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quinta-feira, 12 de março de 2015

Estágio: ao Mestre com carinho



Gostaria de abrir meu coração hoje... faço faculdade de licenciatura em Ciências Biológicas, e iniciei uma etapa muito importante dos meus estudos em agosto do ano passado: o estágio. Como acadêmica de licenciatura, preciso obrigatoriamente fazer o estágio na área da educação. No ano passado, encerrei o primeiro estágio, mas preciso fazer mais dois até o final do ano, e é a partir do segundo que inicia a parte mais hardcore do estágio, a regência, ou seja, PRECISO DAR AULA.

Mas você não está fazendo faculdade para dar aula? Então, tem que dar aula!

Sim, é claro que eu sei disso, mas isso não é impeditivo de sentir calafrios, paranoias, vergonha de falar em público, medo de se perder nas explicações, e todas as angústias que um calouro na vida docente tem. Além disso, eu não pretendo lecionar, pretendo trabalhar como bióloga, não como professora. Eu faço licenciatura porque na minha cidade não tem bacharel, e o Conselho de Biologia permite que um licenciado tenha registro, assim como o bacharel.

Iniciei esta segunda etapa agora, no início de março. Se tudo ocorrer sem imprevistos, minhas regências serão no início de abril. Já tenho muitas ideias, mas também medo de não dar conta, medo de me perder no conteúdo, além da vergonha de falar para os alunos. Tudo isso infelizmente é normal, apesar de gostar muito do que estudo, nunca lecionei, será uma experiência muito nova. Minha sorte é que já trabalho em uma escola, conheço bem sua dinâmica e conheço um pouquinho da dinâmica da sala de aula.

Neste mês de março, farei apenas as observações da sala, acompanhando a professora titular. Já conheço a turma do ano passado, é um 7° ano muito bom – embora um pouco mais agitado do que os deixei no ano anterior...... estou tentando me preparar, estudá-los bem, para fazer o melhor que puder.

A verdadeira casta superior é a dos professores, e não falo isso por causa de minhas colegas professoras. Infelizmente, há muito professor que não faz jus a sua nobre tarefa. Sem um professor, ninguém aprende. Ele é o pai e a mãe de todas as outras carreiras. Ele é o exemplo do estudante, o guia, o amigo.  Acompanhar a rotina de uma escola já me fez perceber o significado dessa profissão, e meu estágio me fez e faz redescobrir isso. Espero responder à altura, embora me sinta bastante constrangida para dar aula. Não tenho vocação para esta profissão, e é justamente por isso que admiro tanto os professores.

Boa sorte para mim..........

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Libertando sua mente



Ultimamente, bem poucas coisas ainda me animam a seguir neste mundo fecal. Pensando nisso, e na esperança de que este panorama mude, encontrei no site O Artigo, no meio de vários artigos de gosto duvidoso, uma postagem interessante, daquelas de desanimar quem já está totalmente sem ânimo. 50 perguntas para pensar sobre sua vida...... Bem, aceitei o desafio e comecei mentalmente a respondê-las. E me surpreendi com algumas de minhas respostas. Lá vai.


Quantos anos você teria se você não soubesse quantos anos você tem?
PROVAVELMENTE 50.

O que é pior, falhar ou nunca tentar?
NUNCA TENTAR.

Se a vida é tão curta, por que fazemos tantas coisas que não gostamos, e tão pouca que gostamos?
PORQUE SOMOS IDIOTAS.

Quando está tudo dito e feito, você vai ter dito mais do que você já fez?
EU DITO? EU NUNCA FALO NADA. QUANDO FALO, SEMPRE TEM ALGUÉM PARA ME MANDAR CALAR A BOCA.

Qual é a única coisa que você mais gostaria de mudar no mundo?
ESVAZIÁ-LO DE GENTE.

Se a felicidade era a moeda nacional, que tipo de trabalho iria torná-lo rico?
ESCREVER.

