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sábado, 15 de fevereiro de 2020

Favela Gótica - de Fabio Shiva

Acho válido divulgar este livro que é um abrir de olhos. Fabio Shiva foi fundo na ferida social: políticos que são vampiros, policiais que são lobisomens. A droga e o efeito que ela causa em suas vítimas.

O livro é distópico e ao mesmo tempo é real. Vivemos entre monstros e somos monstros. A metrópole parece uma selva, onde se deve lutar a cada dia pela sobrevivência.

E em meio a esta guerra diária, vemos uma personagem que também é vítima do mal que há em todo canto: Liana, que é jovem, que também sofre, que também é "zumbi", que também tenta enfrentar a cada dia a existência.

Liana vai, como o próprio livro informa, "das trevas para a luz", se conhecendo aos poucos e tentando se libertar através deste conhecimento. Liana vive numa "divina comédia" particular, e vamos junto com ela, às vezes nos apavorando diante de sua existência complicada, às vezes nos comovendo com as dificuldades por ela enfrentadas, e aprendemos junto com ela que "ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso."

sexta-feira, 17 de março de 2017

A Batalha de Eduardo Spohr

Estou lendo o livro Anjos da Morte, de Eduardo Spohr. Um livro incrível que, como comentávamos outro dia, mesmo que a história não fosse tão boa, só a pesquisa feita pelo autor já valeria a leitura. Amarrando a história das principais guerras com a história de seus personagens, Eduardo Spohr envolve seus leitores com uma excelente trama.

É tão interessante ver em cada página que viramos citações e referências vividas pelo autor, coisas que já ouvimos no nerdcast e que sabemos que fazem parte da vida do autor, de sua cultura e de sua experiência. Até mesmo os títulos de alguns capítulos nos fazem lembrar de outros filmes e outras histórias de que o autor gosta.

Acredito que o segredo de uma boa escrita, o segredo para criarmos uma obra interessante é justamente isso: colocar no papel suas próprias referências, sua vida. É falar daquilo que você viveu, daquilo que você gosta e conhece. Se você é um aspirante a escritor como eu, acredito que o caminho seja esse. Foi isso que fez com que A Batalha do Apocalipse deixasse de ser apenas um manuscrito dentro de um armário e se tornasse uma obra conhecida em vários países.

Eu e a Larissa fomos para Florianópolis em 2013 e tivemos a honra de conhecer Eduardo Spohr, que é um cara humilde e muito aberto a falar sobre tudo que faz parte da cultura nerd, e sobre o interesse em escrever, essa vontade que tanta gente tem, mas que poucos conseguem pôr em prática. 

A técnica é importante, o conhecimento da língua é importante. A capacidade de desenvolver uma trama é importante, mas o principal é escrever porque gosta. Escrever porque ama. Todo o reconhecimento e até mesmo o dinheiro que pode vir depois não devem ser almejados quando ainda estamos escrevendo. A única coisa que precisamos fazer é gostar do que estamos produzindo. O resto virá depois, no tempo certo.

Florianópolis - SC - 2013

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Língua e Linguagem - Rui Barbosa

Certa vez, Rui Barbosa chegou em casa e ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal. Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Então aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

"- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada."

O ladrão, confuso. perguntou:

"- Dotô, rezumino... eu levo ou dêxo os pato?"


sábado, 29 de outubro de 2016

Stephen King no The Late Late Show

Já li alguns livros de Stephen King, dentre eles "Desespero" e "Mr. Mercedes". Li "Sobre a Escrita" duas vezes, e não conheço outro livro que nos ensine tanto sobre a arte de escrever. Stephen King é uma máquina de criar histórias boas e sabe prender o leitor, fazendo-o virar página após página sem parar. É claro e direto, dono de um humor sarcástico e agressivo que faz parte de sua marca nas histórias que criou. Confira essa entrevista, que foi ao ar em 06 de agosto de 2012.  

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Escritores, opiniões e traumas

A opinião dos outros pode ferir, marcar fundo, construir, destruir, incentivar, desmotivar. Mas é importante sabermos identificar o momento certo de dar ou não atenção às críticas que nos são dirigidas, embora isto seja difícil (eu mesmo tenho tentado aprender a lidar com isso). A história está cheia de casos curiosos onde vidas foram destruídas ou construídas dependendo de como essas pessoas souberam encarar as opiniões alheias. 

Em 1961, um menino escrevia contos de terror e levava para a escola, onde os vendia aos colegas, garantindo assim alguns trocados. Um de seus contos chamava-se A Mansão do Terror, e foi muito bem recebido por seus amigos. O sucesso foi tanto que seu autor foi chamado à sala da direção, onde a diretora, srta. Hisler, o admoestou dizendo que ele não podia transformar a escola num mercado, ainda mais para vender lixos como A Mansão do Terror. - Você tem talento - ela disse - Por que desperdiçá-lo?

