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segunda-feira, abril 24, 2017

Kraftwerk... ao vivo... em 3D...
e agora em nossas casas



A digressão 3-D que os Kraftwerk têm estado a apresentar pelo mundo fora, e que inclui tanto um espetáculo em regime best of (como o que apresentaram entre nós) ou a apresentação dos seus oito álbuns editados entre 1974 e 2003 em concertos individuais, está na origem de 3-D The Catalogue, uma nova edição que surgirá a 26 de maio em vários formatos e representa, depois de Minimum/Maximum, mais uma edição ao vivo na discografia do grupo alemão.

Um dos lançamentos é um Bly-ray com quatro discos que inclui a apresentação ao vivo dos oito álbuns – Autobahn (1974), Radio-Activity (1975), Trans Europe Express (1976), The Man-Machine (1978), Computer World (1981), Tecnho Pop (1986), The Mix (1991) e Tour de France: Soundtracks (2003) – em imagens de alta definição 3D (mas que é também compatível para visionamento em 2D). O Blu-ray junta ainda as projeções e filmes usados durante os concertos.

Há uma edição DeLuxe que acrescenta um livro de 228 páginas com fotografias tiradas durante a digressão. Em áudio há depois versões de 3-D Catalogue numa caixa com 9 LP em vinil e uma outra com 8 CD.

terça-feira, abril 21, 2015

Uma noite com os Kraftwerk
(que não se esgotou na tecnologia 3D)


Onze anos depois o regresso foi magistral. E quem reduz a experiência às projeções 3D então não ouviu a música, que foi mesmo a peça central do concerto, deixando claro que mesmo entre temas compostos entre 1974 e 2003 não é de nostalgia que se fala quando se fala dos Kraftwerk. Escrevi sobre o concerto na Máquina de Escrever. E começava assim...

Era um pequeno disco voador. Depois de cruzar o espaço para além do grande ecrã, cortesia das projeções 3D, encaminhou-se para a superfície do planeta. Instantes antes, e já ao som de Spacelab, as imagens, que antes mostravam a Terra como um todo, tinham focado atenções sobre a Península Ibérica, mais adiante claramente mostrando Lisboa como sendo o seu destino… A sala, à pinha, aplaudia entusiasmada com o cartão de visita… Mas ninguém estava ainda a imaginar que, segundos depois, o mesmo ecrã suspenso por detrás dos quatro músicos, mostrava aquele disco voador branco e polido a aterrar em pleno Rossio. Ou seja, ali mesmo a uma rua de distância do Coliseu de Lisboa. A estratégia de comunicação fez lembrar o uso da bandeira ou do cachecol da seleção nacional que frequentemente gera empatia evidente em tantos concertos pop/rock, embora aqui numa alternativa devidamente enquadrada no contexto dos sons, das imagens e da própria personalidade da obra e seus autores. Afinal eram os Kraftwerk quem. protagonizava a noite. E quem achava que eram banda sem humor ou a funcionar em piloto-automático, saiu dali desiludido. Na verdade deram um concerto magistral, com um alinhamento onde coube a surpresa, numa noite que ficou longe de ser uma viagem nostálgica pelas sonoridades que inventaram uma pop feita com electrónicas nos anos 70, mas onde todas essas recordações também ali couberam.

Podem ler aqui o texto completo

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Para ouvir: Kraftwerk em 10 temas



Uma lista de dez temas para fazer um retrato possível dos Kraftwerk.

Podem ler aqui sobre os dez temas que escolhi para integrar esta lista.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Uma canção para o verão (2014.02)


Em 1983 os Kraftwerk transformaram em canção uma das suas grandes paixões: o ciclismo. Contam-se, entre as memórias do grupo, histórias de como entre os seus dias havia saídas a quatro para a estrada, onde os quatro elementos pedalavam... Lançado como primeiro avanço de um álbum (que não completariam no formato inicialmente planeado) que deveria ser o sucessor de Computer World, de 1981, o single Tour de France surgia numa primeira versão, celebrando além dessa mesma paixão pelo ciclismo uma admiração pela Volta a França em Bicicleta, talvez a mais célebre das provas de estrada sobre duas rodas não motorizadas.

