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terça-feira, 19 de março de 2019

Amadorismo

Jornal publica matéria criticando os assessores de imprensa das prefeituras da região Serrana de Santa Catarina, devido a erros de português das notas que são enviadas para a imprensa.

O interessante é que a matéria publicada contém erros de português!


"Texto" escrito com "s" e o artigo "a" antes da palavra "imprensa" sem a crase.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Babás também são gente

No dia 24 de maio, Marciléia Eunice Garcia e Francisca Clarice Canelo Mesquita tomaram um avião - por motivo de trabalho - que saiu da Fazenda Caiman, no Pantanal e acabou fazendo um pouso forçado a cerca de 30 Km de Campo Grande (MS).

Elas trabalham como babás, e estavam acompanhando uma família, cuidando dos três filhos do casal. Uma das babás ainda teve que ouvir reclamações dos pais por ter "apertado" muito a menina, filha do casal, durante a queda. A marca vermelha da pressão no corpo da menina fez os pais pensarem que ela havia se machucado na queda.

A imprensa não havia noticiado nada sobre as profissionais, não disse se elas estavam bem, se foram levadas ao hospital, se suas famílias foram informadas, se elas precisam de tratamento psicológico pós traumático (coisa que os seus "patrões" já estão fazendo). O G1 acabou informando o nome das babás após ver comentários no site e nas redes sociais que questionavam o posicionamento da imprensa sobre elas.

O motivo do descaso para com estas babás sem nome, sem voz, sem importância perante a sociedade, é que elas são "apenas" babás, e seus "patrões" são Luciano Huck e Angélica.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ataque à Revista Francesa Charlie Hebdo

Na manhã do dia 07 de janeiro doze pessoas foram covardemente assassinadas por extremistas islâmicos, fanáticos religiosos, ignorantes que se escondem atrás de uma religião. Entre os mortos, quatro cartunistas venerados na França e no mundo: Georges Wolinski, Jean Cabut, Stephane Charbonnier e Tignous. O motivo: charges a respeito de religiosos e suas maluquices. Nosso respeito às vítimas do ataque, às suas famílias e aos cidadãos franceses. Foi um ato covarde. Um ataque ao humor, à imprensa e à liberdade de opinião.

Esperamos que os governos do mundo não fiquem de braços cruzados. Quantas pessoas mais precisam morrer para que alguém reaja? Os assassinos gritavam "vingamos o profeta" e "Alá é deus". Que deus é este? Que o braço forte da justiça caia sobre os fanáticos de todas as religiões. Onde há fanatismo, o amor é esquecido. Ainda há alguns imbecis afirmando que o humor exercido pelos editores da Charlie Hebdo era agressivo demais. Agressivo? E atirar em pessoas com fuzis não é agressivo?


(Charge sobre o ataque, de Ruben L. Oppenheimer)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

E se a Intervenção Militar viesse com Braço Forte?

No sábado, dia 15 de novembro, milhares de pessoas em várias cidades foram às ruas protestar contra o governo de Dilma, e pedir intervenção militar. O cantor Lobão, um dos "líderes" das manifestações, percebeu o mico que estava pagando entre os paulistanos que pediam intervenção militar e abandonou as ruas de São Paulo, voltando para sua toca. 

O povo pede intervenção militar, sem lembrar ou sem saber do que ocorreu na ditadura. Com a intenção de mostrar o que realmente aconteceria se estivéssemos sob os cuidados do Exército, o site Terra publicou uma matéria fictícia, mostrando o que aconteceria com os tais manifestantes se seu pedido de intervenção militar fosse atendido. Excelente matéria, vale a pena ler.