Muitos anos se passaram, e este autor continuou lutando contra o trauma causado pela diretora "preocupada" com o destino do talento que ele possuía. O tempo passava e ele ainda sentia vergonha do que escrevia, mas continuou escrevendo contos e livros de terror mesmo assim. Mas o trauma foi superado e o sucesso e o reconhecimento vieram. O nome deste autor? Stephen King.


domingo, 15 de maio de 2016

Raskólnikov e as pessoas extraordinárias - Crime e Castigo

Estou lendo Crime e Castigo, do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, que o escreveu quando estava preso em Omsk, privado de toda dignidade e consumido pelo frio, fome e trabalho forçado incessante, além de crises epiléticas e outras moléstias, mas sempre imaginando como viveria ao recuperar a liberdade.

O personagem principal é Raskólnikov, um jovem que saiu de sua cidade deixando mãe e irmã, e foi estudar direito em São Petersburgo. Logo ele vê seus recursos acabarem, e o pouco dinheiro que sua mãe viúva lhe envia mal dá para seu sustento. Vendo-se nesta situação, Raskólnikov comete um crime, e como afirma o livro, "...consumado o crime, o castigo se põe em marcha."


Mas o que me chamou atenção foi um texto, escrito pelo próprio Raskólnikov, em um de seus trabalhos de faculdade, que intitula-se - de acordo com a memória de outro personagem - "Do Crime". Transcrevo abaixo a explanação do próprio Raskólnikov sobre o trecho que me pôs a pensar:

"Em geral, as pessoas com novas ideias, as pessoas minimamente capazes de fazer, ao menos, algo novo, nascem extremamente poucas, até, eu diria, estranhamente poucas. Apenas está claro que a ordem de aparecimento das pessoas e de todas essas categorias e subdivisões deve ser determinada, com muita certeza e precisão, por alguma lei da natureza. Desconhecemos, bem entendido, essa lei hoje, mas eu acredito que ela existe e, no futuro, pode tornar-se conhecida. Essa enorme massa humana, esse material existe na terra somente para que, afinal de contas, por meio de algum esforço, mediante algum processo até agora misterioso, com o auxílio de algum cruzamento de clãs e gêneros, apareça enfim nesse mundo, nem que seja só uma de mil pessoas, um homem minimamente autônomo. Um homem cuja autonomia seja mais ampla nasce, quem sabe, um só entre dez mil pessoas (...). Um homem de autonomia mais abrangente ainda nasce sozinho entre cem mil pessoas. Um homem genial surge sozinho no meio de milhões de pessoas, e os grandes gênios, os timoneiros da humanidade, nascem, talvez, no passar de vários milhares de milhões de pessoas que vivem na terra. Em suma, eu não vi aquela retorta, em que todo o processo se faz. Mas certa lei, sem dúvida, existe e deve existir: não há casualidade nisso."

Várias vezes pensei a respeito disso antes mesmo de conhecer a obra. Como explicar gênios do mundo financeiro e científico como Bill Gates, Steve Jobs, Albert Einstein, Miguel Nicolelis? Como explicar grandes escritores como Tolkien, Asimov e o próprio Dostoiévski? Não desmerecendo o esforço e a capacidade de cada um deles, mas eu sempre penso nos que tentaram e não conseguiram, e talvez a única explicação seja essa pré-determinação, essa escolha natural dos vencedores. Somos todos capazes, mas na maioria covardes, ou o herói é apenas um covarde que foi empurrado para a frente? Não seria mais provável que o vencedor seja alguém com o "gene da vitória" já inserido em seu DNA? 

Sempre me questiono e sofro junto com as pessoas que vejo batalharem a vida toda, trabalharem - mais até do que outras - e não alcançarem seus objetivos, não alcançarem uma vida digna, não alcançarem seus sonhos. Há tanta gente competente ocupando postos incompatíveis com elas, e há tanta gente ignorante ocupando lugares de honra. Algumas vezes não é falta de esforço, nem de coragem, nem de capacidade, é apenas falta de sorte mesmo. E como explicar isso? Talvez era isso que incomodava o jovem Raskólnikov, destituído de seus sonhos, deitado em sua cama pobre, em seu quarto "que mais parecia um armário". Talvez seja esse o sentimento que cria o desespero e a falta de fé. Raskólnikov buscava uma explicação, e a única que encontrou foi essa seleção natural, determinada por algum ser superior. 

É apenas um texto, apenas uma história, e eu até torço para que a verdade não esteja nessas linhas.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Última Temporada do Programa do Jô

Em 28 de março estreia a última temporada do principal talk show da TV brasileira: O Programa do Jô. Ricardo Waddington, diretor de gênero da Globo, deu a notícia numa reunião de cúpula da emissora. Jô Soares diz que isso já estava confirmado há dois anos, desde a última renovação de seu contrato. 

Após 28 anos de entrevistas, Jô não pensa em se aposentar, mas ainda não sabe o que irá fazer. Seu contrato vence no final do ano, e caso a Globo tenha uma proposta de trabalho interessante, o contrato poderá ser renovado.

