retrato parecido com aquilo que aperceberam os meus olhos velados pelo meu coração. Acima de tudo julgo que ficou parecido com o interior, esse fogo forte de uma pujança contida. Trazia uma flor na orelha, e esta ouvia-lhe o perfume. Na sua majestade, nas suas linhas sobre-elevadas, o rosto lembrava uma frase de Poe: «Não existe beleza perfeita sem alguma singularidade nas proporções»
Noa Noa, de Gauguin, uma edição & etc, 1977

quarta-feira, 13 de julho de 2016

"A bola e o Goleiro" de Jorge Amado e a crónica de Rui Martins no DN de hoje.... Por mim, já acalmei das diatribes futebolísticas. Férias....





Adicionar legenda

Uma coleção que já não existe, nasceu nos anos 8o do séc. passado, esgotou pela beleza e pela escolha dos autores e ilustradores. Não era barata... , mas eu tenho-a. De 4 em 4 anos venho a este livro de Jorge Amado, altura em que as coisas do futebol me entusiasmam. 
E, acabo por aqui a minha acalmia, deixando-vos tambem a c´ronica de hoje,  no DN,  de Rui Cardoso Martins. Uma ´pérola.

(quem quiser ler o livro todo e ver as ilustrações , deixei-o na minha página de FB)

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"Num gesto chauvinista e antifrancês (eu, que chorei pela França e pelos amigos franceses, neste ano de terrorismo, e fui beber uma cerveja no Le Carrillon e acho que nisto eles são uns bravos), fiz passar pela sala um exemplar em marroquim do livro El-Rey Junot, de Raul Brandão, que nos conta os delírios das invasões de Portugal, no princípio do século XIX, quando isto parecia ser tudo deles e quando ainda hoje tantos respeitam um assassino de massas, salteador sem misericórdia, Napoleão Bonaparte. Lembrámos as derrotas futebolísticas de 1984, 2000, 2006, quando a França nos eliminava e tratava a seguir como se o nosso fracasso estivesse contemplado no artigo 2 de um eterno código napoleónico.

Crónica completa, AQUI

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

"Mulheres Com Poder e Autoridade", o novo livro do Manuel Duarte

Novo livro do amigo Manuel Duarte, lançado no dia 9 na Biblioteca Municipal de Cascais, como sempre,  rodeado dos seus bons amigos. 


Durante quatro milhões de anos, homens e mulheres viveram em comunidades desconhecendo diferenciações de classe, a instituição familiar, a guerra e a repressão, uma vez que a terra não sendo de ninguém era de todos.
A liberdade, a igualdade a fraternidade faziam a regra.

Há cerca de dez mil anos entrou-se em regime de excepção: surge a propriedade privada e com ela as lutas fratricidas, o Estado e a família patriarcal.
As mulheres, não obstante a pressão e os desejos dos homens, têm conseguido, até hoje, salvaguardar direitos seus e ancestrais de natureza económica, social, afectiva e cultural.
Entregando, no dealbar das civilizações, a tarefa da guerra, aos homens, recolheram-se aos lares exigindo, enquanto jovens, que os pais e os irmãos mais velhos providenciassem pela sua sobrevivência, casadas tais encargos passassem a ser da responsabilidade dos maridos, viúvas que a lei obrigasse os filhos a sustentá-las. Foi a sua segunda vitória sobre as pretensões masculinas e de subjugação.

As formações económicas e sociais que se sucederam, transformaram o progresso social, na medida em que se afastaram do regime de comunidade primitiva, numa tragédia, quando ocorre pela primeira vez; numa farsa quando parece que algo se move, mas nada se altera de substancial.

Pelo caminho, por enquanto, apenas temos assistido a golpes de Estado, insurreições, restaurações, terramotos sociais, políticos, económicos e culturais onde as mulheres têm tido um papel determinante.



terça-feira, 25 de agosto de 2015

contradições humanas.... (1)


O vizinho do sétimo esquerdo toca piano, canta e nunca desafina. 
Tem uns cabelos despenteados e uns dedos mais compridos do que aulas de MATEMÁTICA.
Mas o que realmente me impressiona é que ele 
TOCA
MÚSICAS
TRISTES
E ISSO
DEIXA-O 
FELIZ.

                                       Chega a chorar de felicidade (eu já vi)


(exceerto do livro A CONTRADIÇÃO HUMANA)
Vidrões que a artista plástica Isa da Silva pintou baseado no livro de Afonso Cruz.
A ver na Rua Castilho.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Breve e curta e sem" confragimento"... boa semana

Sinopse
«Manhã» é o mais recente livro de poemas de Adília Lopes. Começa com uma epígrafe lapidar de Alexandre O¿Neill: «(Pesquisas fazem-se em casa, já dizia a minha avó, que era escritora)». Infância, memórias, momentos comoventes, desconcertantes ou paradoxais, como neste poema onde a autora nos fala de Palavras Caras:

«Em minha casa, detestávamos pessoas bem-falantes, palavras caras. De uma vez, apareceu a prima Maria Lucília a dizer já não sei porquê:
Fiquei muito confrangida.
Passámos a chamar-lhe a confrangida.
Sempre que aparecia alguém na televisão a declamar poesia ou a falar de poesia, desligávamos a televisão.»