20 anos depois deste single, e com nova formação, os Kraftwerk regressariam a esta canção para nela encontrar a génese para aquele que é (ainda) o seu único álbum de originais posterior a 1986.



Este é um dos vários telediscos criados para acompanhar o single de 1983 dos Kraftwerk. Da época há um outro com imagens de arquivo, este revelando os próprios músicos na estrada.

sábado, julho 26, 2014

Música para um homem do futuro


Esta semana os Pet Shop Boys apresentaram no Royal Albert Hall uma biografia musical de Alan Turing, integrada na programação dos Proms. Este texto é uma versão alargada de um artigo publicado na edição de 25 de julho do DN.

Uma biografia musical com a figura de Alan Turing como protagonista apresentada esta semana representou um dos momentos altos da programação dos Proms, série de concertos que anualmente ocupam uma etapa da programação de verão de concertos de música clássica Londres (tendo o Royal Albert Hall como o seu principal palco). Com o título A Man From The Future, o musical tem como autores os Pet Shop Boys e assinala mais um momento de cruzamento de experiências entre formas habitualmente mais habitadas pela música clássica com figuras com carreira sobretudo feita nos domínios da música popular, juntando-se assim a óperas recentes de nomes como os The Knife, Damon Albarn (a solo ou com Jamie Hewlett), Herbert ou Rufus Wainwright.

Célebre por ter decifrado códigos encriptados dos alemães durante a II Guerra Mundial, o matemático Alan Turing (1912-1954) ficou também na história como vítima de um tempo em que a homossexualidade era criminalizada no Reino Unido, tendo sido sujeito a castração química como alternativa à prisão na sequência de um processo judicial que o acusou de indecência em 1952. Gordon Brown concedeu-lhe um pedido póstumo de desculpa em 2009, ao que se seguiu, já em finais de 2013, um perdão assinado por Isabel II.

Os Pet Shop Boys, que ao longo da sua carreira criaram já dois musicais, uma banda sonora alternativa para o filme mudo Couraçado Potemkin de Sergei Eisenstein e assinaram a música de um bailado, tomaram consciência da história de Turing nos anos 80, através da peça de teatro Breaking the Code. O interesse foi reativado em 2011 por um documentário televisivo, que os levou à biografia Alan Turing: The Enigma, de Andrew Hodges.

The Man From The Future, que se apresenta como uma biografia musical em oito partes para orquestra, electrónicas, coro e narrador, nasceu de uma colaboração com este seu biógrafo, que contactaram e que colaborou na escrita do libreto. O perdão real para Turing levou-os a reescrever o final da obra, refletindo o final da peça (sob um aparato musical épico) que Turing foi uma exceção e que há ainda muitos outros condenados, alguns ainda vivos, à espera de igual pedido de desculpa.

A BBC (que programa e transmite os Proms) resolveu incluir este trabalho dos Pet Shop Boys como um dos Late Night Proms deste ano, sendo que não é a primeira vez que há músicos vindos de terrenos pop/rock a surgir no programa (essa estreia coube, em 1970, aos Soft Machine – estando documentada em álbum ao vivo editado em 1988). Além do musical sobre Turing, o ‘Prom’ dos Pet Shop Boys juntou ainda quatro canções suas (Vocal, Love is a Catastrophe, Later Tonight e Rent) em arranjos orquestrais de Angelo Badalamenti, na voz de Chrissie Hynde e a interpretação da abertura de Performance, o espetáculo que levaram em digressão em 1991.

Alan Turing
Se mediaticamente Alan Turing é lembrado por ter decifrar códigos durante a II Guerra Mundial – facto que parece estar no centro das atenções de The Imitation Game filme de Morton Tyldum e protagonizado por Benedict Cumberbatch que terá estreia em outubro no festival de Londres - o trabalho deste matemático britânico na verdade teve uma importância profunda na teoria da computação e inteligência artificial. O seu trabalho na descodificação de códigos dos alemães valeu de Churchill um elogio que nele apontou um dos mais importantes contributos individuais para a vitória aliada. Depois da guerra desenvolveu importante trabalho científico no National Physical Laboratory, tomando depois um lugar na Universidade de Manchester. Menos de dois anos depois do julgamento que o obrigou a uma castração química (sob acusação de homossexualidade), Turing morreu em 1954, com apenas 41 anos (por envenenamento com cianeto), não sendo unânime que se tenha tratado de um suicídio. Desde 1966 é anualmente entregue o Turing Prize para assinalar contribuições técnicas e teóricas na ciência da computação.


