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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Um Novo Nome Para uma Velha História

A Reforma Trabalhista está às portas, e o fim de algumas poucas e boas vantagens do trabalhador também. Vemos e ouvimos que o Governo está aprovando tudo isso porque está "preocupado" com os trabalhadores. Mas como um Governo comprado e mantido por empresários pode estar preocupado com trabalhadores?

Hoje, para tirarmos férias - algo que é um direito nosso - já temos que brigar muito para conseguir! O tempo que passamos trabalhando para garantirmos nossas férias chama-se período aquisitivo. Trabalhamos um ano para termos direito a esses trinta dias e, mesmo assim, é preciso brigar quando chega o tempo de descansarmos. 

O chefe já escolhe quando nos dar férias, e na maioria das vezes ainda nos força a vender alguns dias, como se não tivéssemos família ou vida particular, e agora ainda será possível dividir o período de férias em TRÊS! Vão nos fazer vender quinze dias e nos darão três períodos de cinco dias cada, durante o ano, no tempo que for melhor para a empresa. Essa "negociação" com a gerência nós já sabemos como funciona: O chefe nos impõe sua vontade e pressão, e faz com que aceitemos suas propostas, seja por medo ou não, pois somos peças descartáveis na máquina empresarial.

É assim que a banda toca. Nos dedicamos anos e anos em um trabalho, e quando mais precisamos é preciso convencer meio mundo a  nos dar algo que - por direito -  já é nosso. E agora, com a reforma, vai ficar ainda pior.

Bira - FENASPS

domingo, 4 de junho de 2017

Relações de Trabalho

Há várias coisas, vários fatores atualmente, que tem me deixado confuso com relação às relações de trabalho. Quero citar aqui alguns deles:

- O empregador desonesto que se aproveita da necessidade do empregado para negar-lhe alguns de seus direitos;

- O empregador gente boa e honesto, que por ser bom demais acaba lesado por alguns de seus funcionários;

- O funcionário responsável, que sofre juntamente com o irresponsável porque o empregador não distingue um do outro;

- O funcionário irresponsável que prejudica a equipe toda por sua falta de interesse.

A culpa não está na lei trabalhista, nem mesmo na reforma que está sendo feita. O problema, como sempre, é o ser humano, que sempre quer tirar vantagem da situação em que está. Protecionismo nas empresas, ameaças, chantagens. Pessoas consideradas competentes apenas porque tem amigos influentes. Pessoas responsáveis que não crescem profissionalmente porque não estão dispostas a puxar o saco de ninguém ou puxar o tapete dos outros. Funcionários que não admitem que o chefe cobre suas tarefas. Chefes incompetentes que não enxergam a competência dos seus subordinados. Pessoas que não aguentam a pressão. Todos esses fatores tornam um ambiente de trabalho insuportável, prejudicando o bom funcionamento de uma empresa.

E ainda existem pessoas que querem que consideremos a empresa nossa "segunda família". Por favor, vamos ser mais realistas. Não existe interesse comum ou preocupação com os outros nas empresas. Devemos trabalhar honestamente e com competência, mas não devemos alimentar ilusões. Como já dizia um sábio provérbio: "O pássaro deve confiar nas asas, e não no galho onde senta".

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Feliz Dia do Trabalho - comemorem enquanto podem

No primeiro dia de maio de 1886 trabalhadores americanos fizeram uma paralisação por melhores condições de trabalho. Dois dias após este acontecimento, um enfrentamento com a polícia resultou na morte de vários trabalhadores. A ideia de utilizar o dia primeiro de maio para comemorar o dia do trabalho, ou mesmo protestar por condições melhores espalhou-se pelo mundo desde então.

Hoje, no Brasil, não é preciso armas para deter os trabalhadores. Não é preciso cassetetes nem escudos. Hoje o tipo de ataque mudou. Um homem que chama a si mesmo de presidente, mas chegou ao poder através de um golpe, idealiza uma "reforma" juntamente com sua corja de deputados e senadores, seus ministros e juízes, compra a imprensa - e até mesmo apresentadores que eu nunca achei que se venderiam saem por aí dizendo que a reforma é boa e necessária - e enfia suas novas leis goela abaixo na população brasileira. O povo é manipulado e enganado, acreditando que estamos "evoluindo", acreditando que estamos atrasados em relação ás leis trabalhistas de outros países, mas esquecendo-se que em outros países não existe a corrupção que existe aqui.

Matérias são divulgadas em rede nacional apontando os empresários como "coitadinhos" que são processados em todo tempo por seus funcionários, e isso os impede de "produzir". O que a imprensa não mostra é a opressão que esses mesmos empresários usam contra seus funcionários. Muitos empregadores não dão a seus funcionários nem mesmo o que é de direito. Muitos não concedem nem mesmo vale-transporte. 

