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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Agora, Umberto Eco...



Umberto Eco entrou em minha vida por volta de 2001. Eu tinha uma amiga nerd, como eu, que vivia falando no filme O Nome da Rosa (que, à propósito, não assisti ate hoje), e falava que era fodástico, e que tinha o livro também, que tinha assassinato e mistério e Idade Média, e eu fiquei muito curiosa. Depois, com acesso à internet, fui conhecer um pouco mais sobre o italiano que havia escrito esta obra e o que ela representava para a literatura mundial. Foi somente dez anos depois, em 2010 ou 2011, não lembro exatamente, que conclui a leitura deste livro e achei fantástica a inteligência e perspicácia do escritor, milhares de anos luz acima de Dan Brown, por exemplo, que escreve gênero semelhante (e que eu leio, que fique claro), mas com uma pequenez de conhecimento de dar pena.

Depois de O Nome da Rosa, iniciei O Cemitério de Praga, numa época em que eu lia cinco, seis livros ao mesmo tempo. Este, em virtude do tamanho e da linguagem mais rebuscada, ficou para trás, mas será retomado este ano, com todas as honras. 

Li também Não contem com o fim do livro, um não ficção em forma de entrevista, onde, mediados pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac, Eco e o também escritor Jean Claude-Carrière discutem livros, seu amor por esses objetos mágicos e os e-books, com uma sapiência e visão de mundo encantadora.

No fim do ano passado, ainda li Número Zero. O livro me decepcionou por não explorar as teorias conspiratórias, mas é um manual perfeito de (mau) jornalismo e irritou muita gente mundo afora. Ninguém melhor do que Eco para falar mau de jornalistas.

Meu sonho era poder conhecê-lo, ter um autógrafo deste homem fantástico, ateu convicto e, que mesmo assim, descreveu com maestria um monastério cristão da Idade Média por mais de quinhentas páginas. E dizer a este senhor simpático como sua escrita faz parte da minha vida, como sonho há quase dez anos em ler O Pêndulo de Foucault, ao que  parece, seu livro favorito de si mesmo.

Sabia que era um sonho muito difícil. Sexta-feira, ele se tornou impossível. 

Pelo menos nesta vida. Quem sabe, um dia, eu possa entrar na grande biblioteca do céu e falar tudo isso a ele.

Descanse em paz, Eco. Você será imortal em nossos corações e em nossas bibliotecas.




domingo, 1 de dezembro de 2013

#365Livros - #Livro335 - O PÊNDULO DE FOUCAULT



O pêndulo de Foucault
Umberto Eco

Existem alguns autores que considero sagrados. Não apenas Tolkiens, Rowlings, Agathas e outros, mas autores que são quase unanimidades – Agatha, Harry Potter e O Senhor dos Anéis definitivamente estão longe de serem unanimidades. Um dele é Umberto Eco, alguém que eu ainda sonho em quem sabe conhecer e vida...... sei que é difícil, afinal minhas posses são impossíveis para viajar para o exterior hoje e Umberto já é bem idoso, mas não custa sonhar. A despeito de todas as criticas que ainda encontro a respeito de Eco – de “intelectual pedante” a autor de livros que não se consegue ler, rebato todas elas dizendo que se eu consegui entender O Nome da Rosa, qualquer um consegue entender. Gostar ou não gostar de Eco é questão de gosto, e gosto se aceita e se lamenta. Chamá-lo de pedante e questionar a qualidade de suas obras é, no mínimo, precipitado. Enfim, assim como alguns autores são sagrados, algumas obras são igualmente sagradas. Uma delas é O Pêndulo de Foucault, um daqueles livros essenciais para quem admira os grandes bastiões da literatura. O pêndulo de Foucault tem tudo que eu admiro na literatura: além de um autor brilhante, arte, história, religião, e claro, as boas e eternas teorias conspiratórias. Três redatores de uma editora italiana encontram indícios de uma teoria conspiratória que lincaria diversos eventos da história, demonstrando que existe um complô a fim de governar a humanidade – uma NOM a la Eco. O livro traz críticas ao nosso tempo, a nossa sociedade e termina de maneira bem heterodoxa. Sim, continuará na minha lista. Certos livros temos a obrigação espiritual de lermos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

