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quinta-feira, 11 de maio de 2023

Distorcendo Valores

As coisas que acontecem na sociedade humana, que se considera evoluída e superior, têm me perturbado. É surpreendente observar até onde chegamos com nossas novas manias e tendências. A constante inversão de valores em relação às coisas e às pessoas é algo preocupante e me leva a questionar: até quando isso vai?

Vivemos em uma era em que os avanços tecnológicos e o progresso material têm ocupado um lugar central em nossas vidas. No entanto, nessa busca incessante por conquistas e acumulação de bens materiais, muitas vezes esquecemos do verdadeiro valor que as pessoas ao nosso redor possuem.

É triste constatar que o ser humano parece ter dificuldade em reconhecer a importância das relações interpessoais e o impacto que elas têm em nossas vidas. Estamos mergulhados em uma cultura do individualismo, em que o egoísmo muitas vezes é confundido com uma doença social.

Esquecemos que são as pessoas que nos rodeiam, nossos familiares, que nos oferecem suporte, no entanto, trocamos as relações pessoais por objetos, metas, pets (sim, tudo que é demais prejudica), ou qualquer outra coisa, negligenciando as relações familiares!

É necessário um despertar do cultivo de relações saudáveis. Devemos lembrar que somos seres sociais e que nosso bem-estar está diretamente ligado à qualidade dos laços que estabelecemos com as pessoas ao nosso redor.

Precisamos repensar nossas prioridades e colocar em prática uma cultura baseada na empatia, solidariedade e respeito mútuo. Somente assim poderemos construir uma sociedade mais humana, na qual as pessoas sejam valorizadas pelo que são.

É fundamental reconhecer que nada deve sobrepor-se à importância das relações humanas.

Portanto, cabe a cada um de nós refletir sobre nossas ações e escolhas, buscando priorizar o que realmente importa: as pessoas que nos rodeiam. É através do reconhecimento do valor humano e do fortalecimento dos vínculos interpessoais que poderemos construir uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeiramente evoluída.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Heróis Temporários

O pai é o herói do filho, não há filho pequeno que não se orgulhe de seu pai, que não o veja como um grande homem, corajoso, inteligente, rápido, engraçado - deixando de lado as exceções, claro.

Qual é o pai que nunca ouviu seu filho dizer "meu pai é o melhor pai do mundo". Qual pai que nunca foi recebido por seu filho ou filha quando chega do trabalho, e mesmo depois de um dia cansativo, o stress e o cansaço parecem desaparecer milagrosamente diante daqueles olhinhos e daquele sorriso sincero.

Muitas vezes eu ignorei o cansaço do dia e os problemas pra brincar com minha filha, ou pra ver um filme com ela, ou pra jogar aquele jogo que era tão importante pra ela naquele momento. E foi compensador.

Mas esta fase tão boa e importante vai se findando, e infelizmente se acaba. Quando a criança chega em seus oito ou nove anos, seus pensamentos e interesses começam a mudar, seus horizontes se ampliam, e aqueles que antes eram seus heróis vão perdendo a importância.

Dói um pouco. Em mim ao menos doeu. O fim da infância e a pré adolescência mudam rapidamente a maneira como nossos filhos vêem o mundo ao seu redor. O pai já não parece tão inteligente, nem sempre está com a razão, suas histórias já não são tão engraçadas e nem tão interessantes.

Dizem os mais velhos que esse desinteresse aumenta mais ainda com a juventude, quando os filhos se julgam mais inteligentes que seus pais e acreditam estar com a razão. Os pais ficam "ultrapassados".

Se você hoje vê seu filho ou filha te olhar com olhos de admiração, se quando você chega em casa ele te implora para brincar, se ela pede pra você levá-la naquele parquinho público onde vocês já foram centenas de vezes, FAÇA ISSO! Aproveite! Essa fase vai acabar, e vai chegar o momento em que você terá vontade de sair com seu filho, e ele não vai querer, pois vai sair com os amigos, ou vai preferir ficar em casa vendo uma série qualquer. 

Você, pai, é um herói temporário, com prazo de validade. Aproveite seus "superpoderes" antes que eles acabem.

domingo, 12 de maio de 2013

Feliz dia das Mães.

Parabéns a todas as mães que exercem o seu papel na educação e no amor oferecido incondicionalmente aos filhos. Que Deus abençoe e ilumine o caminho de cada mãe, dando saúde, amor e paciência. Vivemos dias tão conturbados, onde algumas mulheres são mães apenas por consequência ou obrigação. 
 