O que os políticos querem é honrar seus compromissos com a classe empresária, que comprou-lhes a promessa da reforma trabalhista. O que os empresários querem é colocar os pobres em seu devido lugar. Para eles é necessário haver separação de classes. Os ricos não são ricos se todo mundo tem dinheiro. O rico não aceita o crescimento do pobre. Temer luta contra nossos direitos adquiridos, e quer aumentar o abismo social que havia começado a diminuir.

Os trabalhadores brasileiros não aprenderam que são eles que geram riqueza. Quem move este país não são os empresários, não são os "empreendedores". Quem move este país é você, trabalhador, que levanta cedo, deixa sua família e vai à luta por seu pão. Você não trabalha apenas por seu sustento, cada minuto de trabalho que você gasta, você está construindo a riqueza deste país. Os ricos são ricos graças o que você faz.

Precisamos aprender, precisamos colocar em nossa cabeça que há muito mais trabalhadores que empregadores. Nós somos a força deste país. Os empresários precisam de nós, e não o contrário. Nós temos a força que eles precisam. Não sejamos enganados. O Brasil somos nós. Não permita que joguem fora os direitos que você já tem.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A Depressão e a Pressão dos Bancários

Trago hoje um resumo da reportagem da revista FENAE AGORA, Edição 87, de junho de 2016, que fala sobre assédio moral, isolamento social, depressão e suicídio. Muito interessante e necessário nesses tempos de angústia em que vivem os trabalhadores, pressionados por metas e chefes hostis, desvalorizados cada dia mais por seus empregadores, que querem apenas aumentar seus ganhos. 

"Qual o castigo maior para um mortal que ousou burlar a morte, do que ser condenado a passar a eternidade realizando um trabalho inútil, sem sentido e sem esperança? Foi assim que pensaram os deuses gregos ao condenarem Sísifo a empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. A pedra, então, rolaria para baixo e ele teria que começar tudo de novo. Por toda a eternidade.
Alber Camus em seu livro "O Mito de Sísifo", escrito em 1947, compara a mitologia com a vida laboral moderna, operários que trabalham a vida toda, fazendo tarefas para as quais não vêem utilidade. Camus defende que esse destino é mais trágico ainda se o trabalhador não tem consciência disso. Pode levar ao desespero e à desistência da vida. A maneira para combater isso é a revolta, a discussão sobre a desumanização do trabalho.

O pesquisador Marcelo Augusto Finazzi defendeu sua tese de mestrado - intitulada "Patologia da solidão: o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho" - na UNB, na qual afirma que o assédio moral, o incentivo ao individualismo e à competição foram fatores determinantes na decisão dos pesquisados em tentar o suicídio.

A reestruturação econômica dos tempos modernos mudou a relação de trabalho dos bancários com seus colegas e com o próprio trabalho. O enxugamento, a eficiência a qualquer custo, a pressão por produtividade e as metas abusivas, sem falar nos chefes hostis que cobram jornadas de 10, 12 e até 15 horas por dia, criam um clima de 'ninguém é amigo de ninguém'.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, entre 1993 e 2005 um bancário cometeu suicídio a cada 20 dias. O trabalhador passa a acreditar que ele é o problema, não percebendo mais que é o ambiente de trabalho que está oprimindo a ele e seus colegas.

São poucos os bancários que ainda não tomam antidepressivos e não estão sofrendo de síndrome do pânico, problemas psicológicos que acabam encontrando uma válvula de escape como doenças físicas, prejudicando a vida. E quando o desespero chega ao extremo, o trabalhador passa a contemplar o suicídio como uma opção convidativa. Triste realidade do capitalismo, da produção excessiva, dos lucros sem medida. Triste realidade das modernas relações de trabalho."


quinta-feira, 23 de março de 2017

Terceirização

Na noite de ontem, dia 22, os deputados aprovaram o texto base do projeto de lei da Terceirização num total de 231 a favor e 188 contra. A nova lei autoriza o trabalho terceirizado de forma irrestrita, ou seja, uma empresa poderá terceirizar não somente suas atividades-meio, mas também suas atividades-fim.

Essa lei não beneficia trabalhadores, ela cria uma falsa ilusão de geração de empregos, pois uma empresa que paga R$ 2.000,00 para um trabalhador poderá contratar dois pagando R$ 1.000,00 para cada um e terá o dobro do trabalho, infelizmente sabemos que é isso que acontece. Já vi aqui em nossa região pessoas serem demitidas e, após três meses, serem recontratadas pela mesma empresa recebendo um salário menor devido à terceirização.