sábado, 23 de março de 2013

Yoani Sánchez

Eu prefiro sempre esperar a poeira baixar pra deixar minha opinião sobre o vento. E o vento que tem levantado muita poeira no momento se chama Yoani Sánchez. Ela é jornalista, blogueira e filóloga cubana nascida em Havana em 4 de setembro de 1975, escritora e editora de blog Generación Y, desde abril de 2007. Neste blog ela denuncia a situação social de Cuba e o cotidiano dos cidadãos cubanos. Seu blog não pode ser acessado por ela, que envia seus posts por e-mail ou telefone para pessoas que atualizam o blog de outros locais. O blog foi bloqueado desde março de 2008, sendo que, em Cuba, pouca gente conhece Yoani. Fidel chama seu blog de “imprensa neocolonialista da antiga metrópole espanhola que a premia”, referindo ao prêmio Ortega y Gasset que Yoani obteve.
Yoani teve o prédio onde mora vigiado pelo Governo em 2009, foi sequestrada e agredida em novembro do mesmo ano, e tem grande dificuldade em sair do país (como todo cubano).
Muita gente a critica, muito brasileiro recebeu Yoani com pedras nas mãos (é claro, moramos num país perfeito!) e muitos jornalistas chamam Yoani de sensacionalista e afirmam que ela cai em contradição ao falar do sequestro e da tortura de 25 minutos pela qual passou (deixa eu torturar você 25 minutos pra ver se você também não cai em contradição...). O Jornal do Brasil (grande mer...) afirma até que ela usa sites de trocas de seguidores pra aumentar a popularidade no twitter (e o michel teló não...) e não conseguiu provar a agressão sofrida no sequestro.
O jornalista francês Salim Lamranium (já perdeu a credibilidade) praticamente chamou Yoani de mentirosa em uma entrevista que ela concedeu a ele, na qual ele se preocupou apenas em enchê-la de perguntas sobre o sequestro, sem se importar em saber sobre o cotidiano vivido por ela, porque o imbecil afirma ser “especialista” em assuntos relacionados a Cuba.
Se os posts da Yoani são verdadeiros em sua totalidade ou não, eu não sei. Afinal, não moro em Cuba. Mas se seu blog incomoda tanto a ponto de o governo Cubano enviar agentes para vigiá-la, bloquear o acesso ao blog, perseguí-la e chama-la de “imprensa neocolonialista”, só isso já é um grande sinal de que há uma ferida aberta na qual Yoani está cutucando com força. Só pra lembrar, o blog de Yoani foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela CNN, e o jornal espanhol El País a incluiu na lista das cem personalidades hispano-americanas mais influentes do mundo em 2008 (Fidel e Raúl não estão na lista). A revista Time fez o mesmo, colocando-a junto a Hu Jintao e Dalai Lama.
O Salim se pergunta como Yoani pode ser influente se é desconhecida em seu próprio país... (dai-me paciência, Senhor) sem perceber que ela é desconhecida DEVIDO À DROGA DO BLOQUEIO QUE O GOVERNO CUBANO FEZ AO BLOG! PORRA SALIM! (Perdão, perdi a paciência com esse francês).
Mas o que quero saber mesmo é: PORQUE BRASILEIROS CRITICAM A YOANI??? AMAM CUBA? SÃO ESPECIALISTAS TAMBÉM? SÃO FÃS DO FIDEL? FILHOS BASTARDOS DO RAÚL? Não consigo entender. Querem tanto uma ditadura assim? Acho que o Brasil precisa mesmo, é a única maneira de acabar com essa cultura de merda que nem merece ser chamada de cultura, e tirar os brasileiros do comodismo em que estão. Ao menos a blogueira Yoani fala o que vive, e não age como a maioria dos brasileiros, que vivem de ilusão, dando o passo maior que a perna, vivendo de aparência e achando importante o país ser bom em futebol e samba, e ter fama de malandro. Dizemos: “Somos a sexta economia do mundo! Temos cadeira na ONU! Somos um país emergente!” Mas a verdade é: “SOMOS UM PAÍS ONDE A RIQUEZA ESTÁ NAS MÃOS DE UMA MINORIA, ONDE HÁ MILHÕES DE PESSOAS NA MISÉRIA, E OUTROS MILHÕES VIVENDO DE APARÊNCIA, VIVENDO UM PADRÃO DE VIDA QUE NÃO PODEM SUSTENTAR. SOFREMOS UMA GUERRA CIVIL QUE O GOVERNO NÃO QUER ENFRENTAR PORQUE RECEBE A SUA FATIA DO BOLO, SOMOS BONS EM FUTEBOL, MAS NÃO SABEMOS RESOLVER UMA EQUAÇÃO MATEMÁTICA, NÃO TEMOS OPINIÃO PRÓPRIA E NÃO SABEMOS PENSAR. SEXTA ECONOMIA DO MUNDO E OCTAGÉSIMO SEXTO NA EDUCAÇÃO...” Faltam Yoanis aqui, pra criticar o país, jogando a sujeira no ventilador e mostrando ao mundo a situação nacional. E os incomodados, que se mudem pra Cuba...
 

sábado, 10 de novembro de 2012

Texto de Juan Jose Millas abala o Mundo Capitalista

Juan Jose Millas, 66 anos, escritor e jornalista. Já ouviu falar dele? Pois é, este espanhol de Valência publicou no Jornal El Pais um texto criticando duramente o sistema capitalista, e este texto tornou-se o mais lido do jornal. Divulgado e debatido em redes sociais, o texto fala – a princípio – da crise espanhola, mas serve para todo o mundo. O capitalismo e o consumismo oprimem o ser humano, que não percebe, e a economia explora e destrói nossas vidas. Somos manipulados, e ainda vivemos num sistema feudal. Leia, e veja a verdade:
 

“Um Canhão pelo Cú                      
(texto de Juan Jose Millas publicado em agosto de 2012 no Jornal El Pais)


Se percebermos bem – e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colônia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspectiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil anda de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista econômico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país – este, por acaso -, e diz “compro” ou “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.



Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública – onde estas ainda existem – os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto você lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.

E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, mas num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornamo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos vagões do trem uma bomba diária chamada prêmio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com rupturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco.
 
A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo à redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado. Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos difusores das ideias neoliberais.”

sábado, 5 de março de 2011

Quando a liberdade de imprensa vira abuso de imprensa

Nesta primeira semana do mês de março de 2011, a menina Lavínia, de 6 anos, foi assassinada no Rio de Janeiro pela amante de seu pai. Mais um crime amaciado pelo risível código penal brasileiro, pois uma psicopata não tema menor condição de viver em sociedade. Deveria no mínimo passar o resto da vida na cadeia. Da mesma forma, mais uma vez a imprensa faz seu papel de “alarmadora” e “espalhadora” de pânico e sensacionalismo. O “caso Lavínia”, o “caso Isabela”, o “caso Bruno”, são todos frutos não de assassinos, mas da imprensa. Sim, a imprensa faz questão de distorcer sua função primordial, de informar com imparcialidade inquestionável, transformando-se em mais um veículo de entretenimento barato.
Digo isso porque vi, nesta manhã de sexta feira, 4 de março, um familiar de Lavínia no lastimável programa de Ana Maria Braga, na emissora dona do Acre. E, da mesma forma, daqui pra frente nossas televisões, sejam em qual emissora estiverem, verão uma enxurrada de “caso Lavínia” para todos os lados. Isso ajuda? Não! A imprensa SEMPRE atrapalha investigações policiais. Isso informa? NÃO! Chega um ponto em que qualquer pessoa de bom senso se cansa de ver violência a todo instante em seu televisor, em qualquer canal que sintonize. O grande problema são exatamente as pessoas desprovidas desse bom senso, que tem uma atração natural pela desgraça dos outros. Não estão nem um pouco interessadas se o código penal brasileiro é justo ou não, elas querem ter a visão do escândalo, da tristeza alheia, por que o ser humano é cruel por genética. A família não tem culpa dessa exposição, afinal está desesperada, clama por justiça, e apela, com razão, para essa camuflagem de preocupação social da imprensa geral. Estão preocupados sim com seu bolso! Com a audiência, apelando para esse senso de desgraça implícito no ser humano, e mais intensamente ainda no brasileiro. É uma pena que a imprensa, que desenvolvida corretamente, poderia ser uma arma do povo, uma voz do cidadão, mas acaba virando uma janela indiscreta aberta para todos os lados. Da mesma forma, esse povo que deveria unir-se, na internet, nas ruas, na própria imprensa, exigindo medidas realmente práticas, como a mudança ampla e urgente do código penal do Brasil, contenta-se em fazer manifestações que só causam barulho, ou pior, assistir, esparramado no seu sofá, mais uma inundação de informação inútil, para alimentar suas conversas ignorantes e patéticas com parentes e vizinhos. De fato, um país que incentiva o pior do ser humano não vai para frente mesmo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Rio é Maior que o Crime

Eu achei ótima a capa da revista Isto É que comprei esta semana. O Cristo Redentor ficou ótimo com um colete à prova de balas do BOPE e um cinturão de munição. A matéria também ficou boa, muita informação. O título deveria ser "Eu não vim trazer paz, mas sim espada." Foi isso que Jesus falou mesmo. Ou poderíamos adaptar para nossos dias: "Eu não vim trazer paz, mas sim FAL e 7.62 Automática."

