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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Headspawn - Parasites - 2023 - Download

 

Gênero: Groove Metal

01. Terra Solis
02. Butchers
03. Sinking Jetsam
04. Failure, Death and Decay
05. Everybody Hates Somebody
06. Fili Caatinga
07. Ghost of Myself
08. You Are
09. Brought into This World
10. The Grotesque Factory of Flies

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E é do Nordeste brasileiro que surge um dos melhores álbuns do ano, senão o melhor: “Parasites”, dos paraibanos da Headspawn!


Desde seus primeiros lançamentos, os excelentes EPs “Pretty Ugly People” (2021) e “Pretty Ugly People Live” (2022), a cada single disponibilizado por esse trio de João Pessoa, na Paraíba, composto por Alf Cantalice (vocal/guitarra), J.P. Cordeiro (baixo) e Marconi Jr. (bateria), era um verdadeiro soco na cara dos ouvintes, pois seu Groove Metal pesadíssimo, cheio de influências modernas e até mesmo certa tenacidade melancólica, com certeza acertou em cheio os fãs de Slipknot, Soulfly e Sepultura, principalmente da fase “Chaos A.D” e “Roots”, e até Alice In Chains (dos três primeiros álbuns).


Mas o som da Headspawn não é, e passa longe de ser, uma cópia dessas bandas, pois conseguiram capturar todas as influências desses gigantes com um toque único e original, inclusive usando sonoridades, nuances e instrumentos da música nordestina em várias passagens, o que fisga os ouvintes de forma quase que instantânea, vide as instrumentais “Terra Solis” e “Fili Caatinga”, que são curtas, porém brilhantes!


Além de todo peso, groove, técnica, letras inteligentíssimas com métricas super interessantes, temos também um senso de melodia tão cativante que há faixas que arrepiam de verdade! Um bom exemplo disso é a soberba cacetada “Butcher”, cujo refrão – na minha modesta opinião – é coisa de gênio, gruda na cabeça e vai na espinha! Duvido você ouvir uma vez e já não sair cantando! DUVIDO! “Sinking Jetsam” é uma pancadaria groovada e cheia de rifferama que nos remete às faixas mais pesadas do primeiro álbum do Soulfly, como por exemplo, “Tribe”, onde o riff groovado conquista de imediato!


Os vocais de Alf Cantalice possuem muita similaridade aos de Corey Taylor (Slipknot) nas partes mais urradas e agressivas, trazendo muita potência e brutalidade. Em certos momentos, dá para imaginar a raiva que ele estava sentindo ao profetizar alguns versos como da cacetada brutal e groovada “Everybody Hates Somebody”, primeiro single de “Parasites”, uma verdadeira ‘canção de retribuição de amor’ à violência que certos grupos sociais insistem em acometer e manchar a humanidade, como por exemplo, o racismo, intolerâncias e perseguições contra orientação sexual, origem e ideologia política. Simplesmente um arregaço em todos os sentidos!


Vale também comentar as partes mais ‘cantadas’ em que Alf se mostra um excelente vocalista com um timbre bem impactante, daqueles que entram na espinha do ouvinte! E o que falar dos riffs de guitarra extremamente pesados, ora melodiosos, ora melancólicos, mas na maioria das vezes cortantes como uma navalha afiada, muito influenciado pelo nosso glorioso Max Cavalera nos bons tempos de mão direita pesadíssima (não que ele não a tenha mais, diga-se hehehhe).


A criatividade das composições, o bom gosto e a parte instrumental de todos em “Parasites” são simplesmente um luxo, daqueles que você ouve uma, duas, três vezes, e não consegue parar de pensar: “esses caras tocam para caramba. O baixo de J.P. Cordeiro está bem evidente, dando um peso extra às 10 faixas de “Parasites”, inclusive dá uma aula de slap à la Fieldy (baixista do Korn) com Flea (Red Hot Chili Peppers) nas maravilhosas “Ghost Of Myself” (a mais Slipknot dos maravilhosos dois primeiros discos, que a banda americana se esqueceu como faz há tempos) e “You Are”! Marconi Jr. dá um show de viradas certeiras e desce a mão sem dó, aliás bateristas e fãs do instrumento, prestem atenção nesse nome!!! Na apocalíptica e melancólica “Failure, Death and Decay”, ele brilha tanto que às vezes parece amassar nos ouvidos com os bumbos!