Uma escola poderá terceirizar não somente a limpeza, mas também os professores e auxiliares. O trabalhador terá que aceitar ganhar menos para garantir que haja salário no fim do mês. É a classe empresária forçando um aumento em seus lucros, e tornando ainda maior a sua fatia do bolo.

É uma pena que os brasileiros só saiam às ruas quando a globo os incita. Quando é realmente preciso que haja uma manifestação, o brasileiro está ocupado bebendo e fazendo festa...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Música no Trabalho

Com toda essa "liberdade" que as empresas modernas têm inserido no ambiente de trabalho, com toda a "conectividade" que está ao alcance de quase toda a população, é comum algumas empresas permitirem que seus colaboradores ouçam música durante o expediente.

Mais e mais pessoas hoje em dia chegam na empresa, sentam-se em sua mesa de trabalho e colocam seus fones de ouvido. "A música relaxa. A música concentra."

A verdade é que um experimento realizado e publicado em 2010 no País de Gales provou que as pessoas têm um resultado pior em testes de memória quando escutam música do que quando trabalham em silêncio.

De acordo com o pesquisador Daniel Levitin, a melhor maneira de ouvir música é ouvir durante dez ou quinze minutos ANTES do seu expediente, e não durante suas atividades o dia inteiro. A música boa relaxa e acalma, despertando o cérebro. Quando a música é ouvida durante a realização de outras atividades que exigem concentração, ela causa uma disputa de atenção, prejudicando o bom desempenho do cérebro. 

A boa notícia é que a música pode ser ouvida quando o ouvinte executa tarefas repetitivas, que não exigem grande nível de concentração. Nesse caso, a boa música evita o tédio e ajuda a manter a atenção. Como tudo na vida, até o que é bom precisa de uma dosagem correta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Falhas na educação

Acabei de ver uma reportagem onde uma diretora de RH reclamava da dificuldade em conseguir selecionar um bom candidato para trabalhar. O motivo? As pessoas que se apresentam interessadas nas vagas disponíveis, apesar de seus diplomas e supostas qualificações, não sabem mais escrever nem se expressar! Parece brincadeira.

A facilidade da internet, das redes sociais e dos corretores ortográficos tem facilitado o desenvolvimento da ignorância. As abreviações usadas no WhatsApp e nas redes sociais impedem as pessoas de pensar. A velha busca por palavras no dicionário acabou. Assim fica tudo mais fácil, só que essa facilidade nos impede de aprender!

Passamos muito tempo nas redes sociais, recebendo enxurradas de informações sem filtro, inúteis ou erradas na maioria das vezes, e não lemos mais, não estudamos mais. O bom e velho contato com o livro, com a escrita, com o dicionário, impediria a proliferação da ignorância.

Eu continuo lendo, continuo recorrendo ao dicionário e pretendo manter minha filha nesse caminho. Reclamamos muito do sistema educacional, mas muita coisa deve começar dentro de casa, e depende de nós mesmos.

ilustração: Ziraldo

quinta-feira, 4 de junho de 2015

ITAÚ - Feto em saco plástico enquanto mãe "fecha o caixa"

Em 2010, uma funcionária do banco Itaú, grávida e que já não se encontrava muito bem devido ao ambiente de pressões e excesso de trabalho a que são submetidos os bancários, passou mal durante o expediente, e acabou tendo um aborto espontâneo ali mesmo, na agência.

O que surpreende é que seus superiores não permitiram sua saída, e a mulher, desesperada, abatida pela situação em que se encontrava e ensanguentada, colocou o feto num saco plástico, e foi obrigada a efetuar o fechamento do caixa geral, saindo três horas depois.

No outro dia, após ir ao médico, teve que retornar ao banco para efetuar a passagem da tesouraria para outro funcionário, e teve apenas quatro dias de afastamento, em vez de trinta.

A denúncia foi feita pelo SINTEC (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Crédito) de Tocantins, e o Ministério Público do Trabalho deste Estado ouviu os demais funcionários, que comprovaram a história, e afirmaram que o ambiente de trabalho é composto por metas inatingíveis, ameaças veladas, assédio moral e desastrosa gestão laboral, causando adoecimento dos funcionários, com casos de estresse, tendinite, LER e outros problemas, sem contar as horas excessivas de trabalho, o que força os funcionários, na maioria das vezes, a ficar sem almoço. O MPT - TO exige o pagamento de 20 milhões de reais pelo banco como indenização.

Nunca torci tanto para que um fato que relato aqui não fosse verdade. Infelizmente, verifiquei várias fontes, e este fato é verdade, uma verdade terrível. E isso não ocorre apenas no Itaú! Em quase todos os bancos a rotina é assim. Falta de funcionários, horas excessivas de trabalho, funcionários sem almoço, e cobranças, muitas cobranças.

