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sábado, 9 de novembro de 2019

30 Anos da Queda do Muro de Berlim

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha - bem como o mundo todo - foi dividida em zonas de influência soviéticas e americanas. Comunismo e Capitalismo. Havia a República Democrática Alemã, pertencente aos russos, e a República Federal da Alemanha, pertencente ao bloco Ocidental. O problema é que Berlim ficava na parte oriental da Alemanha, que coube aos soviéticos...

Para resolver a questão, e evitar o contato entre capitalismo e socialismo, os líderes Walter Ulbricht e Nikita Kruschev construíram um muro dividindo Berlim. A construção começou em 1961, e ficou pronto em dois anos.

Uma curiosidade: o presidente russo, Vladimir Putin, na época era um oficial da KGB e trabalhava na Alemanha Oriental.

Com a mudança do modelo econômico na URSS a partir de 1980, e a falha das medidas econômicas conhecidas como Glasnost e Perestroika, o modelo comunista começou a desmoronar, e a queda foi inevitável.

Junto com a velha URSS, caiu também o muro. Na verdade, foi derrubado: em 09 de novembro de 1989, cidadãos de ambos os lados de Berlim, munidos de martelos e outras ferramentas, puseram abaixo várias partes do muro. No ano seguinte, ocorreu a reunificação da Alemanha, e a divisão acabou.

(algumas partes do muro ainda são mantidas em pé, como memorial histórico)

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Revolução dos Bichos - George Orwell

Terminei de ler este livro, que foi publicado em 1945 no Reino Unido. Uma crítica ao totalitarismo da União Soviética de Stalin, e atualmente, ainda é válida como um alerta a qualquer tipo de governo autoritário e hipócrita, seja ele de direita ou esquerda.

A fábula mostra perfeitamente como os ideais de uma sociedade justa - por mais bem intencionados que sejam - podem tornar-se uma ameaça quando impostas por um líder autoritário. 

A ignorância e a exploração dos trabalhadores - que desconhecem o seu poder e importância como geradores de riqueza - são o combustível para a manutenção da elite. Um líder autoritário, como o porco Napoleão da fábula, pode distorcer os ideais, manipular a história, e fazer alianças justamente com quem tratava antes como inimigo. Não há preocupação com os menos favorecidos, há somente interesse próprio.

O socialismo falhou, e a ditadura de Stalin matou milhões de pessoas, matou mais que o nazismo. O capitalismo também falhou, e somente permanece porque é o modelo econômico que favorece a elite. Se houvesse justa divisão de renda, o capitalismo seria viável, pois o único problema deste modelo econômico é que após a geração de lucro pelo trabalhador, este fica com a menor fatia, não há justa divisão. E se considerarmos todas as pessoas mortas em guerras por petróleo e território, e todas as pessoas que morrem de fome devido à exploração, o capitalismo matou muito mais que Stalin.

Em tempos de falsos leões (que na verdade também são porcos), o livro de George Orwell é uma obra que indico a todos. Juntamente com "1984", do mesmo autor, "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess formam uma biblioteca indispensável de alerta sobre os perigos da desinformação, da manipulação de ideias e fatos, da perda de liberdade em prol de segurança, da falta de consciência de classe e da falsa esperança de que líderes autoritários são a solução para países em desenvolvimento.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A Grande Ficha

Acompanhem o desenrolar da política e economia brasileira no blog A Grande Ficha. Afinal de contas, um dia ela vai cair...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Trump e suas "revisões"

Novamente o presidente americano resolveu "revisar" acordos comerciais. O alvo agora é Cuba, e como Trump não sabe fazer nada de bom, resolveu estragar o que Obama fez. Em um pronunciamento em Miami, afirmou que a Casa Branca vai reverter parte da abertura nas relações com Cuba, cancelando alguns acordos e retomando algumas restrições contra a ilha de Castro.

Durante o discurso, o presidente chegou a afirmar que os americanos não se calarão diante da opressão comunista... Em que ano esse maluco acha que está? Alguém da Casa Branca, por favor, dê um calendário pra ele! A Guerra fria acabou!

Tanta coisa pra consertar internamente, e Trump prefere estragar o que Obama fez, e alfinetar países que ele considera como ameaças. Ele poderia muito bem utilizar seu tempo para reformar política e economicamente seu país, ou até mesmo pagar suas dívidas pessoais, que - de acordo com um relatório de 98 páginas divulgado pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA - chegam a 315 milhões de dólares para credores alemães, americanos e de outras nacionalidades...

