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sábado, 12 de março de 2022

Rússia e Ucrânia

Ucrânia

Kiev, a atual capital da Ucrânia, foi o centro do primeiro estado eslavo, criado por um povo que se autodenominava “Rus”, isso em meados do século IX.

Foi a partir deste estado medieval que surgiram a Rússia e a Ucrânia, argumento este utilizado pelo presidente Putin para identificar a Rússia e a Ucrânia como povos irmãos, e que não está totalmente errado. A este estado medieval os historiadores chamaram “Rus de Kiev”.

São Vladimir Svyatolasvich, “O Grande”, consolidou o reino Rus, que se estendia no território que hoje corresponde à Belarus, Rússia e Ucrânia.

A região já foi dominada pelo Império Mongol no século XIII, foi dividida entre o Grão-Principado de Moscou e o Grão Principado da Lituânia no século XIV, e a partir de então, a Ucrânia sofreu influências diferentes relativas a cada dominador. Uma parte da região oeste foi influenciada pela dinastia dos Habsburgo, já a Crimeia teve influência dos povos gregos e tártaros, e teve períodos sob o domínio otomano e russo.

Em 1764, Catarina, a Grande, passou a avançar sobre terras ucranianas que eram dominadas pela Polônia. Com lo século XX veio a revolução russa e a União Soviética, que mexeu novamente com as fronteiras e com a influência sofrida pela Ucrânia.

Isso resume as mudanças e influências que a Ucrânia como povo vem sofrendo ao longo de séculos em busca de identificação e independência, sem falar do sofrimento como Holodomor, a grande fome imposta por Stalin para forçar camponeses ucranianos a se unirem ao regime comunista, e a transferência de soviéticos para a Ucrânia tentando uma dominação cultural.

Quando os nazistas invadiram a Ucrânia, muitas pessoas os tomaram por libertadores, que os libertariam do regime de Stalin, e deram seu apoio às forças alemãs. Hoje ainda existem muitas células neonazistas na Ucrânia, como o Batalhão de Azov, envolvidas diretamente com o Governo da Ucrânia e que foram criadas e armadas pela CIA na Guerra Fria, pois a CIA aproveitou-se deste sentimento de apoio ao nazismo que surgiu durante a Segunda Guerra.

Após o colapso da União Soviética, um tratado entre Rússia e Ucrânia definiram as fronteiras das duas nações, mas as diferenças continuaram existindo no meio do povo ucraniano devido às influências que sofreu sob domínio de tantos povos diferentes, muitos ucranianos desejam retornar ao controle da Rússia, que consideram sua pátria mãe, e outros desejam trilhar o caminho ocidental, abandonando as tradições herdadas da velha Rus de Kiev.

Ucrânia e suas fronteiras

 

Rússia e OTAN

A OTAN surgiu em 1949 com 12 membros iniciais, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Portugal, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica, Islândia e Luxemburgo, com o objetivo de frear a expansão da União Soviética, a velha história (que é usada ainda hoje por governos autoritários para manter seus eleitores ignorantes) da “ameaça comunista”.

O principal fundamento da Otan é a defesa mútua, não é um acordo comercial ou cultural ou de qualquer outro interesse, é um acordo militar. Com a queda da União Soviética, eu pergunto: por que a Otan ainda existe?

Hoje a Otan possui um número de membros muito maior, e cada membro investe 2% de seu PIB em gastos relacionados à defesa. Desde o fim da União Soviética, a Otan já incorporou a Polônia, a República Tcheca, a Romênia, a Bulgária, a Eslováquia, a Eslovênia, a Estônia, a Lituânia, a Letônia, a Albânia, a Croácia, Montenegro e Macedônia. A Otan se tornou uma ferramenta americana de ameaça contra a Rússia, pois os Estados unidos possuem grande interesse nos recursos da região, principalmente o gás.

Putin, ex-agente KGB, assumiu o comando da Rússia em 2000, e levou 8 anos para consolidar seu poder interno e levantar a Rússia de sua precária situação econômica, mas em 2008 começou a reagir com mão forte para virar o jogo imposto pela Otan.