O que mais me irrita é que nas paredes de todas essas empresas, e em seus "manuais" e "códigos de ética" estão descritas suas declarações de "respeito aos colaboradores" e "valorização de pessoas". Quando os responsáveis por estas empresas - aqueles que realmente podem contratar ou exigir a contratação de mais funcionários - não têm ética, não têm moral e não valorizam as pessoas que lhes são subordinadas, não adianta falar em ética, não adianta falar em valorização de pessoas. Quando uma cultura de respeito aos funcionários realmente existe, não precisa haver cartazes em paredes ou declarações em manuais. Infelizmente vivemos um novo feudalismo, e somos apenas números numa folha de pagamento. Quando não servimos mais, somos substituídos como uma engrenagem com defeito. É assim que o capitalismo funciona, e a única coisa que essas empresas respeitam é lucro.

sábado, 11 de abril de 2015

Vamos Terceirizar o Brasil

O texto principal do projeto da lei da terceirização (PL4330) foi aprovado na Câmara nesta quarta-feira, por 324 votos contra 137. Depois de concluídas algumas alterações e a votação, o projeto de lei seguirá para o Senado.

A proposta permite que as empresas, inclusive públicas, possam terceirizar QUALQUER serviço, inclusive as atividades-fim. Os "benfeitores" por trás deste projeto são Arthur de Oliveira Maia (SD-BA) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O PT, os juízes e os procuradores trabalhistas são contra este projeto de Lei. Pois ele fará com que o desemprego aumente, as condições de trabalho sejam precarizadas, os salários sejam reduzidos, a qualidade dos serviços caia, e os trabalhadores percam seus benefícios.

Também acabarão os concursos públicos e as promoções por mérito, será o fim dos planos de carreira. Haverá apenas duas classes sociais: empresários e assalariados. 


Exemplo? Imagine que uma empresa possui 4 funcionários trabalhando 6 horas por dia, ganhando 2 mil reais mensais cada um. Com esta lei, poderá demitir todos eles, contratar 3 funcionários ganhando mil reais cada um e trabalhando 8 horas, e terá as mesmas 24 horas de trabalho pela metade do custo.

Empresários estão comemorando, e também realizando os cálculos do que poderá ser economizado com esta lei...

E o povo não viu isto acontecer... Não entendo como algumas pessoas ainda apoiam isso.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Porque todo mundo deveria lavar banheiros

Esse é um excelente texto que o Sérgio, assertivo como sempre, garimpou no excelente site Administradores. Para nos fazer refletir sobre o que é riqueza, o que é pobreza, e, acima de tudo, o que é bom senso.


http://www.muitochique.com/wp-content/uploads/2013/05/limpar-o-chao-600x282.jpg

Por mais modernos que queiramos parecer, nós brasileiros somos um povo conservador. Temos uma alma aristocrática que não exige corpo aristocrático para se incorporar. Da faxineira à socialite, do gari ao magnata, não é difícil encontrar quem sonhe ter (ou tenha) um (ou mais de um) empregado em tempo integral a seu dispor, para servir e cumprir as tarefas desagradáveis. Ter bens somente para ter e dizer que tem é normal. Ficar com o nome sujo no mercado para bancar uma vida que não pode pagar - mas impressiona no Instagram - também.


De tão cristalizada que essa visão está em nossa cultura, é difícil isso não soar como algo normal. Mas eu acredito, sinceramente, que seríamos uma sociedade melhor se executivos lavassem seus próprios banheiros e porteiros não precisassem olhar os moradores do condomínio de luxo de baixo para cima. 

Lendo coisas pela internet, encontrei um texto escrito por um brasileiro que mora na Holanda e publicado em seu blog, em janeiro de 2013, há cerca de um ano. Ele fala sobre isso e achei interessante compartilhar aqui com vocês. 

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus

Por Daniel Duclos
(Texto publicado sob a licença Creative-Commons/Não Comercial/ Atribuição/ Não derivativa 3.0)

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.

Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções - estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?

Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).

Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.

Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não tem qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” - não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.

PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.

UPDATE: Muita gente tem lido este post como uma idealização da Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade. A Holanda não é nenhum paraíso e tem diversos problemas, muitos dos quais eu sinto na pele diariamente. O que pretendo fazer aqui é dizer duas coisas: a origem da violência no Brasil é a desigualdade social e 2, apesar da violência que gera, muita gente gosta dessa desigualdade e fica infeliz quando ela diminui, porque dela se beneficia e não enxerga a ligação desigualdade-violência. Por fim: esse post não é sobre a Holanda. A Holanda estar aqui é casual. Esse post é sobre o Brasil, minha pátria mãe.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Parabéns, proletários!