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Keynesianismo

Todos sabemos - creio eu - que há duas principais teorias econômicas que influenciam e moldam o mundo em que vivemos: O Socialismo e o Capitalismo.

O Socialismo, que deveria ser um caminho para o Comunismo, foi teorizado mais profundamente por Karl Marx. É o fim da propriedade privada. É a valorização total do trabalhador. Infelizmente, por culpa do ser humano, o Socialismo não funcionou conforme foi teorizado, pois o homem em sua astúcia sempre quer tirar proveito de tudo, sempre corrompe o sistema, por melhor que o sistema seja.

Já o Capitalismo é a desvalorização do trabalhador. O endeusamento do capital, a sujeição do ser humano à categoria de engrenagem de uma máquina alimentada por suor, que gera lucro para o empregador. E o mais interessante sobre o Capitalismo é que este sistema também não funciona, mas pela influência da mídia paga pelos empresários, e pela manipulação das massas por aqueles que detém o poder econômico, o povo ignorante pensa que o sistema funciona, e se submete à desvalorização de seu próprio esforço de trabalho em troca de um fim de semana de descanso, futebol na TV, algumas cervejas e um churrasco...

Mas lá no começo do século XX um inteligente economista inglês chamado John Maynard Keynes propôs uma nova organização político-econômica que colocava o Estado como agente indispensável na Economia. Keynes afirmava que a Economia não se regula sozinha, conforme o pensamento dos Capitalistas, mas que o Estado deve intervir para proporcionar condições iguais a todos os envolvidos no sistema. Foi o Keynesianismo que salvou os Estados Unidos da crise de 1929, através do New Deal, Roosevelt trouxe o Estado de volta ao crescimento da economia e isso foi condição indispensável para a recuperação do país.

O modelo de Keynes não é a Estatização da Economia - como fizeram algumas potências comunistas -  mas o Estado assume um papel de regulamentação, intervindo na Economia sempre que a ambição desmedida do empregador se esquece das necessidades do trabalhador. Nos países da Europa Setentrional, as ideias de Keynes foram bem aceitas, e geraram o que se chama hoje de Estado do Bem-Estar Social.

No modelo de Keynes, o Estado deve:

- Intervir na Economia, atuando em áreas onde a iniciativa privada não quer ou não tem capacidade para atuar;

- Criar ações politicas voltadas para o protecionismo econômico;

- Parar o Liberalismo Econômico;

- Criar medidas que levem ao pleno emprego, equilibrando a capacidade de demanda e produção, indiferente à ganância dos empregadores;

- Estimular a Economia em momentos de crise;

- Criar políticas fiscais evitando o descontrole da inflação.

Essa interessante teoria - que já se provou excelente na recuperação de países após grandes crises e até mesmo após a Segunda Guerra Mundial - vem sendo barrada pelo Liberalismo Econômico, pelo Capitalismo, pela ganância de empregadores que se dizem "preocupados" com os trabalhadores, mas na verdade só se preocupam com seu bolso. Se você quer conhecer mais sobre o modelo Keynesiano, procure o livro A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado pela primeira vez em 1936 por John Maynard Keynes.

domingo, 27 de novembro de 2016

Morre Fidel Castro, líder cubano

Antes que comecem a me criticar - pois já fui chamado de petista, comunista, socialista e etc - quero lembrar que não sou da turma do "morreu, virou santo". Fidel era um ditador comunista e como todo ditador que se preze, matou muita gente, torturou muita gente, censurou a imprensa e mentiu muito (o que políticos de direita também fazem muito bem).

Ele nasceu em 13 de agosto de 1926 em Birán e morreu em Havana na noite de 25 de novembro deste ano. Admirava Marx e Lênin e acabou com a ditadura do Batista, que fugiu em 1º de janeiro de 1959. Interessante lembrar que Fulgêncio Batista era apoiado pelo governo americano, e por isso estava "tudo certo". Fidel tomou o poder, nacionalizou as indústrias, eliminou as dissidências e instalou um governo socialista autoritário unipartidário. Criou novas leis, dentre elas a lei da reforma agrária, melhorou a saúde e a educação, enfim, fez coisas que capitalistas não gostam.

