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segunda-feira, 22 de maio de 2023

Realidades Paralelas

Em meio a tanta discussão sobre realidades paralelas, simulação e multiversos, eu gosto de pensar nos outros "eus" que estão em algum lugar vivendo uma vida diferente da minha. E gasto um bom tempo pensando em como eles reagem à sua existência, se estão melhores ou piores que eu.

Acredito que em algum lugar há um "eu" que foi pra Marinha aos dezessete anos, virou oficial, fez carreira, tem um bom apartamento próximo a uma das bases da Marinha. Viaja por aí, fala outros idiomas, tem uma família que reconhece seu esforço e o admira. 

Há também um outro eu que não entrou em uma grande empresa, mas trabalha num terminal rodoviário, e mora com sua esposa numa casinha de madeira numa rua esquecida e pouco movimentada atrás de uma serraria desativada, e é feliz.  

Há também (e aqui eu exagero) um "eu" que foi pra igreja católica, se tornou padre, aproveitou a oportunidade de conhecimento que a igreja pode oferecer, e estudou muito. Estudou filosofia, sociologia, teologia, história, hebraico, grego, e por seu conhecimento conseguiu trabalho em Roma. E vive lá, num apartamento pago pelo Vaticano, organizando arquivos e livros de uma biblioteca da igreja romana, e produzindo estudos sobre o cristianismo.

Há também um "eu" que se tornou professor. Um "eu" mais desinibido, com mais coragem de falar em público.

Seria bom vê-los em suas vidas, sem que soubessem. Conhecer seu dia a dia, seu trabalho, sua família, seus amigos. Será que estão contentes? Será que se tornaram arrogantes? Será que por terem vencido, vivem espalhando na internet esse discurso chato e insuportável de "cheguei aqui porque me esforcei"?

A vida é boa ou ruim? O esforço é válido? Quem venceu, se esforçou? Ou foi somente um golpe de sorte? A vida é justa? 

Se essas perguntas fossem respondidas, acredito que muita coisa se esclareceria. E talvez não precisássemos de universos paralelos para que, em um deles ao menos, pudessemos vencer.

domingo, 5 de novembro de 2017

Paz na Alma

Certa vez o diabo entrou em uma igreja, por simples curiosidade. Sentou num dos últimos bancos e ficou ouvindo o sermão do pregador enquanto olhava as pessoas que ali estavam.

Um pouco mais à sua direita estava sentado um homem baixinho, beirando os cinquenta anos. O diabo começou a olhar o homem enquanto pensava: "Olha isso, cristão é assim mesmo: chinelo de dedos, jeans batido e quase rasgando, camisa de segunda mão. Por que Deus não o ajuda a ter uma vidinha um pouco melhor?" 

Enquanto pensava assim, o diabo olhava o homem vagarosamente, subindo o olhar dos pés para a cabeça. Quando olhou para o rosto do homem, teve que baixar a visão novamente, pois o rosto do cristão pobre brilhava, o homem sorria e balançava afirmativamente a cabeça a cada frase que o pregador falava. O cristão era feliz, sentia paz por estar ali, sentia que tinha algo mais importante que tudo, e que levaria isso para sua casa quando a reunião acabasse. Ele estava se alimentando das palavras de Deus. O diabo então levantou-se e saiu da igreja de cabeça baixa.

Nos acostumamos a pensar que não precisamos mais de Deus e que não precisamos de paz, mas nossa alma geme dentro de nós enquanto estampamos nosso sorriso falso no rosto. Nos importamos demais com as coisas materiais, com a casa, com a organização, com o trabalho, com as aparências, e nada disso importa tanto.

Eu lembro da minha infância, tínhamos pouco, mas ao mesmo tempo tínhamos tudo. Eu me levantava ela manhã, tomava café e comia uma fatia de pão com margarina antes de ir para a escola. Muitas vezes almocei arroz, feijão e ovo frito, mas me sentia bem. Minha mãe cuidava de meu pai doente, e administrava a rotina, e ainda achava tempo para tratar bem meus amigos quando estes iam em minha casa.

Hoje tentamos encontrar paz num salário alto, numa casa perfeita, num bom carro, nas regras sociais, nas aparências, mas choramos e morremos por dentro porque na verdade nada disso importa. Nossa busca por outras coisas é só um paliativo, um disfarce. O desespero da alma nos torna insuportáveis, mas não queremos entender. O ser humano vive aqui há tanto tempo, e ainda não aprendeu a ter paz, infelizmente.

foto: Sérgio Rodrigues

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A Aparência de um Homem de Sucesso

Li recentemente uma pesquisa feita na Austrália, comprovando que homens de boa aparência obtém mais sucesso em suas carreiras do que homens que não possuem tanta beleza física. Vivemos isso nos dias atuais, vemos isso nas empresas, nas escolas, em todos os lugares. Tanto homens como mulheres são julgados pela sua aparência e status.