Quando a música lembra homens da ciência

A biografia musical de Alan Turing apresentada esta semana em Londres pelos Pet Shop Boys é mais um exemplo de atenção de peças musicais que tomam figuras da ciência e o seu trabalho como inspiração. Aqui ficam mais alguns exemplos:

Philip Glass. Einstein on The Beach é um dos exemplos de obras do compositor norte-americano que tomam uma figura da ciência por protagonista. Estreada em 1976 esta ópera é uma referencia na história da música do século XX. Mais recentemente Glass dedicou também óperas a figuras como Johannes Kepler e Galileu Galilei. Respetivamente ligadas a estes dois últimos, as óperas Kepler e Galileu Galilei foram já editadas em disco (Kepler tendo conhecido também lançamento em DVD).

John Adams. À exceção de A Flowering Tree, as óperas já apresentadas por John Adams têm focado factos e figuras reais do século XX, como a visita de Nixon à China em 1972 ou o assalto ao navio Achille Lauro na década de 80. Em Dr. Atomic (estreada em 2005) evocou a figura de Oppenheimer numa narrativa que tinha por cenário a base de El Alamo na véspera do primeiro teste nuclear.

The Knife. A dupla sueca The Knife iniciou a sua carreira na pop electrónica. No seu álbum mais recente apresentaram uma faceta ativista focada em questões como a identidade de género ou a divisão mais justa da riqueza. Em Tomorrow In a Year (2010) experimentaram o espaço da ópera tendo então focado a vida e o pensamento de Darwin.

Kraftwerk. A música pop já passou muitas vezes por figuras da ciência. Einstein, por exemplo, foi abordado pelos Landscape em Einstein a Go Go e os Big Audio Dinamyte em E=mc2. Em Radioactivity (1975), tema-título do álbum que sucedeu ao historicamente marcante Autobahn, os Kraftwerk citam as figuras de Pierre e Marie Curie.

quarta-feira, junho 12, 2013

Kraftwerk: novo álbum a caminho...

Foto: Kraftwerk.com
Ralf Hutter, o único elemento da formação original dos Kraftwerk que se mantém ligado ao projeto, deu uma entrevista ao The Guardian (concedida por ocasião de uma série de concertos na Ópera de Sidney) na qual fala do facto de não lhes ter sido permitida entrada na China (onde pensavam poder atuar), admitindo a hipótese de uma apoio à causa tibetana, num evento há uns 15anos, ser a razão da interdição. Hutter explica também porque a caixa antológica The Catalogue não recua para lá de Autobahn. E, no fim, lança uma notícia: um nono álbum de originais está a ser preparado (não adiantando contudo datas). 

Podem ler aqui a entrevista

terça-feira, junho 11, 2013

A arte de ver a música

Fotos: Kai Schäfer
O fotógrafo Kai Schäfer partiu de uma lista de 500 álbuns selecionada pela Rolling Stone para construir uma série de imagens que celebram a memória da música e a cultura do vinil. As fotografias juntam os álbuns originais, no formato de vinil, a gira-discos das épocas em que terão sido escutados pela primeira vez. Álbuns (pontualmente um ou outro single) que passam por The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars de David Bowie, The Velvet Underground and Nico dos Velvet Undreground ou The Man Machine dos Kraftewerk, que mostramos a abrir este post, mas também discos dos Joy Division, The Cure, New Order, Beatles, Johnny Cash, The Clash, Elvis Presley, Neil Young, Michael Jackson, Prince, U2, Nina Hagen, Rolling Stones, Sex Pistols ou Pink Floyd. A série World Records está neste momento em exposição na Kopeikin Gallery, em Los Angeles. No link mais abaixo podem ver algumas das imagens expostas.