O amor de uma mãe faz uma falta enorme.
Você, que ainda tem sua mãe ao seu lado, valorize, ame e respeite esta mulher, que se apresenta tão frágil aos teus olhos, que talvez já esteja velhinha e cansada, mas é a coluna da tua vida, não espere para perceber isso apenas depois que a coluna quebrar, e toda a tua estrutura for abalada.
Mães, este é o seu dia, parabéns!
 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Desabafo

Ter família é comprometer-se. Ter família é não ser livre. Mas ao mesmo tempo é maravilhoso, porque é poder saber que não se está sozinho, que alguém vai segurar sua mão. Nada se espera da família, quando se ama de verdade, porque amar é não esperar nada em troca, nem de ruim nem de bom. É fazer pelo gosto de ver bem. É fazer porque aquilo é tudo que você tem, e ama até o fim. Às vezes a família não é de sangue. Já disse alguém que família de verdade são os amigos que escolhi. Às vezes a família de sangue nem te ama tanto, e você nem a ama também. Não importa qual é a sua família. Família é amor, é Deus, é tudo. Família dá sem pedir, sem se importar com o amanhã, ou melhor, se importando até o fim. Pois tudo que você quer para quem você ama é felicidade. Ontem, hoje e amanhã. Sempre.

E quando você não consegue? Aquela dor no peito, aquele sentimento de impotência, de inutilidade, aquele vazio... Existe um gene, COMT, que predetermina a ansiedade. Um quarto da população mundial tem uma mutação nesse gene. Assim, é muito mais ansiosa que o limite saudável. Bem, não adianta culpar apenas a genética. Você trabalha a vida toda para ser uma pessoa o mais sensata possível, e...
Perdoe-me, vó, se eu não consegui. Mas eu juro que eu tentei. Talvez eu não tenha mais solução, talvez a solução apareça com o tempo, os cabelos brancos... perdoe-me se eu não estive ao seu lado. Mas eu aqui estou, com o coração partido. Não quero a pena das pessoas. Até preferia a repulsa. Ser odiado é mais fácil que ser amado. Porque quem é odiado não deve nada a ninguém. Mas quem é amado deve tudo... fraldas trocadas, sopas, passeios, colo, almoços em família... dói. Amar é comprometer-se. E o pior é saber que tudo foi feito em troca de... nada. Simplesmente porque quem ama... ama. E eu amei. Amo e amarei até o fim e depois dele também. Quando as pessoas lerem esse texto, algo já terá acontecido. A senhora nunca o lerá. Mas não é pra ler mesmo. Amar é não querer nada em troca.
E você, meu amor, me perdoe se eu não sou o que uma pessoa deve ser. Perdoe-me se eu amo, ou se eu odeio. Todos acham que eu falo demais... e que ando bebendo demais... e que essa vida agitada não me leva a nada... mas você foi o único que não achou nada. Você simplesmente me amou. E cada dia da minha vida eu tentarei, sempre, ser alguém melhor, sem esperar que algo aconteça. Amar é não querer nada em troca. Nem mesmo você. Amar é não querer nada para mim. É querer para você.
Pensar é enlouquecer. Agir é sujar as mãos. Viver é desesperador. Mas ao mesmo tempo é uma dádiva. Mesmo quando você cai da nave no planeta errado. É por algum motivo certo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Cotidiano Pré Histórico (Carl Sagan)

Mais um texto de Carl Sagan. Interessante como ele descreve o cotidiano de uma família, um grupo pré histórico, como se ele fizesse parte desse grupo. Nos faz parar e pensar nos primórdios da humanidade. Ao analisarmos a organização do ser humano, chegamos à conclusão que não evoluímos tanto assim...