Procurei então o exemplo de um homem bem sucedido, para que eu pudesse verificar sua aparência e sua posição social. Acabei encontrando Jesus, que para muitos tem se tornado sem importância, mas seus ensinamentos e seu exemplo tem sido alento e esperança para muitos. Mesmo desconsiderando sua santidade - como muitos o fazem - ele venceu e obteve sucesso em todos os aspectos de sua "carreira": como mestre, ensinando tanta gente, como exemplo de honestidade, de empatia, de sinceridade. Em tudo ele obteve sucesso, e - para os que creem - venceu a morte.

Mas vejamos sua aparência e status: mesmo sendo Filho de Deus, ou profeta famoso em Israel - para que aqueles que não aceitam sua divindade - Jesus era um homem simples e até mesmo desprezível. Ele era como uma planta que cresce em terra seca. Vocês já viram algo assim? Não era bonito, não tinha nada que chamasse atenção. Foi rejeitado e desprezado por todos. Era como alguém que não queremos ver. (texto de Isaías 53).

E quanto ao status? Não era de se esperar que o Messias de Israel viesse em grande pompa? Mas não foi assim. Jesus mesmo certa vez disse a um homem que queria segui-lo: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". (Mateus 8:20). Que exemplo de vida! E fazemos hoje exatamente o contrário. Nos preocupamos com tudo: beleza, status, moda, aparência. Precisamos fazer tudo o que os outros fazem. Precisamos ter o que os outros têm. Precisamos fazer até mesmo o que não gostamos para manter nosso status. Triste vida que vivemos. Que não seja tarde para aprendermos a viver uma vida mais simples e feliz.

domingo, 23 de julho de 2017

Mudanças

Demorei um pouco para realizar aqui uma nova postagem, pois estava em meio a uma mudança, e é sobre isso que resolvi escrever: mudança. Algumas são mais simples, como trocar os móveis de lugar, outra mais complexas, como mudar de casa, mas algumas mudanças mexem com nossa estrutura emocional, nossa vida como um todo. 

Quando mexemos em uma estrutura formada, por mais fraca que seja esta estrutura, a mudança influencia nossa vida, nos causa sempre um pouco de insegurança, de incerteza. Mas a verdade é que precisamos encarar algumas reviravoltas em nossa vida quando precisamos melhorar, quando precisamos nos sentir melhor. 

Eu deixei para trás uma vida incerta e que me magoou muito, e estou recomeçando. Há sempre um pouco de receio, alguma preocupação, mas o primeiro passo é aceitar e entender que para sair de um lugar ou situação ruim, é preciso se mexer, se mover. É preciso partir do começo novamente, cuidando para não repetir os mesmos erros. 

Esta mudança de situação tem me feito pensar também nas demais coisas, como o trabalho: quanta coisa poderia ser melhor em nossa vida se deixássemos de lado a preocupação excessiva com status, com a ganância e com a opinião alheia. Não é necessário assumir o posto máximo em uma empresa para ser feliz. Não é necessário ganhar muito para termos o que realmente importa. Não vale a pena expor os filhos e a família a situações controladas pela empresa apenas para manter a função dentro dela. 

Precisamos nos preocupar mais com nosso bem estar emocional, deixando de lado o dinheiro e o status. Precisamos parar de pensar que dar tudo que nossos filhos querem é o mesmo que lhes dar atenção, porque não é. Precisamos viver, porque a vida vale a pena. Precisamos parar de pensar que ambição é algo positivo, porque não é. 

Precisamos de coragem para mudar, para deixar de fazer o que nos faz mal, para largar velhos hábitos. Vamos mudar, mas vamos procurar mudar para melhor. Vamos, acima de tudo, viver.

sábado, 17 de junho de 2017

José e Liso

Um grupo de 33 leões foram recolhidos de picadeiros e jaulas na Colômbia e Peru e levados ao Santuário de Emoya - uma reserva privada no norte da África do Sul - para que pudessem voltar a ter uma vida normal na selva. Eles já haviam sofrido maus tratos nos circos, e a reintegração era a esperança para esses pobres leões.

Entre eles estavam José e Liso, dois leões de circo. José sofria com sequelas por ter apanhado na cabeça, e estava recebendo um tratamento específico, foi construído um ambiente especial para ele em Emoya. Liso era um leão tranquilo e amigável.

