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sábado, 12 de março de 2022

Rússia e Ucrânia

Ucrânia

Kiev, a atual capital da Ucrânia, foi o centro do primeiro estado eslavo, criado por um povo que se autodenominava “Rus”, isso em meados do século IX.

Foi a partir deste estado medieval que surgiram a Rússia e a Ucrânia, argumento este utilizado pelo presidente Putin para identificar a Rússia e a Ucrânia como povos irmãos, e que não está totalmente errado. A este estado medieval os historiadores chamaram “Rus de Kiev”.

São Vladimir Svyatolasvich, “O Grande”, consolidou o reino Rus, que se estendia no território que hoje corresponde à Belarus, Rússia e Ucrânia.

A região já foi dominada pelo Império Mongol no século XIII, foi dividida entre o Grão-Principado de Moscou e o Grão Principado da Lituânia no século XIV, e a partir de então, a Ucrânia sofreu influências diferentes relativas a cada dominador. Uma parte da região oeste foi influenciada pela dinastia dos Habsburgo, já a Crimeia teve influência dos povos gregos e tártaros, e teve períodos sob o domínio otomano e russo.

Em 1764, Catarina, a Grande, passou a avançar sobre terras ucranianas que eram dominadas pela Polônia. Com lo século XX veio a revolução russa e a União Soviética, que mexeu novamente com as fronteiras e com a influência sofrida pela Ucrânia.

Isso resume as mudanças e influências que a Ucrânia como povo vem sofrendo ao longo de séculos em busca de identificação e independência, sem falar do sofrimento como Holodomor, a grande fome imposta por Stalin para forçar camponeses ucranianos a se unirem ao regime comunista, e a transferência de soviéticos para a Ucrânia tentando uma dominação cultural.

Quando os nazistas invadiram a Ucrânia, muitas pessoas os tomaram por libertadores, que os libertariam do regime de Stalin, e deram seu apoio às forças alemãs. Hoje ainda existem muitas células neonazistas na Ucrânia, como o Batalhão de Azov, envolvidas diretamente com o Governo da Ucrânia e que foram criadas e armadas pela CIA na Guerra Fria, pois a CIA aproveitou-se deste sentimento de apoio ao nazismo que surgiu durante a Segunda Guerra.

Após o colapso da União Soviética, um tratado entre Rússia e Ucrânia definiram as fronteiras das duas nações, mas as diferenças continuaram existindo no meio do povo ucraniano devido às influências que sofreu sob domínio de tantos povos diferentes, muitos ucranianos desejam retornar ao controle da Rússia, que consideram sua pátria mãe, e outros desejam trilhar o caminho ocidental, abandonando as tradições herdadas da velha Rus de Kiev.

Ucrânia e suas fronteiras

 

Rússia e OTAN

A OTAN surgiu em 1949 com 12 membros iniciais, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Portugal, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica, Islândia e Luxemburgo, com o objetivo de frear a expansão da União Soviética, a velha história (que é usada ainda hoje por governos autoritários para manter seus eleitores ignorantes) da “ameaça comunista”.

O principal fundamento da Otan é a defesa mútua, não é um acordo comercial ou cultural ou de qualquer outro interesse, é um acordo militar. Com a queda da União Soviética, eu pergunto: por que a Otan ainda existe?

Hoje a Otan possui um número de membros muito maior, e cada membro investe 2% de seu PIB em gastos relacionados à defesa. Desde o fim da União Soviética, a Otan já incorporou a Polônia, a República Tcheca, a Romênia, a Bulgária, a Eslováquia, a Eslovênia, a Estônia, a Lituânia, a Letônia, a Albânia, a Croácia, Montenegro e Macedônia. A Otan se tornou uma ferramenta americana de ameaça contra a Rússia, pois os Estados unidos possuem grande interesse nos recursos da região, principalmente o gás.

Putin, ex-agente KGB, assumiu o comando da Rússia em 2000, e levou 8 anos para consolidar seu poder interno e levantar a Rússia de sua precária situação econômica, mas em 2008 começou a reagir com mão forte para virar o jogo imposto pela Otan.