Você está fazendo o que você acredita, ou se você se contentar com o que você está fazendo?
TÁ MEIO CONFUSA A PERGUNTA, MAS, DE QUALQUER FORMA, EU NÃO SEI MAIS EM QUE DEVO ACREDITAR.

Se a vida humana média era de 40 anos, como você vive sua vida de forma diferente?
OUTRA PERGUNTA CONFUSA.

Até que ponto você realmente controlou o curso que sua vida tomou?
EM PONTO NENHUM. SEMPRE QUE TENTEI FAZER PLANOS, DEU TUDO ERRADO. DESISTI.

Você está mais preocupado em fazer as coisas direito, ou fazendo as coisas certas?
FAZER DIREITO QUASE SEMPRE É FAZER O CERTO.

Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Todos começam a criticar um amigo íntimo seu, não sabendo que é seu amigo. A crítica é de mau gosto e injustificada. O que você faz?
PROVAVELMENTE, UM ESCÂNDALO.

Se você pudesse oferecer um recém-nascido só um conselho, o que seria?
VOLTE PARA O LUGAR DE ONDE VOCÊ VEIO.

Quer quebrar a lei para salvar uma pessoa amada?
SEMPRE.

Você já viu insanidade onde depois viu criatividade?
AINDA NÃO. CONTINUO ACHANDO JORGE AMADO UM LIXO.

O que é algo que você sabe que você faria diferente do que a maioria das pessoas?
SE DIVERTIR. O QUE A GRANDE MAIORIA DAS PESSOAS ACHA DIVERSÃO, EU ACHO UM SACO.

Como é que as coisas que te fazem feliz não fazem todo mundo feliz?
EXCELENTE PERGUNTA!

O que uma coisa que você não fez que você realmente quer fazer? O que está prendendo você?
ESSA RESPOSTA EU NÃO POSSO PUBLICAR.

Você está segurando em algo que você precisa para deixar de ir?
NÃO. ME SEGURO EM QUEM EU AMO.

Se você teve que se mudar para um estado ou país além daquele que você vive no momento, onde você mover [deve ser para onde você vai, acho que esse site é portuga] e por quê?
CURITIBA. UM OÁSIS DE CIVILIZAÇÃO NESSE PAÍS.

Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Você realmente acredita que faz o elevador mais rápido?
EU NÃO ANDO DE ELEVADOR.

Você prefere ser um gênio preocupado ou um simplório alegre?
EU PREFERIA SER UM GÊNIO. ULTIMAMENTE, EU PREFIRO SER FELIZ.

Por que você é, você?
PORQUE EU NÃO TIVE ESCOLHA.

Você foi o tipo de amigo que você quer como amigo?
ESTOU TENTANDO SER.

O que é pior, quando um bom amigo se afasta, ou perder o contato com um bom amigo que mora bem perto de você?
O PIOR E NUNCA TER TIDO AMIGOS.

Pelo que você tem mais gratidão?
PELO SÉRGIO.

Você prefere perder todas suas velhas memórias ou nunca ser capaz de fazer novas amizades?
TEM MUITAS VELHAS MEMÓRIAS QUE EU QUERIA MANDAR PRO INFERNO.

Será que é possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?
PROVAVELMENTE NÃO.

O seu maior medo nunca se tornará realidade?
COMO EU VOU SABER???? SE EU SOUBESSE NÃO SENTIRIA MEDO! PERGUNTA IDIOTA......

Você se lembra daquela vez cinco anos atrás, quando você estava extremamente chateado? Será que realmente importa agora?
IMPORTA SIM.

Qual é a sua memória mais feliz infância? O que o torna tão especial?
A CASA DA MINHA AVÓ.