Podem ver aqui a galeria de imagens expostas em Los Angeles.

segunda-feira, abril 22, 2013

Novas edições:
Karl Bartos, Off The Record

Karl Bartos 
“Off The Record” 
Bureau B 
4 / 5 

Os Kraftwerk chamaram-no para a Autobahn Tour (em 1975) como percussionista, mas acabou por ficar, integrando o grupo e chegando mesmo a colaborar na composição e até mesmo na vocalização, afastando-se em 1990, a meio caminho entre Electric Cafe (disco de 1986 entretanto rebatizado sob a sua designação original, Techno Pop) e The Mix (1991). De então para cá Karl Bartos criou o seu próprio projeto (Elektric Muzik, através do qual editou dois álbuns) e assinou colaborações com nomes como os Electronic ou Orchestral Manouevers In The Dark, trabalhou em música para cinema, encetando em 2003 uma discografia a solo em nome próprio. Dez anos depois de Communication, Off The Record é o seu sucessor na discografia a solo de Karl Bartos, mas não necessariamente um episódio “seguinte”. Na verdade o que escutamos aqui são os ecos (já distantes) de fragmentos de um diário áudio que o músico manteve ativo nos tempos em que integrava os Kraftwerk. E que, perante o desafio de os mostrar, terá arrumado e, de alguma forma moldado, daí nascendo o alinhamento que agora escutamos. Sem ficar claro o que são gravações de época ou o que foi eventualmente retrabalhado (e essa aura de mistério é, convenhamos, outra “herança” dos tempos passados nos Kraftwerk), Off The Record é assim uma coleção de reflexões sobre memórias. Em Atomium encontramos uma descendência natural de Radioactivity. Entre Nachtfahrt ou International Velvet há sinais de uma descoberta do labor sobre o formato da canção em terreno electrónico como recordamos no mítico The Man Machine (1978). Binary Code evoca ensaios característicos de quem explorava as potencialidades das máquinas sob sonhos sci-fi em meados dos setentas. Rhytmus herda o sentido metronómico de uma pop ensaiada entre Trans Europe Express e Computer World (e até mesmo Tour de France). Já Hausmusik traduz um sentido de luminosidade bem humorada que era algo alienígena à música do quarteto de Dusseldorf. De resto, um certo tom lúdico, que cruza o alinhamento, distingue muitas destas composições do quadro de regras mais estritas no qual sempre se desenhou a música dos Kraftwerk. Pelo que, mesmo contemporâneas de alguns discos que ajudaram a escrever a história da música popular, as ideias que encontramos neste disco são, tanto como as que escutámos em discos pioneiros de nomes como os Human League, DAF, Cabaret Voltaire ou OMD entre finais dos setentas e inícios dos oitentas, primeiras manifestações de descendência direta dos Kraftwerk. Estas por acaso nascidas “em casa”. Mas fechadas numa gaveta anos a fio. Até que alguém teve a boa ideia de convidar o dono da chave a deixá-las de lá sair. Off The Record é assim, mesmo lançado em 2013, um disco que nos faz pensar nessa etapa em que a canção procurava nova voz (e sentido), explorando as novas electrónicas. Podemos assim sentir, como aconteceu por exemplo com o álbum do projeto The Devils (aventura de Nick Rhodes e Stephen Duffy que, em 2003, regravou os temas, ainda inédoitos, da formação inicial dos Duran Duran em 1978), que há aqui uma carga de “arquivo”. Mas a luz pop que exala destes temas, o fulgor de verdade pioneira que as atravessa e o relativo silêncio que desde 2003 nos chega de campos kraftwerkianos (salvo as atuações, gravações ao vivo e reedições) fazem deste um mimo saboroso para quaisquer admiradores dos fab four da música electrónica.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Ele também foi um 'robot'

É verdade que I Was A Robot é o título de uma autobiografia do ex-Kraftwerk Wolfgang Flur. Mas Karl Bartos também integrou a banda, sendo um dos quatro de Dussldorf entre 1975 e 1990. Este ano o músico regressa aos discos, anunciando para breve o lançamento de Off The Record, o seu segundo álbum em nome próprio. Com genética muito kraftwerkiania aqui fica Atomium, o cartão de visita... Confesso que não fiquei entusiasmado.

sexta-feira, novembro 09, 2012

Concertos na alemanha (e caixa em alemão)

Depois de terem apresentado um percurso integral pelos seus álbuns editados depois de Autubahn (1974) no MoMA, em Nova Iorque, os Kraftwerk anunciam agora semelhante série de atuações no museu Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, na Alemanha. As atuações estão marcadas para um período entre os dias 11 e 20 de janeiro de 2013. A série de concertos Der Katalog – 1 2 3 4 5 6 7 8 será acompanhada pela inauguração de uma exposição de fotografias no NRW Forum e pela edição de uma caixa antológica da sua discografia semelhante à que já editaram, mas com as versões em alemão dos seus discos.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Got my 'Mojo' working...