Infelizmente, José e Liso foram roubados do Santuário em Emoya, por caçadores que matam leões por encomenda de sacerdotes, pois a cabeça, patas e pele dos animais são utilizadas em rituais na África. Os pobres animais foram decapitados e tiveram sua pele retirada. A polícia ambiental local está investigando o caso.

Eu pergunto: quem são os animais? Quem são os seres irracionais? Malditos seres humanos que não percebem que são um acidente da natureza. Não passamos de outra espécie qualquer que - por acaso - tem se alastrado como um câncer pelo planeta, acreditando em nossa ignorância e egoísmo que valemos mais que os outros animais.

O fim da humanidade chegará, porque a natureza sabe controlar espécies que se alastram demais e prejudicam outros animais. O fim da humanidade chegará por sua própria culpa. Tudo a seu tempo.

José e Liso. Foto: Animal Defenders International

domingo, 21 de maio de 2017

Perdido

Você já se sentiu inútil no trabalho? Já se sentiu como se aquilo que você faz não tivesse importância? Às vezes parece que o esforço é gasto em coisas inúteis, principalmente se você atua numa empresa que vende serviços e produtos, e sua parte é mais operacional, mais estrutural. A viga de aço fica dentro da coluna e não aparece, mas é o que sustenta o edifício.

Quando trabalhamos em um setor novo para nós, e tentamos aprender tudo desesperadamente enquanto continuamos prestando serviço ao cliente, é mais complicado ainda. Nem sempre as pessoas podem nos ensinar. Já ouvi alguém dizendo que os manuais nos preparam para várias situações, menos para aquelas que vamos realmente enfrentar no dia-a-dia.

Pior ainda que sentir-se inútil no trabalho é sentir-se deslocado na vida. Você já se perguntou em alguma situação "o que estou fazendo aqui?". Já se sentiu deslocado em ambientes onde você é julgado pela maneira como vive, pelo carro que tem (ou até por não ter um carro), pela casa onde mora, pelas escolhas que faz? São muitas as pessoas que só se preocupam com status e cargos, esquecendo-se das coisas boas da vida. Mesmo os mais simples eventos precisam ser cheios de glamour, e cada um tem que tentar impressionar o outro com suas aquisições.

As pessoas "normais" podem não entender, mas é por esses motivos que algumas poucas pessoas se fecham em suas vidas, criam uma casca, um casulo, um canto seguro onde possam viver em paz.

Seria bom se aceitássemos as pessoas independente do que elas têm, da profissão que exercem, do cargo que ocupam, do carro no qual andem ou da casa na qual morem. Seria bom se nos tratássemos uns aos outros com igualdade, considerando que somos somente seres humanos, nada além disso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Forrest Gump - "Idiota é quem faz idiotices"

Forrest Gump: O Contador de Histórias. Um dos poucos filmes que, apesar de ser classificado muitas vezes como comédia, me emocionou de verdade, porque traz um único e simples ensinamento: "Você deve fazer o melhor com o que Deus deu para você".

Ganhador de seis Oscars, o filme foi lançado em 1994 e dirigido por Robert Zemeckis. É baseado no romance de Winston Groom, escrito em 1986. 

Quarenta anos de história dos Estados Unidos contados pelo ponto de vista de um simples homem com "QI baixo", que nasceu com problemas na coluna e que não estava nem aí para os acontecimentos dos quais participou. Isso é demonstrado várias vezes no filme pelo personagem de Tom Hanks.

Atravessando eventos como a Guerra do Vietnã - onde fez um grande amigo, que aprendeu o valor que Forrest tinha - o personagem nunca se abala, independente da situação. Em sua simplicidade, Forrest faz uma boa ação atrás da outra, ajudando outras pessoas e fortalecendo-se a si mesmo.

Ele conhece presidentes, inspira Elvis Presley e John Lennon, se torna amigo de um negro mesmo afirmando ser descendente do fundador da KKK, denuncia o caso Watergate sem saber, enfrenta o Furacão Carmen, investe na Apple - definida por ele como "um negócio de frutas" - e inspira frases e smiles.

Deixando de lado a fatia de humor do filme, é uma grande lição. Nos inspira e emociona profundamente. Podemos enfrentar a vida sabendo que merdas acontecem, e quando nos taxarem de idiotas, podemos dizer com confiança: "Idiota é quem faz idiotices".

