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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Mofo - Sick And Insane - 2020 - Download


Gênero: Thrash Metal

01. Cynic
02. Adrenaline
03. Brothers of Death
04. Time for War
05. Sick and Insane
06. Let Them Fall
07. Final Experiment
08. Frank
09. Purgatory
10. Hate and Disgrace


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Oriundos da cidade que detém os maiores índices de criminalidade do país, Brasília, o Mofo finalmente lançou o seu primeiro full-length depois de várias cobranças para que isso ocorresse desde a época em que disponibilizaram o EP Empire Of Self-Regard em 2017. As cobranças aqui se embasaram no fato de que cinco músicas foram pouco para saciar a sede de Thrash que os fãs do estilo cultivam, dada a qualidade das composições que o grupo lançou naquele trabalho. Assim, o Mofo se tornou uma das bandas mais promissoras do Thrash Metal nacional e um full-length se tornou bastante necessário.


Três anos após o lançamento de Empire of Self-Regard, a única mudança na formação do Mofo foi na bateria, posto que foi ocupado por João Paulo “Mancha” em substituição a Rodrigo Melhorança. O resto do line-up permaneceu intacto, com o fundador Rodrigo “Chakal” formando a dupla de guitarras com Arthur Collona, Emiliano Gomes nos vocais e Pedro Dinis (não aquele ex-piloto de Fórmula 1) no contrabaixo. Foi com esta formação que a banda entrou no Texas Estúdio, localizado na Asa Norte da capital federal, e por lá gravou entre os meses de agosto de 2019 e fevereiro de 2020 o que viria a ser seu primeiro álbum completo, Sick And Insane, lançado recentemente. A gravação ficou sob a tutela de Victor “Xexel” Hormidas, que se incumbiu de toda a parte técnica, e as artes do encarte são obra de Ricardo Bancaleiro.


Ouvindo Sick And Insane, percebe-se uma preocupação maior do Mofo em soar mais técnico e variado, usando as habilidades individuais de cada integrante e a criatividade dos compositores para prender a atenção do ouvinte, sem abrir mão da agressividade, fazendo-o ficar ansioso pelo que virá pela frente nos próximos arranjos. Some-se a isso a maior capacidade técnica do novo baterista Mancha, que permitiu que a banda explorasse com mais ousadia diferentes elementos dentro de suas composições. Confesso que senti falta dos rototons que Melhorança usou em seu kit na gravação do EP de 2017, mas isso é o de menos. O melhor de tudo que a enorme variedade de arranjos dentro de cada música não soa bagunçado, como se fossem remendos mal costurados. As transições de partes rápidas para cadenciadas e as mudanças de tons acontecem de forma bastante natural, de modo a não quebrar o ritmo ou a intensidade do Thrash do grupo.


Os trabalhos se iniciam com uma bela introdução acústica chamada Cynic, que serve para preparar o ouvinte para a desgraceira perpetrada por Adrenaline, música que faz jus ao seu nome graças a pegada frenética do começo ao fim e a empolgante seção de solos. Brothers Of Death tem a missão de manter o pique levantado por sua antecessora lá em cima e não faz feio apesar das apostas em variações de ritmos. Aqui nota-se pela primeira vez um recurso que se repetirá muito ao longo da audição, que é o volume do baixo de Pedro Dinis ser aumentado nos trechos onde ele usa técnicas de duas mãos ou em linhas mais difíceis. As influências de Kreator surgem bastante óbvias em Time For War graças aos riffs e algumas paradinhas que me fizeram lembrar da música Phantom Antichrist, da banda alemã. Uma seção lenta na metade desta música constrói na mente uma imagem distópica de destruição do mundo que lembra a arte da capa.


A faixa-título chega apresentando os predicados técnicos da cozinha e ao longo de si percebe-se referências ao Hardcore e até mesmo ao Djent. Let Then Fall aposta numa dose maior de cadência, ressaltando assim o peso das guitarras de Chakal e de Colonna, e termina já emendando na próxima faixa, Final Experiment, onde Mancha exibe o melhor da sua técnica na bateria, incluindo blast-beats, sem abafar o trabalho das guitarras e do baixo. A veia metal tradicional aparece mais saltada em Frank (mais um ensinamento do Kreator) e seu primoroso trabalho de guitarras. A reta final começa a ser construída com um dos grandes destaques do álbum, Purgatory, dona da mais perfeita troca de andamentos de todo o disco. Destaque para o crescendo protagonizado por Pedro Dinis num arranjo de duas mãos e um ritmo sincopado próximo ao final que lembrou xote. O álbum se encerra com o rolo-compressor Hate And Desgrace. Aqui, Emiliano eleva a enésima potência os seus agudos esganiçados que ele praticou ao longo das outras faixas em uma performance absurdamente visceral. A subida para Fá sustenido menor depois da metade da música eleva mais ainda a tensão da porradaria já mirando o fim do álbum de modo a não restar pedra sobre pedra em Brasília.


Apesar de Sick And Insane ser um álbum curto, de 41 minutos, a fórmula das composições começa a cansar um pouco a partir da metade do álbum ou de um pouco depois. Se fosse um álbum mais longo, este detalhe seria levado em consideração caso eu quisesse desistir de ouvir o álbum de cabo a rabo. Não quero dizer que as músicas são ruins. Muito pelo contrário. A criatividade aqui mostrada é absurda! Porém entendo que uma aposta maior em elementos mais diferentes, como timbres limpos, por exemplo, poderia captar ainda mais a atenção do ouvinte e ampliar mais ainda as possibilidades de criação musical. A própria música Cynic pode mostrar um caminho. Não precisa criar baladas, mas álbuns de Thrash Metal que são porrada do começo ao fim já existem aos montes.


