
PAULO DE CARVALHO"Perdido Por Cem"
Notas: Tema do filme de estreia de António Pedro de Vasconcelos, com letra do próprio realizador, que explica na contracapa a razão do mesmo ser cantado pelo Paulo de Carvalho. No filme a canção aparece designada como "Menina e Moça", o que aqui não acontece. No lado B encontra-se "Chuvas de Verão", de Fernando Lobo, que Caetano Veloso imortalizou: «Podemos ser amigos simplesmente / Coisas do amor nunca mais / Amores do passado no presente / Repetem velhos temas tão banais...»
Vi o filme apenas na sua estreia, em Lourenço Marques, no dia 1 de Agosto de 1973 (no cinema Estúdio 222) e é uma boa memória a que dele guardo, apesar de já terem passado 34 anos e de nunca mais o ter revisto. Aliás, é um dos filmes do cinema português cuja saída em DVD mais aguardo, precisamente devido a essa grata lembrança. E existe também uma coincidência que fez com que não me esquecesse nunca deste filme: é que eu tinha 20 anos quando o vi; e as primeiras palavras que nele se ouvem são: “Eu tinha acabado de fazer vinte anos e não deixarei que ninguém diga que é a mais bela idade da nossa vida”. Com José Cunha e Marta Leitão nos principais papeis, o filme conta ainda com as participações de Nuno Martins, Ana Maria Lucas e Rosa Lobato Faria, entre outros.
No Dicionário de Cinema Português pode ler-se o seguinte apontamento de Jorge Leitão Ramos: «Perdido por Cem... é a fusão de um imaginário cinéfilo (de Nick Ray a Godard) com um certo desencanto português. Narrado na primeira pessoa, confessional e nervoso, inquieto, dolente, triste até ao desespero sufocante e ao fecho em morte, este filme, nem sempre muito hábil agarra o espectador através dessa funda verdade que lhe nasce dos poros. Mesmo quando o que sobretudo passa a súbita irrupção de um imaginário estrangeiro (é o caso da sequência final, fatalista como um filme negro, fatal como uma guerra colonial que nos instalava a violência ao pé da porta).
Fernando Lopes disse "que o filme do António é o imenso adeus aos nossos verdes anos " e, nesse trocadilho feliz, resumia o que de mais denso "Perdido por Cem..." possui: as ilusões perdidas de um quotidiano, banhadas luz das mais intensas memórias cinéfilas.»
Ver ainda a crítica de Luís Pina aqui.