Edição por computador inserindo o personagem de Tom Hanks numa cena real acontecida em 1963 em frente à Universidade do Alabama, envolvendo uma questão racial discutida pelo presidente Kennedy e o governador George Wallace

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O discurso de Vladimir Putin

Esse discurso foi feito no Kremlin. Há muita gente analisando o conservadorismo de Putin, e muita gente criticando, chamando-o de falso conservador. Eu entendo que Putin é um líder que carrega em seus ombros a morte de centenas de milhares de pessoas (lembrando que os líderes das grandes potências concorrentes também não são santos), mas seu discurso, do meu ponto de vista, foi muito válido. 

Ele falou o que muita gente quer falar e não pode porque tem medo, porque não se pode mais criticar as coisas que não são naturais, porque a minoria está impondo à maioria "direitos" que eles exigem, nos tomando o nosso próprio direito de ter opinião.

Às vezes essas coisas acontecem, e o mundo precisa que um homem mau, mas poderoso, fale o que os homens bons têm medo de falar. 

sábado, 21 de janeiro de 2017

Boa companhia

Algumas pessoas, nos piores momentos de suas vidas, perceberam que estavam sozinhas, trancadas em um quarto chorando, ou caminhando solitárias por uma rua. E por esse motivo, se acham a pior pessoa do mundo, culpam a solidão, e na maioria das vezes, saem correndo tentando encontrar alguém que - acreditam - poderá trazer felicidade pras suas vidas.

Mas, e se nos momentos em que o sofrimento ou a tristeza, ou ainda a decepção bate em nossa porta, tentássemos nos contentar com nossa própria companhia? O fato de estarmos sozinhos quando enfrentamos algo ruim não é uma prova de que somos fortes o suficiente, de que aguentamos mais do que imaginamos? Pode ser um bom aprendizado.

Os momentos bons, mas solitários, também precisam ser aproveitados. Você nunca levantou pela manhã, tomou um banho e preparou um bom café, saboreou seu café em silêncio, percebendo como esse momento te faz bem? Podemos chamar isso de "a boa companhia de si mesmo".

Talvez você não seja esse tipo de pessoa, talvez você seja sociável e extrovertido, e precise de movimento ao seu redor. Mas sei que alguém vai ler esse texto e vai se identificar. 

A vida bate com força e sem piedade, e às vezes derruba, não importa se você está em um grupo ou sozinho, mas a escolha de ficar no chão ou se levantar é sua. E nesse momento você vai perceber que não há ninguém que te levante do chão se antes você não decidir levantar. 
Enquanto escrevo, estou sozinho. Apesar de morar em um bairro grande, há um silêncio gritante nessa tarde quente. Minha vida tem sido estranha, engraçada às vezes, ingrata outras vezes. Mas em todo esse tempo, vejo que tenho sido forte e que preciso continuar contando comigo pra viver. Isso não é orgulho, é a minha realidade. 

Agora você se pergunta se a companhia de alguém é desnecessária, e eu respondo: não, não é. Mas você precisa pensar e observar os que se chegam a você. Sabe como identificar um bom amigo? Bom amigo é aquele que está ao seu lado quando você não tem mais nada, nem mesmo alegria. Ele senta-se ao seu lado sem te criticar, e apenas faz você notar que não está sozinho, até que você encontre forças para levantar de novo. Essas pessoas são difíceis de encontrar.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Aborto até o terceiro mês de gestação é liberado no Brasil

E o título já disse tudo. O aborto, para vítimas de estupro com até três meses de gestação, está autorizado pelo STF.

Vivemos num país "livre", por isso não posso dar minha opinião como eu gostaria, mas mesmo assim eu vou falar. 

Matar um bebê com 91 dias de vida é crime, com 90 dias, não é.

Alguns jornalistas chamam isso de "avanço civilizatório". Eu não sei do que chamar.

A Constituição não diz que a vida é um direito inviolável?

Essa lei é só o primeiro passo. O aborto será banalizado. Logo alguém dirá que não quer "estragar o corpo" e que precisa abortar.

Logo alguém dirá que esqueceu de tomar a pílula, ou que a pílula falhou, e precisa abortar.

Logo alguém dirá que não tem o apoio do pai, ou da família, e que precisa abortar.

Vi uma idiota no facebook dizendo "quem se importa com a vida que cuide da sua". E da vida das crianças inocentes, quem cuida? Quem se importa? 

Luís Roberto Barroso - magistrado do STF

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Sétima Extinção

Desde que o primeiro organismo vivo surgiu neste planeta, essa esfera azul suspensa no nada já sofreu cinco grandes extinções, todas causadas por derretimento de geleiras, aumento do nível dos oceanos, erupções vulcânicas e asteroides.

A primeira grande extinção ocorreu na transição do período Ordoviciano para o Siluriano há cerca de 440 milhões de anos atrás. Movimentos geológicos derreteram as geleiras e o nível dos oceanos subiu, causando um desequilíbrio na vida marinha e matando 60% de suas espécies.