A preocupação com a audiência do programa começou em 2014, quando a concorrência de Danilo Gentili (eu não consigo entender isso) causou algumas derrotas ao Jô no IBOPE. Também naquele ano Jô foi vítima de uma pneumonia, e voltou mais fraco. O programa foi reformulado, o sexteto virou quarteto (absurdo) e o auditório diminuiu.

Desde o segundo semestre de 2014 a Globo vem trabalhando em um projeto para substituir o Programa do Jô, um talk show comandado por Marcelo Adnet. O programa estreia no meio de 2015, será antes do Jornal da Globo, e depois substituirá o Programa do Jô. O novo programa terá banda e sofá, mas em vez de um escritor, ator, diretor, humorista e poliglota versado nos mais diversos assuntos, terá um comediante meia-boca...

Curiosidade: Jô afirmou que quer entrevistar Silvio Santos em sua última temporada no talk show...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Harper Lee nos deixou.

Em 1960 foi escrito o livro "O Sol é Para Todos" (To Kill a Mockingbird), que aborda de uma maneira tão humana e tão simples, mas ao mesmo tempo tão profunda e forte, a questão racial. O livro conta a história de Atticus Finch, um advogado que vive com seus filhos no sul dos Estados Unidos em 1930, tempo de dura segregação racial, e é admirado por seus filhos devido à sua justiça e humanidade. Atticus defende em juízo um negro, que está sendo acusado de estupro. O livro é narrado por sua filha Scout, que observa, admira e aprende com os exemplos de seu pai.
 
A autora, Nelle Harper Lee, nasceu em 28 de abril de 1926 no Alabama. Cresceu em sua cidade natal, Monroeville, e foi para Nova Iorque em 1949. Publicou "O Sol é Para Todos" e "Vá, Coloque um Vigia". Recebeu o prêmio Pulitzer por sua abordagem à questão racial, e seu livro vendeu mais de trinta milhões de cópias. Recebeu também a Medalha Presidencial da Liberdade, das mãos de George W. Bush. Após seu primeiro livro, Harper retirou-se da vida pública, e teve uma vida reclusa.

Não é possível descrever aqui a beleza de sua obra, é preciso ler. É preciso viver o dia a dia de Scout e sua família para entender, para ambientar-se, para sentir o que ela sentia, e sentir o ódio e desprezo que os brancos tinham pelos negros (infelizmente alguns ainda tem).
 
Harper Lee morreu aos 89 anos numa clínica para idosos em sua cidade natal, na sexta-feira, dia 19 de fevereiro deste ano. Mas sua lição permanece. Sua obra está aí para quem quiser ler, para quem quiser aprender algo bom e belo.
 
Descanse em paz, Nelle. Grande perda para nós.

(Imagem: istoe.com.br)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A Margarida Enlatada

Esse texto de Caio Fernando Abreu é um exemplo do que a mídia faz com a maioria da população nos dias de hoje, criando em nós o desejo de ter coisas das quais não precisamos, criando necessidades que não tínhamos, fazendo que consideremos indispensável coisas que são dispensáveis. As empresas nos manipulam e nos dirigem, como a um cavalo selado.

"Foi de repente. Nesse de repente, ele ia indo pelo meio do aterro quando viu um canteiro de margaridas. Margarida era um negócio comum: ele via sempre margaridas quando ia para sua indústria, todas as manhãs. Margaridas não o comoviam, porque não o comoviam levezas. Mas exatamente de repente, ele mandou o chofer estacionar e ficou um pouco irritado com a confusão de carros às suas costas. O motorista precisou parar um pouco adiante, e ele teve que caminhar um bom pedaço de asfalto para chegar perto do canteiro. Estavam ali, independentes dele ou de qualquer outra pessoa que gostasse ou não delas: aquelas coisas vagamente redondas, de pétalas compridas e brancas agrupadas em torno dum centro amarelo, granuloso. Margaridas. Apanhou uma e colocou-a no bolso do paletó.

Diga-se em seu favor que, até esse momento, não premeditara absolutamente nada. Levou a margarida no bolso, esqueceu dela, subiu pelo elevador, cumprimentou as secretárias, trancou-se em sua sala. Como todos os dias, tentou fazer todas as coisas que todos os dias fazia. Não conseguiu. Tomou café, acendeu dois cigarros, esqueceu um no cinzeiro do lado direito, outro no cinzeiro do lado esquerdo, acendeu um terceiro, despediu três funcionários e passou uma descompostura na secretária. Foi só ao meio-dia que lembrou da margarida, no bolso do paletó. Estava meio informe e desfolhada, mas era ainda uma margarida. Sem saber exatamente por que, ficou pensando em algumas notícias que havia lido dias antes: o índice de suicídios nos países superdesenvolvidos, o asfalto invadindo as áreas verdes, a solidão, a dor, a poluição, a loucura e aquelas coisas sujas, perigosas e coloridas a que chamavam jovens. De repente, a luz. Brotou. Deu um grito:

—É isso!