Em que momento no seu passado recente você se sentiu mais apaixonado e vivo?
APAIXONADA, HÁ UM SEGUNDO. VIVA, HÁ UMA SEMANA, QUANDO UMA CHUVA DE GRANIZO DESTRUIU A CIDADE ONDE MORO, E TVE MEDO DE PERDER MINHA CASA, OU AS PESSOAS QUE EU AO PERDEREM AS SUAS.

Se não for agora, então quando?
QUANDO DER.

Se você não conseguiu ainda, o que você tem a perder?
A VIDA.

Alguma vez você já esteve com alguém, não disse nada, e saiu sentindo como você acabou de ter a melhor conversa de sempre?
SIM!!!!!!

É possível saber, sem sombra de dúvida, o que é bom e o que é mau?
NÃO, PORQUE QUANDO VOCÊ ACHA QUE ENCONTROU TODAS AS RESPOSTAS, A VIDA MUDA TODAS AS PERGUNTAS.

Se você acaba de ganhar um milhão de reais, você iria sair do seu trabalho?
ACHO QUE SIM.

Você prefere ter menos trabalho para fazer, ou mais trabalho que você realmente gosta de fazer?
MENOS TRABALHO.

Você se sente como você viveu neste dia cem vezes antes?
SEMPRE!

Quando foi a última vez que você entrou na escuridão com apenas o brilho suave de uma ideia que você acredita fortemente em?
NO PRIMEIRO TURNO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2014.

Se você soubesse que todos que você conhece fossem morrer amanhã, quem você visitaria hoje?
A FARMACÊUTICA, PARA COMPRAR VENENO.

Você estaria disposto a reduzir sua expectativa de vida de 10 anos para se tornar extremamente atraente ou famoso?
DE JEITO NENHUM!

Qual é a diferença entre estar vivo e realmente viver?
ESTAR VIVO É ACORDAR, TOMAR CAFÉ, IR TRABALHAR, SE MATAR O DIA TODO, VOLTAR PARA CASA, ESTUDAR MORRENDO DE SONO, DORMIR CINCO HORAS, ACORDAR, TOMAR CAFÉ, E ASSIM SUCESSIVAMENTE. REALMENTE VIVER EU NÃO SEI, NUNCA VIVI.

Quando é hora de parar de calcular riscos e recompensas, e vá em frente e faça o que você sabe que é certo?
AGORA.

Se nós aprendemos com nossos erros, por que estamos sempre com medo de cometer um erro?
PORQUE SOMOS IDIOTAS, JÁ DISSE.

O que você faria diferente se soubesse ninguém poderia julgá-lo?
TAMBÉM NÃO POSSO PUBLICAR A RESPOSTA.

Quando foi a última vez que você percebeu o som de sua própria respiração?
HOJE DE MANHÃ.

Qual foi o dia em que você se colocou no lugar de alguém diante de um problema?
TODO DIA.

O que você ama? Alguma de suas ações recentes expressou abertamente esse amor?
TAMBÉM NÃO POSSO RESPONDER.

Em 5 anos a partir de agora, você vai se lembrar o que você fez ontem? E sobre o dia antes disso? Ou no dia anterior?
COMO VOU SABER? PERGUNTAS QUE ENVOLVEM FUTURO QUASE SEMPRE SÃO BESTAS.

Decisões estão sendo feitas agora. A pergunta é: Você está tomando-as para si mesmo, ou você está deixando que os outros fazê-los para você?
EU NÃO TENHO O DIREITO DE TOMAR DECISÕES. 