Nos últimos tempos a revista não tem "trabalhado" para o que me interessa ler... Mas a edição deste mês da Mojo recupera uma lógica de ‘dossier’ que gera um dos seus melhores números dos últimos meses. A premissa que lança a ideia é interessante: como é que as electrónicas “salvaram” David Bowie?... Alude-se, naturalmente, aquele tempo em meados dos anos 70 quando, depois de Diamond Dogs e Young Americans, Bowie vivia em Los Angeles e passava alguns dos episódios de maior solidão e assombramento da sua vida. A música dos Kraftwerk e outros pioneiros das electrónicas entra em cena. Rumará mais tarde a Berlim. Jon Savage, um veterano da “escrítica” pop, parte de All Saints, uma antologia que recupera peças instrumentais (na sua maioria de finais de 70) para redescobrir como as electrónicas influenciaram e mudaram a música de David Bowie. E, de certa forma, como a adesão de Bowie ajudou a passar a mensagem mais adiante... O dossier junta uma lista de 50 temas fundamentais da história das electrónicas (como todas as listas, há sempre quem possa fazer outra bem diferente). Há um texto de Jean Michel Jarre, um outro de Martin Gore (dos Depeche Mode)... E um CD com faixas de nomes que vão de Fad Gadget, Daf, Can ou Cabaret Voltaire aos LCD Soundsystem, Photek ou Daft Punk. Bela edição, sim senhor...

PS. O título do post, para quem não conhece, alude a uma canção celebrizada por Muddy Waters. 

terça-feira, abril 10, 2012

Uma semana em Nova Iorque


Os Kraftwerk iniciam hoje uma residência de oito dias no MoMA, em Nova Iorque, propondo a cada dia a apresentação de um dos álbuns lançados entre Autobahn (1974) e Tour de France – Soundtracks (2003). A série Kraftwerk – Retrospective 1 2 3 4 5 6 7 8 vai ter lugar no The Donald B. and Catherine C. Marron Atrium (no piso 2 do museu) apresentará visualizações de imagens dos oito discos usando tecnologia 3D. Todas as sessões estão já esgotadas.

Autobahn (1974) – 10 de Abril, 20.30
Radio-Activity (1975) – 11 de Abril, 20.30
Trans Europe Express (1977) – 12 de Abril, 22.00
The Man-Machine (1978) – 13 de Abril, 20.30
Computer World (1981) – 14 de Abril, 20.30
Techno Pop (originalmente editado como Electric Cafe, 1986) – 15 de Abril, 20.30
The Mix (1991) – 16 de Abril, 20.30
Tour de France - Soundtracks (2003) – 17 de Abril, 22.00

A assinalar esta ocasião as lojas do museu estão a vender uma caixa em edição limitada de 2000 unidades com a obra do grupo em CD. A caixa The Catalogue, numerada, custa 159,95 dólares.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Kraftwerk: oito dias no MoMA


Os Kraftwerk anunciaram uma residência de oito datas no MoMA, em Nova Iorque, entre 10 e 17 de Abril, durante as quais irão apresentar, na íntegra, os oito álbuns que editaram entre 1974 (Autobahn) e 2003 (Tour de France – Soundtracks). Com o título conjunto Kraftwerk – Retrospective 1 2 3 4 5 6 7 8, esta série de concertos (a ter lugar no The Donald B. and Catherine C. Marron Atrium, no piso 2 do museu) vai apresentar visualizações de imagens dos oito discos usando tecnologia 3D. Os bilhetes serão colocados à venda dia 22 deste mês, ao preço de 25 dólares.