A Rússia sempre quis criar um cordão sanitário em volta de suas fronteiras para evitar más surpresas, como a instalação de mísseis em áreas próximas, e por isso Putin critica tanto o fim da União Soviética, chamando de “a pior tragédia geopolítica da História”.

Não podemos negar que Putin age como o novo czar da Rússia, e manipula as informações dentro de seus muros, reprime manifestações contra seu governo e influência até mesmo fora de suas fronteiras, como no caso das eleições americanas que levaram Trump ao poder.

 

Estados Unidos

Os Estados Unidos têm influenciado, manipulado, invadido e destruído vários países sempre com a desculpa de proteger os interesses do povo americano ou de levar democracia a outros povos. Seja através da CIA, ou de invasão militar, ou ainda com sanções econômicas e políticas, os EUA perturbam a ordem e a soberania de países que consideram potencialmente perigosos. Mesmo hoje, enquanto criticam a ação da Rússia na Ucrânia, os EUA mantêm forças militares em vários países como Síria, Iêmen, Afeganistão, Iraque, Somália, Líbia e outros.

Também através da CIA os EUA têm fomentado golpes de estado e derrubada de governos democraticamente eleitos, como ocorreu na própria Ucrânia com Viktor Ianukovitch, presidente pró Rússia que foi derrubado depois de intensos protestos e ataques de grupos neonazistas como o Batalhão de Azov, todos fomentados pelos Estados Unidos.

 

A Situação Atual

O que você, leitor, acha que os EUA fariam se a Rússia criasse um pacto de defesa mútua com países como México, Venezuela, Cuba, Brasil, e utilizasse estes países como base de lançamento de mísseis intercontinentais? Os Estados unidos não interfeririam? Eu não tenho dúvidas.

Outra questão é o pacote de sanções econômicas sofridas pela Rússia, e por outros países que por qualquer motivo contrariam os interesses americanos, como Cuba e China. Quando os Estados Unidos invadem países, matam supostos terroristas e apoiam a derrubada de governos legítimos eu não vejo nenhuma sanção econômica sendo imposta. Já ouvi defensores do sonho americano afirmando que os EUA são o centro econômico do mundo e por isso não pode m sofrer sanções. Mas ser o centro econômico do mundo não dá o direito de influenciar ou subjugar outros países de acordo com sua vontade. 

Neste momento a economia russa está sendo estrangulada, as ações do principal banco da Rússia, o Sberbank, caíram 90%. A bolsa está fechada. Os juros foram aumentados. Mesmo assim a Rússia continua fazendo uma guerra de pressão contra a Ucrânia, cansando as defesas ucranianas e ainda sobra fôlego para ameaçar a Finlândia e a Suécia. O presidente da Ucrânia diz que seu exército não está cedendo, mas ao mesmo tempo afunda seus próprios navios com medo de perdê-los para a Rússia. A situação vai se prolongar.

 

Principados de Rus de Kiev

Possíveis Saídas

Mesmo com todas as sanções impostas à economia russa, ainda demora uns seis meses para que o sapato comece a apertar no pé russo. Acredito que seria viável a Ucrânia tornar-se um país neutro, não participando da OTAN. Da mesma forma a Rússia poderia aceitar a participação da Ucrânia na União Europeia, por não se tratar de um pacto de defesa, mas sim econômico. A independência das províncias de Donetsk e Lugansk poderiam ser reconhecidas pela Ucrânia, e um acordo de paz poderia ser assinado.