Foi um exercício legal. Tente repeti-lo, e ver se pode fazer algo para melhorar sua vida. Os psicólogos adorariam dizer em letras garrafais que SIM, NÓS PODEMOS TUDO, A FELICIDADE É O CAMINHO. É que falar é algo bem fácil de fazer.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Meu coração errado

Porque tenho tanto medo em meu coração? Porque não consigo ser feliz e fazer feliz quem eu amo? Porque tenho angústias tão grandes em meu coração? Porque tenho tanto medo de não corresponder a esse amor à altura, de não amá-lo como ele merece e como me ama? Há alguém que me conquistou, com seu amor, sua dedicação, seu jeito de ser, que me encanta e fascina com suas palavras, seu jeito de pensar, suas atitudes, seu coração puro e verdadeiro, seu jeito de ser, alguém que me amou sem pedir nada em troca, e me sinto tão indigna dessa pessoa.....
Eu amo você, espero ficar bem e te fazer feliz. E você, se ame, se valorize, se aceite, veja a pessoa incrível e maravilhosa que você é. Eu sou cheia de problemas que achei que haviam passado e me atacaram com fúria novamente. Mas você é meu sonho, é minha vida e minha força. Te amo........

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

#365Livros - #Livro364 - CAI O PANO


 (a melhor capa ever para a melhor tradução de título ever de Agatha Christie)

Cai o pano
Agatha Christie

- Porque você tem de ter uma mente tão complicada, Poirot? Você sempre gosta de fazer tudo da maneira mais difícil. Você sempre tem de fazer as coisas mais difíceis!
 - E que agora se transformou numa mania? É isso que você diria? Talvez. Mas fique tranquilo, minhas indicações o levarão à Verdade. E talvez, então, você desejará que elas não o tivessem levado tão longe. E então você dirá: Fechem as cortinas. Que caia o pano.

Falar de Cai o Pano para mim é falar do passado, falar de coisas que perdi e não voltam mais, mas também falar de um tempo que passou, e que bom que passou! Que nunca mais volte.
Li Cai o Pano pela primeira vez aos quinze anos. Eu passava por um momento um pouco esquisito em minha vida. Eu fiquei doente e até hoje não sei porque, não sei o que tive e não sei como melhorei, mas posso dizer sem sombra de dúvida que a literatura me ajudou muito a me recuperar. Eu era quase uma criança, era então dezembro de 2004, e uma coisa muito ruim estava para acontecer. Quando paro para pensar em tudo que vivi naquele ano, me assusto, pois é inevitável não imaginar que o que sentia não era um reflexo inconsciente do medo daquela coisa ruim que estava para acontecer – e que aconteceu – e que eu nem fazia ideia de que estava acontecendo. Eu realmente me assusto. Mas não quero falar disso.
Eu sentia uma mistura de depressão e síndrome do pânico. Eu não conseguia me sentir bem. Eu tinha medo de absolutamente tudo. De ir pra escola, de ficar em casa, tinha medo do meu quarto, da sala, da cozinha, tinha medo de ir dormir, e dormindo, medo de acordar. Não conseguia dormir com a porta do quarto fechada. E tinha um medo imenso do fim de tarde. Era o momento do dia mais horrível para mim. Eu era, como disse, quase uma criança, uma adolescente. Eu tinha tempo. Não precisava trabalhar. E, por um lado, isso era horrível. A mente desocupada é um seleiro para pensamentos ruins, e eu me afundava num pessimismo e num desespero constantes. Meu pai havia perdido o emprego, e não preciso dizer como isso nos afetou, e ainda acho que a pessoa mais afetada fui eu. Sempre levei a vida a sério demais, e isso às vezes é prejudicial. Preocupava-me dia e noite com a situação da mina família, tudo para mim era motivo de desespero, qualquer coisa que acontecia eu colocava o dinheiro – e a falta dele – em primeiro lugar. Sentia-me uma inútil porque não trabalhava, porque faltavam coisas para minha família, e eu não fazia nada. E isso me destruiu. Eu queria, de uma vez por todas, que as cortinas se fechassem na minha vida.

- Porque – ela disse com uma energia súbita e feroz – é a Verdade. Pelo menos e Verdade em relação a mim. Sou uma mutilada.

