Estou republicando um texto antigo, de fevereiro de 2010, quando Marvin, inspirado por certos problemas de saúde pelos quais eu passei, e que prefiro nem lembrar, foi extremamente solidário comigo e me ajudou a buscar alimentos que pudessem melhorar minha saúde. Aqui está uma síntese dessa pesquisa. Espero que vocês gostem.
Misturar nutrientes e alegria não é nenhuma piada. Trata-se de um
assunto tão sério que já ocupa centros de pesquisas respeitadíssimos ao
redor do planeta. Na Grã-Bretanha, por exemplo, há o Food and Mood
Institute, ou Instituto da Comida e Humor, na tradução literal, que, por
meio de pesquisas de milhões de libras, soma dados e dados a respeito
da influência da dieta nos ânimos.
Aqui no Brasil também existem estudiosos investigando essa história. É o
caso da neurocientista Patrícia Brocardo, da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), que, inclusive, tem trabalhos publicados no
periódico científico internacional Neuropharmacology. Não há dúvida
sobre a interferência daquilo que comemos nas variações de humor,
afirma.
Ingredientes vindos do prato são capazes de modular a fabricação de
neurotransmissores. O palavrão ao lado, que não tem nada de divertido,
tampouco de saboroso, refere-se a um grupo de substâncias químicas
responsáveis pela comunicação das células no nosso cérebro. Para que
você se sinta feliz, disposto e tranqüilo, é fundamental que esse grupo
desempenhe bem o seu papel e esteja em níveis adequados na massa
cinzenta. E são três os principais envolvidos com o alto-astral:
serotonina, dopamina e noradrenalina. O professor brasileiro Ivan de
Araújo, que trabalha com neurociências na Universidade de Yale, nos
Estados Unidos, explica que o primeiro é derivado do triptofano e os
dois últimos são produzidos com a ajuda da tirosina. Não fique zangado
com todos esses nomes. Leia as próximas linhas com calma para saber
aonde quero chegar.
Proteínas para sorrir
Pois bem, o desconhecido triptofano pode estar mais perto do que você imagina. Alimentos como o grão-de-bico, a ervilha, a lentilha e os feijões oferecem boas doses dele. Carnes, peixes, ovos, leite
e, ufa!, seus derivados também são fornecedores. Dietas recheadas com
essas opções garantem serotonina. O triptofano funciona como os tijolos
no processo de montagem molecular do neurotransmissor, compara Araújo. O
resultado é uma tendência bioquímica a se sentir feliz. Isso porque a
sinalização serotonérgica como os especialistas definem a atuação da
substância tem tudo a ver com a regulação do humor. Portanto, se faltam
fontes de triptofano no prato, abrem-se brechas para que o dia-a-dia
seja cinza, sem a menor graça.
E a tal de tirosina? Ela também é um aminoácido, ou seja, um pedaço de
proteína. E é encontrada na turma mencionada acima. Mas sua relação é
bem mais estreita com a dupla dopamina e noradrenalina, que controla as
suas reações a estímulos de conteúdo emocional enfim, como vai encarar
os sorrisos e as caras feias dos outros no cotidiano, por exemplo. Fica
uma lista de alimentos para que você não deixe faltar triptofano,
tirosina e carboidratos para o seu organismo:
- Leite e iogurte desnatados;
- Queijo branco;
- Banana;
- Arroz integral;
- Batata;
- Feijão;
- Lentilha;
- Abacate;
- Soja e derivados;
- Pão integral ou não;
- Mel;
- Carne de aves sem pele;
- Peixes;
- Grão de bico;
- Ovos;
- Ervilha.
(nunca digite "café colonial" no Google)