Ou na pior hipótese, a guerra pode se prolongar até a Rússia quebrar, o que pode fazer com que Putin aperte o cerco antes e force uma invasão total na Ucrânia, sendo que este fato pode acabar forçando também outros países a entrarem militarmente no conflito, enviando tropas, levando a guerra para o patamar mundial, o que na verdade ninguém quer, pois basta um líder “nervoso” escorregar o dedo no botão nuclear num momento de “aposto tudo” e só Deus sabe o que restaria da humanidade.

sábado, 9 de novembro de 2019

30 Anos da Queda do Muro de Berlim

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha - bem como o mundo todo - foi dividida em zonas de influência soviéticas e americanas. Comunismo e Capitalismo. Havia a República Democrática Alemã, pertencente aos russos, e a República Federal da Alemanha, pertencente ao bloco Ocidental. O problema é que Berlim ficava na parte oriental da Alemanha, que coube aos soviéticos...

Para resolver a questão, e evitar o contato entre capitalismo e socialismo, os líderes Walter Ulbricht e Nikita Kruschev construíram um muro dividindo Berlim. A construção começou em 1961, e ficou pronto em dois anos.

Uma curiosidade: o presidente russo, Vladimir Putin, na época era um oficial da KGB e trabalhava na Alemanha Oriental.

Com a mudança do modelo econômico na URSS a partir de 1980, e a falha das medidas econômicas conhecidas como Glasnost e Perestroika, o modelo comunista começou a desmoronar, e a queda foi inevitável.

Junto com a velha URSS, caiu também o muro. Na verdade, foi derrubado: em 09 de novembro de 1989, cidadãos de ambos os lados de Berlim, munidos de martelos e outras ferramentas, puseram abaixo várias partes do muro. No ano seguinte, ocorreu a reunificação da Alemanha, e a divisão acabou.

(algumas partes do muro ainda são mantidas em pé, como memorial histórico)

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Revolução dos Bichos - George Orwell

Terminei de ler este livro, que foi publicado em 1945 no Reino Unido. Uma crítica ao totalitarismo da União Soviética de Stalin, e atualmente, ainda é válida como um alerta a qualquer tipo de governo autoritário e hipócrita, seja ele de direita ou esquerda.

A fábula mostra perfeitamente como os ideais de uma sociedade justa - por mais bem intencionados que sejam - podem tornar-se uma ameaça quando impostas por um líder autoritário. 

A ignorância e a exploração dos trabalhadores - que desconhecem o seu poder e importância como geradores de riqueza - são o combustível para a manutenção da elite. Um líder autoritário, como o porco Napoleão da fábula, pode distorcer os ideais, manipular a história, e fazer alianças justamente com quem tratava antes como inimigo. Não há preocupação com os menos favorecidos, há somente interesse próprio.

O socialismo falhou, e a ditadura de Stalin matou milhões de pessoas, matou mais que o nazismo. O capitalismo também falhou, e somente permanece porque é o modelo econômico que favorece a elite. Se houvesse justa divisão de renda, o capitalismo seria viável, pois o único problema deste modelo econômico é que após a geração de lucro pelo trabalhador, este fica com a menor fatia, não há justa divisão. E se considerarmos todas as pessoas mortas em guerras por petróleo e território, e todas as pessoas que morrem de fome devido à exploração, o capitalismo matou muito mais que Stalin.

Em tempos de falsos leões (que na verdade também são porcos), o livro de George Orwell é uma obra que indico a todos. Juntamente com "1984", do mesmo autor, "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess formam uma biblioteca indispensável de alerta sobre os perigos da desinformação, da manipulação de ideias e fatos, da perda de liberdade em prol de segurança, da falta de consciência de classe e da falsa esperança de que líderes autoritários são a solução para países em desenvolvimento.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Keynesianismo

Todos sabemos - creio eu - que há duas principais teorias econômicas que influenciam e moldam o mundo em que vivemos: O Socialismo e o Capitalismo.

O Socialismo, que deveria ser um caminho para o Comunismo, foi teorizado mais profundamente por Karl Marx. É o fim da propriedade privada. É a valorização total do trabalhador. Infelizmente, por culpa do ser humano, o Socialismo não funcionou conforme foi teorizado, pois o homem em sua astúcia sempre quer tirar proveito de tudo, sempre corrompe o sistema, por melhor que o sistema seja.

