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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

#366Acordes - Acorde #251 - Que país é Esse


#251 – 07/09/16 – “Que país é Esse”
Composição: Renato Russo
Interpretação: Legião Urbana

Eu ainda procuro uma pátria. Me sinto doente de corpo e de espírito, quando vejo tanta, tanta injustiça, tanta hipocrisia no mundo, e mais ainda no meu país, que, sim, é meu país, é a pátria onde Deus quis que eu nascesse. Mas representada por uma elite, por um sistema, por uma ganância que impede que tenhamos maior felicidade em chamar esse Brasil de Nosso País. A canção de Renato Russo foi composta em 1978, gravada em 1987, mas é tão atual quanto a sujeira que ainda cobre nossas ruas. Não existe decência, não existe dignidade. Quando saio todos os dias para trabalhar, tento dar o meu melhor, tento fazer desse país um lugar menos pior, e o fato de eu ser funcionária pública aumenta mais ainda minha responsabilidade, não apenas por ser trabalhadora e honesta, mas por ter sede de provar que nem todo funcionário público é bandido, que existe alguém que ainda quer um país melhor, independente de partidos políticos, porque o sistema já está corroído, e a esperança nele, pelo menos a minha, acabou. Se um patriotismo exagerado é a semente do nacionalismo, uma praga que corrói as relações entre os povos, um povo sem pátria não tem identidade, não tem amor, não tem lugar. Me engana que eu gosto, com esse patriotismo de brincadeira, com olimpíadas e futebol, quando a saúde e a educação me faltam troféu nenhum nem medalha nenhuma vai me ajudar. Brasil, até quando o filho teu vai aguentar não fugir da luta?


 

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
NINGUÉM RESPEITA A CONSTITUIÇÃO
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

No Amazonas, no Araguaia-ia-ia
Na baixada fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais
E no nordeste tudo em paz

Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Terceiro mundo se for piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?


 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

#366Acordes - Acorde #249 - Brasil


#249 – 05/09/16 – “Brasil”
Composição: Cazuza/George Israel/Nilo Romero
Interpretação: Cazuza

Cazuza foi um dos maiores compositores da música brasileira. Ao lado de Roberto Frejat, no Barão Vermelho, criou canções icônicas do rock nacional. Em sua carreira solo, a partir de 1985, lançou cinco discos (e mais dois póstumos), sempre com seu estilo inconfundível de ser. Foi no álbum Ideologia, de 1988, que Cazuza lançou uma das canções de protesto mais famosas da música nacional. A letra ácida de Brasil parece ter sido escrita para o dia de hoje, onde ladrões julgam ladrões, onde não existe honestidade e crime imperfeito. Pena que nossos heróis já morreram, e os vilões ficaram.






Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

Confia em mim
Brasil!
 
 
 
 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

#366Acordes - Acorde #246 - Hino Nacional Brasileiro


#246 – 02/09/16 – “Hino Nacional Brasileiro”
Composição: Joaquim Osório Duque Estrada / Francisco Manuel da Silva

Sua melodia foi composta por Francisco Manuel da Silva, em 1822, para exaltar a independência brasileira. O poema, escrito quase 100 anos depois, em 1909, por Joaquim Osório Duque Estrada, foi vencedor do concurso que escolheria a nova letra do hino nacional. Adotado oficialmente em 1922 como Hino Nacional Brasileiro, e um dos quatro símbolos nacionais (ao lado das armas, do selo e da bandeira nacional), a composição robusta e de letra altamente rebuscada e ufanista (e longa) também atravessou os séculos. Consagrada nos eventos esportivos e nos "protestos políticos", parece esquecida em outros momentos. Exalta o que o Brasil tem de melhor: a natureza. Reflete sua história, numa melodia peculiar e, não podemos negar, belíssima.






Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo
És mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!




quinta-feira, 1 de setembro de 2016

#366Acordes - Acorde #245 - Aquarela do Brasil

#245 – 01/09/16 – “Aquarela do Brasil”
Composição: Ary Barroso
Interpretações: Gal Costa, Erasmo Carlos, Elis Regina, Simone, João Gilberto, Carmen Miranda...

Gravada por mais de 30 intérpretes diferentes. Uma das maiores – senão a maior – canção brasileira de todos os tempos. Composta pelo mineiro Ary Barroso, em 1939, a canção atravessou décadas e intérpretes, tornando-se memorável no imaginário do brasileiro. A despeito de sua letra extremamente ufanista, não se pode negar a beleza e a atitude de seu poema, a melodia robusta da canção. Merece toda a sua fama. Não se pode dizer o mesmo do país.


 (Uma das versões mais famosas, com Gal Costa)


(Rose Oliver, no programa The Voice, com sua interpretação sensacional)


 (Uma explosão de fofura... #AnaluForever)


Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos

O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil pra mim
Pra mim, pra mim

Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil, pra mim

Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil pra mim
Pra mim, pra mim!

Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil pra mim
Pra mim, pra mim!

Oh, esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil pra mim

Ah! ouve estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil pra mim, pra mim, Brasil!
Brasil pra mim, pra mim, Brasil, Brasil!



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Viva a República!

Década de 20: O Brasil preparava-se para comemorar o Centenário da Independência. Epitácio Pessoa era o presidente da República, e engajava-se no esforço de embelezar o Rio de Janeiro para receber os visitantes desta festa que deveria ser cheia de pompa e grandeza. O mundo estava virado pelo avesso com a Guerra Mundial que varreu a Europa de 1914 a 1918, a questão social no Brasil estava sendo levantada, as greves surgiam junto com o Partido Comunista Brasileiro e em meio a tudo isso o Brasil queria comemorar sua independência.
 
Mas que país era este? Participamos da  Primeira Guerra Mundial e nos assentávamos na mesa da Conferência de Paz de Paris e na Liga das Nações. Vivíamos sob a chamada Primeira República (1889-1930), MAS ESTÁVAMOS REALMENTE NO NÍVEL DO MUNDO CIVILIZADO? Um exército fraco e uma economia mais fraca ainda, era isso que tínhamos. Mesmo assim, queríamos sediar a primeira das exposições universais do pós-guerra, e comemorarmos nossa "independência". A tensão política, as dívidas, a briga entre os tenentistas e a direita, a prisão do Marechal Hermes da Fonseca, tudo isso foi esquecido, ou ao menos abafado com o embelezamento do Rio de Janeiro para a recepção dos convidados da grande festa. E em setembro de 1922, mesmo sob estado de alerta, Epitácio Pessoa começou a receber seus ilustres visitantes para a Exposição Universal do Rio de Janeiro.
 
Hoje comemoramos a República, e novamente temos nossa cadeira no Conselho de Paz da ONU, e novamente pensamos que somos grande coisa, a oitava economia do mundo, uma potência emergente. E novamente nos preparamos para uma grande festa (déjà-vu?), que será a Copa do Mundo. E a mesma pergunta se repete: ESTAMOS REALMENTE NO NÍVEL DO MUNDO CIVILIZADO? Vivemos uma farsa, sendo nós a oitava economia do mundo e tendo grande parte da população abaixo da linha da pobreza. Somos a oitava economia do mundo, e pentacampeões no futebol, mas somos o OCTOGÉSIMO OITAVO LUGAR NO RANKING DA EDUCAÇÃO DA UNESCO! Isso mesmo, octogésimo oitavo (88º) lugar! Ou seja, existem 87 países melhores que nós em educação! Se o Brasil perde a Copa você fica maluco, mas se o seu filho reprova na escola, você dá pouca atenção. Vivemos uma guerra civil, enfrentando uma força paramilitar chamada PCC, mas ninguém admite isso, nem mesmo a polícia, que ganha a sua parte, junto com os políticos, que por isso talvez não tenham tanto interesse em combater o crime. Mas não importa, vamos, como antes, enfeitar o Brasil e preparar-nos para a festa, pois em ilusão nós somos especialistas. Viva a República.
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O que está acontecendo com a Terra

O que vi na Central do Brasil
No Pavão Pavãozinho, em Padre Miguel
Eu não vi em outro lugar, fora daqui
Fora com tanta miséria
Vou lá espantar o fantasma do caos
E mandá-lo pra outro lugar
Pra casa de apolion

O que vi no agreste mineiro
O que vi no sertão, nos ribeirinhos do amazonas
Extrapolou, extrapolou

Fotografia de stock: feet of small african kid on the…



É, é hora do senado acordar
É hora desse povo sacudir
É hora da bondade dominar
É, é hora de crer mais nos tribunais
De exorcizar o mofo das prisões
De ver nossos velhinhos a cantar


Incoerência e imprudência e maledicência
Quem queria pregar perdeu a inocência 

No palanque da Injustiça Onde o pobre passa fome
Onde o órfão, a viúva e o idoso não tem nome
Promessas esquecidas de outros carnavais
Lembravam da igreja, agora já não lembra mais
Seguiram no batuque dessa dinheirada
Perderam a visão agora já não tem mais nada...

É, é hora do senado acordar
É hora desse povo sacudir
É hora da bondade dominar
É, é hora de crer mais nos tribunais
De exorcizar o povo das prisões
De ver nossos velhinhos a cantar

Oeoeoeoe Oeoeoeoe Canta Brasil
Cadê a igreja do Brasil?
Oeoeoeoe Oeoeoeoe Canta Brasil...
Acorda Brasil... 



Polícia barra protesto diante do Palácio do Alvorada


Feliz dia da independência pra você.