Proletários, assim são chamados os que dependem de seu salário para sua subsistência, ou seja, a maioria dos seres humanos que vivem no mundo capitalista.
Não vou relatar a origem do dia do trabalho, ou o porque da escolha desta data, mas quero comentar sobre o pensamento original de Marx, e seu verdadeiro ideal, que foram deturpados por pessoas com intenções mesquinhas.

O socialismo de Marx não era a imposição de uma ideia, mas um longo período de transição pelo qual a sociedade deveria passar para alcançar o comunismo. A mente dos trabalhadores precisava mudar. Pensamos da maneira que os poderosos querem. Você já parou pra pensar que a riqueza da companhia, empresa, indústria ou comércio onde você trabalha é produzida por você? Já percebeu que a riqueza do seu chefe, ou dos acionistas da empresa, é fruto do SEU esforço? E é apenas quando percebemos isso que conseguimos ver como somos mal remunerados, e nosso trabalho é comprado por um preço muito aquém do que realmente vale. Todo o lucro adquirido sobre o que você produz é a "mais-valia", o valor que você não vê, o pagamento que você não recebe.

O objetivo de Marx era fazer com que os trabalhadores percebessem isso, e se tornassem a nova força dominante. O poder de produção nas mãos do proletariado, que aprenderia a transformar a sociedade e transformar-se a si mesmo, acabando com a luta de classes. Com o passar do tempo, e com este aprendizado, chegaria o dia em que o próprio Estado Político seria desnecessário, bastando apenas um Estado Administrativo, e a nova sociedade comunista teria uma perfeita distribuição de riqueza, onde uma classe única e unida teria nas mãos os recursos necessários para seu próprio desenvolvimento social.

Infelizmente as ideias de Marx foram distorcidas e mal aplicadas, resultando numa sociedade oprimida e com medo. Eu costumo dizer que as ideias socialistas não deram certo porque foram aplicadas por capitalistas enrustidos, que viram no comunismo um bom negócio.

O capitalismo nos oprime de uma maneira quase imperceptível, nos tornando gado marcado, nos fazendo acreditar que uma casa financiada em trinta anos e um carro financiado em cinco anos são sinônimo de uma vida produtiva.
Levantar cedo, trabalhar o dia todo, cumprir horário, dar graças a Deus pela chegada do fim de semana, e começar a reclamar domingo à noite: esta é a vida "produtiva" do trabalhador brasileiro, que teima em viver de aparência e ostentação, e não entende que é escravo do sistema, um idiota a mais com contas a pagar pelo resto da vida, comprando o que não precisa para pagar com o que não tem, sem perceber que até as suas necessidades básicas, como moradia, se tornam alvo de negócio dos poderosos, arrancando-lhe o mísero salário mês após mês em financiamentos intermináveis. Quando abriremos os olhos? Feliz 1º de Maio.

sábado, 27 de outubro de 2012

Psicopatas

Arrogantes, mentirosos e irresistíveis. Não. Não estou falando de personagens de filmes de romance, mas de psicopatas. Para o psicopata, o remorso é uma fraqueza alheia. 20% da população carcerária são psicopatas. Mas não se apavore, leitor, nem todo psicopata é um serial Killer. A psicopatia não consiste apenas em matar pessoas sem motivos, mas também são psicopatas os famosos canalhas do dia a dia: falsários, amantes canalhas e amigos parasitas. Os malvados talentosos.
 
Psicopatas mentem sem “ficar vermelhos” porque não tem ansiedade nem medo. Analisam as pessoas até descobrirem seus pontos fracos, e utilizam-se desse ponto para tornarem-se parasitas. Sabe aquele amigo seu, que empurra parte do serviço dele pra você, pra que ele possa ficar mais tempo sem fazer nada, e quando você reclama ele te acusa de insensível? É um psicopata. Tem uma lábia invejável, o que torna os homens psicopatas irresistíveis.  Não conseguem seguir normas sociais e acabam cometendo crimes. Enganam até “amigos” para tirar vantagem ou prazer. São estourados, e partem com facilidade para agressões físicas.
 
O psicopata despreza a segurança das outras pessoas e até mesmo a sua própria. É irresponsável com tudo, inclusive empregos e pagamentos. Chegam tarde, saem mais cedo, e se possuem alguma influência ou parentesco com alguém dentro da diretoria, é pior ainda. Exploram ao máximo os colegas. São conversadores e tratam bem aos de fora pra causar boa impressão. Geralmente acusam os colegas de “falta de humildade”, e, quando acuados, dizem que “não precisam desse trabalho”. São pessoas que aparentam normalidade, mas são doentes mentais em busca de sucesso fácil, boa posição e dinheiro. Gostam de mostrar o que têm, e, não se engane, podem até te tratar bem, mas no fundo, te consideram muito inferior a eles. O que eles pensam? “Os outros existem para serem explorados.”
 