As duas últimas faixas, a cadenciada “Brought Into This World” (certas horas me lembrou um pouco o ritmo mais funky de “Andar na Pedra” do Raimundos) e “The Grotesque Factory of Flies” são as que mais se diferenciam do restante, mas são simplesmente geniais, principalmente “The Grotesque Factory of Flies”, numa mistura melancólica de Stoner Metal cheio de refrão do Corrosion Of Conformity, Alice In Chains (prestem atenção nos vocais e backing vocals!) e Slipknot de arrepiar que vai te deixar de queixo caído! Viciante esse som! Um destaque especial vai para a produção de Victor Hugo Targino, que está com a banda em todos os seus lançamentos, pois deixou o som redondinho, muito pesado, robusto, atual e muito cristalino. O conjunto da obra aqui é nota 10 em todos os quesitos!


Fico imaginando o que essa banda ainda vai nos trazer, pois em termos de qualidade, criatividade e profissionalismo não ficam devendo a NINGUÉM, pelo contrário, muitos deveriam aprender com eles e não com a panela (queimada) do metal nacional! O topo está logo ali, rapaziada, e vocês estão pertíssimo dele! Este álbum não apenas representa uma conquista para o trio, mas também celebra a influência e a vitalidade do Metal Nordestino que ressoa em todos os cantos do Brasil. Acorda pessoal, saia dessa bolha chata, temos um gigante nascendo bem na nossa frente!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Headspawn - Pretty Ugly People - 2021 (EP) - Download

 

Gênero: Groove Metal

01 Satan Goss
02 Worthless Piece Of Shit
04 Satellite

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Nordeste, uma região que, nacionalmente, não é referida por ter dado luz a grandes nomes da música brasileira. Um grande engano, uma vez que, de lá, saíram, personalidades como Pitty, Raul Seixas, Novos Baianos e, mais recentemente, Mago Trio e Bié dos 8 Baixos. Agora, porém, ela divulga para o mercado musical global o Headspawn, power trio paraibano que se anuncia com Pretty Ugly People, seu EP de estreia.


Repiques acelerados da bateria dão um despertar compassivo. Limpo e nítido, o groove produzido por Marconi Jr. leva o ouvinte para um primeiro verso metalizado, cuja sonoridade sombria funciona como um caminhar por entre grutas escuras e pegajosas que gotejam desespero de seus poros. Um vocal cujo timbre mistura toques guturais e rasgados preenche a cena com uma interpretação lírica que exala angústia e ódio. Por meio de Alf Cantalice, o ouvinte é submetido a momentos em que o desejo impetuoso, supera o bom senso. Satan Goss é uma faixa que, apesar de tangenciar a série de animação japonesa Jaspion, muito traz da desesperança impregnada na sociedade global através da pandemia. No que tange a sonoridade, a faixa é dividida entre momentos de pura brutalidade com outros em que a estrutura possui sonoridade mais clara e melódica. O interessante nesse aspecto é notar que, aquém do que é comum na indústria fonográfica, o que se tem em Satan Goss é um solo de baixo que, feito por J.P. Cordeiro, possui a mesma estrutura daquela construída na introdução de Still Remains, single do Alter Bridge.


A guitarra segue guiada pela distorção, porém, sua afinação se coloca em tons mais alegres e melódicos, mesmo que ainda ásperos. Com sonoridade mais mastigável que a anterior, Worthless Piece of Shit não foge de uma mensagem de peso no que tange o lirismo. A partir de uma harmonia que transita por entre o nu metal, o stoner rock, o heavy metal e até mesmo o thrash metal, o que Cantalice apresenta é uma latente indignação por aqueles que, seja de maneira política, religiosa, empresarial ou social, possuem poderes sobre os mais fracos. De todos os momentos, a ponte talvez seja o momento mais emblemático da faixa. Não apenas por conta da cadência contagiante do riff da guitarra, mas por conta das palavras e da forma como elas são proferidas pelo vocalista. Claramente Worthless Piece of Shit é um single tragicômico-agressivo de Pretty Ugly People.


