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domingo, 15 de maio de 2016

Raskólnikov e as pessoas extraordinárias - Crime e Castigo

Estou lendo Crime e Castigo, do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, que o escreveu quando estava preso em Omsk, privado de toda dignidade e consumido pelo frio, fome e trabalho forçado incessante, além de crises epiléticas e outras moléstias, mas sempre imaginando como viveria ao recuperar a liberdade.

O personagem principal é Raskólnikov, um jovem que saiu de sua cidade deixando mãe e irmã, e foi estudar direito em São Petersburgo. Logo ele vê seus recursos acabarem, e o pouco dinheiro que sua mãe viúva lhe envia mal dá para seu sustento. Vendo-se nesta situação, Raskólnikov comete um crime, e como afirma o livro, "...consumado o crime, o castigo se põe em marcha."


Mas o que me chamou atenção foi um texto, escrito pelo próprio Raskólnikov, em um de seus trabalhos de faculdade, que intitula-se - de acordo com a memória de outro personagem - "Do Crime". Transcrevo abaixo a explanação do próprio Raskólnikov sobre o trecho que me pôs a pensar:

"Em geral, as pessoas com novas ideias, as pessoas minimamente capazes de fazer, ao menos, algo novo, nascem extremamente poucas, até, eu diria, estranhamente poucas. Apenas está claro que a ordem de aparecimento das pessoas e de todas essas categorias e subdivisões deve ser determinada, com muita certeza e precisão, por alguma lei da natureza. Desconhecemos, bem entendido, essa lei hoje, mas eu acredito que ela existe e, no futuro, pode tornar-se conhecida. Essa enorme massa humana, esse material existe na terra somente para que, afinal de contas, por meio de algum esforço, mediante algum processo até agora misterioso, com o auxílio de algum cruzamento de clãs e gêneros, apareça enfim nesse mundo, nem que seja só uma de mil pessoas, um homem minimamente autônomo. Um homem cuja autonomia seja mais ampla nasce, quem sabe, um só entre dez mil pessoas (...). Um homem de autonomia mais abrangente ainda nasce sozinho entre cem mil pessoas. Um homem genial surge sozinho no meio de milhões de pessoas, e os grandes gênios, os timoneiros da humanidade, nascem, talvez, no passar de vários milhares de milhões de pessoas que vivem na terra. Em suma, eu não vi aquela retorta, em que todo o processo se faz. Mas certa lei, sem dúvida, existe e deve existir: não há casualidade nisso."

Várias vezes pensei a respeito disso antes mesmo de conhecer a obra. Como explicar gênios do mundo financeiro e científico como Bill Gates, Steve Jobs, Albert Einstein, Miguel Nicolelis? Como explicar grandes escritores como Tolkien, Asimov e o próprio Dostoiévski? Não desmerecendo o esforço e a capacidade de cada um deles, mas eu sempre penso nos que tentaram e não conseguiram, e talvez a única explicação seja essa pré-determinação, essa escolha natural dos vencedores. Somos todos capazes, mas na maioria covardes, ou o herói é apenas um covarde que foi empurrado para a frente? Não seria mais provável que o vencedor seja alguém com o "gene da vitória" já inserido em seu DNA? 

Sempre me questiono e sofro junto com as pessoas que vejo batalharem a vida toda, trabalharem - mais até do que outras - e não alcançarem seus objetivos, não alcançarem uma vida digna, não alcançarem seus sonhos. Há tanta gente competente ocupando postos incompatíveis com elas, e há tanta gente ignorante ocupando lugares de honra. Algumas vezes não é falta de esforço, nem de coragem, nem de capacidade, é apenas falta de sorte mesmo. E como explicar isso? Talvez era isso que incomodava o jovem Raskólnikov, destituído de seus sonhos, deitado em sua cama pobre, em seu quarto "que mais parecia um armário". Talvez seja esse o sentimento que cria o desespero e a falta de fé. Raskólnikov buscava uma explicação, e a única que encontrou foi essa seleção natural, determinada por algum ser superior. 

É apenas um texto, apenas uma história, e eu até torço para que a verdade não esteja nessas linhas.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Putin - O Novo Czar

Terminei de ler hoje um livro que encontrei por acaso no último Salão do Livro que aconteceu em Lages - SC: "Putin, A Face Oculta do Novo Czar". Uma obra completa sobre o ex-agente da KGB que tornou-se a nova mão de ferro que rege a Rússia. Histórias interessantes de sua infância e adolescência em São Petersburgo, sua estada na Alemanha Oriental como agente, sua atuação ao lado de Sobchak, o prefeito. Sua acolhida pelo já decadente partido de Boris Yeltsin e sua ascensão ao poder. 

A maneira como ele estrangulou a mídia e afastou, prendeu ou executou seus opositores, sendo estes jornalistas, políticos ou mesmo milionários poderosos. Sua manipulação do poder, o fim dos partidos políticos, as ameaças, os falsos sequestros, os supostos ataques a bomba, a guerra na Chechênia o poder da FSB (a nova KGB) e o terror imposto ao povo, já cansado de tudo. 
Masha Gessen, a autora, relata com coragem a atmosfera da União Soviética, e as decepções de sua época. 