Chamou imediatamente um dos redatores para bolar um slogan e esqueceu de almoçar e telefonou para suas plantações e mandou que preparassem a terra para novo plantio e ordenou a um de seus braços-direitos que comprasse todos os pacotes de sementes encontráveis no mercado depois achou melhor importá-las dos mais variados tamanhos cores e feitios depois voltou atrás e achou melhor especializar-se justamente na mais banal de todas aquela vagamente redonda de pétalas brancas e miolo granuloso e conseguiu organizar em poucos minutos toda uma equipe altamente especializada e contratou novos funcionários e demitiu outros e precisou tomar uma bolinha para suportar o tempo todo o tempo todo tinha consciência da importância do jogo exaustou afundou noite adentro sem atender aos telefonemas da mulher ao lado da equipe batalhando não podia perder tempo quase à meia-noite tudo estava resolvido e a campanha seria lançada no dia seguinte não podia perder tempo comprou duas ou três gráficas para imprimir os cartazes e mandou as fábricas de latas acelerar sua produção precisava de milhões de unidades dentro de quinze dias prazo máximo porque não podia perder tempo e tudo pronto voltou pelo meio do aterro as margaridas fantasmagóricas reluzindo em branco entre o verde do aterro a cabeça quase estourando de prazer e a sensação nítida clara definida de não ter perdido tempo. Dormiu.

No dia seguinte, acordou mais cedo do que de costume e mandou o chofer rodar pela cidade. Os cartazes. As ruas cheias de cartazes, as pessoas meio espantadas, desceu, misturou-se com o povo, ouviu os comentários, olhou, olhou. Os cartazes. O fundo negro com uma margarida branca, redonda e amarela, destacada, nítida. Na parte inferior, o slogan:
Ponha uma margarida na sua fossa.
Sorriu. Ninguém entendia direito. Dúvidas. Suposições: um filme underground, uma campanha antitóxicos, um livro de denúncia. Ninguém entendia direito. Mas ele e sua equipe sabiam. Os jornais e revistas das duas semanas seguintes traziam textos, fotos, chamadas:

O índice de poluição dos rios é alarmante.
Não entre nessa.
Ponha uma margarida na sua fossa.

Ou

O asfalto ameaça o homem e as flores.
Cuidado.
Use uma margarida na sua fossa.

Ou

A alegria não é difícil.
Fique atento no seu canto.
Basta uma margarida na sua fossa.



 Jingles. Programas de televisão. Horário nobre. Ibope. Procura desvairada de margaridas pelas praças e jardins. Não eram encontradas. Tinham desaparecido misteriosamente dos parques, lojas de flores, jardins particulares. Todos queriam margaridas. E não havia margaridas. As fossas aumentaram consideravelmente. O índice de alcoolismo subiu. A procura de drogas também. As chamadas continuavam:

O índice de suicídios no país aumentou em 50%.
Mantenha distância.
Há uma margarida na porta principal.

Contratos. Compositores. Cibernéticos. Informáticos. Escritores. Artistas plásticos. Comunicadores de massa. Cineastas. Rios de dinheiro corriam pelas folhas de pagamento. Ele sorria. Indo ou vindo pelo meio do aterro, mandava o motorista ligar o rádio e ficava ouvindo notícias sobre o surto de margaridite que assolava o país. Todos continuavam sem entender nada. Mas quinze dias depois: a explosão.

As prateleiras dos supermercados amanheceram repletas do novo produto. As pessoas faziam filas na caixa, nas portas, nas ruas. Compravam, compravam. As aulas foram suspensas. As repartições fecharam. O comércio fechou. Apenas os supermercados funcionavam sem parar. Consumiam. Consumavam. O novo produto: margaridas cuidadosamente acondicionadas em latas, delicadas latas acrílicas. Margaridas gordas, saudáveis, coradas em sua profunda palidez. Mil utilidades: decoração, alimentação, vestuário, erotismo. Sucesso absoluto. Ele sorria. A barriga aumentava. Indo e vindo pelo aterro, mergulhado em verde, manhã e noite — ele sorria. Sociólogos do mundo inteiro vieram examinar de perto o fenômeno. Líderes feministas. Teóricos marxistas. Porcos chauvinistas. Artistas arrivistas. Milionários em férias. A margarida nacional foi aclamada como a melhor do mundo: mais uma vez a Europa se curvou ante o Brasil.

Em seguida começaram as negociações para exportação: a indústria expandiu-se de maneira incrível. Todos queriam trabalhar com margaridas enlatadas. Ele pontificava. Desquitou-se da mulher para ter casos rumorosos com atrizes em evidência. Conferências. Debates. Entrevistas. Tornou-se uma espécie de guru tropical. Comentava-se em rodinhas esotéricas que seus guias seriam remotos mercadores fenícios. Ele havia tornado feliz o seu país. Ele se sentia bom e útil e declarou uma vez na televisão que se julgava um homem realizado por poder dar amor aos outros. Declarou textualmente que o amor era o seu país. Comentou-se que estaria na sexta ou sétima grandeza. Místicos célebres escreviam ensaios onde o chamavam de mutante, iniciado, profeta da Era de Aquarius. Ele sorria. Indo e vindo. Até que um dia, abrindo uma revista, viu o anúncio:

Margarida já era, amizade.
Saca esta transa:
O barato é avenca.


