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quarta-feira, 2 de junho de 2010

EP DECCA PEP 1260 (PT, 1968)

BANDA 4: "BABY YOU GOT ME"
A BANDA 4 nasceu de um acaso. Em Coimbra dois amigos, Luís Monteiro e Luís Romão resolvem fazer-se à estrada para escaparem ao tédio da cidade do Mondego. A boleia que apanham acaba por os levar a Albufeira. É nessa vila algarvia, que os dois acabam por encontrar e travar amizade com Paulo de Carvalho, então baterista dos Skeiks (a banda estava já nos seus derradeiros momentos). Depois das actuações dos Sheiks, os três costumavam ir para a praia passear, sentar-se á volta das fogueiras, conversar, cantar e é daí que surge a musica "Walkin` on the Beach".
Entretanto, Paulo de Carvalho volta para Lisboa e começa a tocar com o Thilo's Combo. É nessa altura que os três resolvem ir á Valentim de Carvalho com a música que tinham composto, na tentativa de gravar um disco. O disco é aceite e para completar a banda chamam Cristiano Semedo. Os restantes temas são compostos em estúdio.
O EP que é lançado na segunda metade de 1968, com uma capa bastante psicadélica, é composto dos seguintes temas: "Baby you got me", "Gotta start lovin` you", "Walkin` on the beach" e "O Ribeiro". com influências claras do Soul, do Psicadelismo, da Música Folk. A BANDA 4 ainda chegou a tocar ao vivo, mas não passou de um projecto de estúdio. Foi o início daquilo que Paulo de Carvalho iria fazer nos Fluido.
(EP gentilmente cedido por Luis Futre e digitalizado por Carlos Santos)

domingo, 27 de abril de 2008

CARLOS CRUZ APRESENTA...

Em 15 de Outubro (1973) os serviços de promoção da casa Arnaldo Trindade apresentavam aos órgãos de Informação o primeiro trabalho discográfico de Paulo de Carvalho para a editora portuense Orfeu.
Numa reunião muito agradável, toda a gente ressaltava o pequeno «show» conduzido por Carlos Cruz, com um timing e uma leveza a todos os títulos assinaláveis e que ainda hoje o classificam como um dos mais completos realizadores de que a rádio portuguesa pode (e não quer, pelos vistos) dispor.

Aproveitando o pequeno écran do Satélite, Carlos Cruz traçou com graça, verdade e bom gosto uma trajectória da vida musical de Paulo de Carvalho, desde as origens, em Alvalade, até à sensacional transferência da Movieplay-Procope para a Orfeu-Arnaldo Trindade, efectivada neste Verão. Slides, discos, a conversa do Paulo, um spot publicitário dito pelo Fernando Tordo (seu grande amigo e agora também companheiro de editora), as dicas de Carlos Cruz e finalmente, sem que isso fosse esperado, uma breve sequência de canções cantadas pelo Paulo no palco.

Já agora, quanto ao disco – um “simples” 45 r.p.m., “double A-Side”, “Animal farm / I’ll be there with you” – música de Paulo de Carvalho e José Calvário e letras de Kevin Hoidale (refª KSAT 501), cumpre dizer que ficámos à espera de melhor oportunidade para “observarmos” o Paulo de Carvalho.
(in “Cinéfilo” nº 4, 25 de Outubro de 1973)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

SINGLE Movieplay SP 20.020 (PT, 1972)


PAULO DE CARVALHO
"Perdido Por Cem"

Notas: Tema do filme de estreia de António Pedro de Vasconcelos, com letra do próprio realizador, que explica na contracapa a razão do mesmo ser cantado pelo Paulo de Carvalho. No filme a canção aparece designada como "Menina e Moça", o que aqui não acontece. No lado B encontra-se "Chuvas de Verão", de Fernando Lobo, que Caetano Veloso imortalizou: «Podemos ser amigos simplesmente / Coisas do amor nunca mais / Amores do passado no presente / Repetem velhos temas tão banais...»
Vi o filme apenas na sua estreia, em Lourenço Marques, no dia 1 de Agosto de 1973 (no cinema Estúdio 222) e é uma boa memória a que dele guardo, apesar de já terem passado 34 anos e de nunca mais o ter revisto. Aliás, é um dos filmes do cinema português cuja saída em DVD mais aguardo, precisamente devido a essa grata lembrança. E existe também uma coincidência que fez com que não me esquecesse nunca deste filme: é que eu tinha 20 anos quando o vi; e as primeiras palavras que nele se ouvem são: “Eu tinha acabado de fazer vinte anos e não deixarei que ninguém diga que é a mais bela idade da nossa vida”. Com José Cunha e Marta Leitão nos principais papeis, o filme conta ainda com as participações de Nuno Martins, Ana Maria Lucas e Rosa Lobato Faria, entre outros.

No Dicionário de Cinema Português pode ler-se o seguinte apontamento de Jorge Leitão Ramos: «Perdido por Cem... é a fusão de um imaginário cinéfilo (de Nick Ray a Godard) com um certo desencanto português. Narrado na primeira pessoa, confessional e nervoso, inquieto, dolente, triste até ao desespero sufocante e ao fecho em morte, este filme, nem sempre muito hábil agarra o espectador através dessa funda verdade que lhe nasce dos poros. Mesmo quando o que sobretudo passa a súbita irrupção de um imaginário estrangeiro (é o caso da sequência final, fatalista como um filme negro, fatal como uma guerra colonial que nos instalava a violência ao pé da porta).
Fernando Lopes disse "que o filme do António é o imenso adeus aos nossos verdes anos " e, nesse trocadilho feliz, resumia o que de mais denso "Perdido por Cem..." possui: as ilusões perdidas de um quotidiano, banhadas luz das mais intensas memórias cinéfilas.»
Ver ainda a crítica de Luís Pina aqui.
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