Cubanos nos EUA comemoraram a morte de Fidel. Não sabem eles como Trump os ama. Brasileiros de esquerda elogiam Fidel. Brasileiros de direita comemoram sua morte. Vejo a morte de um líder, um líder cruel, um ditador comunista, mas um líder. Já fui criticado no twitter por chamá-lo de líder, mas estou avaliando-o não como exemplo de ser humano, mas como LÍDER.

Li em alguns sites listas de crimes de Fidel, e - por mais absurdo que isto seja - incluíram em seus crimes o fato de " tornar Cuba uma colônia da Rússia" e "quase causar uma guerra mundial nuclear". O mais triste é que o autor da matéria é um historiador. Gostar da Rússia agora é crime? Vejo o governo russo como um mal necessário, alguém que freia os EUA em sua ambição desmedida. O governo americano mete o bedelho em todos os países do mundo. Agentes dos EUA influenciam, torturam, matam, mentem, espalham boatos, criam protestos, derrubam governos e mandam nos países pobres, e ninguém chama isso de autoritarismo. Até a campanha para desacreditar Getúlio Vargas, o que culminou em sua morte, foi influenciada pela CIA. Os EUA quase causaram guerras mundiais nucleares em vários lugares do mundo (sem falar de Hiroshima e Nagasaki). Há postos militares americanos em todos os cantos do planeta, mas isso ninguém percebe. Se a Rússia não existisse, imagina quão maior seria a influência dos EUA em seu imperialismo econômico, cultural e político.

Fidel nos tempos da guerrilha

O mundo não estava preocupado com quem Fidel torturou ou matou. O mundo estava preocupado com o fato de Fidel ser um amigo da Rússia e estar ali na porta dos fundos dos EUA. Ouvi líderes de países dizendo que o socialismo não funcionou em Cuba. E o capitalismo funciona no mundo? Para a minoria rica e proprietária dos grandes conglomerados funciona. Para a classe média iludida com carros do ano funciona. Para os jovens que chamam de "objetivo de vida" uma existência baseada em aparência e status, funciona. Eu gostaria de saber quem se importa com a mão de obra praticamente escrava que produz a tecnologia do mundo, quem se importa com os braços cansados que produzem nossos alimentos numa terra que não é sua. Quem se importa? Alguém se importa com as crianças feitas soldados nas guerras civis da África? Com o refugiados árabes? Com as minorias étnicas? Alguém se importa? É ignorância pensar que o capitalismo funciona. Aceitamos e vivemos num mundo capitalista porque não temos escolha, não mandamos no mundo, não mandamos sequer em nossas vidas e nunca mandaremos. O socialismo não funcionou. O comunismo não funcionou. Talvez, se fosse feito exatamente o que Marx pensou, teríamos um mundo diferente, mas ninguém compreendeu. E não são os sistemas econômicos o problema, mas os seres humanos gananciosos que comandam os países.

Fidel morreu, e com ele morreu uma era de lutas contra o imperialismo americano. Um líder, um criminoso, um lutador, um ditador assassino. Sem ele, Cuba seria hoje um outro Haiti, uma colônia americana produtora de açúcar, destruída pelo tráfico de drogas. Alguém se importa com o Haiti? Há muitos ditadores por aí, eles apenas não usam esse título. Há muitos assassinos que usam a mão de agentes secretos para cometerem seus crimes. Há muitos criminosos comandando países poderosos, eles usam terno e gravata em lugar de uniformes militares.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Elvira Savino e suas ideias

Criticamos nossos políticos, e não estou aqui para defendê-los. Estou aqui apenas para dizer que ideias loucas não aparecem só no Brasil. O ser humano pode "pirar" em qualquer lugar do mundo, principalmente quando é político.

Na Itália, há uma lei proibindo os pais de criarem seus filhos em uma dieta vegetariana. Isso mesmo. Se você quiser criar seu filho de maneira saudável, pode pegar até seis meses de cadeia! 

Essa lei é de autoria de Elvira Savino, deputada do partido Forza Italia, mesmo partido de Silvio Berlusconi. Agora pensa comigo: você acha que não há influências financeiras da indústria alimentícia instigando a deputada a propôr uma lei maluca como essa? Por que não proibir por lei as crianças de se alimentarem de fast food? Isso sim seria uma boa ideia.
Elvira Savino - The Telegraph

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Capital

Como bom capitalista rebelde e revoltado, li "O Capital", do mestre Karl Marx. É fato que o socialismo não funcionou. É fato que o capitalismo desenvolveu as indústrias e deu riqueza aos (alguns) homens. Mas é fato também que a pobreza e a miséria, a falta de oportunidade, a sujeição do trabalhador à máquina chamada indústria, tudo isso é fruto do capitalismo. 