A segunda foi há 360 milhões de anos, no período Devoniano. Uma nova glaciação voltou a reduzir o nível dos mares e a temperatura. 70% das espécies de águas quentes desapareceram e os corais sofreram grandes mudanças. A causa dessa mudança climática ainda é desconhecida.

Entre os períodos Permiano e Triássico, há 250 milhões de anos, o impacto de um asteroide na Terra eliminou 95% das espécies. Alguns cientistas afirmam que - em vez do asteroide - pode ter sido uma grande erupção vulcânica que reduziu os níveis de oxigênio na Terra. Essa foi a terceira grande extinção.

A quarta extinção foi causada por um vulcão poderoso (ou Hércules!) que causou a divisão do supercontinente Pangeia há 210 milhões de anos, entre os períodos Triássico e Jurássico. Dá pra imaginar o estrago que isso fez na vida na Terra.

Entre os períodos Cretáceo e Terciário, há 65 milhões de anos atrás, os dinossauros encerraram seu reinado no planeta. O impacto de um asteroide, que causou uma grande cratera na Península do Yucatan, eliminou os poderosos répteis. Essa foi a quinta grande extinção, fechando o ciclo conhecido como "The Big Five".


Atualmente, a grande degradação ambiental causada pela espécie humana - que teima em se achar superior aos animais, esquecendo que é apenas mais uma espécie - tem impactado profundamente a fauna e a flora, mas principalmente os oceanos. Pesquisadores da Universidade de Connecticut têm alertado sobre o perigo da extinção dos grandes animais marinhos. Um exemplo disso é a poluição da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, onde há alguns anos atrás era possível ver famílias de golfinhos nadando ali, mas hoje, resta a penas a sujeira no mar. A poluição dos oceanos, se continuar desenfreada, causará a sexta grande extinção, a extinção da vida marinha.

Após a sexta grande extinção, que infelizmente tudo indica que vai ocorrer, uma outra espécie será extinta na sétima e última extinção(ao menos para nós será a última): a própria humanidade. A poluição dos lençóis de água, o derretimento das geleiras, a poluição do ar, a destruição da camada de ozônio, o lixo não tratado, a liberação de gases tóxicos por indústrias e veículos, tudo isso está criando uma ambiente inadequado, no qual a natureza será obrigada a retomar as rédeas e eliminar a principal causa do problema: a espécie humana. O homem não entendeu ainda que não é a Terra que será prejudicada com sua ignorância. Muitas espécies morreram e morrerão devido ao comportamento humano, mas o planeta não sucumbirá. Seremos nós mesmos o alvo de toda a ganância humana, de toda a poluição e desmatamento desenfreado. O planeta vai se recuperar e novas espécies surgirão, mas toda espécie que se comporta como um câncer será eliminada, para que a vida em sua totalidade tenha equilíbrio. Pagaremos caro pela nossa ignorância se não mudarmos nosso comportamento.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vem Ni Mim



Quando um programa de televisão te faz chorar, ou ele é o pior do mundo, ou é o melhor. Em relação ao MasterChef (Brasil) e todas as sensações que ele nos proporciona, me inclino consideravelmente à segunda opção. Abstenho-me, normalmente, de falar de televisão, porque é um móvel bastante dispensável para mim, ainda mais em tempos de internet - o próprio MasterChef, vejo pelo Youtube, no canal oficial do programa. Mas, quando vi o Sérgio falar tão bem dessa atração empolgante e criativa, resolvi experimentar. Perdi a primeira temporada, mas acompanhei fielmente a segunda, e idem para a terceira, que está surpreendendo a todos nós, porém, por motivos muito além do cozinhar.

Para quem não está muito por dentro das (boas) novidades televisivas, o MasterChef  é um reality show de culinária (sim, tinha tudo para ser uma b#sta) exibido na Band, toda terça-feira, a partir das dez e meia, apresentado por Ana Paula Padrão e comandado pelos grandes chefs Érick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça. Em todo episódio, os participantes passam por duas provas, desafiados a preparar os pratos mais difíceis e complexos, sendo que, a cada duas semanas, uma delas é uma prova em grupo. Na última terça, 24 de maio de 2016, esta foi no restaurante Dalva e Dito, do chef Alex Atala, um dos chefs mais renomados do Brasil e um dos restaurantes mais respeitados do país. Mas foi na segunda prova, de eliminação, que senti meu coração realmente quase parar dentro do peito.