Já o Capitalismo é a desvalorização do trabalhador. O endeusamento do capital, a sujeição do ser humano à categoria de engrenagem de uma máquina alimentada por suor, que gera lucro para o empregador. E o mais interessante sobre o Capitalismo é que este sistema também não funciona, mas pela influência da mídia paga pelos empresários, e pela manipulação das massas por aqueles que detém o poder econômico, o povo ignorante pensa que o sistema funciona, e se submete à desvalorização de seu próprio esforço de trabalho em troca de um fim de semana de descanso, futebol na TV, algumas cervejas e um churrasco...

Mas lá no começo do século XX um inteligente economista inglês chamado John Maynard Keynes propôs uma nova organização político-econômica que colocava o Estado como agente indispensável na Economia. Keynes afirmava que a Economia não se regula sozinha, conforme o pensamento dos Capitalistas, mas que o Estado deve intervir para proporcionar condições iguais a todos os envolvidos no sistema. Foi o Keynesianismo que salvou os Estados Unidos da crise de 1929, através do New Deal, Roosevelt trouxe o Estado de volta ao crescimento da economia e isso foi condição indispensável para a recuperação do país.

O modelo de Keynes não é a Estatização da Economia - como fizeram algumas potências comunistas -  mas o Estado assume um papel de regulamentação, intervindo na Economia sempre que a ambição desmedida do empregador se esquece das necessidades do trabalhador. Nos países da Europa Setentrional, as ideias de Keynes foram bem aceitas, e geraram o que se chama hoje de Estado do Bem-Estar Social.

No modelo de Keynes, o Estado deve:

- Intervir na Economia, atuando em áreas onde a iniciativa privada não quer ou não tem capacidade para atuar;

- Criar ações politicas voltadas para o protecionismo econômico;

- Parar o Liberalismo Econômico;

- Criar medidas que levem ao pleno emprego, equilibrando a capacidade de demanda e produção, indiferente à ganância dos empregadores;

- Estimular a Economia em momentos de crise;

- Criar políticas fiscais evitando o descontrole da inflação.

Essa interessante teoria - que já se provou excelente na recuperação de países após grandes crises e até mesmo após a Segunda Guerra Mundial - vem sendo barrada pelo Liberalismo Econômico, pelo Capitalismo, pela ganância de empregadores que se dizem "preocupados" com os trabalhadores, mas na verdade só se preocupam com seu bolso. Se você quer conhecer mais sobre o modelo Keynesiano, procure o livro A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado pela primeira vez em 1936 por John Maynard Keynes.

sábado, 13 de maio de 2017

Sergei Ivanovich

Sergei Ivanovich é membro integrante da poderosa marinha russa, e nos próximos dias, estará em águas mediterrâneas participando da missão de apoio ao conflito sírio.
 
Ele herdou o nome do criador do famoso rifle russo Mosin-Nagant - (Sergei Ivanovich Mosin) - e sua família já participou de outras missões, trabalhando em navios de guerra russos. Ele é amigo de toda a tripulação do navio, e todos afirmam que ele tornará suas missões no mar mais divertidas.

Autorizado pelo Ministério da Defesa Russo, Sergei embarcará em breve em um dos cruzadores de mísseis guiados "Moskva", onde tocará os sinos do navio. Sergei é um simpático gato de pelo laranja.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

O discurso de Vladimir Putin

Esse discurso foi feito no Kremlin. Há muita gente analisando o conservadorismo de Putin, e muita gente criticando, chamando-o de falso conservador. Eu entendo que Putin é um líder que carrega em seus ombros a morte de centenas de milhares de pessoas (lembrando que os líderes das grandes potências concorrentes também não são santos), mas seu discurso, do meu ponto de vista, foi muito válido. 

Ele falou o que muita gente quer falar e não pode porque tem medo, porque não se pode mais criticar as coisas que não são naturais, porque a minoria está impondo à maioria "direitos" que eles exigem, nos tomando o nosso próprio direito de ter opinião.