Você já ouviu falar em mais-valia? Mais-valia é o real valor do seu trabalho, que você, provavelmente, nunca saberá. É esta mais-valia que enriquece o dono da indústria onde VOCÊ produz, o dono da loja onde VOCÊ vende, o dono do banco onde VOCÊ atende. Percebeu que é sempre VOCÊ? E por que não é VOCÊ quem fica rico? Pergunte a Marx, leia sua obra, e chore como eu...

"A ignorância é a mãe da indústria, como o é da superstição. O raciocínio e a imaginação estão sujeitos a errar, mas o hábito de mover o pé ou a mão não depende nem de um nem da outra. Por isso, as fábricas prosperam mais onde se requer menos inteligência, de modo que, não tendo necessidade de forças intelectuais, a fábrica pode ser considerada como uma máquina cujas peças são os seres humanos." (Ferguson)

" A divisão do trabalho, em sua forma capitalista, não é mais do que um método particular de produzir a mais-valia relativa, ou de fazer aumentar, às custas do operário, os lucros do capital - é o que chamam de riqueza nacional. Às custas do trabalhador desenvolve-se a força coletiva do trabalho em prol do capitalista. Criam-se novas condições para assegurar a dominação do capital sobre o trabalho. Essa forma de divisão do trabalho é uma fase necessária na formação econômica da sociedade, e um meio civilizado e refinado de exploração." (Marx)



Triste, não? Já comentei aqui que ainda vivemos numa espécie de feudalismo, só que mais "sofisticado". Muitos trabalham para manter a riqueza de poucos. E esses muitos são conquistados com migalhas, com uma casa alugada ou popular, um carro financiado em 60 meses, um celular de última geração, uma roupa "da moda", um churrasco aos domingos e algumas cervejas. Se cada pobre trabalhador descobrisse quanto vale realmente seu trabalho, mudaríamos o país, mas o ser humano é gado marcado, e a ignorância é uma bênção.

domingo, 27 de março de 2016

Sabedoria de Adam Smith para os dias atuais

O texto a seguir foi baseado na conclusão do compêndio "A Riqueza das Nações", de Adam Smith, traduzido e elaborado por Bento da Silva Lisboa, e, em tempos de crise política e econômica, nunca foi tão atual:

"Há três grandes ordens que constituem a sociedade:
- Os proprietários de terra que vivem de suas rendas (comerciantes e pequenos empresários de hoje);
- Os trabalhadores que vivem de seus salários;
- Os capitalistas que vivem do proveito de seus capitais (grandes empresários, multinacionais e investidores).

O interesse da primeira ordem é ligado com o interesse geral da nação, ligando-as. Quando se faz deliberação pública relativa a alguma regulação de comércio e política, os proprietários de terra que tiverem influência na legislação não se devem iludir, tendo em vista promover o interesse de sua ordem. Muitas vezes são destituídos de conhecimentos competentes por ser a única das três ordens cujo rendimento não lhes custa trabalho. A indolência, que é o natural efeito da fartura, também os faz muitas vezes não só ignorantes, mas até incapazes da aplicação de espírito que é necessária para prever e entender as consequências dos regulamentos públicos.

O interesse da segunda ordem também é ligado com o interesse da nação, pois o salário do trabalhador aumenta se há aumento na demanda de mão de obra. Quando a riqueza da nação é estacionária, o salário se reduz ao que apenas chega para poderem sustentar a família e FAZEREM CONTINUAR A RAÇA DE CADA SORTE DE OBREIROS NECESSÁRIA À NAÇÃO. Quando a riqueza declina, tais salários caem abaixo desta cota. É a ordem que mais padece com a declinação da riqueza nacional. Mesmo sendo seu interesse ligado com o interesse da nação, são incapazes de compreender tal interesse, pois sua condição não lhes deixa tempo para adquirir a instrução necessária, e sua educação é tão básica que os impede de julgar até mesmo o que conhecem do dia-a-dia. OS QUESTIONAMENTOS DA SEGUNDA ORDEM NUNCA SÃO OUVIDOS, EXCETO EM ALGUMAS OCASIÕES QUANDO O SEU CLAMOR É ANIMADO, INFLUÍDO E SUSTENTADO PELAS PESSOAS QUE OS EMPREGAM E NÃO PELO REAL INTERESSE DOS MESMOS TRABALHADORES.