Não demorou muito para que tudo desmoronasse. A margarida foi desmoralizada. Tripudiada. Desprestigiada. Não houve grandes problemas. Para ele, pelo menos. Mesmo os empregados, tiveram apenas o trabalho de mudar de firma, passando-se para a concorrente. O quente era a avenca. Ele já havia assegurado o seu futuro — comprara sítios, apartamentos, fazendas, tinha gordos depósitos bancários na Suíça. Arrasou com napalm as plantações deficitárias e precisou liquidar todo o estoque do produto a preços baixíssimos. Como ninguém comprasse, retirou-o de circulação e incinerou-o.

Só depois da incineração total é que lembrou que havia comprado todas as sementes de todas as margaridas. E que margarida era uma flor extinta. Foi no mesmo dia que pegou a mania de caminhar a pé pelo aterro, as mãos cruzadas atrás, rugas na testa. Uma manhã, bem de repente, uma manhã bem cedo, tão de repente quanto aquela outra, divisou um vulto em meio ao verde. O vulto veio se aproximando. Quando chegou bem perto, ele reconheceu sua ex-esposa.

Ele perguntou:

– Procura margaridas?

Ela respondeu:

– Já era.

Ele perguntou:

– Avencas?

Ela respondeu:

– Falou."

Abreu. Caio Fernando. A Margarida Enlatada.
In: O Novo Conto Brasileiro. Rio de Janeiro,
1985. p. 194 -197

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Tolkien, parabéns!

Em 3 de janeiro de 1892, nascia o homem que dedicaria sua vida à criação de um livro que abrangeria não somente uma história qualquer, mas povos, línguas, raças, costumes, um mundo totalmente novo e fantástico. Tolkien nos presenteou com "O Senhor dos Anéis", "O Hobbit" e outras histórias fascinantes. Hoje, dedicamos este post a ele, uma homenagem à sua lembrança.




segunda-feira, 11 de março de 2013

Ode aos Gatos

Esse texto explica porque nossos amigos felinos são assim, independentes, desapegados, calmos... e mal compreendidos pelos humanos. Mas mostra ao mesmo tempo que quando amam, amam de verdade. A Larissa vai adorar este texto de Artur da Távola:


"Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso. Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis. Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu.
Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade.O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso , quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se.
Quem não o sabe "ler" pensa que ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber. Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.
O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.
Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade.
Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias.
Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal.
Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular.
Lição de salto.
Lição de silêncio.
Lição de descanso.
Lição de introversão.
Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra.
Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte.
Lição de bom gosto e senso de oportunidade.
Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem".
(Mundongo)


(Aveia)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Lêdo Ivo - uma grande perda


Conheci Lêdo Ivo assistindo a uma entrevista para o canal Globo lixo News. Um dos escritores mais fantásticos que o Brasil produziu, não hesitava em falar o que devia ser falado, e criticar sem rodeios toma Jovem Nerd e com muita inteligência quem devia ser criticado. O Brasil perdeu um baluarte das letra e da inteligência, minguada neste país. Ivo estava na Espanha e foi vítima de um infarto, na madrugada de 22 de dezembro. Virou Trending topics do twitter rapidamente, mostrando que ainda resta um pingo de bom senso no país. Que sua alma descanse em paz, e que sua obra não se apague, nesse país que tanto precisa de bom senso e força intelectual.

Mais sobre Lêdo Ivo

 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Curso de Estrutura Literária com Eduardo Spohr

Se você mora em Botafogo (RJ), ou perto, e se tem interesse em aprender mais sobre estrutura literária e a jornada do herói, participe do curso, vale a pena. Uma das provas de que Eduardo Spohr sabe do que está falando é o sucesso de seus livros "A Batalha do Apocalipse" e "Filhos do Éden".

sábado, 24 de setembro de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

"Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida". Novo livro de Eduardo Spohr.