#365Livros - #Livro224 - APOCALÍPTICOS E INTEGRADOS (MARVIN)





Apocalípticos e Integrados
Umberto Eco

O apocalíptico é o indivíduo que critica a cultura de massa, e a dominação do ser humano por esta força que vem de cima, influenciando os que estão embaixo. Já os integrados são aqueles que acham a cultura de massa e a indústria cultural coisas necessárias ao sistema social. No pensamento do integrado, o indivíduo deve ser uma engrenagem social que precisa estar funcionando sem erros e falhas, produzindo constantemente, e mergulhando em alienação como uma marionete. Os apocalípticos condenam os meios de comunicação de massa, os integrados os absolvem.  O povo, alienado, precisa de um mito, um símbolo, uma resposta aos anseios e sonhos. Podemos ver isso desde os deuses do Olimpo até os heróis dos tempos atuais (leia-se heróis da DC e Marvel). Neste livro, Umberto Eco analisa Superman, a criação e o desenvolvimento do mito de acordo com as necessidades do povo (americano ou não). Excelente livro sobre a evolução (ou não) da comunicação e da indústria de massa.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

#365Livros - #Livro219 - O CEMITÉRIO DE PRAGA




O cemitério de praga
Umberto Eco

De leitura pesada, porém profunda e inteligente, O cemitério de Praga é um “tratado sobre o mecanismo do ódio” (http://apoesc.blogspot.com.br/2013/04/resenha-de-o-cemiterio-de-praga-nailson.html). Cheio de personagens que existiram de verdade, Eco traz um protagonista de “mentira”, Simonini, uma criatura cheia de segredos e preconceitos, que, como falou certa vez o Marvin, odeia tudo e todos, franceses, italianos, judeus... que se envolve em complôs, teorias da conspiração, antissemitismo, passeando pela história do século XIX e XX da Europa, colecionando nomes de peso na narrativa, Freud, Alexandre Dumas, Giussepe Garibaldi, entre outros. Leitura densa, sim, densíssima, talvez o livro mais erudito de Eco, mas fascinante, essencial para quem admira esse gênio e admira história. E um pouco de teoria da conspiração também.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

#365Livros - #Livro25 - NÃO CONTEM COM O FIM DO LIVRO




Não contem com o fim do livro
Umberto Eco e Jean Claude-Carrière

O escritor Umberto Eco, juntamente com o cineasta Jean Claude-Carrière discutem mais do que a importância e imortalidade dos livros – os impressos. Mediados pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac, Umberto e Jean Claude nos apresentam sua própria vivência com a literatura, como bibliófilos que são. A própria história do livro é contada, mais do que um veículo de cultura, mas algo que ajudou a desenhar a própria história da humanidade. Jean e Umberto abordam o assunto numa conversa muito bem humorada e extremamente interessante. Apesar de serem dois intelectuais – e, por vezes, até me sentia um pouco diminuta diante de tanta erudição e cultura – o livro tem uma linguagem acessível e divertida sem perder a inteligência. Além disso, é uma oportunidade extra para conhecer um pouco das experiências literárias desse monstro da literatura que é Umberto Eco.   

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

#365Livros - #Livro14 - O NOME DA ROSA




O nome da Rosa
Umberto Eco

O único romance de Umberto que eu li – por enquanto – e me atrevo a dizer que pode ser o melhor. Com certeza, o mais famoso, com direito a Sean Connery dando vida ao nosso amigo frei Guilherme. Sem dúvida, uma obra de uma originalidade digna do monstro da literatura que é Eco. Frei Guilherme é enviado a um mosteiro franciscano, na Itália, mas no meio de sua viagem, um monge é assassinado de maneira bizarra, e Guilherme foca seu olhar para esse crime. A “Rosa” é a biblioteca, a mágica biblioteca do monastério, onde Guilherme fará sua investigação, prendendo o leitor, não só pelo fascínio de um livro policial, mas pelo inusitado, uma história policial em plena Idade Média, e dentro de um mosteiro. Mais do que uma história de investigação, O nome da Rosa é uma crítica ácida, e até bem humorada, da hipocrisia da igreja Católica da Idade Média. Beirando a perfeição, recomendo a leitura antes do filme. É maravilhoso acompanhar cada passo de Guilherme, e descobrir o final assustador e fantástico do livro.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Internet nos Deixa Mais Burros?