A Rússia sempre quis criar um cordão sanitário em volta de suas fronteiras para evitar más surpresas, como a instalação de mísseis em áreas próximas, e por isso Putin critica tanto o fim da União Soviética, chamando de “a pior tragédia geopolítica da História”.

Não podemos negar que Putin age como o novo czar da Rússia, e manipula as informações dentro de seus muros, reprime manifestações contra seu governo e influência até mesmo fora de suas fronteiras, como no caso das eleições americanas que levaram Trump ao poder.

 

Estados Unidos

Os Estados Unidos têm influenciado, manipulado, invadido e destruído vários países sempre com a desculpa de proteger os interesses do povo americano ou de levar democracia a outros povos. Seja através da CIA, ou de invasão militar, ou ainda com sanções econômicas e políticas, os EUA perturbam a ordem e a soberania de países que consideram potencialmente perigosos. Mesmo hoje, enquanto criticam a ação da Rússia na Ucrânia, os EUA mantêm forças militares em vários países como Síria, Iêmen, Afeganistão, Iraque, Somália, Líbia e outros.

Também através da CIA os EUA têm fomentado golpes de estado e derrubada de governos democraticamente eleitos, como ocorreu na própria Ucrânia com Viktor Ianukovitch, presidente pró Rússia que foi derrubado depois de intensos protestos e ataques de grupos neonazistas como o Batalhão de Azov, todos fomentados pelos Estados Unidos.

 

A Situação Atual

O que você, leitor, acha que os EUA fariam se a Rússia criasse um pacto de defesa mútua com países como México, Venezuela, Cuba, Brasil, e utilizasse estes países como base de lançamento de mísseis intercontinentais? Os Estados unidos não interfeririam? Eu não tenho dúvidas.

Outra questão é o pacote de sanções econômicas sofridas pela Rússia, e por outros países que por qualquer motivo contrariam os interesses americanos, como Cuba e China. Quando os Estados Unidos invadem países, matam supostos terroristas e apoiam a derrubada de governos legítimos eu não vejo nenhuma sanção econômica sendo imposta. Já ouvi defensores do sonho americano afirmando que os EUA são o centro econômico do mundo e por isso não pode m sofrer sanções. Mas ser o centro econômico do mundo não dá o direito de influenciar ou subjugar outros países de acordo com sua vontade. 

Neste momento a economia russa está sendo estrangulada, as ações do principal banco da Rússia, o Sberbank, caíram 90%. A bolsa está fechada. Os juros foram aumentados. Mesmo assim a Rússia continua fazendo uma guerra de pressão contra a Ucrânia, cansando as defesas ucranianas e ainda sobra fôlego para ameaçar a Finlândia e a Suécia. O presidente da Ucrânia diz que seu exército não está cedendo, mas ao mesmo tempo afunda seus próprios navios com medo de perdê-los para a Rússia. A situação vai se prolongar.

 

Principados de Rus de Kiev

Possíveis Saídas

Mesmo com todas as sanções impostas à economia russa, ainda demora uns seis meses para que o sapato comece a apertar no pé russo. Acredito que seria viável a Ucrânia tornar-se um país neutro, não participando da OTAN. Da mesma forma a Rússia poderia aceitar a participação da Ucrânia na União Europeia, por não se tratar de um pacto de defesa, mas sim econômico. A independência das províncias de Donetsk e Lugansk poderiam ser reconhecidas pela Ucrânia, e um acordo de paz poderia ser assinado.