                 Saiu a prévia do novo romance de Eduardo Spohr, autor de "A Batalha do Apocalipse" e integrante do NERDCAST. O melhor podcast de cultura Nerd do mundo! Eu particularmente acredito que o novo livro, intitulado "Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida", será um sucesso, como o primeiro. Confira no blog do autor, FILOSOFIA NERD.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Homenagem a Julio Verne

Vocês viram a homenagem do Google ao escritor de ficção científica Julio Verne em sua página de abertura? Ficou ótimo. Uma série de escotilhas com um pequeno "joystick" que permite a você explorar a fauna marinha. Uma homenagem ao livro "Vinte Mil Léguas Submarinas".
Julio Verne nasceu na França em 8 de fevereiro de 1828. Seu pai queria que ele fosse advogado, e quando viu o filho se interessando em escrever histórias, resolveu cortar-lhe o apoio financeiro. Então Julio foi trabalhar como corretor de ações para ter alguma estabilidade financeira. Em 1857 casou-se com Honorine de Viane Morel, e nessa mesma época conheceu Alexandre Dumas (autor de "O Conde de Monte Cristo") e Victor Hugo. Em seus últimos anos, Ele escreveu muitos livros sobre o mau uso da tecnologia, e continuou sua obra até a sua morte em 24 de março de 1905. Saiba mais visitando sua página na Wikipedia


sábado, 16 de outubro de 2010

SELO Eu Admiro Este Blog

Quero agradecer à Jozi por me presentear com este selo, e quero dedicá-lo aqui a todos meus seguidores, que tambem escrevem, informam e divertem através da internet. PARABENS A TODOS VOCÊS!!! Vou divulgar este post no Orkut, no Facebook e no Twitter. Há porem alguns blogs que quero especialmente citar e indicar para leitura:

Obrigado a todos, blogueiros, seguidores e leitores!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Jornada do Herói

                    O guru do cinema Christopher Vogler foi o criador do modelo clássico para as histórias criadas tanto para o cinema quanto para a literatura. Este modelo clássico, este guia, virou um livro chamado “A Jornada do Escritor”, que apresenta o step by step para que uma história faça sucesso. Sempre há O HERÓI, que vive tranqüilo (ou não) em uma vida normal, e que recebe um CHAMADO, que pode ser um acontecimento ou fato que põe sua vida de ponta cabeça. Então surge o MENTOR, que vai ensinar ou guiar o “aprendiz” de herói para que obtenha sucesso em seu chamado. Quando o herói está pronto, enfrenta o DESAFIO, a batalha que vai decidir a guerra, o clímax da história. Quando enfrenta o desafio (do qual o herói pode ou não sair vivo) ele acaba obtendo um conhecimento a mais, uma nova lição, um APRENDIZADO. Esta é a fórmula de todos os blockbusters em várias épocas.

domingo, 25 de julho de 2010

Dicas de Vivianne Fair

1- VOCÊ NÃO VAI SER FAMOSO DE CARA!
Não fique aí achando que vai escrever um livro e acabar como uma J.K.Rowling da vida ou uma Stephenie Meyers...As duas, assim como Meg Cabot e tantos outros autores consagrados receberam muuuitos "NÃOS", ou nem receberam resposta alguma. Mais de 30, algumas vezes! E demoraram anos para ser reconhecidos; sabia que Rowling vendia Harry Potter de porta em porta e Crepúsculo foi lançado em 2001(não lembro bem a data, mas faz tempo! rs)? Pode ser que seu livro faça sucesso ou pode ser que não. São lançados mais de 2000 livros no mercado todo mês, você sabia? Isso não é pra desanimar ninguém, viu? É só pra vocês verem que não é pra desistir na primeira tentativa! É difícil, mas não impossível. Eu sei que competir com livros estrangeiros não é fácil, ainda mais porque na infância fomos obrigados a ler coisas e autores que não gostávamos. Tsk!



2- SE INFORME, MELHORE SUA ESCRITA!
Eu não comecei sentando na cadeira e dizendo: vou ser escritoraaaaa e pari um livro...kkkkkk! Quando criança eu escrevi vários (oh, Deus, que vergonha deles!!), e sempre sonhava ser uma grande escritora (e detetive, artista, dançarina, cantora, atriz, professora - modelo não porque modelo não podia comer chocolate), mas não me limitava. Escrevia sem pensar em publicar. Não cobre muito de si mesmo, mas sempre busque melhorar. Eu li muitos livros sobre como ser um bom escritor, me informei sobre editoras, estudei redação, LI MUITO, li meus textos com olhos críticos, etc. Sempre me mantive informada em relação ao mercado.



3- NÃO MUDE SEU ESTILO PARA AGRADAR NINGUÉM!
Se você escreve romance melhor, manda brasa, ou ficção, policial, que seja. Não se force a fazer diferente para acompanhar o mercado, porque nunca vai parecer natural!



4- NÃO MANDE QUALQUER UM LER SEU TEXTO!
Não escolha pessoas como mãe, pai, irmão, primo, cunhado, amigos do peito. Eles vão dizer coisas pra te agradar. Escolha escritores, amigos mais distantes, colegas - que estejam prontos a te ajudar. Não entregue o texto completo - o roteiro é seu - entregue parte dele (umas dez a vinte páginas) para pessoa ver se é empolgante, a narração está boa, coisa assim. Se você entregar o texto todo é capaz da pessoa nem se animar a ler e dizer que gostou só pra fazer de conta que leu! rsrs!