A terceira ordem, que emprega o capital em proveito próprio, põe em movimento toda a nação. Os SEUS planos e projetos dirigem TODAS AS MAIS IMPORTANTES OPERAÇÕES DE TRABALHO e o fim que eles têm em vista é apenas SEU PRÓPRIO PROVEITO. Esse proveito é naturalmente baixo em países ricos, e muito alto em países pobres. E É SEMPRE MAIS ALTA NOS PAÍSES QUE CAEM RAPIDAMENTE NA RUÍNA. O INTERESSE DA TERCEIRA ORDEM, PORTANTO, NÃO É LIGADO DE MANEIRA NENHUMA COM O INTERESSE DA NAÇÃO, APENAS USANDO-A EM BENEFÍCIO PRÓPRIO. A terceira ordem tem mais inteligência e agudeza que as outras duas ordens e seu juízo diz respeito apenas ao que é conveniente a eles mesmos. Por isso, propostas de lei que vêm desta ordem devem ser atendidas com grande precaução, pois a terceira ordem tem apenas a intenção de ENGANAR E OPRIMIR AS DEMAIS, EM SEU PRÓPRIO PROVEITO."

Adam Smith

Coincidência com os dias atuais? Não acredito em coincidências.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A Riqueza das Nações - Adam Smith

Essa obra famosa, escrita por Adam Smith, é uma das raízes do capitalismo, definindo sua estrutura e desenvolvimento. O filósofo e economista europeu nasceu na Escócia em 1723. Aos 16 anos cursou Filosofia Moral na Universidade Glasgow e no ano seguinte entrou na Universidade Oxford. Em 1751 já era professor em Glasgow.

"A Riqueza das Nações" veio em 1776. É impressionante como Adam Smith já naquela época tinha uma visão ampla da divisão do trabalho, do custo real dos produtos e do desenvolvimento que poderia ser causado pela iniciativa privada, princípios que são ensinados hoje em qualquer curso de administração. Em pleno século XVIII, onde o mercantilismo dominava a Europa e o sistema feudal ainda existia em algumas áreas rurais, essa visão só poderia ser de alguém que estava realmente muito a frente do pensamento da época. 


De acordo com o professor Adam Smith, o desenvolvimento econômico de uma nação e o bem estar de sua população só poderia vir da divisão do trabalho, e essa mesma divisão do trabalho é a causa da redução dos custos da produção, tornando possível a venda dos produtos por preços menores. O liberalismo econômico seria a solução para o crescimento do país, com a iniciativa privada, a livre concorrência e o acúmulo de capital. 

Infelizmente, o que vemos hoje é o acúmulo de capital nas mãos de poucas pessoas. As empresas grandes, que não sofrem mais interferência do estado, acabam subjugando a sociedade, excluindo as classes mais pobres, mantendo a divisão de classes sociais, perpetuando assim a pobreza nas classes inferiores. O capitalismo, assim como o socialismo, não funciona. E o problema não está na teoria, mas sim no ser humano que a aplica. Vivemos um novo sistema feudal.

Não foi o professor que não explicou bem, e sim os alunos que não compreenderam ou intencionalmente distorceram o ensino: Após a morte do filósofo, descobriu-se que ele destinava a maior parte de seus rendimentos a instituições secretas de caridade, e uma frase dita por ele mostra que a riqueza de uma nação deveria beneficiar a todos:

"A riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo, e não pela riqueza dos príncipes."

quinta-feira, 4 de junho de 2015

ITAÚ - Feto em saco plástico enquanto mãe "fecha o caixa"

Em 2010, uma funcionária do banco Itaú, grávida e que já não se encontrava muito bem devido ao ambiente de pressões e excesso de trabalho a que são submetidos os bancários, passou mal durante o expediente, e acabou tendo um aborto espontâneo ali mesmo, na agência.

O que surpreende é que seus superiores não permitiram sua saída, e a mulher, desesperada, abatida pela situação em que se encontrava e ensanguentada, colocou o feto num saco plástico, e foi obrigada a efetuar o fechamento do caixa geral, saindo três horas depois.