Remédio (infalível) indicado por um amigo meu, grande conhecedor da mente humana: Uma bala de fuzil no meio da testa.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Classes sociais e manipulação de massa

Novamente estive pensando sobre o livro 1984, de George Orwell. É difícil falar sobre manipulação de massa sem falar de classes sociais, ou vice-versa. Você já parou para pensar que a classe baixa (eu não gosto dessa definição) é que move o mundo financeiro? É o trabalho deles, o esforço deles, o resultado deles - que obtém este resultado muitas vezes sem entendê-lo muito bem, ou sem compreender o que estão fazendo – que faz com que a economia gire. É triste, mas é a realidade.
 
Assim que a Idade Média acabou, e os senhores feudais se foram, uma nova forma de economia e classificação social entrou em vigor: havia os nobres, os burgueses e a classe operária. O nobre era assim chamado não apenas por seu dinheiro e bens, mas por sua origem, seu nome, sua família, sua influência na sociedade da época. Os burgueses lá estavam apenas por seu dinheiro e seu comércio. E a classe operária fazia o trabalho que era necessário para que tudo funcionasse. Sendo assim, era impossível um burguês se tornar nobre, ou um operário se tornar nobre. Havia um abismo entre a nobreza e o resto do povo. Um burguês poderia perder seu dinheiro e seu negócio e se tornar um pobre operário. Um operário poderia receber um bom dinheiro, ou economizar, ou se associar com outros operários e se tornar burguês. Mas nenhum dos dois chegaria a ser um nobre. NUNCA.
Hoje, nos consideramos libertos desta distinção social. Ou pelo menos alguém nos disse que somos iguais. A nossa Constituição afirma isso. A Igreja afirma isso. Mas somos realmente iguais? Estamos realmente livres da distinção social? Não esqueça que estamos falando de ECONOMIA, DINHEIRO, PODER. Somos iguais como seres humanos, e uns são melhores que outros em conhecimento, inteligência e capacidade. Mas na sociedade, há um abismo entre nós e os poderosos. E o pior, é que os pequenos fazem a roda girar para manter a riqueza dos grandes. Isso é assim em todo lugar.
Exemplo: Um poderoso homem de negócios quer enriquecer ainda mais, e faz uma reunião com os CEOs de suas empresas, pedindo mais lucro, mais desenvolvimento, mais retorno. Cada CEO chega em sua empresa e reúne-se com seus gerentes de setor, traçando um plano de vendas ou produção para aumentar os ganhos da empresa. Cada gerente repassa as cobranças aos supervisores de sua área pedindo retorno. Os supervisores implantam o novo plano, e exigem dos TRABALHADORES o retorno esperado: MAIS PRODUÇÃO, MAIS VENDA, MAIS CLIENTES. E quando a classe operária realiza o que foi exigido, muitas vezes por medo de demissão ou de avaliações comprometedoras, o retorno que é obtido atinge quem? O HOMEM DE NEGÓCIOS, e, no máximo, os CEOs. É assim que funciona. E o país caminha da mesma forma. O “povão” é necessário. E quanto mais ignorantes, melhor.
Um povo ignorante não reclama! Um povo ignorante se contenta com churrascos aos domingos, cerveja e mulheres gostosas na TV! Um povo ignorante acha que a vida está ótima quando pode comprar um carro parcelado em 60 vezes e uma geladeira nova parcelada em 12 vezes! Um povo ignorante canta frases repetitivas que falam de sexo e bebedeira, e PENSA que é feliz! E “a nobreza” quer mantê-los assim. Cantando e trabalhando. Enquanto a classe operária puder ter na carteira meia dúzia de cartões de crédito e um carro novo na garagem, está tudo bem. Evitam-se os livros com a televisão, onde políticos falam que o Brasil é agora uma “potência mundial”, e o povo bate palma.
Somos pobres ignorantes, mas ficamos bravos e magoados quando alguém como o Ziraldo se levanta e afirma que somos pobres ignorantes! Não dá pra entender. Nem precisamos de um Grande Irmão, já estamos manipulados, já somos, como diz Zé Ramalho, “povo marcado, povo feliz”! E isso não vai mudar enquanto a “classe baixa” não estiver disposta a abandonar o lixo que chama de cultura, e estudar, progredir, cobrando para si um retorno real, e não um carro parcelado em 60 vezes. A nobreza, a classe alta, quer nos dar um FALSO STATUS, mantendo-nos presos a coisas que compramos sem precisar. Sabem como pensamos, e sabem que, infelizmente, vivemos de aparência. E pra haver uma igualdade de classes, precisamos deixar a aparência de lado, e cobrar o que é nosso. Não precisamos ser milionários, mas queremos apenas o que é nosso por direito, e que no papel é um texto muito bonito, pena que não é verdade.
 