Mas se desgraceira do começo ao fim é a sua praia, leitor, mergulhe sem medo em Sick And Insane. A produção abafou e sujou na medida certa os timbres dos instrumentos, deixando-os muito prazerosos de se ouvir e sem deixar escondido nenhum detalhe. A performance de Emiliano nos microfones é soberba, vociferando letras que tratam sobre comportamentos destrutivos das sociedades, vícios, idolatrias e relacionamentos. Todo esse comportamento destruidor registrado em estúdio casa bem com a proposta da arte de capa criada pelo artista Ricardo Bancaleiro, que retrata a corrupção e a faceta venenosa da raça humana apodrecendo dentro de seu próprio chorume de desgraça. Se o Mofo vinha sendo cotado como uma promessa, agora eles se posicionam como realidade, reafirmando que fazem parte a partir de agora do seleto grupo de melhores bandas de Thrash do país. Não só isso. Eles se posicionam agora como arautos da desgraça, pregando para quem quiser ouvir que o ser humano é podre e se esfacela sob sua própria ganância. Morar em Brasília reforça ainda mais esta moral.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Mofo - Empire Of Self-Regard - 2017 (EP) - Download


Gênero: Thrash Metal

1. Mountain of Origin
2. Tartarus
3. Eternal Stealing of Souls
4. Black Squad
5. We Are Metal

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Àqueles que curtem ficção científica, já pensaram em misturar dados de dois DNA’s distintos? Já imaginaram pegar as características de uma espécie e misturar com as de outra espécie para criar uma quimera? Metalicamente falando, na eterna busca pela identidade musical que este escriba tanto propõe, já pensou juntar elementos de duas escolas de um estilo para criar um som diferenciado?


Parece que a banda brasiliense Mofo teve essa ideia e a pôs em prática, pois foi essa a sensação que tive ao ouvir seu EP de estreia, Empire Of Self-Regard. A banda pratica um Thrash Metal com influências que passam fortemente pela escola alemã do estilo (principalmente Destruction) combinadas pelo DNA brasileiro do estilo. É inevitável: o Thrash nacional é facilmente reconhecido, assim como é o da Bay Area ou o alemão. Ainda, passagens de Groove ou mesmo de Hardcore tornam mais variado o som do Mofo. Tudo isso junto forma uma salada, daquelas bonitas e gostosas, e nem um pouco confusa para o paladar dos ouvidos.


Formado no ano de 2010, somente o guitarrista-fundador Rodrigo “Shakal” Loreto permaneceu na banda para registrar Empire Of Self-Regard, que foi gravado também por Emiliano Gomes (vocais), Artur Collona (guitarras), Pedro Dinis (contrabaixo) e Gustavo Melhorança (bateria). Em pouco mais que 18 minutos, a banda apresenta em cinco faixas um ótimo trabalho de Thrash Metal, muito bem mixado (função que ficou a cargo de Caio Duarte, do Dynahead) e com sujeira na medida sem prejudicar a boa audição de cada instrumento. Os timbres da bateria estão tremendos, com aqueles tons agudos maldosos e timbre de caixa profundo e forte.


Um riff martelado e frenético serve de cartão de visitas de Mountain Of Origin, faixa que abre o trabalho e que em quase quatro minutos já dá o recado do que se trata o som avassalador do Mofo: variado com momentos rápidos e agressivos que se alternam com outros mais groovados e pesados. A tiro-curto Tartarus explora certa complexidade em seus arranjos; ponto para o time das cordas Shakal-Collona-Dinis (este último teve o som de seu contrabaixo colocado em seu devido lugar, com bastante destaque). Aproveitando, o que está entre parênteses na última frase precisa ficar fora dele aqui, pois tem-se a impressão que o contrabaixo lidera uma investida de guerra e destruição com as guitarras pesadas a segui-lo em Eternal Stealing Of Souls, que traz em sua letra o título do EP e cuja ideia se encontra refletida na capa da mesma, uma imagem simples mas clara daqueles que se aproveitam do poder para se locupletarem em detrimento dos mais humildes. A alternância de solos também empolga bastante enquanto o baterista Melhorança protege com bastante pegada a retaguarda sonora.

 
Enquanto o instrumental segue a cartilha alemã e a brasileira do Thrash, os vocais de Emiliano Gomes obedecem a americana, lembrando em vários momentos Joey Belladona (Anthrax) ou James Hetfield (daquela banda). Pois bem, o ritmo de batalha parece ficar maior em Black Squad, até aqui a música mais rápida do EP e que também se apresenta bastante alternada. O EP se encerra com o golpe de misericórdia, o rolo-compressor We Are Metal.


Com esta ótima estreia, o Mofo se garante como uma das felizes revelações do cenário Thrash Metal nacional. Atualmente, a banda conta agora com o baterista João Paulo “Mancha”, que tem a missão de levar adiante a ótima performance que o baterista Melhorança performou aqui. Não só ele, como também os demais integrantes, que precisam (e podem) usar seus talentos para trabalhar com cada vez mais criatividade em trabalhos futuros (soltem um full-length o quanto antes!). Com este EP, os cientistas do Thrash pariram a quimera teutônica/tupiniquim. E este monstro está faminto e ainda terá muito que crescer. Cuidado, o Mofo está aí!