Por outro lado, essa é a época da vida em que nunca mais volta. Ou melhor, volta. Na velhice. É quando você tem o bem mais precioso que o ser humano pode ter, depois do Conhecimento. Você tem Tempo. Quão maravilhoso é o Tempo quando você sabe utilizá-lo. Eu não sabia. Não sabia como aquele Tempo me faria falta. Sonhava que me tornaria uma acadêmica, seria rica e teria um futuro brilhante. É claro que nada disso aconteceu. Nossa vida se resume a uma corrida dos ratos interminável, onde a roda gira e nós corremos feito loucos atrás de que? De dinheiro, para comprar para as pessoas que amamos o carinho que não temos Tempo para dar? O computador, o carro, o celular da moda? A roupa de marca? Corremos atrás de nada. corremos atrás de uma vida vazia. É lógico que precisamos de dinheiro. Infelizmente precisamos de dinheiro. O mundo em que vivemos é assim. E atrás desse dinheiro trabalhamos oito horas por dia, gastamos mais umas duas entre ir e vir do trabalho, com grandes variações dependendo de onde você mora, mais algumas no supermercado, no banco, enfim, mas aquelas quatro, cinco para dormir, mais algumas nos alimentando – quando nos alimentamos – com a higiene pessoal, cozinhando, arrumando nossas coisas, nossa casa, e o que sobra de tudo isso? O dia de 24 horas evapora-se diante de nossa vida. A vida passa e o que fizemos? Quando nos divertimos? Quando curtimos nossa família? E nossos filhos? E nós mesmos? Quando pegamos um livro, vimos um filme interessante? Quando? Quando? Não, o trabalho não dignifica o homem. Não me venham falar no nosso trabalho para a sociedade, da nossa função como cidadão. A sociedade suga nossa vida e nós? Nós ficamos sem nada. Na sociedade onde vivemos, o trabalho escraviza o homem. O trabalho humilha o homem. Nossa necessidade de trabalhar – que, sim, é real – acabou se tornando uma obsessão.

- Essa é a parte, digamos, deprimente de lugares como esse. Hoteizinhos administrados por pessoas gentis mas arruinadas. Ficam cheios de gente fracassada, derrotadas, pessoas que nunca forma nada, que nunca será nada, que... que foram derrotadas e alquebradas pela vida, de gente velha, cansada e acabada.
Sua voz foi morrendo. Uma tristeza enorme e abrangente tomou conta de mim. Como aquilo era VERDADE! Aqui estávamos nós, um bando de gente em decadência. Cabeças cinzas, corações cinzas, sonhos cinzas. Eu, triste e solitário, a mulher ao meu lado amarga e desiludida. O dr. Franklin, suas ambições cortadas e impedidas, sua esposa com uma saúde péssima. Norton pulando atrás de passarinhos. E Poirot, aquele Poirot brilhante de outrora, um caco.

Eu, então, achando que a vida seria maravilhosa quando o trabalho me dignficasse, idiota como sempre fui, e sou até hoje, só um pouco menos, perdia meu Tempo. Tempo que não volta nunca mais. Tempo para sorrir, para estudar, ler, aprender, fazer algo pela minha mãe. Eu achava que só podia fazer algo se tivesse dinheiro. Que grande imbecil que eu era! 15 anos, e uma cabeça cinza. Tempo de plantar, de olhar, de amar. Eu perdi meu tempo, como todo mundo perde. As pessoas na dão valor ao tempo. Mas, ainda assim, eu lia, porque a literatura era meu refúgio, meu mundinho. Claro, joguei meu tempo fora lendo babaquices, como O tempo e o vento, mas serviu para e não repetir o erro. Naquela época eu ainda era escrava de uma Verdade que não existia, que só muito depois me libertei. Mas também não vou falar disso. Foi nessa época antes de começar a ler Harry Potter – e ele fez muito por mim – que eu comecei a ler Agatha Christie, como já falei outro dia. E aquela senhora que morrera 13 anos antes de eu nascer me ajudou a ser um pouco melhor. Era dezembro, e eu comecei a ler Cai o Pano.