Desde que comecei a assistir esse programa, me pergunto até que ponto o preciosismo da cozinha deve ser considerado, em um mundo onde milhões de pessoas morrem de fome todos os dias. De forma alguma pretendo desmerecer a profissão de cozinheiros e chefs, ao contrário, mas a sofisticação de um restaurante de alto gabarito, com uma, duas ou três estrelas Michelin, de um prato refinadíssimo e perfeito em seus mínimos detalhes, é tão contrastante com a imagem de uma criança que passa fome que eu me perco nessas reflexões. Porém, o mesmo programa que desafia seus participantes com pratos elaboradíssimos proporcionou um momento de reflexão que transcende tudo que eu já havia pensado sobre esse assunto.

Na última terça-feira, a jovem Gleice, de apenas 20 anos, foi a eliminada. Ao sair, Gleice mostrou uma força que eu daria tudo para ter apenas metade. Paola Carosella ficou visivelmente abalada, Jacquin ficou emocionado e Fogaça foi às lágrimas, assim como Lee, o carismático participante que "adotou" Gleice como sua pupila, que chorou rios. A maioria dos competidores, diga-se de passagem, ficou emocionado com a saída da moça. Toda essa choradeira tem um motivo sutil de ser. Em primeiro lugar, uma semana antes de começarem as audições do programa, lá no início de 2016, o irmão de Gleice, que participaria das audições com ela, foi assassinado no portão de casa. Gleice é pobre, negra, mora na favela, e tinha tudo para desistir da vida. Mas sua entrada na cozinha do MasterChef multiplicou por mil a força dentro de seu coraçãozinho. 




Ver o duro Fogaça cair no choro, Paola ficar sem palavras, Jacquin tremer a voz e Lee se desmanchar em lágrimas me fez chorar como um bebê e soluçar ao ver a saída de Gleice. Fez-me realizar a arte de preparar uma refeição, e finalmente compreender que uma cozinha - como tantos outros lugares e profissões - podem mudar vidas. Entre tantos participantes de classe além da média, como Leonardo e Raquel, e outros de arrogância nauseante, como a gaúcha Thaiana, Gleice se destacou pela sua humildade e pelo seu coração imenso, pela sua força e pela sua grandeza de espírito. Não importa o que a vida te dá e o que você consegue fazer com o que ela te deu, faça seu melhor. Não importa o fim da guerra, não importa mesmo, importa como você luta. Não é discurso comunista, tampouco sentimentalismo barato, é discurso realista, e, mais do que nunca, emocionado, porque senti falta de ar ao chorar com a saída de Gleice. O amor pela cozinha, o desafio de trabalhar num ambiente tão avassalador como um restaurante profissional - eu jamais conseguiria, não apenas por ser péssima cozinheira - já transformaram a vida dessa menina. 




Quando ela entrou no MasterChef, com um prato tão simples e brilhante como ela, um quindim, Fogaça disse que queria sentir a garra da participante durante o programa. Bateu no peito e disse "vem ni mim", gesto que ela repetiu e bordão que Gleice levou até sua saída. Depois de ter tanta tragédia em sua vida, tenho certeza de que Gleice será cada dia mais forte, mais madura, batalhando um dia de cada vez no grande front da vida. Que essa lição de força da Gleice atinja todos nós. Não apenas com lágrimas e falta de ar.




(Gleice representa o futuro do país. Este MasterChef é um pouco diferente dos outros, porque ele está reproduzindo o que está acontecendo no Brasil. Um país em que não há mais lugar para sacanagem e para ambição desmedida. Aqui, eu conheci o Brasil de sucesso. Amém, Lee)

  


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A Vida é Bela - Uma Lição

Em 1997, surgiu o filme La Vita é Bella, um filme italiano dirigido e protagonizado por Roberto Benigni. Com música de Nicola Piovani, fotografia de Torino Delli Colli, direção de arte e figurino de Danilo Donati e edição de Simona Paggiesta esta obra ganhou o Oscar nas categorias melhor filme estrangeiro, melhor ator protagonista e melhor trilha sonora. Não podemos esquecer a brilhante atuação de Giorgio Cantarini como o menino Giosué. 

Na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, o judeu Guido é enviado a um campo de concentração junto com seu filho Giosué, que é ainda uma criança. Guido é um homem simples, inteligente e bem humorado, que resolve com determinação e amor fazer com que seu filho acredite que eles estão participando de um jogo, evitando que o menino perceba os horrores da guerra e a terrível situação em que se encontram.

Abaixo há um trecho do filme, onde Guido traduz com bom humor ordens estritas dos nazistas, fazendo o menino divertir-se em meio a uma situação tão preocupante. O filme foi aclamado pela crítica, e além do Oscar, recebeu vários prêmios e foi indicado a muitos outros.