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Balde de lixo

Tentei escrever um texto para publicar num jornal local. Não consegui. Quero criticar a imprensa aqui. A imprensa e o ser humano, particularmente o que vive no Brasil. Já me cansei de criticar o país onde nasci, e mesmo assim não vou parar. Minha voz jamais será ouvida. Nada mudará. No entanto, tenho a necessidade de falar, de por para fora minha indignação. O ser humano por natureza é hipócrita, não importa onde nasça, ainda assim, a cultura é algo que se perpetua. E neste país perpetuou-se uma cultura arrogante e vulgar. Baixa. Quero falar da falta de assunto, de inteligência do povo brasileiro. Isso. Inteligência. Esperei a copa do mundo – esse espetáculo de aberrações – acabar para descascar essa emissorazinha de quinta categoria que domina as televisões tupiniquins. Infelizmente. Refiro-me a operação de guerra feita por esta coisa para desmoralizar a seleção brasileira e, principalmente, seu técnico. Não entendo nada de futebol. Odeio essa porcaria. Não vou defender o Dunga. Não tenho nada nem a favor nem contra ele. Quero criticar essa briga de criança que essa emissorazinha criou. O fato é que o Dunga não é burro. Pode – ou não – ser um mau técnico de futebol, mas não é burro. Cortou aquele oba-oba idiota das outras copas, nos quais deixavam a Fátima Bernardes – um ótimo caso de bom profissional desperdiçado – reinar absoluta dentro do hotel da seleção, do ônibus da seleção, e tudo mais. Vocês lembram. O cara cortou essa palhaçada, e aquela emissora ficou magoada. Não quis brincar mais. E lançou a campanha “Escrotize o Dunga e ganhe 30% a mais no seu salário”. Ate o Louro Jose entrou na brincadeira. O Fausto Silva perdeu toda a credibilidade que tinha comigo. Um jornalistazinho de décima categoria fez uma reportagem que merecia um cocô em cima de tão parcial. PODRE. TUDO PODRE. BANDO DE DESOCUPADOS. IDIOTAS. PROFISSIONAIS NOTA ZERO. O LIXO PARA VOCES, QUE SE DEIXAM COMPRAR POR TAO POUCO. LIXO. LIXO PARA VOCES. PORÃO DO INFERNO. SUBSOLO DO FUNDO DO POÇO. Como se não bastasse, agora essa mesma emissora só quer saber de um casal que eles mesmos criaram: Mércia e Bruno. Não sabem falar de outra coisa. Fingiram que esqueceram que é a justiça que não deve esquecer os criminosos, não a imprensa. E o brasileiro, burro como tal, não sabe que a imprensa não fala 10% de verdade em casos policiais – no nosso pais, não fala 10% de verdade em nada. A RBS, afiliada aqui no sul, não pronunciou uma palavra sequer sobre um casso de estupro cometido por dois adolescentes em Florianópolis, por um único motivo. Um dos garotos e filho de um delegado, o outro é um Sirotski, a família DONA da RBS. Imparcialidade zero. Competência também. Ou melhor, pronunciou uma palavra. Num boletim matutino, a apresentadora noticiou algo sobre o afastamento de um delegado. Não prestei atenção. Só me atentei quando ela se referiu a “investigação de um caso de estupro cometido por adolescentes em Fpolis”. ZERO. PODRES. TODOS PODRES. Não culpo essa jornalista exatamente, que sempre fez um bom trabalho. Culpo esses podres marajás que se escondem sobre suas capas de respeitabilidade, e são todos iguais, preocupados apenas com seu dinheiro. Culpo os profissionais que se vendem baixo. Culpo e cuspo em cima. E sapateio. Uma outra emissorazinha tecnicamente moral do pais deitou e rolou em cima do escândalo da rival. Utilidade publica? Nem sabem o que isso significa. O bispo só sabe a utilidade do dinheiro. E no meio de tudo isso, quando o Brasil estava ainda na copa, vem uma otária qualquer, funcionaria pública, e cria, num fórum da empresa onde trabalha, um tópico que dizia: “Esqueçam as eleições, Brasil está na copa”, ou algo assim. Na verdade, essa menina oca pensa, assim como todo brasileiro, que nossos representantes não são os políticos, são os jogadores. Por isso o brasileiro só usa as cores do pais e anda com a bandeira em época de copa, no Maximo olimpíada. Não na semana da pátria, ou nas eleições. É só o país sair da copa e a flâmula federal vira lixo. Lixo são vocês. Se eu pendurar a bandeira nacional na frente da minha casa na semana das eleições, minha casa vai virar atração turística. O brasileiro é podre. Queria que se preocupasse com a corrupção e com esses ladrões como se preocupam com essa droga de seleção. E depois dizem que eu não sou patriota. Eu torço pela Holanda na copa. Mas sou eu que participo de um blog para expressar minha indignação sobre tudo que está acontecendo no meu pais, e como uma mãe que tem um filho teimoso, e ama-o, não para de brigar com ele, porque quer seu bem. E, no entanto, sou eu que não sou patriota. Eu pinto as unhas de verde na semana da pátria, não na semana da copa. Não sou perfeita, mas tento fazer as coisas da maneira certa. Queria ter orgulho de viver nesse país, e não tenho nem um pingo. Um pais que nasceu errado, e um povo que não se preocupa em mudar. Um povo teimoso, que acha que tá tudo muito bom. Um povo vulgar e mesquinho. Um pais que tem uma geografia ridícula e riquezas naturais desperdiçada. Um país de mil culturas não pode dar certo. Um pais de belos lugares e bandidagem. O pais do carnaval, do futebol e de um livro por ano, e olhe lá. Um balde de lixo.