Os dois lados da moeda: Putin como mal necessário para conter a mania de supremacia americana, e também como carrasco da liberdade de seu próprio povo. 
Leiam o livro, é muito, muito interessante.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Putin - 15 Anos da Mão de Ferro sobre a Rússia

No dia 07 de maio de 2000 Putin foi empossado presidente da Rússia. A cerimônia - que era sempre no Palácio Estatal do Kremlin - foi transferida para o Grande Palácio onde viveram os czares.

O jovem encrenqueiro da velha Leningrado, o agente feroz da KGB, o coronel, o piloto de caça, assumia um país quebrado, sem promessas de esperança, intitulando-se com orgulho de "novo Stalin", como se isso fosse um elogio...

Alguns "interessantes" decretos de Putin, assim que assumiu o poder:

- Imunidade judicial a Boris Yeltsin;

- Nova doutrina militar, incluindo o direito de usar armas nucleares contra agressores;

- Treinamento militar obrigatório para os reservistas;

- Classificação de informações como secretas;

- Treinamento militar obrigatório nas escolas secundárias públicas e particulares;

- Aumento de 50% no orçamento da defesa - num país onde 80% da população afundava na miséria.

Vozes da oposição foram silenciadas, políticos e jornalistas encontraram a morte cedo demais, o recado fora dado aos russos e ao resto do mundo: "Não se metam comigo". 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

São Sérgio de Radonej - O Reformador Russo

Sergey Radonezhsky, era mestre e conselheiro de um monastério ortodoxo, e o mais importante reformador monástico da Rússia Medieval.

Veio de uma família nobre, nasceu em 1314 em Rostov. Aos 22 anos, se recolheu para meditação e estudos em um mosteiro isolado na floresta, onde um urso o acompanhava. Atuou em muitas missões diplomáticas para o príncipe Dmitry Donskoy.

Saint Sergius, the Builder - by Nicholas Roerich - 1925


Tornou-se um dos santos mais venerados da igreja ortodoxa e um dos patronos da Rússia. Morreu em 25 de setembro de 1392 e suas relíquias estão na Catedral da Santíssima Trindade, em Serguiev Possad, próximo a Moscou.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

#365Livros - #Livro200 - A RESPOSTA À BIBLIA DE MOSCOU




A Resposta à Bíblia de Moscou
Richard Wurmbrand

Diante de tamanha força de vontade, minha abalada fé se sente envergonhada. Deus não dá a ninguém uma cruz mais pesada do que o que se possa carregar. Mas que Deus é esse que sabe o que você vai passar, mas fica alheio à maldade do mundo, à crueza do ser humano? Será ele capaz de condicionar sua salvação à sua sorte de ter tido, em vida, a oportunidade de conhecer um homem chamado Jesus?
Uma música evangélica diz que ou você questiona, ou você adora. Eu acho isso uma palhaçada enorme, porque se Ele existe, foi ele próprio que me deu inteligência. Foi ele quem deu o start no mundo, até chegarmos onde estamos. O próprio Jesus questionou, mas também foi obediente.
Assim, também o foi Richard Wurmbrand. Perseguido pelo comunismo, por traz da cortina de ferro, Richard foi torturado, perdeu a família, perdeu a dignidade humana, mas não perdeu a fé. Porque se submeter a tanta atrocidade por um Deus que nem olha por você, que não faz nada para te salvar? Eu não sei. Eu perdi a minha fé. Talvez depois de falar isso o Marvin nem olhe mais na minha cara... mas eu não posso mentir para mim mesma, até porque se Ele existe, saberá que estou mentindo.
Então, não sei qual o propósito de tanto sofrimento para um ser indiferente. Os crentes bitolados vão dizer que Ele não é indiferente, eu que sou indiferente, eu que não sou obediente... eu quero crer nisso, que Ele não é indiferente, que Ele tem o bastão da justiça, e que assim como o Sr. Wurmbrand conseguiu sua recompensa depois de se manter firme na sua fé, aqueles que andam pelos caminhos corretos também terão sua recompensa. Eu quero crer nisso.
Mas é difícil.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

#365Livros - #Livro172 - O MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA (MARVIN)



O Manifesto do Partido Comunista
Friedrich Engels e Karl Marx

“A história de toda a sociedade até hoje é a história de luta de classes. Homens livres e escravos, patrícios e plebeus, barões e servos, mestres e companheiros, opressores e oprimidos, sempre estiveram em guerra, numa luta que sempre terminou com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em luta.”
Comunistas de várias nacionalidades reuniram-se em Londres e esboçaram o manifesto comunista, manual do comunismo que, infelizmente, foi mal administrado e distorcido, tornando-se como um espectro a rondar a Europa e o resto do mundo, um fantasma a ser caçado pelas nações ditas “civilizadas”. Este livro é um resumo dos ideais, do modo de ver, dos objetivos e tendências comunistas, opondo-se à lenda do espectro, mostrando o que deveria ter sido o comunismo pensado por Marx e Engels.