5- ESTEJA PREPARADO PARA RECEBER CRÍTICAS.
É, eu sei, essa parte não é fácil! rsrsrs! Mas pensa assim, nem Jesus agradou a todos, certo? Nem todo mundo gosta de Crepúsculo e Harry Potter! Tem gente que ama livros que eu detesto!! Mas pense bem: não se deixe atingir por críticas negativas. As construtivas são ótimas, mas as negativas que só dizem 'não gostei' 'não achei legal', ignore. Não vão te fazer melhorar? Então não prestam. Isso também não quer dizer que você vai mudar porque recebeu uma ruim. Vê se mais pessoas concordam. Deixe bem claro que receber críticas é importante pra você e que você não vai se magoar. No começo é difícil, mas você se acostuma! rsrs



6- REGISTRE SEU TEXTO.
Essa pergunta é campeã: onde registro? Devo registrar? É bom que faça isso, mas não é de se desesperar, viu? Não fique achando que você escreveu e alguém vai te passar a perna no dia seguinte...rsrs! Para registrar é coisa super simples! Vá na biblioteca nacional e diga que você quer registrar uma obra. Aqui em Brasilia só preciso de xerox da carteira de identidade e cpf (acho) e o seu texto todo impresso e com todas as páginas rubricadas, a primeira e a ultima assinadas. É um saco, meus textos tem mais de 200 páginas...u.u Tem que pagar uma taxa de $30,00, acredito, mas o preço pode variar. Se quer sua consciência tranquila, é melhor, rsrs!



7- NÃO MANDE SEU TEXTO COMPLETO E SEM FORMATAR PRA NINGUÉM!!
Volta e meia eu recebo uns assim. Não faça isso! Eu sou uma boa pessoa (mamãe não acha, mas sou sim, viu??) mas você pode encontrar pessoas ruins por aí. Se quiser seu texto avaliado por alguém, mande só uma parte dele e formatado. Vai em word >> home >> prepare >> mark as final (o meu é em inglês, hehe) e manda só uns dois ou três capítulos. No caso de editoras você DEVE mandar inteiro. Mas antes, entre no site da editora e vê o que ela diz sobre mandar a obra: se está aceitando, - veja se a editora é confiável - como ela quer que mande...algumas editoras preferem os textos pelo correio, outras preferem por email. Pesquise antes de enviar, para você não perder o seu tempo nem o dela. E deixa eu te dizer: nem todas lêem e algumas o prazo de resposta é de até 1 ano. Então mande para muitas; não fique sentando esperando entrarem em contato com você! Mas preste atenção nas editoras para as quais você manda! NUNCA DISPONIBILIZE SEU TEXTO INTEIRO NA NET A NÃO SER QUE VOCÊ NÃO TENHA INTENÇÃO DE PUBLICÁ-LO. Editora alguma vai se interessar em publicar se ele já anda por aí. Afinal, caiu na rede é domínio público!



8- TIPOS DE EDITORA - importante
Existem dois tipos de editora; a tradicional, que é a que publica livros e os distribui para todo o Brasil e as editoras por demanda.
Qual é a melhor? Tem muitos autores que querem ser lançados para o Brasil todo - tipo eu também, rsrs; mas isso não quer dizer que seja o melhor!
Vantagens e desvantagens da editora tradicional:
 - a resposta demora ou nunca vem;
 - você ganha cerca de 7% a 10% em cima de cada livro. Coisa de $3,00;
 - você vai ser publicado em todo o território nacional;
 - você só recebe uma vez ou duas vezes por ano, rsrs
 - o seu livro pode sofrer alterações - normalmente eles te avisam sobre elas: capa, alguns capítulos, etc;
 - vantagens e desvantagens da editora por demanda:
 - seu livro vai ser distribuido por você mesmo e não para as livrarias do país;
 - você decide quanto cobrar e quanto receber; na maioria das vezes, você lucra muito mais vendendo por conta própria porque você decide quanto vai lucrar;
 - a divulgação é por boca em boca, ou por sites.
 - você decide exatamente como seu livro vai ser e o que vai ter;
Eu não acho que uma ou outra seja mais importante, embora eu ache que uma tradicional vai lançar você no mercado e fazê-lo conhecido! Tenho duas editoras: uma por demanda que é a Lexia, que eu adoro e a outra é tradicional, que é a Editora 21, que eu também adoroo, porque as duas confiaram no meu trabalho!



