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quinta-feira, 11 de maio de 2023

Distorcendo Valores

As coisas que acontecem na sociedade humana, que se considera evoluída e superior, têm me perturbado. É surpreendente observar até onde chegamos com nossas novas manias e tendências. A constante inversão de valores em relação às coisas e às pessoas é algo preocupante e me leva a questionar: até quando isso vai?

Vivemos em uma era em que os avanços tecnológicos e o progresso material têm ocupado um lugar central em nossas vidas. No entanto, nessa busca incessante por conquistas e acumulação de bens materiais, muitas vezes esquecemos do verdadeiro valor que as pessoas ao nosso redor possuem.

É triste constatar que o ser humano parece ter dificuldade em reconhecer a importância das relações interpessoais e o impacto que elas têm em nossas vidas. Estamos mergulhados em uma cultura do individualismo, em que o egoísmo muitas vezes é confundido com uma doença social.

Esquecemos que são as pessoas que nos rodeiam, nossos familiares, que nos oferecem suporte, no entanto, trocamos as relações pessoais por objetos, metas, pets (sim, tudo que é demais prejudica), ou qualquer outra coisa, negligenciando as relações familiares!

É necessário um despertar do cultivo de relações saudáveis. Devemos lembrar que somos seres sociais e que nosso bem-estar está diretamente ligado à qualidade dos laços que estabelecemos com as pessoas ao nosso redor.

Precisamos repensar nossas prioridades e colocar em prática uma cultura baseada na empatia, solidariedade e respeito mútuo. Somente assim poderemos construir uma sociedade mais humana, na qual as pessoas sejam valorizadas pelo que são.

É fundamental reconhecer que nada deve sobrepor-se à importância das relações humanas.

Portanto, cabe a cada um de nós refletir sobre nossas ações e escolhas, buscando priorizar o que realmente importa: as pessoas que nos rodeiam. É através do reconhecimento do valor humano e do fortalecimento dos vínculos interpessoais que poderemos construir uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeiramente evoluída.

domingo, 2 de abril de 2017

Pokémon Go e redes sociais

Em agosto de 2016, falei aqui sobre a febre Pokémon Go, a modinha do momento. Coisa linda! Gente caminhando pelas ruas com nova disposição e propósitos. Pessoas deprimidas que foram curadas pelos poderes do maravilhoso aplicativo que resumia-se a caminhar por aí caçando pokémons. Mas tudo passa.

Acho tão ridículas e hipócritas algumas invenções humanas que até fico com vergonha de fazer parte da espécie. Velhinhos afirmavam que "haviam descoberto um ótimo motivo para sair com seus netos: caçar pokémons". E o amor pelos netos não conta? Onde estão estes velhinhos agora? Voltaram para suas cadeiras de balanço? Os avós que realmente amam seus netos continuam por aí cuidando deles e passeando com eles.

E os deprimidos que haviam sido "curados", voltaram para seus quartos escuros? Quem resolve lutar pela vida continua lutando, não precisa de um monstrinho colorido pra lhe dar ânimo.

A tecnologia é boa e necessária, mas o ser humano precisa usá-la, e não o contrário. O que mais vemos são mães que esquecem de cuidar dos filhos, mas não esquecem de atualizar seu perfil nas diversas redes sociais das quais fazem parte. Jovens com mais de cinco mil amigos, mas que se irritam com seus pais por qualquer coisa. Então quando lhes ocorre algum problema sério, nenhum dos cinco mil amigos lhes dará apoio, e sim, seus pais.

A melhor rede social da qual poderíamos fazer parte seria um bom grupo de amigos, pessoas boas e confiáveis - que são raras - com as quais pudéssemos passar o tempo, conversar, rir e até produzir algo útil. Foi assim que a humanidade se desenvolveu, mas este tipo de relação está desaparecendo. Como será a sociedade do futuro? Algo preocupante a ser analisado.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

#365Livros - #Livro231 - ATLAS VISUAL DA CIÊNCIA - EVOLUÇÃO E GENÉTICA




Atlas Visual da Ciência – Evolução e genética

A série Atlas Visual da Ciência é uma coleção da Editora Sol 90, de Buenos Aires. Trás uma série de títulos, entre eles este. Amplamente ilustrada, trás conceitos arqueológicos, biologia, química e história para mostrar como o homem chegou aonde chegou, e, com uma pincelada nos conceitos de células-tronco, aonde ainda podemos chegar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Memórias do Século XXI - por Max Gehringer (Capítulo 4)

EMPREGO
Conseguir um bom emprego hoje em dia não é difícil. O duro é se manter nele, porque as exigências para resultados de curtíssimo prazo aumentam cada vez mais. O tempo médio de permanência num emprego é de 28 horas. Daí o conceito em moda ser o de habilidade para saltar de galho em galho, ou “businessbilidade”, que se resume a três fatores: experiência cósmica, formação galáctica e ser bem relacionado com quem manda.
SEXO
As diferenças entre sexo não são mais limitantes para o preenchimento de um cargo. Não porque tenha acabado a discriminação, mas porque acabaram os sexos. A antiga classificação “masculino/feminino/outros” caiu em desuso a partir do momento em que os assim chamados “homens” e “mulheres” equilibraram seus níveis de testosterona e estrógenos. A ambivalência chegou a tal ponto que hoje os dicionários só registram a palavra “testículo” como sinônimo de “pequeno teste aplicado a estagiários”.
(continua)
Leia tambem: Max Gehringer