No outro dia, após ir ao médico, teve que retornar ao banco para efetuar a passagem da tesouraria para outro funcionário, e teve apenas quatro dias de afastamento, em vez de trinta.

A denúncia foi feita pelo SINTEC (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Crédito) de Tocantins, e o Ministério Público do Trabalho deste Estado ouviu os demais funcionários, que comprovaram a história, e afirmaram que o ambiente de trabalho é composto por metas inatingíveis, ameaças veladas, assédio moral e desastrosa gestão laboral, causando adoecimento dos funcionários, com casos de estresse, tendinite, LER e outros problemas, sem contar as horas excessivas de trabalho, o que força os funcionários, na maioria das vezes, a ficar sem almoço. O MPT - TO exige o pagamento de 20 milhões de reais pelo banco como indenização.

Nunca torci tanto para que um fato que relato aqui não fosse verdade. Infelizmente, verifiquei várias fontes, e este fato é verdade, uma verdade terrível. E isso não ocorre apenas no Itaú! Em quase todos os bancos a rotina é assim. Falta de funcionários, horas excessivas de trabalho, funcionários sem almoço, e cobranças, muitas cobranças.

O que mais me irrita é que nas paredes de todas essas empresas, e em seus "manuais" e "códigos de ética" estão descritas suas declarações de "respeito aos colaboradores" e "valorização de pessoas". Quando os responsáveis por estas empresas - aqueles que realmente podem contratar ou exigir a contratação de mais funcionários - não têm ética, não têm moral e não valorizam as pessoas que lhes são subordinadas, não adianta falar em ética, não adianta falar em valorização de pessoas. Quando uma cultura de respeito aos funcionários realmente existe, não precisa haver cartazes em paredes ou declarações em manuais. Infelizmente vivemos um novo feudalismo, e somos apenas números numa folha de pagamento. Quando não servimos mais, somos substituídos como uma engrenagem com defeito. É assim que o capitalismo funciona, e a única coisa que essas empresas respeitam é lucro.

terça-feira, 16 de abril de 2013

#365Livros - #Livro106 - O CAPITAL (Marvin)



O Capital (Das Kapital)
Karl Marx
Crítica ao capitalismo e à economia política desenvolvida por um alemão descendente de judeus. Marx foi um intelectual e revolucionário, além de economista, filósofo, historiador, teórico politico e jornalista. Obra de extrema importância para quem deseja entender os fundamentos do socialismo como Marx o pensou. É a origem do pensamento socialista marxista, e explica muitas ações da velha Rússia. Dividido em três tomos, um lançado em vida, os outros dois são obras póstumas. Alguns afirmam que o último foi escrito por Engels, amigo de Marx. Em 1872, quando a censura russa liberou aquele livro enorme escrito em alemão por achar que era muito complexo para ser perigoso, não sabia o que estava fazendo. Algum tempo depois, perceberam o poder das ideias socialista de Marx, que influenciaram áreas como Filosofia, Geografia, História, Direito, Sociologia, Literatura, Pedagogia, Ciência Política, Antropologia, Biologia, Psicologia, Economia, Teologia, Comunicação, Administração e Design. Por esses motivos, podemos avaliar o poder de uma ideia, quando bem desenvolvida.

sábado, 10 de novembro de 2012

Texto de Juan Jose Millas abala o Mundo Capitalista

Juan Jose Millas, 66 anos, escritor e jornalista. Já ouviu falar dele? Pois é, este espanhol de Valência publicou no Jornal El Pais um texto criticando duramente o sistema capitalista, e este texto tornou-se o mais lido do jornal. Divulgado e debatido em redes sociais, o texto fala – a princípio – da crise espanhola, mas serve para todo o mundo. O capitalismo e o consumismo oprimem o ser humano, que não percebe, e a economia explora e destrói nossas vidas. Somos manipulados, e ainda vivemos num sistema feudal. Leia, e veja a verdade:
 

“Um Canhão pelo Cú                      
(texto de Juan Jose Millas publicado em agosto de 2012 no Jornal El Pais)


Se percebermos bem – e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colônia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspectiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil anda de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista econômico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país – este, por acaso -, e diz “compro” ou “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.



Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública – onde estas ainda existem – os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto você lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.

E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, mas num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornamo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos vagões do trem uma bomba diária chamada prêmio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com rupturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco.
 
A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo à redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado. Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos difusores das ideias neoliberais.”