1 – Autobahn (1974) – 10 de Abril, 20.30
2 – Radio-Activity (1975) – 11 de Abril, 20.30
3 – Trans Europe Express (1977) – 12 de Abril, 22.00
4 – The Man-Machine (1978) – 13 de Abril, 20.30
5 – Computer World (1981) – 14 de Abril, 20.30
6 – Techno Pop (1986) – 15 de Abril, 20.30
7 – The Mix (1991) – 16 de Abril, 20.30
8 – Tour de France (2003) – 17 de Abril, 22.00

Mais informação aqui.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Olhar (e transformar)



Fotos: Artomattic

O tumblr Artomattic apresenta uma série de visões de capas de discos com história. Em sucessão mostramos aqui as interpretações de David Marsh para With The Beatles dos Beatles, Aladdin Sane de David Bowie e The Man Machine dos Kraftwerk. Entre as demais criações já apresentadas contam-se ainda, entre outras, visões para as capas de Screamadelica, dos Primal Scream, Odelay de Beck, London Calling dos Clash, Animals dos Pink Floyd, Fools Gold dos Stone Roses ou True Faith dos New Order.

Podem ver estas e outras capas aqui.

sábado, novembro 19, 2011

Kraftwerk, 1986


Foi há precisamente 25 anos que os Kraftwerk calaram o silêncio que se seguira ao lançamento de Tour de France, single editado em 1983 que, supostamente, abria espaço para um álbum que acabaram por nunca concluir como exactamente previsto (e que teve como título de trabalho Techno Pop). No lugar desse projecto acabaria por entrar em cena o disco Electric Café, um exercício de ascetismo minimalista muitas vezes injustamente encarado como um episódio menor na obra do quarteto alemão. Assinalamos assim os 25 anos do lançamento desse álbum através daquele que foi, também então o seu cartão de visita: o single Music Non Stop. Aqui fica o teledisco.

domingo, outubro 30, 2011

Entrevistas de arquivo:
Kraftwerk, 2004


Globalmente reconhecimentos como os pais da música pop electrónica, os Kraftwerk estrearam-se num palco português no Coliseu dos Recreios (Lisboa), a 2 de Abril de 2004. Fundador, em 1969, dos Kraftwerk, Ralf Hütter, habitualmente pouco dado a entrevistas, falou ao DN na véspera do concerto. Esta entrevista foi publicada na edição de 2 de Abril de 2004 do DN. 

Ao fim de mais de 30 anos de actividade, qual é o motor que faz ainda andar os Kraftwerk? 
Creio que a aerodinâmica, a dinâmica, a energia dos Kraftwerk e uma certa fascinação pelos sons electrónicos. Temos o nosso próprio estúdio, o Kling Klang Studio, que é como que um instrumento para os Kraftwerk. E agora, no seu novo formato digital, é mais portátil, pode viajar... Pela primeira vez podemos tocar a nossa música em sincronismo com gráficos gerados por computador ou imagens vídeo, pinturas electrónicas... Tudo o que a tecnologia hoje permite! Estamos muito felizes porque nesta digressão mundial, podemos apresentar, finalmente, as coisas que queremos segundo uma visão que há muito tínhamos. Essa visão é, agora, para nós, uma realidade.

Quer isso dizer que a tecnologia do século XXI deu finalmente resposta para velhas ânsias vossas? 
Exactamente. Deu-nos ferramentas para poder tornar reais certas visões nossas. E também mobilidade, movimento... Sempre nos interessámos bastante pelo movimento, daí a conhecida velha fascinação pelo ciclismo. Movimento... Movimento...