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

o Pedro, o "DIÁRIO de um QUIOSQUE" e a vida... ou a forma de contornar a crise, rindo...

... com o  Pedro e dos seus   olhares santos e "pecaminosos", vistos da janelinha do quiosque "bordelico" , porque tem que ser mesmo assim, como as drogarias de bairro, onde na

 sua anarquia se encontra o que se precisa e o seu contrário...
 Quando passo pela Figueira da Foz, gosto sempre de passar pelo quiosque do Pedro, cada vez menos, porque a família deixou a casa ribeirinha, Praça 8 de Maio, e agora passou a estar mais próxima da cultura...  Passou-se para uma casa junto ao Museu e Biblioteca Santos Rocha. Um afecto para a minha Mãe, emérita ex- funcionária da Biblioteca Municipal.


"Do interior da grandeza dos seus escassos 6 metros quadrados, há um quiosque que se não limita a vender jornais e revistas. Soltando-se do rótulo de típico elemento urbanístico, ultrapassando o seu complexo de inferioridade, conquistando vida própria e adquirindo a personalidade que só os grandes-pequenos quiosques ousam almejar, há um quiosque pequeno, é certo, mas com sentimentos. A provar o que todos sabiam mas que ninguém ousara ainda afirmar: os quiosques também têm diários. 
 (in contracapa do livro do Pedro)10 euros
..

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração."*

"
                               O Livro de fotografias de Henri Cartier - Bresson. O Momento Decisivo

Quando peço a alguém para me fazer fotografias, quando elas ficam sem sentido daquilo que eu sou, remato sempre : - aí , não está um olhar de afecto. 
Tinha e tenho para mim, que fotografar requer coração. * Cartier-Bresson, escreveu isso mesmo. Ver  e ouvir e o vídeo. A música está colada à imagem.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

"A menina grande, que desenha todos os dias desde há muitos anos"...


A menina AQUI, é a ilustradora de mais uma estória, desta vez de  João Pedro Mésseder, ou dos dois... , quem sabe?
Em Portugal uma menina grande é destroçada aos poucos. Bombardeada por notícias, bombardeada por escândalos, precariedade e o medo, bombardeada com o choque ao ver a inocência dos outros, perdida à custa de números e economias. E desenha no meio dos destroços sociais.
....

Ana Biscaia foi em 2013  premiada como a melhor ilustradora infantil . Aqui.
Mais um livrinho para as vossas boas escolhas natalícias e não só...
Parabéns e felicidades, Ana.
Quem sabe se ajudará as crianças e adultos a encontrar um mundo melhor?

terça-feira, 18 de novembro de 2014

"é a vida"..., diz João Luís Oliva. E é verdade...

 JoãoLuís Oliva, Centro Cultural de Tondela e Maria do Céu Guerra lendo textos

Lançamento do seu livro
A livraria LER  DEVAGAR, lançou em Tondela no sábado passado,  o livro do amigo Oliva, "Artes e ideias da desconcentração". Foi um momento muito terno, pois é isso que Oliva inspira e expira...
É um homem rico de ideias e amigos.
Em dezembro será apresentado em Lisboa na LER DEVAGAR .

"... uma política cultural que se preocupe em alargar
a geografia e a eficácia social das manifestações artísticas,
em lugar de des-centralizar o centro, deve contribuir para des-concentrar os pólos de criação e 
produção; isto é,  multiplicar os centros e, então, possibilitar a itinerância e troca entre eles.
Uma política sem navegação à vista e sem disponibilização avulsa de meios e recursos..."

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Espantalho da "Praxe" Coimbrã.... Leituras breves

Das últimas páginas do livro:
«[...] Quer-me parecer que a praxe, constituindo um fim em si mesma e apelidada fraudulentamente de tradição por aqueles que confundem a antiguidade dum objecto com o seu caruncho e com a sua ferrugem, é a grande responsável por este estado de coisas. [...]
Eu e todos os que pensam como eu queremos ser divertidos, mas não queremos que nos obriguem a sê-lo; defendemos a graça, mas não a graça violentada; desejamos a alegria, mas quando é a alegria para todos, não bruteza e grosseria para uns e humilhação para outros; somos pela irreverência, pela reinação, pela piada, por isso não as queremos matar com regulamentos. E achamos que troçar os alunos do primeiro ano, simplesmente por serem do primeiro ano, que ofendê-los cobardemente sem lhes permitir defenderem-se está mal, mesmo que se fizesse em todas as universidades do mundo, mesmo que viesse dito nas Escrituras. [...]»

Livro datado de 1958

Fonte, FRENESI LOJA

segunda-feira, 18 de março de 2013

Da maior importância...


A EUROPA ALEMÃ - DE MAQUIAVEL A «MERKIEVEL». ESTRATÉGIAS DE PODER NA CRISE DO EURO, de Ulrich Beck

Em 1953, Thomas Mann, no seu famoso discurso de Hamburgo, advertiu os alemães para que nunca mais voltassem a aspirar a «Europa alemã».

No entanto, foi precisamente isto que se tornou realidade durante a crise do euro: a potência económica mais forte do continente pode ditar as condições para novos empréstimos aos Estados pobres da zona euro - até chegar ao ponto de esvaziar os direitos democráticos de codecisão dos parlamentos grego, português, italiano, espanhol e, por último, também alemão.