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Memórias do Século XXI - por Max Gehringer (Capítulo 3)

Capítulo 3

JORNADA

Trabalha-se oficialmente 2 horas por semana, mas já há rumores de que a jornada será reduzida para 100 minutos semanais. O que, tirando o tempo necessário para o sono e as inconveniências fisiológicas – que não sofreram alterações nos últimos 100 000 anos -, dá umas 120 horas ociosas por semana. O professor Domenico De Mais, que vive em estado de hibernação metafísica na Itália, afirma que isso é um absurdo, e defende a tese de que no futuro trabalharemos 100 minutos por ano. Mas o problema, mesmo é que nunca conseguimos nos acostumar com o ócio. Por isso, nossa maior fonte de renda atual é a hora extra – fazemos, em média, 14 delas por dia, inclusive aos sábados.

 
EFEITOS COLATERAIS

Hoje, megacorporações vêm se questionando se essa troca do trabalho grupal pelo individual foi realmente um progresso. Primeiro, porque ninguém mais conhece ninguém, já que os “colegas” viraram imagens digitalizadas. Segundo, porque todo mundo ficou sedentário e engordou uma barbaridade. E terceiro porque os antigos executivos eram estressados, e os novos sucumbem à depressão, o que acarreta muitos suicídios (ou, em linguagem ciberneticamente correta, self alt+ctrl+del). O maior guru de administração do século XXII – Tom Peters, vivendo confortavelmente em estado gasoso, num tubo de ensaio – publicou recentemente um artigo que está causando uma comoção corporativa. Ele defende a tese de que “nada substitui o contato humano”. Incrível, dizem seus fiéis admiradores, que ninguém tivesse pensado nisso ainda.
(continua)

Leia também: Max Gehriger


domingo, 6 de novembro de 2011

Memórias do Século XXI - por Max Gehringer (Capítulo 2)

Continuarei publicando aqui o texto de Max Gehringer "Memórias do século XXI conforme prometido, divirtam-se:

Capítulo 2

LOCAL

O sistema jurássico de trabalho era coletivo, e as empresas até usavam jargões como “team-work” para incentivar essas aglomerações, sem atentar para o fato de que elas eram uma fonte de proliferação de micróbios. O ponto de encontro era o escritório, um lugar onde os funcionários escreviam, daí a origem da palavra. Eram área enormes, onde pessoas se amontoavam em cubículos e passavam a maior parte do tempo produzindo “documentos”, cuja principal finalidade era a de servir como evidência física de que as pessoas estavam ocupadas. Após produzidos, os documentos eram imediatamente “arquivados”, de preferência em lugares onde nunca mais pudessem ser localizados. Isso na época tinha o mesmo nome de hoje, “burocracia”. A diferença é que os atrasados do século XX faziam tudo com oito cópias, e nós, 150 anos depois, conseguimos reduzir para sete.


INDIVIDUALIDADE

O primeiro passo para erradicar o coletivismo inútil foi o “SoHo” (Small Office, Home Office), uma sigla surgida aí por 2000, que permitia aos funcionários trabalhar, confortável e produtivamente, em suas próprias casas. No Brasil, uma das conseqüências imediatas do SoHo foi o aparecimento de uma variante esperta, o “SoNo”. O que obviamente implicou num aumento brutal da quantidade de documentos produzidos, porque só assim os chefes acreditariam que seus funcionários estavam acordados em suas casas. Depois do SoHo veio o “SoCo”, aí por 2050. O “Co”, todo mundo sabe, significa Chip Office. Foi quando as corporações conseguiram implantar um microchip em cada funcionário para controlá-lo 24 horas por dia, desde o batimento cardíaco até o nível de atividade dos neurônios. Uma das características do SoCo que mais agradou às chefias – além do comando de “wake up call” – foi a possibilidade de emitir um choque elétrico remoto quando o funcionário atrasasse a remessa de um documento.
(continua)

sábado, 6 de novembro de 2010

A Internet nos Deixa Mais Burros?