Às vezes essas coisas acontecem, e o mundo precisa que um homem mau, mas poderoso, fale o que os homens bons têm medo de falar. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

ONU - Crise Humanitária Mundial

Com a guerra na Síria, a fome no Sudão, o furacão no Haiti e os refugiados da Síria, Iraque e Iêmen a ONU se encontra numa crise financeira, pois neste ano precisará de 22,2 bilhões de dólares para financiar suas operações. Desde o final da Segunda Guerra nunca houve tantas pessoas em risco no mundo, enfrentando guerra, fome e desastres naturais.

São mais de 128 milhões de pessoas afetadas por esses problemas, mas quem se importa? Rússia e EUA estão mais preocupados em aumentar os seus domínios através destas guerras. A China tenta dominar o mundo através da economia sem se preocupar com problemas humanitários. A Alemanha faz sua parte acolhendo e ajudando refugiados, mas não vai resolver tudo sozinha. O mundo mudou.

Ano passado a ONU recebeu apenas 52% da verba necessária e arcou com um rombo gigante em suas finanças. Logo não haverá mais recursos e as pessoas que necessitam de socorro estarão totalmente desamparadas.

A nós, pobres civis sem poder político, só resta torcer por uma mudança radical de pensamento naqueles que tem o poder nas mãos. Chamam esses problemas atuais de crise humanitária. Eu chamo de falta de humanidade.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A Rapunzel Russa - curiosidade

Darya Gubanova não corta o cabelo há treze anos. Ela é conhecida como a Rapunzel Russa. Mora a 3.500 Km de Moscou numa cidadezinha chamada Barnaul. Trata o cabelo com óleo de linhaça, e pretende deixá-los chegar até os pés. Impressionante.



terça-feira, 16 de agosto de 2016

A Guerra Fria Ressurge

Na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, ouvimos os repórteres da Globo dizendo que a Rússia entrou na arena de cabeça baixa, envergonhada, devido aos "escândalos" relacionados ao doping, e embora tenhamos visto a alegria dos russos durante a entrada de sua delegação, acreditamos na Globo, por sermos ignorantes e termos nossa mente moldada pela mídia. Mas o que ocorre é algo bem mais intrincado, e o vídeo a seguir é esclarecedor. 

A diferença entre o Brasil e a Rússia é que o povo russo sempre lutou por seu país, e nunca vai abaixar a cabeça para a colonização cultural, para as mentiras da elite e para o imperialismo americano.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Hyperloop construirá transporte a vácuo ligando a Rússia à China

A empresa Hyperloop One (California, EUA) será responsável pela construção de um transporte de alta velocidade a vácuo no Extremo Oriente. O ministro dos transportes da Rússia - Maksim Sokolov - afirma que o projeto será realizado com o apoio da Rússia e ligará a província de Jilin na China ao porto de Slavianka na Rússia.

Essa construção que será 30% mais barata que uma ferrovia tradicional, terá uma capacidade de carga anual de 10 milhões de toneladas.


O projeto de transporte a vácuo foi apresentado pela primeira vez em 2012, por ninguém menos que Elon Musk (Tesla Motors e SpaceX), o gênio visionário dos transportes futuristas. As cápsulas a vácuo podem viajar a uma velocidade de até 1.220 km/h.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Trump muda o tom de conversa com Putin

Donald Trump, aquele "simpático" senhor que pretende ser presidente dos EUA, já trocou elogios com o presidente russo Vladimir Putin no passado. Usou essa pretensa amizade apenas até derrotar alguns concorrentes republicanos. Agora que os resultados da eleição presidencial se aproximam nos EUA, Trump vem substituindo seus elogios por ameaças à Rússia.

Quando Trump soube que aviões russos estavam manobrando próximos aos navios americanos no Mar Báltico, declarou que - se estivesse no lugar de Obama - teria ligado imediatamente ao presidente Putin pedindo explicações sobre estes vôos e lembrando a ele a possibilidade de abater esses aviões caso tal medida se tornasse necessária (e receber um míssil nuclear russo na cabeça logo em seguida!).