(Mafalda - Quino)

domingo, 15 de julho de 2012

Grande demais, pequeno demais

O cientista Joel Cohen costuma dizer que um biologo está sempre fazendo a si mesmo seis perguntas:
Como isso é construido?
Como isso funciona?
O que pode dar errado nisso?
Como isso pode ser consertado?
Como isso começou?
Para que isso serve?

Tirando a quinta pergunta, as demais lembram perguntas sempre feitas por programadores.
No entanto, substituindo isso por moléculas, células, tecidos, órgãos, indivíduos, populações, comunidades, ecossistemas e biosfera, você terá uma boa ideia de quão dificil é o trabalho de um biólogo.








Homenagem a todos os biólogos. Estudar a vida é a mais fascinante aventura que pode existir.

Adaptado da revista Cálculo, 15ª edição.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Emma Watson e o verdadeiro profissionalismo, em "Trésor Midnight Rose"



Encontrei este vídeo no canal do youtube do site Scarpotter, o qual eu desde já agradeço e parabenizo pelo trabalho. Em maio de 2011, Emma Watson lançou seu perfume, "Trésor Midnight Rose", da Lancôme. Na cerimônia de lançamento, no momento em que Emma apareceu ao palco para falar, adivinhem? O microfone ficou sem som. Com muito jogo de cintura, Emma riu com o público, elevou a voz e permaneceu falando. Como se não bastasse, enquanto Emma falava - sem microfone - a maravilhosa organização do evento soltou uma música alta no meio do discurso de Emma, o que novamente não a alterou. Finalmente o som voltou ao normal e Emma terminou de falar. Infelizmente o audio está baixo e o vídeo não está legendado, mas dá para perceber a competência e o profissionalismo de Emma. Mesmo estando voltada para um assunto que não me interessa muito - moda - não deixo de acompanhar a carreira de Emma, porque ela é uma das raras figuras de Hollywood  que mantém a humildade e a simpatia, mesmo diante da fama e do tentador mundo das celebridades.

E, para quem ficou curioso para ver o perfume,

R$184, frasco de 30ml. É pra quem pode. Inclusive, tive a impressão de sentir cheiro de perfume ao abrir a página da Lancôme... #mensagemsubliminar

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Desumanização

Às vezes durante o trabalho me pego a pensar a respeito da visão que as empresas (leia-se empresários) têm de nós, colaboradores. Você não é um ser humano que sai de casa, deixando a família, os filhos, o conforto de sua casa para ir trabalhar e ganhar o seu pão de cada dia. Não, você é um número no cadastro de RH da empresa. Você é um registro no ERP. Você é uma engrenagem na grande máquina que é a empresa onde você trabalha. E quando esta engrenagem não servir mais, não desempenhar mais a sua função como deve, será trocada. Ninguém pergunta a uma peça porque ela não está mais funcionando corretamente. Ninguém se preocupa com os problemas que tornaram esta peça defeituosa. Simplesmente é trocada por uma melhor, que faça o trabalho da maneira como deve ser feito. Esse papo todo de valorização do colaborador e humanização do ambiente de trabalho não funciona como deveria. Lembrei-me de uma citação de Erich Fromm, que comentou o livro 1984 de George Orwell, e que mostra claramente como funciona isso, nos alertando:
“Orwell sugere que a nova forma de industrialismo gerencial, na qual o homem constrói máquinas que agem como homens e desenvolve homens que agem como máquinas, conduz a uma era de desumanização e completa alienação, na qual homens são transformados em coisas e se tornam apêndices do processo de produção e consumo. Orwell (...) não é um profeta do desastre. Ele deseja nos alertar e nos acordar. O livro 1984 não é apenas um romance, mas refere-se também a nós.” (Erich Fromm - 1961)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Memórias do século XXI - Capitulo 5 (Marvin)

Capítulo 5

HIERARQUIA

Nos tempos primitivos, as posições hierárquicas eram decididas ou por competência ou por protecionismo. Mas levava uma vantagem quem acumulava mais diplomas. Tudo mudou a partir do momento em que foi implantado o sistema de “Transferência Integral de Informações”, pelo qual qualquer ser humano, quando completa 2 anos de idade, é acoplado a um megacomputador Deep Blue e absorve, em 15 minutos, o conhecimento acumulado pela espécie nos últimos dez milênios. Tem aí uma novíssima teoria dizendo que isso nos transformou numa raça de esponjas, e que o grande diferencial atual é saber pensar por conta própria, em vez de enfiar o dedo no nariz e dar um “retrieve”.Segundo a teoria, há uma minoria de pensantes que consegue se perpetuar nas chefias porque têm “Inteligência Psicoemocional”, ou seja, uma combinação balanceada de “instinto”, “conhecimento” e “autocontrole”. Eu acho que já ouvi isso antes, só que não me lembro bem quando foi.