Ou na pior hipótese, a guerra pode se prolongar até a Rússia quebrar, o que pode fazer com que Putin aperte o cerco antes e force uma invasão total na Ucrânia, sendo que este fato pode acabar forçando também outros países a entrarem militarmente no conflito, enviando tropas, levando a guerra para o patamar mundial, o que na verdade ninguém quer, pois basta um líder “nervoso” escorregar o dedo no botão nuclear num momento de “aposto tudo” e só Deus sabe o que restaria da humanidade.

domingo, 8 de novembro de 2015

CBSNews apresenta Entrevista com Putin - parte 1

Em tempos onde estamos à beira da Terceira Guerra Mundial, é bom saber o que pensa o líder da maior potência militar do planeta.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Plebiscito da Criméia

No dia 16 de março, 1,2 milhão de eleitores na Criméia - o que representa 98% da população eleitoral - votaram pela anexação ao país vizinho, a Rússia. Vladimir provou que Obama estava enganado, e que o povo da Criméia sente-se seguro fazendo parte da Rússia.
Obama conversou com o presidente russo poucas horas antes da votação, ameaçando a Rússia com sanções, e afirmando que a presença do exército russo na região em conflito apenas aumenta a tensão. O presidente americano torna-se hipócrita ao afirmar que a Rússia está violando o Direito Internacional. Vladimir Putin desconsiderou as ameaças do governo americano, pois percebe que os EUA já não tem a força de antes - e mesmo quando eram fortes militarmente não tinham a coragem necessária para bater de frente com a Rússia - e suas ameaças já não causam o efeito esperado. Putin prometeu resolver os problemas legais o mais rápido possível para que a Grande Mãe Rússia possa abraçar seus filhos da Criméia.
Enquanto Obama resmungava como criança teimosa, os cidadãos da Criméia gritavam nas ruas: "Vamos voltar para casa!"

Leia também A GUERRA FRIA NUNCA ACABOU.

(foto: contextolivre.com.br)

terça-feira, 18 de março de 2014

Atualizando: A Guerra Fria nunca acabou

Kiev. Novembro de 2013. A população vai às ruas para forçar o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich a fechar um acordo comercial com a União Europeia - UE, acordo este que vinha sendo negociado há três anos. Mas Viktor deu as costas ao povo e aceitou um pacote - leia-se empréstimo - bilionário da Rússia e um desconto no preço do gás natural
O povo reagiu, ocupando a prefeitura de Kiev. O governo reagiu com violência excessiva, mas a revolta continuou.

(tropas russas se dirigindo às áreas de conflito - foto: Band)


Houve um acordo de paz no fim de fevereiro, que não durou 24 horas. Viktor deixou o país, e um governo pró-UE assumiu. A população se dividiu: ocidente da Ucrânia pró-UE e oriente pró-Rússia. A Rússia não reconheceu tal ato, e o conflito começou. Tropas russas começaram a exercer o controle das áreas afetadas pela revolta.
Na Criméia, que foi transferida para a Ucrânia pela União Soviética em 1954, mais da metade da população se considera de origem russa, e apóia as decisões do Governo Russo. Na verdade, isso reflete o que acontece no resto da Ucrânia, onde há muita gente que apóia a Rússia. É na Criméia que está localizada a sede da poderosa Frota do Mar Negro, que pertence à Rússia.

Aproximadamente 80% das exportações de gás da Rússia para a Europa passa pela Ucrânia. A Rússia fornece um terço do gás que a Europa consome. Uma guerra afetaria o abastecimento. Já a Ucrânia é a terceira maior exportadora de trigo e milho do mundo, produção esta que também sofreria sérios abalos.

Diante da crise, até países como a Suécia e Polônia estão pensando em mudar a política de defesa e reforçar o orçamento militar. Caças americanos pousaram na Lituânia, e Obama ameaça a Rússia com sanções. Vários países ocidentais enviaram pedidos para mediar a crise, mas foram ridicularizados pelo Kremlin. Putin justifica suas ações afirmando que está defendendo a população de origem russa da Criméia, que inclusive fala o idioma russo no dia-a-dia. O Parlamento Regional da Criméia aprovou uma moção em que pede para fazer parte da Rússia. Cidadãos nas ruas afirmam que sentem-se protegidos com as tropas russas que se aproximam, e com os 25 navios enviados ao Mar Negro. 

(marinheiro ucraniano observa navios russos na Criméia - foto: Band)


O primeiro ministro russo diz que teme o ressurgimento da Guerra Fria. Na minha opinião, ela nunca morreu.