Se esse senhor nervosinho se tornar presidente dos EUA, as possibilidades de uma guerra nuclear, ou de uma nova guerra fria, se tornarão muito maiores...

domingo, 15 de maio de 2016

Raskólnikov e as pessoas extraordinárias - Crime e Castigo

Estou lendo Crime e Castigo, do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, que o escreveu quando estava preso em Omsk, privado de toda dignidade e consumido pelo frio, fome e trabalho forçado incessante, além de crises epiléticas e outras moléstias, mas sempre imaginando como viveria ao recuperar a liberdade.

O personagem principal é Raskólnikov, um jovem que saiu de sua cidade deixando mãe e irmã, e foi estudar direito em São Petersburgo. Logo ele vê seus recursos acabarem, e o pouco dinheiro que sua mãe viúva lhe envia mal dá para seu sustento. Vendo-se nesta situação, Raskólnikov comete um crime, e como afirma o livro, "...consumado o crime, o castigo se põe em marcha."


Mas o que me chamou atenção foi um texto, escrito pelo próprio Raskólnikov, em um de seus trabalhos de faculdade, que intitula-se - de acordo com a memória de outro personagem - "Do Crime". Transcrevo abaixo a explanação do próprio Raskólnikov sobre o trecho que me pôs a pensar:

"Em geral, as pessoas com novas ideias, as pessoas minimamente capazes de fazer, ao menos, algo novo, nascem extremamente poucas, até, eu diria, estranhamente poucas. Apenas está claro que a ordem de aparecimento das pessoas e de todas essas categorias e subdivisões deve ser determinada, com muita certeza e precisão, por alguma lei da natureza. Desconhecemos, bem entendido, essa lei hoje, mas eu acredito que ela existe e, no futuro, pode tornar-se conhecida. Essa enorme massa humana, esse material existe na terra somente para que, afinal de contas, por meio de algum esforço, mediante algum processo até agora misterioso, com o auxílio de algum cruzamento de clãs e gêneros, apareça enfim nesse mundo, nem que seja só uma de mil pessoas, um homem minimamente autônomo. Um homem cuja autonomia seja mais ampla nasce, quem sabe, um só entre dez mil pessoas (...). Um homem de autonomia mais abrangente ainda nasce sozinho entre cem mil pessoas. Um homem genial surge sozinho no meio de milhões de pessoas, e os grandes gênios, os timoneiros da humanidade, nascem, talvez, no passar de vários milhares de milhões de pessoas que vivem na terra. Em suma, eu não vi aquela retorta, em que todo o processo se faz. Mas certa lei, sem dúvida, existe e deve existir: não há casualidade nisso."

Várias vezes pensei a respeito disso antes mesmo de conhecer a obra. Como explicar gênios do mundo financeiro e científico como Bill Gates, Steve Jobs, Albert Einstein, Miguel Nicolelis? Como explicar grandes escritores como Tolkien, Asimov e o próprio Dostoiévski? Não desmerecendo o esforço e a capacidade de cada um deles, mas eu sempre penso nos que tentaram e não conseguiram, e talvez a única explicação seja essa pré-determinação, essa escolha natural dos vencedores. Somos todos capazes, mas na maioria covardes, ou o herói é apenas um covarde que foi empurrado para a frente? Não seria mais provável que o vencedor seja alguém com o "gene da vitória" já inserido em seu DNA? 

Sempre me questiono e sofro junto com as pessoas que vejo batalharem a vida toda, trabalharem - mais até do que outras - e não alcançarem seus objetivos, não alcançarem uma vida digna, não alcançarem seus sonhos. Há tanta gente competente ocupando postos incompatíveis com elas, e há tanta gente ignorante ocupando lugares de honra. Algumas vezes não é falta de esforço, nem de coragem, nem de capacidade, é apenas falta de sorte mesmo. E como explicar isso? Talvez era isso que incomodava o jovem Raskólnikov, destituído de seus sonhos, deitado em sua cama pobre, em seu quarto "que mais parecia um armário". Talvez seja esse o sentimento que cria o desespero e a falta de fé. Raskólnikov buscava uma explicação, e a única que encontrou foi essa seleção natural, determinada por algum ser superior. 