Enquanto estou aqui fazendo o ENEM 2010 junto com a Wanessa Potter (em busca de uma bolsa pra bancar a faculdade que estou fazendo) meu texto está sendo publicado. Incrível a internet, não??? E é sobre ela que quero falar. Você já percebeu como é difícil se concentrar num texto que você está lendo em um site ou blog? Li alguns trechos de um livro de Nicholas Carr, chamado "The Shallows: What the Internet is doing to Our Brains" ("O Superficial: O que a Internet Está Fazendo com Nossos Cérebros?" disponível na Livraria Cultura), que mostra como estamos ficando "mais burros" e perdendo o poder de concentração. Desde seu ensaio Is Google Making Us Stupid? "O Google Está nos tornando Burros?) publicado em 2008, Carr nos mostra uma revolução tecnológica que nos deixa cada vez mais distante dos livros. Leia um trecho de "The Shallows: What the Internet is doing to Our Brains":
"Ainda que a desatenção seja o estado natural do nosso cérebro (resquício de ter que cuidar das crianças, espreitar a caça e se proteger do tigre-dente-de-sabre ao mesmo tempo), nos últimos quinhentos anos conseguimos nos reeducar para realizar atividades intelectuais mais complexas. Tais alterações não ocorrem no âmbito genético, mas através da educação e convivência, moldando o cérebro de acordo com as necessidades específicas de cada indivíduo, cada contexto.

As últimas décadas, porém, parecem ter iniciado a reversão deste processo. Quando uma página de Internet nos bombardeia com banners, pop-ups, cores, sons, vídeos e outras distrações - além dos onipresentes emails, mensagens instantâneas, SMS, BlackBerries e iPhones - está minando nossa capacidade de concentração. Ler um texto com hyperlinks implica perguntar-se constantemente se devemos clicar ou não - e o mesmo vale para banners, pop-ups e etc. Percorrer a tela com um mouse demanda uma atividade motora mais complexa do que virar páginas.

Navegar na Internet requer, portanto, uma série de atividades cognitivas que concorrem com a interpretação e processamento daquilo que se lê. Isto consome, por conseguinte, boa parte da nossa memória de trabalho, dificultando sua posterior transformação em memória de longo-prazo."

O problema da internet é que nos concentramos mais no meio que traz a informação do que na própria informação. Os "e-readers" prometem ser o mesmo que um livro comum, mas à medida que vão incorporando características da rede, os mesmo problemas ocorrerão. Carr continua:

"Esta nova relação com o texto escrito parece não chamar a atenção porque as mudanças foram sutis e graduais. Além disso, procuramos prestar atenção apenas no que lemos - e não na forma como lemos. Mas as publicações de hoje têm mais fotos e menos textos. Quantas páginas de um livro você consegue ler de uma vez? Aliás, você ainda lê livros? E quando foi a última vez que escreveu um texto no papel, sem um editor de textos? Foi fácil?"

Lembro de uma cena do filme "De Encontro com o Amor" onde o velho escritor dá uma máquina de escrever ao seu aprendiz, pedindo que este abandone seu notebook, e lhe diz: "Escrever não deve ser uma coisa fácil... as máquinas de escrever fazem você pensar com mais cuidado sobre as palavras porque não pode apagá-las apertando um botão." Precisamos aprender não só a pensar, mas tambem a filtrar, manter e usar nosso conhecimento. Estamos nos tornando parte deste sistema, meras máquinas programadas a fazer as mesmas coisas, e o pior, de acordo com Carrs, as habilidades que são abandonadas desde cedo (hoje as crianças estão na frente de um computador e deixam de ler livros) são perdidas para sempre. As próximas gerações não terão contato nem intimidade com livros se não revertermos isso. E garanto pra vocês, isso não é evolução. 

Leia tambem uma entrevista interessante com Humberto Eco onde ele fala sobre a importância dos livros.