RELACIONAMENTO

Os funcionários têm abertura para se comunicar fora do trabalho, desde que respeitem o conceito-chave do século XXII: Lógica Absoluta, ou seja, os assuntos devem ficar restritos aos negócios. Sentimentos e emoções, manifestações consideradas contraproducentes, estão proibidas desde 2104. Mas sempre tem quem não sabe aproveitar a liberdade: nosso maior problema social são os subversivos que se reúnem escondidos para praticar o maior delito da atualidade: rir e contar piadas. Não é por acaso que o maior best-seller desta semana é o cibertexto de autoajuda “Você Pode Ser Feliz, Desde Que Ninguém Saiba”.

(continua)

Leia também

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Leis de Murphy avançadas

Murphologia de escritório

Lei do chefe
É mais fácil fazer perguntas do que corrigir erros idiotas.

Lei do recruta zero
Se lhe derem duas ordens contraditórias, obedeça a ambas.

Lei da recompensa
Que menos trabalha ganha a maior gratificação.

Lei da epidemia funcional
O numero de pequenas doenças entre os funcionários é inversamente proporcional à saúde da empresa.

Principio da organização
Se você arquiva um papel, sabe onde ele está mas nunca precisará dele. Se você não arquiva, vai precisar ele.

Corolário
Se você jogou fora um papel que guardou por seis meses e nunca usou, vai precisar dele no dia seguinte.

Lei do subordinado
Assim que você começa a tomar o café o chefe manda você fazer algo que só ficará pronto depois que o café esfriar.

Lei da pontualidade
O prazo inadiável de uma entrega é uma semana depois do prazo original.

Lei da negociação
Nunca negocie nada antes das dez da manha ou depois das quatro da tarde. Antes das dez você parecerá ansioso demais, depois das quatro você parecerá desesperado.

Lei do RH
O candidato ideal aparecerá um dia depois de preenchida a vaga.

Lei o esforço inútil
O elevador chega sempre no momento exato em que você, com os braços dormentes, coloca as caixas no chão.

Lei do jornal nacional
Seja sempre o portador de boas noticias, mesmo que falsas.

Lei do imprestável (no interior de SC, Lei Rúbia)
Faça um favor a alguém e isso vira obrigação.


Murphologia domestica

Lei da geometria caseira
Todo espaço disponível será ocupado por coisas dispensáveis.

Principio do abacaxi
As melhores partes de algo são sempre impossíveis de serem arrancadas das piores.

Lei do chão
Do chão ninguém passa.

Nota à lei do chão
As crianças levam três anos para aprender a lei do chão. Algumas, como a Poliana, levam bem mais. Gatos não aprendem nunca.

Axioma do controle de natalidade
Um filho não basta. Dois, os pais não dão conta.

Dilema da sopa
Todo cachecol atrai a sopa do dia.

Upgrade da manteiga
No Brasil, a manteiga nunca cai para baixo. O brasileiro come pão sem manteiga.

Lei da infalibilidade
Pratos rachados nunca quebram.

Lei dos animais de estimação
Na duvida, lave.

Lei do Danúbio Azul
Ao ligar o radio (?), sua musica favorita sempre está acabando.

Lei do microempresário
Quando a conta tem saldo, os cheques levam duas semanas para compensar. Quando não tem, compensam no fim do dia.

Lei do supermercado
A qualidade dos produtos da marca do supermercado é inversamente proporcional ao tamanho da rede.

Lei da infalibilidade
Se o rotulo diz “tamanho único”, não cabe em ninguém.

Lei da valorização subjetiva
Se você não consegue concertar, coloque na vitrine como antiguidade.

Primeira lei da edição
O livro que você acabou de comprar por 30 reais, dali a dois dias custará 10.

Leis do livro de Murphy
1. As livrarias que tem o primeiro volume não sabem que existe o segundo.
2. Nas que tem o segundo volume, o primeiro está esgotado.


[Do livro “As leis de Murphy, livro 3 (porque o sebo não tinha o 1 nem o 2), Arthur Bloch, traduzido e adaptado por Millôr Fernandes]