De que maneira a tecnologia mais recente vos obrigou a encarar de outra formo vosso trabalho musical? Hoje há ferramentas que não existiam nos anos 70 e 80... 
Eu e o meu amigo Florian Schneider criámos o nosso Kling Klang Studio em 1970. Despendemos então muito tempo na sua construção para que assim conseguíssemos ser independentes e autónomos. Mas os nossos primeiros sintetizadores eram enormes e estavam constantemente a desafinar. Eram muito caros... O nosso primeiro sintetizador foi tão caro como o meu Volkswagen, que é o que está na capa de Autobahn. Sendo estudantes, tínhamos então os nossos problemas naturais... O Florian desenvolveu então o nosso primeiro instrumento electrónico de percussão, a partir de um outro órgão meu. Um amigo nosso, que era pintor, trabalhava connosco pintando as capas dos discos... Envolvíamo-nos em inúmeros projectos além da música, num contexto multimédia electrónico. E agora estamos a fazer a estreia mundial do nosso protótipo móvel Kraftwerk 2002. Tocámos em Paris, a cidade da música, e depois passámos pela Austrália, Japão... Em Fevereiro começámos a digressão mundial de 2004 na Escandinávia, seguindo depois para o Reino Unido e a Alemanha, onde não tocávamos há 13 anos. Hoje podemos viajar e ser como pilotos de ensaio para software electrónico relacionado com a música. Continuamos, hoje, a trabalhar com o mesmo engenheiro musical que nos acompanha há mais de 20 anos, desde o The Man Machine... É um processo de continuidade...

Acolheram com agrado a entrada em cena do sampler?
Tivemos o nosso primeiro sampler nos inícios dos anos 80. Ainda não eram de grande qualidade. Eram mesmo lo-fi! Mas tinham o seu charme. No passado tínhamos trabalhado com fitas, que cortávamos com lâminas para gerar padrões, tal e qual fizemos no Metal on Metal, no álbum Trans Europe Express. Tentámos ser sempre independentes dentro do nosso contexto. Hoje em dia temos os instrumentos.

A tecnologia evoluiu na nossa direcção.
Isso faz-nos muito felizes. Esperámos bastante tempo por um regresso vosso aos discos.

Havia alguma ansiedade entre vós enquanto o terminavam? 
Não. Ao mesmo tempo estivemos a trabalhar na adaptação aos formatos digitais de toda a música dos Kraftwerk. Tínhamos fitas muito antigas que se estavam a degradar e havia muito trabalho para fazer. Estivemos a transformar 33 anos de trabalho de arquivo dos Kraftwerk em formato digital. Hoje todos os sons originais estão disponíveis e vamos brevemente lançar versões remasterizadas de todos os nossos álbuns desde Autobahn. Essa edição vai chamar-se The Catalog, em alemão Der Katalog. São gravações digitais de alta qualidade. E o grafismo dos discos vai incluir ideias que não pudemos usar no passado.

Como é que têm reagido perante tantos anos sucessivos de contínuos elogios à vossa música? 
Isso é muito positivo. É um feed back muito positivo, é uma energia que nos é devolvida, vindo das mais diversas culturas e contextos. Vêm de Tóquio, da Bélgica, de Detroit... De situações hi tech...

Um elogio de David Bowie em 1974 ou de um Aphex Twin em 90 desencadeia reacções diferentes entre vós? 
Quando começámos, em 1968, éramos estudantes e não tínhamos acesso à cena musical. Tocávamos, então, em festas de estudantes e em galerias de arte, e aí a nossa música era sempre bem-vinda...Houve, com o tempo, respostas muito positivas de outros artistas que nos deram outro tipo de feed back. E um incentivo a continuar...


Ainda hoje estão atentos à música electrónica que nasce além das paredes dos estúdios Kling Klang? 
Sim, bastante. Quando viajamos, seja para concertos ou nem por isso, saímos com amigos e vamos a clubes onde ouvimos a música de dança electrónica que ali se toca. O som do ambiente também nos interessa. As nossas orelhas são como microfones, e captamos ideias nas nossas experiências do dia a dia.

O vosso site na Internet aposta claramente numa linguagem que promove a interacção. Como desenvolveram as ideias que ali aplicam? 
Nós desenvolvemos entre nós todas as ideias, elaboramos uma espécie de script, e temos depois quem esteja a trabalhar directamente com os programas de computador, a desenhar em flash... Como vê estamos envolvidos em todos os aspectos dos Kraftwerk. Fazemos as capas dos álbuns, pinturas, gráficos de computador, fotografias...Os Kraftwerk são um conceito total. Faço isto com o meu amigo Florian Schneider [o músico entretanto afastou-se do grupo] há mais de 30 anos. O Mr. Kling e o Mr. Klang...Tudo o que está em redor dos Kraftwerk é uma arte total.