Nas palavras dos próprios críticos, "esta história oferece a possibilidade de esperança em face do horror inabalável." 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Felicidade = Realidade - Expectativa

Infelizmente não posso escrever aqui que sou feliz. Mas nessa esperança, tenho aprendido muita coisa, e quero aqui compartilhar. Descobri que a felicidade não é algo que se possa comprar. Não é algo que se possa buscar. Não é algo que depende do tempo pra chegar. 

O mundo capitalista nos treinou e nos treina todos os dias em acreditar que a felicidade está relacionada às coisas materiais que possuímos. As propagandas de um belo carro relacionam ele ao sucesso e à felicidade. Os comerciais de roupas e acessórios nos afirmam que se comprarmos estes produtos seremos "melhores", seremos "felizes". 

Até as crianças são assim: Querem tanto um novo brinquedo, e assim que ganham, logo o esquecem, desejando outra coisa. Isso não significa que devemos nos acomodar - que é o outro extremo - mas que devemos ser felizes ANTES de termos o que desejamos. Devemos nos sentir felizes SEM DEPENDER  do que temos. 


Às vezes somos forçados a comprar e comprar. A própria sociedade que nos julga nos impõe o que devemos ter. Até alguns pastores iludem seus fiéis com promessas de carros e casas, afirmando que Deus quer que tenhamos essas coisas, e se não temos, é porque algo está errado...

Gostei da frase de Oscar Wilde, que disse: "Neste mundo há duas tragédias, uma é não conseguir o que se deseja, a outra é conseguir".
A explicação disso tudo é que não nos contentamos com "coisas" porque esse anseio não vem da mente e sim da alma, e a alma não se contenta com coisas materiais. Quando nos damos presentes e bens materiais, tentamos nos iludir, e é por isso que o anseio continua, sempre.

Gostei muito do vídeo abaixo e baseei meu texto nele. Infelizmente, há mais de SEIS BILHÕES DE PESSOAS que precisam aprender isso, e esse processo vai demorar muito.


domingo, 6 de setembro de 2015

Gaivotas

Ouvi uma música que me fez sentir aquele misto de tristeza e paz, de calma e vontade de chorar ao mesmo tempo. Em meio a tanto lixo produzido no Brasil, em meio a tanta letra cheia de palavrões e baixarias que os brasileiros adoram, encontrei essa música de Laura Padaratz, uma catarinense adolescente, filha do surfista e também grande músico Flávio "Teco" Padaratz, ela vem se destacando no meio musical, seguindo essa pegada de surf music, reggae e rock. Laura tem o talento musical dentro da alma, e nem vou falar da técnica, da afinação, da batida perfeita. 

Mas quero mesmo me apegar à música. Nesses dias em que vivemos é tão difícil falar de paz, é tão difícil sentir paz. O ser humano está obcecado por dinheiro, posição e bens materiais, e isso tomou conta do mundo com tamanha força que até quem não acha certo viver assim se vê na obrigação de ter, ter e ter mais para viver e ser visto como competente e respeitável. Tentamos viver o que acreditamos, mas é quase impossível. Como diz a letra de "Todos os Dias" da banda Catedral:

"Todos os dias quando eu vejo o mar
Me dá vontade de tentar viver
Tudo que acredito
Mas falta alguém para me resolver
Eu sinto que existo
Mas falta alguém pra chegar e dizer."

É fácil para o rico falar que não é preciso dinheiro. É fácil para o saciado falar de fome. É fácil para o bonito falar que beleza não é tudo. Ninguém entende tanto de paz quanto o soldado escondido numa trincheira lutando para que a guerra acabe. Se nos libertássemos dos anseios seríamos felizes. Ouça a canção, e medite na sua vida, no que você tem, no que não tem, e no que realmente vale a pena. 

"O mundo de hoje não percebe o que tem de bom
Eles esquecem das flores e do mar ignoram o som
Simplicidade é a fonte, e humildade é o principal
Não se preocupe com o resto, as consequências vêm ao final."

sexta-feira, 20 de março de 2015

LEGO - Protegendo a destruição da natureza?

A gigante do petróleo e da destruição do Ártico, a SHELL, havia fechado um contrato com a LEGO - que divertiu tanta gente com seus incríveis bloquinhos coloridos e bonequinhos divertidos - para tentar limpar sua imagem perante a sociedade. 