"Andamos por aí. Com nossos filhos e nossos pertences nas costas, seguimos em frente – perseguindo a caça, procurando os buracos de água. Armamos um acampamento por algum tempo, depois partimos de novo. Para providenciar os alimentos para o grupo, os homens em geral caçam, as mulheres em geral colhem. Carne e batatas. Um típico bando itinerante, geralmente uma família extensa de parentes de sangue e de afinidade que chega a algumas dúzias. Anualmente, muitos de nós, com a mesma língua e cultura, se reúnem – para cerimônias religiosas, para comerciar, arranjar casamentos, contar histórias.
Estou me atendo aos caçadores, que são homens. Mas as mulheres têm poder social, cultural e econômico. Elas colhem os produtos essenciais – as castanhas, as frutas, os tubérculos, as raízes, bem como as ervas medicinais, caça pequenos animais e fornecem informações estratégicas sobre os movimentos dos animais grandes. Os homens também colhem alguma coisa e fazem grande parte do “trabalho doméstico” (mesmo que não existam casas). Mas a caça – só para obter alimento, nunca por esporte – é a ocupação constante de todo macho capaz.
Os meninos pré-adolescentes caçam pássaros e pequenos mamíferos com arcos e flechas. Já adultos, são peritos em conseguir armas; em aproximar-se furtivamente da presa, matá-la e abatê-la; e em carregar os pedaços de carne de volta para o acampamento. O primeiro abate bem sucedido de um grande mamífero indica que o jovem se tornou adulto. Em sua iniciação, incisões rituais são feitas em seu peito ou braços, e uma erva é esfregada nos cortes para que, quando cicatrizados, apareça uma tatuagem desenhada. É como as fitas de campanha – só de olhar para o seu peito, já se sabe alguma coisa de sua experiência de combate.
Dentre uma confusão de marcas de cascos, podemos dizer com precisão quantos animais passaram; a espécie, os sexos e as idades; se algum estava manco; há quanto tempo passaram; a que distância estão agora. Alguns animais jovens podem ser capturados por luta em campo aberto; outros, com arremessos de estilingue ou bumerangues ou apenas por um lançamento de pedras preciso e forte. É possível abordar animais que ainda não aprenderam a temer o homem e matá-los a pauladas. Em distâncias maiores, contra presas mais cautelosas, atiramos lanças ou flechas envenenadas. Às vezes temos sorte e,com um ataque habilidoso, conseguimos forçar um bando de animais a cair numa emboscada ou a se precipitar de um penhasco.
O trabalho de equipe entre os caçadores é essencial. Para não assustar a caça, devemos nos comunicar por uma linguagem de sinais. Pela mesma razão, precisamos manter nossas emoções sob controle; tanto o medo como o júbilo são perigosos. Somos ambivalentes a respeito da presa. Respeitamos os animais, reconhecemos nosso parentesco em comum, nos identificamos com eles. Mas se refletimos muito sobre sua inteligência ou sua dedicação aos filhotes, se sentimos pena deles, se reconhecemos profundamente que são nossos parentes, nossa dedicação à caçada esmorece. Levamos para casa menos alimentos, e nosso bando pode se ver mais uma vez em perigo. Somos obrigados a criar uma distância emocional entre nós e eles."

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quem é o Pai?

Conheço um pai que age como uma mãe. Fica fora de casa 14 horas por dia, no trabalho, e em casa arruma tempo para alimentar, brincar, fazer dormir sua filha. Dá banho nela, leva-a para passear, ensina-a a ter bons modos. Talvez a mãe dela infelizmente não seja digna de ter esse titulo.

Ler o texto do Marvin para o dia dos pais me deixou triste, e me fez parar para pensar. Quem é o pai? E quem é a mãe? Como disse Luis Carlos Prates, ter filhos é algo biológico. Qualquer animal os tem, e é orgânico cuidar deles. O que nos diferencia dos animais? A inteligência ou o sentimento? É muito fácil fazer filhos, e necessário pari-los. É orgânico cuidar deles e trabalhar para lhes dar de comer. E aí, ser pai e mãe é isso? O Marvin já perdeu a mãe e o pai, e, naturalmente sente falta deles. Talvez o pai dele tenha sido um bom pai, no sentido extremo. Não apenas alimentado seus filhos, mas estado ao lado deles como pai, como mentor, amigo. Isso é ser pai. E existem pessoas que não tem pai. Tem apenas um homem carrancudo e grosseiro que lhe cede o teto, lhe dá comida e paga suas contas. Isso é importante, e precisa ser valorizado. Mas não é tudo. Ter um cara que troca as fraldas, dá banho, brinca junto, dá comida, passeia, leva na biblioteca, ensina a ler e escrever, leva na escola, vai na reunião de pais e professores, chega em casa e conversa, consola a menina que virou moça, escuta ela falar do namorado, isso é ter um pai. Não estou exagerando. Isso É ser Pai. Então, quantos têm um pai? Um em cinco mil, talvez menos. E mãe? Quem é a mãe daquela menina do primeiro parágrafo? A mulher que lhe pariu? Ela sempre será sua mãe, mas será que está cumprindo seu papel com dignidade? Será que merece esse título? Será que esse Pai merece perder sua filha para uma mulher que é apenas uma mãe orgânica? O mundo precisa rever seus conceitos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Painaca

Meu pai está reformando sua casa. Para economizar (já que está devendo mais de 1ooo reais só para mim), ele próprio está fazendo as pinturas internas. Nesta semana, de folga, foi pintar o forro com verniz. Com o frio, o verniz solidificou, e ele... bem... aqueceu o verniz com um... pau de lenha pegando fogo.
Infelizmente, somente a lata pegou fogo.