Enquanto estou aqui fazendo o ENEM 2010 junto com a Wanessa Potter (em busca de uma bolsa pra bancar a faculdade que estou fazendo) meu texto está sendo publicado. Incrível a internet, não??? E é sobre ela que quero falar. Você já percebeu como é difícil se concentrar num texto que você está lendo em um site ou blog? Li alguns trechos de um livro de Nicholas Carr, chamado "The Shallows: What the Internet is doing to Our Brains" ("O Superficial: O que a Internet Está Fazendo com Nossos Cérebros?" disponível na Livraria Cultura), que mostra como estamos ficando "mais burros" e perdendo o poder de concentração. Desde seu ensaio Is Google Making Us Stupid? "O Google Está nos tornando Burros?) publicado em 2008, Carr nos mostra uma revolução tecnológica que nos deixa cada vez mais distante dos livros. Leia um trecho de "The Shallows: What the Internet is doing to Our Brains":
"Ainda que a desatenção seja o estado natural do nosso cérebro (resquício de ter que cuidar das crianças, espreitar a caça e se proteger do tigre-dente-de-sabre ao mesmo tempo), nos últimos quinhentos anos conseguimos nos reeducar para realizar atividades intelectuais mais complexas. Tais alterações não ocorrem no âmbito genético, mas através da educação e convivência, moldando o cérebro de acordo com as necessidades específicas de cada indivíduo, cada contexto.

As últimas décadas, porém, parecem ter iniciado a reversão deste processo. Quando uma página de Internet nos bombardeia com banners, pop-ups, cores, sons, vídeos e outras distrações - além dos onipresentes emails, mensagens instantâneas, SMS, BlackBerries e iPhones - está minando nossa capacidade de concentração. Ler um texto com hyperlinks implica perguntar-se constantemente se devemos clicar ou não - e o mesmo vale para banners, pop-ups e etc. Percorrer a tela com um mouse demanda uma atividade motora mais complexa do que virar páginas.

Navegar na Internet requer, portanto, uma série de atividades cognitivas que concorrem com a interpretação e processamento daquilo que se lê. Isto consome, por conseguinte, boa parte da nossa memória de trabalho, dificultando sua posterior transformação em memória de longo-prazo."

O problema da internet é que nos concentramos mais no meio que traz a informação do que na própria informação. Os "e-readers" prometem ser o mesmo que um livro comum, mas à medida que vão incorporando características da rede, os mesmo problemas ocorrerão. Carr continua:

"Esta nova relação com o texto escrito parece não chamar a atenção porque as mudanças foram sutis e graduais. Além disso, procuramos prestar atenção apenas no que lemos - e não na forma como lemos. Mas as publicações de hoje têm mais fotos e menos textos. Quantas páginas de um livro você consegue ler de uma vez? Aliás, você ainda lê livros? E quando foi a última vez que escreveu um texto no papel, sem um editor de textos? Foi fácil?"

Lembro de uma cena do filme "De Encontro com o Amor" onde o velho escritor dá uma máquina de escrever ao seu aprendiz, pedindo que este abandone seu notebook, e lhe diz: "Escrever não deve ser uma coisa fácil... as máquinas de escrever fazem você pensar com mais cuidado sobre as palavras porque não pode apagá-las apertando um botão." Precisamos aprender não só a pensar, mas tambem a filtrar, manter e usar nosso conhecimento. Estamos nos tornando parte deste sistema, meras máquinas programadas a fazer as mesmas coisas, e o pior, de acordo com Carrs, as habilidades que são abandonadas desde cedo (hoje as crianças estão na frente de um computador e deixam de ler livros) são perdidas para sempre. As próximas gerações não terão contato nem intimidade com livros se não revertermos isso. E garanto pra vocês, isso não é evolução. 

Leia tambem uma entrevista interessante com Humberto Eco onde ele fala sobre a importância dos livros.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Grandes macacos - não me interpretem mal

Parafraseando o Sr. K, opinião é como traseiro. Cada um tem o seu, e dá quem quer. Eu não gosto muito de esportes. Acompanho com um interesse vago as olimpíadas, gostaria de poder praticar tenis de mesa, concordo que os esportes são importantes para uma vida saudável. Entretanto você jamais será saudável se jogar futebol e se entupir de cerveja ou outras drogas ou anabolizantes. Mas o assunto não é esse. Sou uma pessoa muito feliz por não ter orkut e detestar futebol. Mas o assunto tampouco é esse. O fato é que, observem bem... existe algum esporte mais primitivo e grotesco do que o futebol? Ouvi um comentario do Marvin sobre o assunto e concordei. Baseados em trechos do livro Bilhões e Bilhões, de Carl Sagan, chegamos à conclusão de que os esportes são as guerras do homem moderno. Sem caçadas, combates, os homens - sim, principalmente eles - saciam sua sede de sangue nos esportes. Parece grotesco, mas não é. Analisem: O ser humano se prepara com afinco para uma competição esportiva. A vitória é seu objetivo supremo. Alguns levam essa busca às últimas consequências. Sempre haverá um perdedor, a grande marca da guerra. Sim, as batalhas nos campos dos esportes são batalhas civilizadas, sem sangue, sem mortos - pelo menos normalmente - mas são resquícios das batalhas dos nossos ancestrais. São a guerra moderna, os combates que incitam nosso instinto guerreiro. E repito: não conheço esporte mais grotesco do que o futebol. Inclusive o americano. Todos aqueles homens suados, imundos, se batendo, cuspindo no gramado, descabelados, desarrumados ao extremo, violentos, ignorantes. Se batem por 90 minutos para no final o cara de preto bem arrumado recolher a bola... sim, esse é o esporte dos machos...