Mas os protestos vieram, e vieram fortes e rápidos. Não se pode aceitar que uma empresa extremamente preocupada apenas com o LUCRO use a influência de outra, que marcou tanto a infância das pessoas, para esconder sua irresponsabilidade e crueldade. O vídeo abaixo mostra de maneira clara o real significado desta aliança.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

6 Segredos para o Sucesso - Arnold Schwarzenegger

Nada melhor que começar o ano com uma mensagem de inspiração de ninguém menos que o gigante Arnold Schwarzenegger (que eu nem sabia que falava!). Brincadeiras a parte, suas palavras são verdade, apesar de difíceis para alguns como eu mesmo. É uma boa lição de perseverança.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sad Keanu


Esse cara lendo jornal tranquilamente num metrô se chama Keanu Reeves. Ele nasceu em uma família problemática. O pai foi preso quando ele tinha em torno de 12 anos por tráfico de drogas e sua mãe era stripper. Sua família libanesa se mudou para o Canadá e ele teve vários padrastos, uma infância complicada. Namorou Jennifer Syme, e ela engravidou, mas perdeu o bebê no oitavo mês de gestação. Separaram-se, e ela morreu num acidente de carro que foi televisionado para todo o país. Ele também é o único dos grandes astros de Hollywood que não tem uma mansão. Perguntado sobre o porquê, ele respondeu:
 - Moro num flat, tenho tudo que quero a hora que quero. Porque trocaria isso tudo por uma casa vazia?

Keanu Reeves teve um de seus melhores amigos mortos por overdose, River Phoenix (ator de Conta Comigo). Viu sua irmã mais nova ter leucemia, que quase a levou a morte. Ela se curou, e ele doou 70% do que ele ganhou em Matrix para hospitais que cuidavam da mesma doença que sua irmã teve.
Keanu Reeves morou alguns meses na rua junto com os sem teto, para se colocar no lugar dos mesmos, puramente por vontade própria. Quem já viu na rua o "sad Keanu" sabe que ele é mais ou menos assim, não anda com seguranças, come lanche na rua e usa roupas normais. Em seu aniversário, em 2010, Keanu foi numa padaria comprar um bolo pequeno com uma vela, e ficou comendo sozinho. Se algum fã o reconhecia, ele dava um pedaço do bolo.
Quando lhe perguntaram sobre este fato, ele respondeu:

 -Vocês precisam ser felizes para viver. Eu não.anos por tráfico de drogas e sua mãe era stripper. Sua família libanesa se mudou para o Canadá e ele teve vários padrastos.

Ele viu sua namorada morrer. Eles iam se casar, mas ela morreu num acidente de carro que foi televisionado para todo o país. Sua então namorada já estava um pouco depressiva porque ela havia perdido o bebê que o casal iria ter. Desde então, ele evita relacionamentos sérios e nunca casou ou teve filhos.

Ele também é o único dos grandes astros de Hollywood que não tem uma mansão no local. Perguntado sobre o porquê, ele respondeu:
- Moro num flat, tenho tudo que quero a hora que quero. Porque trocaria isso tudo por uma casa vazia?

Keanu Reeves teve um de seus melhores amigos mortos por overdose, River Phoenix (ator de Conta Comigo). Ele era irmão do também ator Joaquin Phoenix. Na mesma época, o pai de Keanu foi preso de novo por porte de drogas e condenado a 10 anos de prisão.

Keanu Reeves viu sua irmã mais nova ter leucemia, que a quase levou a morte. Ela se curou, e ele doou 70% do que ele ganhou em Matrix para hospitais que cuidavam da mesma doença que sua irmã tinha.

Keanu Reeves morou alguns meses na rua junto com os sem teto, para se colocar no lugar dos mesmos, puramente por vontade própria.


Quem já viu na rua o "sad Keanu" sabe que ele é mais ou menos assim.
Não anda com seguranças, come lanche da rua, usa roupas normais, etc.

No próprio aniversário dele, Keanu só foi numa lojinha comprar um bolo pequeno e ficou comendo sozinho. Se algum fã o reconhecia, ele dava um pedaço.

Quando perguntaram a ele sobre a alcunha de "sad Keanu" ele disse:
-Vocês precisam ser felizes para viver. Eu não.

Keanu Reeves merece meu respeito.

Já vi muitas coisas na internet a respeito disso, e muita piada também. Mas a verdade é que quando analisamos essa situação, aprendemos muito. O que importa mesmo, não é o quanto a vida bate na gente, mas o quanto aguentamos ficar em pé. Às vezes desanimamos mesmo, dá vontade de parar, mas não temos essa opção, ainda mais quando outros precisam da gente. Talvez o segredo seja isso: viver, apenas viver.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Reflita

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e nesse dia, um crime contra um animal será um crime contra a humanidade". (Leonardo Da Vinci)