É apenas um texto, apenas uma história, e eu até torço para que a verdade não esteja nessas linhas.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Oymyakon - a Geladeira Russa

Você acha que o inverno chegou na região abaixo do Equador? Você que mora na região sul do Brasil está reclamando das manhãs "frias"? Te convido a conhecer Oymyakon, uma típica cidadezinha russa que fica ao leste da Sibéria, às margens do rio Indigirka. Com 500 habitantes, a cidade já registrou - em 6 de fevereiro de 1933 - a temperatura de -67,7 ° Celsius!!!


Oymyakon nasceu de uma necessidade: dar amparo aos pastores de renas, que utilizam uma fonte de águas termais (irônico, não?) da região para aquecerem seus rebanhos. A vida é extremamente difícil, os habitantes alimentam-se de carne de cavalo e de rena, o solo é permanentemente congelado, e as escolas suspendem as aulas quando a temperatura está abaixo dos -50° Celsius (os russos merecem meu respeito). Em temperaturas abaixo de -50° Celsius, combustíveis e até a tinta de canetas esferográficas congelam... Se você jogar um copo de água para cima, verá a água congelar durante a queda!

Curiosamente, os verões têm temperaturas na média de 34° Celsius, o que permite obter alguns vegetais nesta época, mas a duração do verão é muito curta e, por incrível que pareça, os habitantes reclamam mais do verão que do inverno.

Abaixo, algumas fotos feitas pelo neozelandês Amos Chapple, que se aventurou pelo doce clima de Oymyakon.




terça-feira, 8 de março de 2016

Russa barrada no antidoping

Maria Sharapova, a "deusa do tênis", mostrou seu lado humano ao ser apanhada no exame antidoping durante o Open da Austrália, e será suspensa a partir de 12 de março.

Maria afirmou que toma meldonium - um modulador metabólico que aumenta a resistência, a recuperação após o esforço físico, combate o stress e fortalece o sistema nervoso central -  desde 2006. Essa substância se tornou proibida este ano, e Sharapova não verificou a lista atual de produtos proibidos...

Russos! Não me decepcionem!

sábado, 12 de dezembro de 2015

CBSNews apresenta Entrevista com Putin - parte 3

Esta é a última parte da entrevista com o presidente Putin. Mesmo sendo um pouco evasivo em suas opiniões sobre os EUA e o presidente Obama, Putin fala sobre a influência que os EUA tem no mundo, na economia e na política. 

domingo, 8 de novembro de 2015

CBSNews apresenta Entrevista com Putin - parte 1

Em tempos onde estamos à beira da Terceira Guerra Mundial, é bom saber o que pensa o líder da maior potência militar do planeta.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Putin - O Novo Czar

Terminei de ler hoje um livro que encontrei por acaso no último Salão do Livro que aconteceu em Lages - SC: "Putin, A Face Oculta do Novo Czar". Uma obra completa sobre o ex-agente da KGB que tornou-se a nova mão de ferro que rege a Rússia. Histórias interessantes de sua infância e adolescência em São Petersburgo, sua estada na Alemanha Oriental como agente, sua atuação ao lado de Sobchak, o prefeito. Sua acolhida pelo já decadente partido de Boris Yeltsin e sua ascensão ao poder. 

A maneira como ele estrangulou a mídia e afastou, prendeu ou executou seus opositores, sendo estes jornalistas, políticos ou mesmo milionários poderosos. Sua manipulação do poder, o fim dos partidos políticos, as ameaças, os falsos sequestros, os supostos ataques a bomba, a guerra na Chechênia o poder da FSB (a nova KGB) e o terror imposto ao povo, já cansado de tudo. 
Masha Gessen, a autora, relata com coragem a atmosfera da União Soviética, e as decepções de sua época. 