Porque houve sempre uma certa aura de mistério em redor dos Kraftwerk, sobretudo na imprensa musical dos anos 70?
Talvez porque as pessoas não nos compreendiam...

Construíram então a identidade do grupo numa espécie de oposição à iconologia tradicional do rock'n'roll... 
Tudo veio do nosso trabalho em estúdio, o nosso trabalho musical.Inventámos nos anos 70 um conceito a que chamámos a semana de 168 horas.

Trabalho e mais trabalho... 
Sim, é a única coisa que fazemos. E quando não estamos a trabalhar em coisas relacionadas com os Kraftwerk gostamos de andar de bicicleta, que nos parece envolver o mesmo nível de energia que a criação musical. E é algo que aponta sempre em frente.

Gostam mais de se apresentar ao vivo num palco ou de passar horas a trabalhar no estúdio? 
Gostamos das duas coisas. Tudo tem a ver com Kraftwerk, e o conceito é o de trazer à vida todas as nossas ideias audiovisuais. E as pessoas compreendem. As evidências falam por si. Caso contrário estaríamos a trabalhar em literatura. Mas a verdade é que escrevemos poucas palavras nas nossas letras. Usamos apenas palavras-chave.

Podemos esperar uma edição em DVD desta digressão? 
Sim, estamos trabalhar nisso mesmo. Vamos tocar até Julho, e depois temos convites para fazer festivais. No ano passado fomos convidados para a Volta a França e estávamos por lá ao mesmo tempo que acabávamos o trabalho no álbum. O disco saiu quando a Volta à França chegou ao fim.

Vamos esperar muito tempo por um próximo disco? 
Mal acabe a digressão voltamos ao estúdio para começar a trabalhar em música nova...

domingo, abril 03, 2011

Um olhar panorâmico

Discografia Kraftwerk - 44
'The Catalogue' (caixa), 2009



Criada em 2004, mas lançada apenas em 2009, a caixa The Catalogue (editada na Alemanha como Der Katalog) é um olhar transversal quase integral da obra dos Kraftwerk posterior a 1974 incluindo os sete discos de originais, mais o álbum de remisturas que o grupo lançou tomando Autobahn como ponto de partida. A grande novidade que traz esta caixa é o facto de encarar o álbum Electric Cafe, de 1986, segundo o título original (Electro Pop), apresentando o álbum ligeiras alterações no alinhamento. Os discos apresentam-se todos com som remasterizado e com novas capas, algumas mais próximas das originais, outras nem por isso.

domingo, março 27, 2011

Os "mestres", vistos pelos Hot Chip

Discografia Kraftwerk - 43
'Aerodynamik + La Forme Remixes' (single), 2007



Em 2007 nova incursão através dos universos da música do álbum Tour de France Soundtracks, que assinalara em 2003 o regresso aos discos dos Kraftwerk. Desta vez na forma de um single, propondo remisturas assinadas pelos Hot Chip. Pelo alinhamento do novo single, que teve bem discreta recepção, passaram assim remisturas de Aerodynamik e La Forme.

sábado, março 26, 2011

Ao vivo...

Discografia Kraftwerk - 42
'Minimum / Maximum'(álbum ao vivo), 2005




Em 2005, na sequência da extensa digressão mundial do ano anterior, os Kraftwerk editararam o álbum ao vivo Minimum / Maximum. O disco, que junta excertos da gravação de concertos em várias cidades, apresenta o tema novo Planet Of Visions, uma versão de uma remistura de Expo 2000. O disco foi lançado em formato de CD duplo (e vinil quádruplo), estando as mesmas gravações igualmente editadas em DVD. Segundo regras da etapa histórica da vida do grupo, o disco surgiu em versões diferentes entre o mercado alemão e o circuito internacional, algumas das canções surgindo na língua-mãe do grupo na sua edição local.

domingo, março 20, 2011

Coisas da aerodinâmica

Discografia Kraftwerk - 41
'Aerodynamik' (single), 2004



Perto de um ano depois do lançamento de Tour de France – Soundtracks, um novo single foi extraído do seu alinhamento, surgindo no formato de single através de uma série de novas misturas. A escolha apontou ao tema Aerodynamik. A assinar as novas misturas surgiram nomes como Alex Gopher, Etienne de Crècy ou François Kevorkian.