- O que é mal? O que é bem? Essas concepções mudam de época em época. Você testaria apenas uma percepção de culpa ou de inocência. Na realidade o teste não tem valor algum.
- Não vejo como chega a tais conclusões.
- Meu caro amigo, vamos supor que um homem crê ter o direito divino de matar um ditador ou um agiota, um dedo-duro ou qualquer outro que lhe cause indignação moral. Ele comete o que você chamaria de ato culposo, mas ele considera absolutamente justo.

Confesso que, no estado de ânimo que me encontrava, talvez Cai o Pano não fosse a literatura mais indicada. Mas acabou sendo. O livro é quase um relato psicológico da Escolha. O que é certo é o que é errado O que é certo é o que é fácil. Dos livros de Agatha que já li, certamente é o mais profundo. A parte policial é nublada por essas discussões, mas não perde seu brilhantismo jamais. Talvez todos esses dilemas se justifiquem diante da missão de Agatha ao escrever esse livro. O que vou dizer não é spoiler porque já é consagrado, eu mesma li o livro sabendo o que aconteceria: este é o último caso de Hercule Poirot. O detetive morre, e talvez, por esse plot tão triste, o livro seja tão melancólico. Agatha insistia e dizer que achava Poirot um personagem chato, e que não gostava dele. Mas escreveu 34 romances protagonizados pelo belga, além das peças de teatro e dos mais de 30 contos. Conta outra, titia.... então, o cenário da morte de Poirot foi o mesmo do primeiro romance de Agatha – e primeiro de Poirot – e o primeiro lar do refugiado belaga da 1ª guerra mundial na Inglaterra. Styles. A antes gloriosa mansão agora tornara-se um decadente hotel, e Poirot se hospedara lá atrás de um assassino. Ou melhor, atrás do assassino. O assassino perfeito, como o próprio belga define. Um assassino que tem o método perfeito, e que por causa desse método, jamais pode ser pego. O livro é diferente de todos os outros romances de Agatha por um simples motivo: Poirot já sabe quem é o assassino, mas precisa impedi-lo de continuar cometendo os seus crimes. Como fará isso, se o assassino não pode ser pego? Poirot conta com a ajuda de Hastings para essa missão, já que está doente, paralítico, realmente a beira da morte. Nesse cenário, onde um Poirot quase derrotado tenta alcançar o inalcançável, Agatha passeia, com muito talento, pelos dramas humanos dos demais ocupantes da pensão. Há um momento em que Hastings participa de uma discussão sobre eutanásia, e fica evidente a intenção de Agatha em discutir sobre o certo e o errado, um conceito que pode variar tanto conforme a época, o povo, os interesses sociais. A discussão, ora explicita ora implícita, durante o livro todo alcança o ápice quando Poirot, antes de morrer, toma uma atitude que sepulta a discussão. O bem do ser humano vem em primeiro lugar.

- Cher ami! – foi o que Poirot disse para mim quando saí do seu quarto. Foram as últimas palavras que o ouvi dizer. Porque quando Curtiss foi atender o chamado do seu patrão, encontrou-o morto...

Muitos lerão este texto e julgá-lo-ão mal escrito e confuso. Sim, eu concordo. Eu ainda estou colocando minha vida nos eixos. Estou tentando fazer o certo, porque já errei demais para alguém tão jovem. Hoje sou alguém muito melhor. Mas ainda preciso melhorar. A vida não é justa. Estou cansada daquele papo otimista, que parecer reproduzir-se em velocidade ultra rápida em final de ano, onde todos desejam paz, amor, fingem gostar-se mutuamente, enchem a cara na noite de ano novo e na segunda feira tudo continua igual. Mudanças de verdade não precisam de data especial, hora marcada. Elas simplesmente acontecem. E precisamos ter coragem. Não, eu não quero que caia o pano. Eu ainda quero fazer muito por quem eu amo e por mim.