9- COMO COMEÇAR A ESCREVER UM LIVRO (meu método de trabalhar):
 - Anote todas as cenas que imaginar, nome de personagens, ideias para outros livros, etc. Tenha um caderninho sempre à mão. Não importa onde nem quando vir a ideia; anote! Pode ser que ela não volte! rsrs!
 - Procure organizar mais ou menos seu roteiro com um resumo. Exemplo, pensei em uma história sobre um alien vindo à Terra e se apaixonando (que?) por uma terrestre. Então escrevo mais ou menos no que consiste a história - ele cai de uma nave espacial, ela está na escola, ele pula o muro, eles se encontram, ela foge..etc. Se ainda não pensou num final, não se desespere. Ele acaba vindo. Se não está conseguindo mais seguir seu roteiro, ótimo. Isso também pode significar que seus personagens estão criando vida e fazendo escolhas, isso é bom! Por exemplo, eu planejava matar um personagem no meio da história, mas ele escapou...fiquei tão assustada que resolvi deixá-lo vivo...kkkk! Sim, é verdade...
 - Defina bem as características de seus personagens! Descreva-os, imagine-os, ponha o que els gostam e o que não gostam; lembre-se de pôr personagens que animem as pessoas; ninguém quer ter como protagonista um personagem que vive reclamando de tudo, por exemplo! Mas procure seguir a sua personalidade. Não ponha uma menina timida que pula o muro da escola pra matar aula!
 - Se surgir ideias para outros livros, apenas anote; anote tudo o que imaginar. Mas se as ideias não te deixarem, esqueça o que você estava fazendo antes e escreva esse. É sempre bom se concentrar em um livro só!
 - Fique pensando no livro, imaginando as cenas que escreveu, nos personagens, em o que ele fará se acontecer isso ou aquilo. Se a cena que você pensou vai fugir muito do seu roteiro; melhor esquecer. Não encha linguiça! Ninguém quer saber se sua personagem vai lixar as unhas enquanto assiste a novela e pensa no vestido da liquidação em 5 páginas!
 - Não copie livros existentes; mesmo que você tenha achado o assunto legal. Plágio é crime, mesmo que você o reescreva com suas palavras! Se você contar a história de um vampiro e um lobisomem que se apaixonaram por uma menina (*cofcofcrepúsculocofcof*) vai parecer falta de imaginação e você pode ser muito criticado por isso, chegando ao ponto de até ser desrespeitado. Se o texto que você escreveu é parecido com algum livro, leia este conselho: mude! =/



10- SEJA SIMPÁTICO E NÃO TENHA INVEJA DE QUEM CONSEGUIU!
Estranho esse, não é? rsrs Mas é verdade! Seja gentil com as pessoas sempre; mais por bom coração do que para ter a vantagem de que ela te divulgue ou coisa assim. Melhor que publicar e ver pessoas lerem seus livros é ter muitos amigos. Mas acima de tudo, respeite quem não gostar. Difíiicil não ficar triste, claro, mas fazer o quê? Não vá atrás dela dizendo para ela fazer melhor! hahaha! Se ela te desrespeitar, ignore. Não bata boca, mesmo porque se você ficar famoso não vai querer ficar conhecido como alguém que não respeita os outros, não é mesmo? Hum...isso me lembra que devo tomar conta do meu pavio curto em relação a outras coisas... kkkkkk! E você sabe que quem conta um conto aumenta um ponto. Pessoas que aparecem demais acabam por ser um exemplo para outras, você sabe. Olha a mídia!!
Não seja invejoso. Não é porque aquele autor conseguiu publicar e você não, você vai falar mal da obra dele ou não vai querer ler. Lembre-se de que um dia você pode estar na mesma situação. Não difame a obra sem nem ao menos ler ou conhecer, nem persiga o autor em sites fazenbdo resenhas negativas.

11- TERMINE SEU LIVRO, MAS NÃO SE FORCE!
Se as ideias não estão vindo, escreva pequenas cenas de seus personagens, com ou sem intençao de inclui-las na história. Não fique ansioso. Largue, simplesmente, por um tempo, se você não se empolgou. Aliás, se você não se empolgou, releia o texto. Pode ser que ele não esteja empolgando. Nesse caso, acrescente alguma coisa que dê um rumo à história e que te faça pensar pra fazer! Escreva várias ideias que vc pode incluir na história, até ideias loucas: a personagem é sequestrada por uma lata de lixo gigante; o mocinho descobriu que se apaixonou por sua imagem no rio, mas percebeu que de Narciso não tinha nada, invente! Sua mente vai começar a dar voltas e você acaba conseguindo!
Mas não largue totalmente!! Fique pensando na história, mesmo que não esteja escrevendo! Se largar de vez você não vai voltar pra pegar, acredite em mim! rsrs



12- DIVULGUE SEU TRABALHO!!!
IMPORTANTÍSSIMO!!! Você tem que divulgar, independente se sua editora é tradicional ou não. Se não tem tempo para manter e cuidar de um blog, mande seus livros para blogs para que façam resenha ou sorteio. Não faça spam na caixa de mensagens dos outros, mas pode mandar emails para alguns e pedir para passar pra frente! Use a imaginação para impulsionar as pessoas a lerem. Um bom livro vai fazer sucesso por si só!!



13- ACIMA DE TUDO, NÃO DESISTA!
Não é fácil, claro! Mas quando a gente quer algo, tem que lutar pra conquistar. Só depende de você tornar seu sonho real; não fique se lamentando se não deu certo; quando tiver que ser será!! Se acha que vai dar trabalho, então nem invista! Mas se é o que quer, lute! Confie sempre!! =D