A sonoridade é alternativa. Mas o azedume e o suspense que exalam da mesma movem a caracterização estrutural para outros campos. Groovada, instigante e com uma cadência contagiante, a faixa causa estranheza no ouvinte devido à drástica mudança melódica. Quando menos se espera, porém, o peso característico do EP é retomado com um uníssono áspero e distorcido. Uma coisa que se torna clara em Voices é a versatilidade de Cantalice em transitar, através das subdivisões das músicas, por diferentes técnicas vocais de uma maneira tal como faz Corey Taylor quando assume o microfone do Slipknot. Outra coisa é a cadência formada na faixa. Diferente de Worthless Piece of Shit, o movimento aqui instaurado possui características de amplitude que possibilitam uma maior atração de fãs, além de proporcionar o ambiente propício para a Mosh e o headbanging. Por essa razão, Voices acaba assumindo o posto de single enquanto a faixa anterior passa a se tornar um single lado b.


Distorção e agressividade sempre fazem parte dos pratos servidos pelo Headspawn em Pretty Ugly People. Em Satellite, porém, a afinação e a forma como as notas do baixo são exaladas por Cordeiro pincelam na melodia da faixa toques de stoner rock que imputam mais aspereza e uma noção de garagem à conjuntura sonora. Na presente faixa, não há impressões como houveram em Worthless Piece of Shit. O thrash metal é um subgênero que, assim como o stoner, está nitidamente presente a partir das frases da guitarra. Esses fatores, por si sós, já fazem de Satellite um blend rítmico extasiante. Essa noção de mix aumenta ainda mais quando surge um vocal limpo, sem efeitos ou brutalidade. Porém, o peso está na mensagem lírica, a qual traz a sociedade como um catalizador, um conjunto de formigas operárias reféns de uma elite privilegiada que pouco olha para a base de seus lucros. Uma realidade que, tendo o Brasil como ponto de partida, é a privatização contra a comunidade. É dinheiro ante a saúde. É o poder ante a harmonia.


Como o próprio nome do EP sugere, Pretty Ugly People é um EP sobre algumas parcelas da população, que manipulam, que se usam do poder para persuadir e angariar mais lucros. Um EP com forte viés político e conscientes críticas sociais. Um trabalho maduro e ousado para uma banda nordestina, mas mais do que isso, para uma banda estreante no mercado.


Trazendo um som pesado, raivoso, áspero e azedo, mas ao mesmo tempo claro e legível, o EP apresenta um Headspawn cuja química entre os integrantes é facilmente perceptível. Um power trio em que todos os integrantes possuem seus momentos de protagonismo e cuja liberdade de inserir influências é assegurada.


Toda essa união de gostos, influências e tendências foram muito bem capturadas pela produção de Victor Hugo Targino. Foi ele que, inclusive, foi o responsável por, a partir da mixagem, trazer uma equalização capaz de transmitir o peso e a dinâmica dos instrumentos de uma maneira que o ouvinte degustasse a conjuntura de uma maneira harmônica e até mesmo sensorial.


Canalizando todos esses elementos vem a arte de capa. Feita por Rafael Passos, ela traduz bem tanto as mensagens das faixas quanto o próprio título do EP. É como se a personagem central evidenciasse o lado dicotômico da sociedade. As duas faces de um mesmo espectro. Bonito por fora, mas malévolo por dentro.


Lançado em 25 de junho de 2021 de maneira independente, Pretty Ugly People é como um aviso. Um aviso de que não existe apenas um Lázaro Barbosa. Mas várias pessoas que são capazes de dar uma face e entregar a outra. Em uma sociedade de interesses, todo o cuidado é pouco e é isso o que Headspawn tenta informar com o EP.