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sábado, 12 de outubro de 2019

Angélique Namaika

Dungu, uma cidade na Província Oriental da República Democrática do Congo - RDC - , um lugar devastado pela guerra e pelo terror causado por vários grupos armados, entre eles o "Exército de Resistência do Senhor (LRA)". Eles matam civis, estupram mulheres, queimam vilas e expulsam os sobreviventes.

É neste lugar devastado que a irmã Angélique Namaika faz seu trabalho, percorrendo com coragem as ruas de sua cidade, de bicicleta, procurando dar apoio às mulheres vítimas da violência. Ela mesma fugiu de sua comunidade em 2009 durante um ataque do LRA, se escondendo mata adentro por quase cem quilômetros.

Mesmo fugindo da violência, ela não pretende abandonar seu país, buscando sempre apoiar as mulheres vítimas da guerra, da violência e do abuso sexual. Angélique é co-fundadora do Centro para Reintegração e Desenvolvimento, que atende atualmente 150 mulheres, mas já atendeu mais de duas mil desde sua fundação em 2008. O Centro ajuda na recuperação das mulheres, alfabetiza e também ensina algumas profissões.

A irmã Angélique Namaika recebeu em 2013 o Prêmio Nansen para Refugiados. Num mundo onde os poderosos não se importam com os menos favorecidos, pessoas como a irmã Angélique fazem a diferença dando um exemplo de bondade, coragem e empatia. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Turma do Batman - Florianópolis SC: vale a pena divulgar

Um grupo de pessoas que se vestem como personagens da DC, mais especificamente do universo Batman, e fazem um trabalho social, visitando crianças em hospitais, apoiando campanhas de doações de agasalhos e alimentos, e outros eventos sociais. 
Usando fantasias de heróis fictícios, são heróis da vida real. 



sábado, 28 de maio de 2011

O lado bom da pobreza

Texto de Antonie Van Agtmael, presidente do conselho da empresa de investimentos Emerging Markets Management, e criador do termo “países emergentes”, publicado na edição 291 da revista Superinteressante.

Se a população não chega aos médicos, que os médicos cheguem à população. Foi pensando assim que os indianos resolveram criar serviços de enfermagem itinerantes no país. Grande parte da população da Índia não tem acesso a postos de saúde. Mas esse pessoal agora não fica mais sem atendimento. Enfermeiros e médicos vão hoje aos vilarejos e fazem exames de sangue e raio X nos moradores por lá mesmo. Os dados são enviados via internet para algum hospital da redondeza, onde então é feito o diagnóstico.
Os indianos pensaram como qualquer um de nós pensaria no dia a dia. Se não temos recursos para resolver problemas, só nos resta improvisar. Usar a criatividade. Essas ideias nascidas da escassez podem resolver o problema de uma pessoa, de uma comunidade, de um país, como no caso da Índia. Em alguns casos, de gente de todo mundo. A ideia dos indianos de levar atendimento a vilarejos, por exemplo, serviu de inspiração para a gigante americana GE. A companhia lançou em 2008 o Mac 400, primeiro aparelho de eletrocardiograma portátil do mundo. Ele cabe em uma maleta, tem bateria que dura uma semana e custa menos de 1000 dólares (10% do preço de um convencional). E agora é exportado para países como a China, onde ajuda pessoas carentes a conseguir atendimento medico.
Ideias criativas como essas estão nascendo cada vez mais nos chamados países emergentes. Deles têm saído iniciativas que inspiram seus colegas ricos, como EUA, Japão e europeus. É o que chamamos de inovação na base da pirâmide, ou seja, inovação gerada pelos mais pobres. Primeiro as pessoas introduzem uma ideia para solucionar desafios do cotidiano. O produto é então vendido no mercado interno, ganha escala e acaba exportado.
Basta ver os dados para entender como isso está acontecendo. A coreana Samsung investe mais em pesquisa e desenvolvimento do que a americana Intel. A China investe mais em pesquisa em desenvolvimento do que o Japão. Com a ajuda deles o mundo tem ganhado mais conhecimento e riqueza. Dois fatores impulsionam a criatividade dos países mais pobres: o baixo custo e a ousadia. E um ótimo exemplo é o Brasil, que também partiu de suas necessidades para gerar inovação.
Aproveitando a capacidade intelectual mais barata dos excelentes engenheiros aeroespaciais brasileiros, a Embraer produziu aviões que custam menos que os dos concorrentes. A companhia olhou para um nicho ignorado por empresas já consolidadas no setor. Foi também com ousadia que surgiram no pais outras ideias distantes do pensamento convencional e de formulas prontas, como o etanol e o motor flex para carros e o “porco light” da Embrapa ( que concentra mais carne por quilo de animal).
Claro que os países mais pobres ainda têm um longo caminho a trilhar. Mas, para mim, eles possuem um espírito inovador capaz de levar as ideias mais loucas e revolucionárias adiante. E de derrubar as velhas maneiras de pensar.