Os dois lados da moeda: Putin como mal necessário para conter a mania de supremacia americana, e também como carrasco da liberdade de seu próprio povo. 
Leiam o livro, é muito, muito interessante.

terça-feira, 12 de maio de 2015

09 de maio - O Dia da Vitória

No dia 09 de maio a Rússia comemorou o fim da Segunda Guerra Mundial. O evento foi ignorado e boicotado pelo Ocidente, mas a Rússia contou com outras autoridades que prestigiaram a festa. Mais de 16 mil soldados desfilaram na celebração, e a Rússia apresentou alguns novos veículos de combate. 

Obama citou o fim do conflito, homenageando todos que deram suas vidas nessa luta, mas não citou as forças russas, que foram decisivas para o fim do conflito. Quem estuda História sabe que o dia D foi importante para o fim da ditadura de Hitler, mas o avanço russo sobre Berlim foi o que realmente pôs fim ao conflito. 

Em 22 de junho de 1941 as forças alemãs invadiram a Rússia, na conhecida Operação Barbarossa. Tomaram várias cidades, e a força aérea russa foi esmagada pela Luftwaffe. Os céus de Stalingrado foram dominados, mas algumas mulheres operárias resolveram operar baterias de tiro contra os tanques alemães. Mesmo sendo empurrados para uma pequena faixa de terra de 900 metros próximo ao rio Volga, e sendo alvo de bombardeio constante, os soldados soviéticos seguraram a situação até o inverno, quando realizaram uma contra-ofensiva atacando pelos flancos, fechando as forças alemãs em Stalingrado. 

Snipers femininas do Exército Russo. Foto P. Bernstien

Os soviéticos ofereceram a oportunidade de rendição aos alemães, que foi recusada - porque os oficiais alemães sentiam muito medo de Hitler - e causou a eliminação completa do 6º Exército alemão. Esta batalha durou 199 dias. 

Após essa e outras derrotas do Reich em território soviético, os russos vieram sobre a Alemanha, dispostos a por um fim ao conflito mundial. A Operação Bagration retirou completamente as forças alemãs da Rússia, Bielorússia e Polônia. A ação resultou na completa destruição do 4º Exército alemão, 9º Exército Alemão e 9º Exército Panzer. Logo após, os russos entraram na Alemanha lançando vários ataques desde o Mar Báltico até a região dos Cárpatos. A batalha durou até o mês de maio, e no dia 09 deste mês, a Alemanha se rendia às forças soviéticas.

Mesmo ignorados pelas potências ocidentais, vale ser lembrado o patriotismo do povo russo, e sua força e união na hora de defender o país.

Bandeira da Vitória sobre Berlim. Foto Evgeny Haldei

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Putin - 15 Anos da Mão de Ferro sobre a Rússia

No dia 07 de maio de 2000 Putin foi empossado presidente da Rússia. A cerimônia - que era sempre no Palácio Estatal do Kremlin - foi transferida para o Grande Palácio onde viveram os czares.

O jovem encrenqueiro da velha Leningrado, o agente feroz da KGB, o coronel, o piloto de caça, assumia um país quebrado, sem promessas de esperança, intitulando-se com orgulho de "novo Stalin", como se isso fosse um elogio...

Alguns "interessantes" decretos de Putin, assim que assumiu o poder:

- Imunidade judicial a Boris Yeltsin;

- Nova doutrina militar, incluindo o direito de usar armas nucleares contra agressores;

- Treinamento militar obrigatório para os reservistas;

- Classificação de informações como secretas;

- Treinamento militar obrigatório nas escolas secundárias públicas e particulares;

- Aumento de 50% no orçamento da defesa - num país onde 80% da população afundava na miséria.

Vozes da oposição foram silenciadas, políticos e jornalistas encontraram a morte cedo demais, o recado fora dado aos russos e ao resto do mundo: "Não se metam comigo".